Akai
3 Capítulo 2: Camélia
Notas iniciais
AKAI é uma fic que estou construindo aos poucos, sem correr com a história, me perdendo em tantos sentimentos e desejos.
Quente, era exatamente essa a palavra que descrevia o apartamento 32, tão contraditório com o clima gelado chegando aos 6 graus naquela tarde de sexta-feira. Mas como Mello pode encontrar jeito melhor de descrever a cena que via? Um Matt de regata colada e seu shorts indecente, inocente ali batendo um bolo enquanto rebolava ao som de um funk alto e ruidoso sendo cantado com maestria pela voz forte de mc Catra, por favor né?!
- Ca-ra-lho _ele mexeu os lábios sem soltar som algum, passou a mão no rosto e deixou a sacola em qualquer lugar, Matt só percebeu que estava sendo observado quando, Mello já muito próximo ainda teve tempo de morder seu pescoço, antes dele virar assustado.
- Me... _o resto da frase ficou embolado em sua garganta junto com um gemido.
- Não ouse parar, rebola sua vagabunda!
- Para! Eu não vi que você estava ai!! _de fato se assustou a principio, mas assim que sentiu a mão travessa do loiro puxar seu shorts mais para baixo, cedeu. Afinal, como não ceder a um puta loiro gostoso te assediando? Por favor pela segunda vez né!?
Faz por merecer, que eu faço valer apena... empina vai se movimenta, empina vai se movimenta! E eles não conseguiram ouvir se quer mais meia música, logo o bolo estava esquecido, o cachorro latindo de fome e Mello de quatro apoiando as mãos com força na mesa de vidro.
- Onde você... aprendeu a ouvir aquelas musicas? _Mello perguntou ainda ofegante enquanto vestia um roupão para não congelar.
- Facebook é um lugar interessante... para se aprender... novas coisas _explicou com pausas entre uma puxada de ar e outra.
- Vou fazer o meu hoje mesmo _concluiu dando um sorriso tarado ao mesmo tempo em que jogava os cabelos molhados pelo suor – de quase duas horas de sexo – para trás.
- ... _fechou os olhos com força, se estapeou mentalmente por mal conseguir se conter diante a sedução do marido.
- Banho _anunciou depois de limpar o chão da cozinha onde fizeram um belo estrago, Matt veio logo atrás dele tão cansado quanto já que fora o ativo da vez, mas quem sabe Mello ainda não estaria disposto o suficiente para um segundo round?
A hora a mais de sexo rendeu um banho nada ecológico, porém regado de suspiros e luxuria o que certamente seria uma compensação diante a conta de água e luz daquele mês. A noite morna mais uma vez envolvia o loiro num cochilo tranquilo, deitara na cama após o banho ainda com a toalha enrolada na cintura a espera de Matt que fora alimentar o Sr. Pulgas e tentar salvar o bolo – se as formigas não tivessem invadido a massa esquecida em cima da pia.
Sonolento e com uma preguiça descomunal, o ruivo terminou seus afazeres mais urgentes, deixou o forno no timer para desligar em 40 minutos e assim que passou pelo seu pequeno jardim, que não passava de um grande vaso de terra no beiral da janela, lembrou-se das camélias vermelhas que tinha plantado a algum tempo atrás, usou de um copo plástico para rega-las e suspirou. Comprou as flores inicialmente para dar um ar mais romântico a casa, não que ele ou Mello ligassem muito para isso, mas sentia falta de um lugar mais aconchegante e queria chamar aquele apartamento de lar independente do tempo que morassem lá; como elas demoraram muito para nascer e já quase desistindo resolveu que trocaria por alguma coisa que o loiro pudesse usar em suas receitas – como cebolinha ou salsinha – assim teria pelo menos alguma utilidade e pararia com as reclamações do mesmo para com aquele pedaço de terra que tanto sujava o batente da janela. Sendo assim decidido, o ruivo foi surpreendido por pequenas mudinhas no dia seguinte e animado, prometeu fazer um pequeno buquê para o marido em agradecimento a paciência com seus pequenos mimos.
- Mais uma ou duas semanas e estarão perfeitas! Depois plantarei... as... e... ervas para Mello _deu um grande bocejo enquanto terminava a frase e resolveu que já era hora de finalmente descansar.
