Notas iniciais
Hoje é o aniversário de uma pessoa que se tornou MUITO importante para mim! É o aniversário da Aninha!!! Eu te desejo o melhor nesse mundo, Ana-chan! Obrigado por ser uma amiga tão querida, uma desenhista maravilhosa, por deixar reviews gigantes e lindos, por aturar minhas bobagens... Eu te amo muito!! Éssi dois *_*

AKAI ITO

Aquela era uma tarde fria, mas agradável. Por vezes, algumas folhas caídas no caminho de concreto do parque eram erguidas a poucos centímetros do chão pelo vento suave que soprava, também bagunçando os cabelos castanhos da jovem sentada em um dos bancos de metal. Ela deslizava com leveza o grafite do lápis sobre a superfície branca do papel; o vento teimava em tentar lhe atrapalhar, sacudindo as bordas das folhas. Com toda a calma e paciência, a desenhista alisava o papel com a lateral da mão, tentando segurá-lo e mantê-lo firme sob seus traços. Ela estava decidida a não se incomodar em seu horário de lazer.

O parque não estava tranquilo nem silencioso naquela tarde, como era usual. Havia gente por todo lado: crianças brincando na grama, pessoas passeando e conversando, desportistas jovens e idosos exercitando-se com as mais diversas atividades. Mas aquele era o tipo de agitação que fazia bem, mesmo a quem só queria um pouco de sossego. Como era o caso de Ana, que rabiscava em seu caderno de desenho traços avulsos e despretensiosos. Ela só estava procurando um lugar para se distrair, um lugar onde pudesse relaxar e se perder em seu próprio mundo delineado... E ali ela conseguia o que queria. Ana sorria junto às gargalhadas que pareciam tão longe, ela encontrava novos perfis para seus personagens, novas maneiras de olhar, de falar, de sorrir... Ali ela conseguia inspiração para desenhar.

Ana voltou a concentrar-se no caderno em seu colo, analisando o que tinha feito até então. Havia apenas um garoto e uma garota desenhados no centro da folha, ele piscando, ela acenando, os dois sorrindo. Ela tinha os cabelos longos, as roupas casuais e simples, sem nada muito chamativo. Ele tinha os cabelos curtos e arrepiados, as roupas mais detalhadas e estilosas. Eles estavam um pouco distantes um do outro, mas uma pequena linha os unia pelos dedos mínimos. Ana sorriu de canto. Era um desenho tão bobo, mas tinha ficado bonitinho até...

- Sumimasen... Poderia me dar uma informação?

A garota de cabelos castanhos ergueu o rosto devagar para encarar o dono da voz grave. O rapaz estava parado de pé ao seu lado, encarando-a com a expressão típica de quem pede informação. Ana franziu o cenho para a claridade do céu azul e então corou.

- S-sim?

- Sabe me dizer onde fica uma loja de música? Ahn, o nome é... – o rapaz coçou a nuca, os cabelos curtos e louros imóveis devido ao fixador que ele devia usar – Puxa, qual é o nome mesmo? Hum...

Ana olhou discretamente para a esquerda e para a direita. Havia outras pessoas no parque, com certeza muitas pareciam ter mais afinidade com música do que ela, que estava apenas sentada, desenhando, uma pessoa simples e comum.

- Loja de música? – ela disse em sua voz delicada, franzindo ainda mais o cenho – Aqui perto?

- Hai, tem uma loja de música aqui perto... Eu acho... – ele riu de sua própria confusão, exibindo todos os dentes brancos – Chama... Nananã Store...?

- Nani?

- Maji? Eu disse “nananã”.

- A loja chama “Nananã”? – ela estranhou, não contendo uma nota de ironia na voz meiga.

- Não, claro que não – ele riu ainda mais – É que eu não estou me lembrando do nome exato. Mas tem o “Store”...

- Está realmente ajudando dessa forma... – ela devolveu o sorriso debochado. O rapaz ergueu as sobrancelhas, parecendo surpreso com aquele tipo de reação. Ana refreou o instinto de desviar o olhar e continuou encarando-o. O jovem alargou o sorriso.

- Mas você não sabe de nenhum lugar assim por aqui?

- Bom, aqui na volta do parque exatamente, não...

- Mas...?

- Talvez... Eu saiba de qual lugar está falando...

Os olhos muito pequenos e escuros do rapaz se iluminaram. Ele se sentou ao lado de Ana no banco, tocando-a levemente no braço.

- E você saberia me explicar onde fica?

- Eu... – ela pareceu hesitar, encabulada. O rapaz apoiou o cotovelo no encosto do banco, olhando a paisagem à sua volta. Ana pensou que ele devia estar procurando alguém mais informado para perguntar.

- Faz tanto tempo que eu não venho aqui que eu já não conheço muito bem a cidade... – ele explicava, mas não falava diretamente com ela, parecia apenas pensar em voz alta. Ana voltou-se para o seu caderno, virando a folha – Acho que para lá tem alguns estabelecimentos do tipo... Ou é para lá? Ele tinha me dito, passando o parque, rua... Maji?

Ana arrancou a folha do caderno e estendeu-a ao moço. Ela levantou-se em seguida, lhe dirigindo uma pequena reverência e um sorriso sutil, distanciando-se a passos curtos e rápidos pelo mesmo caminho que ele fizera até ela.

O rapaz encarou as costas da jovem por um tempo, onde os cabelos longos dançavam de um lado para o outro. Ele não conseguiu esboçar nenhuma reação ao vê-la partir, sequer formar uma frase coerente. Quando percebeu, ficara apenas com a folha na mão. Ele não sabia nem o nome dela.

Akira observou o papel que agora tinha em mãos sem vê-lo realmente. Após vários segundos ele notou que havia um pequeno mapa desenhado, o parque onde ele se encontrava à esquerda da folha, de onde seguiam algumas ruas e o caminho que ele devia tomar até a loja que procurava. De fato, não era muito longe dali, apenas duas quadras e meia.

Akira ergueu o olhar tentando reencontrar a jovem na multidão de pessoas que transitava pelo parque. Ele não a avistou em lugar nenhum. Sequer pudera agradecê-la pela ajuda.

O loiro se levantou do banco, esticando-se brevemente para seguir seu caminho. Ele virou a folha mais uma vez nas mãos e então notou o verso: o desenho de um casal unido pela akai ito. A garota tinha os mesmos cabelos longos e bonitos da desenhista. O garoto era quase o seu retrato falado.

Akira começou a caminhar com um novo sorriso nos lábios. Ainda de cabeça baixa, encarando o belo desenho, Akira não notou estar indo na direção oposta à da loja que procurava.

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