O relógio bateu oito horas na sala de estar, uma peça antiga mandada pelo Sr Roger a dois anos quando finalmente obtiveram um endereço fixo. O grande ponteiro de prata finalmente deslizou para o minuto seguinte parando com o barulho estridente dos sinos postos a baixo; presos por dois cordões folhados a ouro, eles eram acionados de hora em hora soando não mais do que o necessário, além desses detalhes nada modestos, a madeira era de um carvalho raríssimo e para completar, o tampo de cristal fino fora detalhado com mais ouro e alguma pedra no tom lilás que o casal desconhecia.
- Odeio aquele relógio... _Mello resmungou ainda sonolento, puxou Matt para mais perto de si sentindo o aroma cítrico de seu xampu e sorrindo minimamente.
Do outro lado da rua, dois homens observavam o apartamento com curiosidade, não era o maior, nem o mais bonito e com certeza nem o mais luxuoso, mas isso não desanimou o casal.
L abriu um meio sorriso e chamou pelo nome de Mello na portaria, o velho ergueu os óculos até a altura certa e fitou o japonês alto ao seu lado que mexia no celular sem preocupação.
- ...só um momento _pegou o interfone encardido de sua pequena mesa e esperou que alguém o atendesse.
Impaciente, Light soltou um breve suspiro, apoiou a cabeça no ombro de seu esposo ganhando um afago nos cabelos como resposta.
- Podem subir _anunciou o idoso sem mudar sua expressão fechada _apartamento 32.
- Obrigado _L respondeu agarrando a mão de Light e se dirigindo para um dos elevadores.
- Odeio esse clima escuro _o mais alto resmungou enquanto espiava pela ultima vez o céu de Londres antes de entrar na plataforma revestida por um áspero tapete vermelho, mas de aparência limpa.
- Londres tem sua beleza..
O moreno empurrou a porta de madeira clara quando chegaram ao andar e hesitou por um momento em dúvida de qual campainha tocar, talvez o porteiro tenha dito numero 32... ou 34, não prestara atenção. Resolveu por fim tocar a da direita e esperou ansioso, afinal já fazia dois longos anos.
Depois de alguns segundos puderam ouvir o ruído de passos pesados e chaves, a porta fora aberta por Mello que sorriu animado ao ver seu tutor lhe dando boa noite.
- Sejam bem vindos _apertou a mão de ambos e em seguida dando espaço para entrarem _fiquem a vontade... acho que Matt já aparece por aqui _coçou a parte de trás da cabeça um pouco sem jeito.
- Desculpe-nos por aparecer de repente _L recusou os chinelos e se dirigiu para o sofá sentando do seu jeito habitual.
- Oi... _o ruivo apareceu ainda esfregando os olhos e uma aparente tentativa frustrada de arrumar os cabelos _caramba, eu até achei que o Mels estava maluco quando disse quem estava na porta! Sejam bem vindos.
- Obrigado pela hospitalidade _Light se acomodou ao lado do marido depois de cumprimentar Matt.
- Near ainda está morando na fundação?
- Acho que sim, L _Mello respondeu num tom de voz mais alto, pois se encontrava na cozinha preparando chá para as visitas.
- Hum... bem cômodo _riu.
- Você também parece muito acomodado no Japão _Light sorriu de canto _o detetive que viajava o mundo... _deu ênfase para o viajava e revirou os olhos.
- Oras, eu tenho que ficar ao lado do meu marido não?
- Parece que todos estão bem acomodados, viramos um bando de preguiçosos isso sim _Matt riu ganhando a aprovação de todos.
- Na verdade, atualmente estamos trabalhando em um caso no Japão mesmo. Alias, parece que aquele país atrai coisas misteriosas, as pessoas tem um QI bem assustador _o moreno roeu a unha despreocupado_ muito interessante.
- Ficam aqui por quanto tempo? _Mello serviu chá e bolo para ambos.
- Até o final do mês, estamos aqui a negócios e aproveitando para tirar férias também _Light aceitou a xícara agradecendo com um aceno.
- Mas além disso, preciso fazer-lhes um pedido... estou procurando por uma pessoa.
- Diga _o loiro se fez sério e ficou esperando a resposta paciente enquanto via o moreno a sua frente colocar exatos seis cubos de açúcar em seu chá.
- Beyond Birthday fugiu da prisão faz três dias _respondeu calmamente _a policia já nos forneceu todos os dados existentes, tudo o que nos resta agora é prestar atenção ao nosso redor e obter pistas.
- Beyond? _Matt se manifestou antes de mais informações.
Um silêncio incomodo se formou, B nunca fora um assunto simples para L e, tirando Matt que estava por fora do assunto, ninguém quis realmente lembrar todos os fatos que aconteceram naquele passado tão macabro. Novamente o relógio soou indicando que já eram 9 horas, L levou as mãos aos ouvidos por instinto fazendo o homem ao seu lado segurar seus ombros preocupado.
- Está tudo bem, é só o relógio.
- ...eu odeio esse relógio, não sei por que o Sr Roger deu ele a vocês _olhou de canto para a peça fazendo um bico.
- O velho disse que era um bom presente _Mello deu os ombros _mas eu também detesto.
- Bom... Beyond é o meu irmão mais velho _explicou L medindo qual dos dois assuntos era menos desagradável, ele iria detestar ter que explicar por que odiava sinos_ ele foi o responsável por um caso que eu resolvi a muitos anos atrás.
- Depois podemos mandar mais informações a vocês _ofereceu Light tentando ser mais simpático, não estava muito familiarizado com os gênios.
- Obrigado, mas o que querem que façamos exatamente? Instalar algumas câmeras, ficar de olho nos relatórios policiais... _Matt se animou pensando em várias possibilidades de uma grande diversão.
- Ah não, não _o moreno abriu um sorriso sem graça _apenas fiquem de olho nas coisas que acontecem por aqui, tenho certeza que isso é o suficiente para duas mentes tão geniais.
- Se precisar de qualquer coisa, sabe que pode contar conosco _Mello se prontificou, o desejo de ainda mostrar que era tão superior quanto qualquer um, era algo que não seria apagado mesmo depois de anos.
- Até ele começar a agir estará tudo bem _L deu os ombros.
A noite passou rápida, Light sentiu seus olhos pesarem, os únicos que ainda falavam animados eram L e Matt que se entupiram e açúcar – o ruivo até passara uma receita de doce e no momento falavam sobre doação de animais.
- L querido, vamos indo? Acordaremos cedo amanhã.
- Não querem ficar? Temos um quarto de hóspede, eu adoraria ouvir mais histórias suas _o ruivo apontou para uma das portas fechadas.
- Não, muito obrigado, mas estamos hospedados perto de nossos compromissos de amanhã e temos outras coisas em mente ainda hoje _o japonês ajudou L a se levantar e pegou seus casacos.
- Tudo bem, mas apareçam mais vezes hum, Matt e eu estamos sempre a disposição.
- O Japão estará esperando vocês quando quiserem também.
- Matt, Mello... _sorriu gentilmente para o casal que estava de mãos dadas _se cuidem, tenho muito orgulho dos meus “alunos”.
- Obrigado L, nós sentimos a sua falta.
Mello e L deram as mãos e se entreolharam, o respeito entre eles era visível, mas além disso os meninos do Wammy tinham entre si um carinho inestimável agindo como uma verdadeira família. Light sentiu um pouco de ciúmes daquele clima familiar, queria ter participado da infância de seu companheiro assim como Matt e Mello, mas ainda sim se sentia muito felizardo por poder fazer parte daquilo tudo – como dizem, antes tarde do que nunca.
Matt fechou a porta assim que o casal entrou no elevador, sentiu um arrepio de frio por estar sem blusa e logo procurou os braços quentes do loiro para se aconchegar.
- ...o que aconteceu, está sério _fez um bico tentando alcançar a cabeleira loira.
- B _respondeu com um ar de cansado balançando a cabeça negativamente.
O ruivo olhou tristonho e mordeu o lábio inferior, estava tentando se lembrar o que tinha acontecido com aquele tal de B para afetar tanto assim o inabalável Mello.
- Não se preocupe amor _desfez a expressão séria e voltou a sorrir, pegou a mão de Matt que tinha parado em seus cabelos e depositou ali um singelo beijo _depois eu te explico melhor quem é ele, por hora vamos apenas descansar, sim?
- Sim!
Como uma criança travessa, Matt começou a fazer cócegas no outro que ria implorando para parar.
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