Aka wa ai no irodesu.
1 Azul é a melhor cor.
Notas iniciais
"Numa antiga primavera, eu e a minha pessoa favorita no mundo corriamos entre as sakuras do palácio. A Aiko-chan era a princesa do reino Heian, e também a minha melhor amiga. Os nossos pais eram, igual a nós, melhores amigos e aliados. O reino Yamatai e o reino Heian viveram em harmonia por muitos anos, um sempre ajudando o outro em tudo. O cabelo da Aiko é da cor das flores que tem nas sakuras, um rosa claro, que combina perfeitamente com o rosto dela. Eu sempre costumava dizer que o cabelo da Aiko era rebelde, que nem ela. Por quê ele nunca ficava arrumado, era grande e volumoso, porém se movia conforme o vento ditava.
Ela corria e subia nas sakuras, tinhamos um tipo de brincadeira boba baseada em confiança que ela inventara. Ela subia num dos galhos da sakura e eu ficava em baixo, a observando; o corpo pequeno dela se movia rapidamente pelo galho não tão resistente da sakura e as vezes sua yukata ficava presa em alguns galhos, o que dificultava sua locomoção, mas ela sempre tinha um sorriso meigo no rosto. Aiko se pendurou no galho e ficou se balançando, falando de um jeito bobo e alegre enquanto o corpo pequeno ia e voltava.
— Akki-san, vai me pegar, não vai? Não me deixe cair, se não eu nunca mais venho brincar com você!
Eu, ainda preocupado com que aquele maldito galho quebrasse e ela acabasse se machucando, resmungava:
— Nada de ameaças aqui, mocinha. Apenas largue esse galho, logo. Confie em mim, pode soltar! — E assim eu esticava meus braços e ela se soltava, eu amortecia a queda dela com meu corpo, pois acabava caindo no chão, já que ambos eramos pequenos.
— Akki-san, você precisa ficar mais forte! Quando vai poder me pegar sem cair?
— Em breve eu serei o mais forte de todo o reino! Eu prometo.
E assim faziamos todos os dias pela tarde, depois voltavamos ao palácio e fugiamos dos servos que sempre estavam a nossa procura. Tinhamos sete anos nessa época, e eu nunca tive nenhum outro amigo.
A Aiko era minha única companhia. Também tinha os outros príncipes, o Kenshin e o Ichiro, que eram dos reinos Kamikaze e Kamakura, mas eles não me visitavam muito, vez ou outra com seus pais para negócios ou discussões sobre o futuro dos reinos ou coisas assim.
Um tempo se passou e eu já estava com quinze anos, fazera dois anos que eu não via a Aiko. O reino dela estava passando por crises e ela deveria ficar lá, apoiando a sua família e ajudando. Eu sentia falta da minha melhor amiga.
E passava a maioria do meu tempo treinando com a katana, ou com o arco. Fazia isso em segredo desde quando era mais novo, e só a Aiko sabia.
Certo dia meu pai acabou descobrindo isso, mas me apoiou, somente reclamou dos machucados que eu tinha por treinar tanto, as vezes. Meu pai era o que mais me ajudava no meu treinamento, e eu conseguia ficar cada vez mais habilidoso. Aos dez anos, ele me arrumou um tipo de guarda costas.
Eu lembro de ter uma admiração enorme pela linda katana que ele tem, era uma sakabatou, uma espada de lâmina invertida, quase incapaz de matar. Ele tem uma política esquisita de nunca querer matar ninguém, pois achava isso um ato de frieza. Mas o mais estranho era que ele adora uma boa luta. Ele também usa um arco de madeira escura e até me disera uma vez: "Denka, eu jurei a uma pessoa que eu amei muito que nunca mataria alguém. Mas se preciso, pra proteger você, eu mato. Seu pai me deu essa tarefa por que ele confia em mim mais do que qualquer pessoa nesse palácio,e eu nunca o decepcionaria. Por isso eu uso o arco. Posso usar ele para matar qualquer um que o ameace, e eu daria minha vida por você. É o meu dever." Até hoje eu lembro disso.
Hoje o Hiromi, meu guarda costas, está mais adulto, mas ainda não perdeu sua personalidade forte e um tanto infantil. Quando eu estava prestes a completar quinze anos, aconteceu um evento que abalou todos os reinos.
Aproveitando a guarda baixa do reino Heian, um reino desconhecido de um país distante atacou o reino e massacrou toda a família real. Porém, o pai da Aiko conseguiu enviar um servo para que levasse a garota para o reino mais próximo, onde sabia que ela seria bem recebida, ou seja, o meu reino.
O novo rei, que liderou o exercito que atacou Heian, era ganancioso e ruim para o povo e não deixava ninguém de fora a não ser mercadores, entrar em Heian. O reino foi praticamente trancado, o rei usurpava o máximo de ouro que podia, tanto do reino quanto do povo que ali residia. Meu pai, o rei de Yamatai, ordenou que espiões disfarçados fossem para Heian para trazer informações, mas dos cinco que foram mandados, somente um voltou, e em péssimas condições. O exercito desse rei, se fortalecia enquanto o tempo passava, se aliando com outros reinos distantes. Os outros reinos, ficaram amedrontados. Temiam que o reino deles fosse o próximo, já que Heian era o reino mais forte que existia entre os quatro reinos do país e ia se fortalecendo mais e mais. Lembro de quando a Aiko chegou em Yamatai.
Ela estava com a yukata rasgada e tinha machucados por todo o corpo, estava chovendo muito naquele dia e ela não conseguia falar direito, somente chorava. Eu tentei a confortar o máximo, pedi para que os servos providenciassem um banho quente e uma yukata nova. Os olhos dela estavam vazios todo o tempo, ela com certeza não esqueceria de tudo que se passara no palácio de Heian, aquilo ficaria pra sempre em sua memória.
— E-Eles cortaram a cabeça da minha mãe na minha frente, Akki.. O otoosan me mandou pra cá com o Yakihiko, o servo que ele mais confiava. E-Eu não sei o que fazer, Akki. Eles mataram a minha família e tomaram o meu reino. O que será de Heian? O que será do povo?
— A-Aiko-chan.. Não chore.. — Murmurei e me arrastei, abraçando o corpo frio da garota que não parava de chorar. Acariciei seus fios molhados e suspirei fundo. Aquilo era traumatizador, eu precisava ajudá-la, eu ia ajudá-la. Com certeza meu pai faria algo para ajudar, aliás, era o reino do seu melhor amigo. — Eu vou te ajudar. Você vai ser a rainha e restabelecer a paz em Heian, eu prometo.
Lembro que a Aiko, mesmo depois de crescida, era apaixonada por yukatas e naquela noite triste ela usara uma yukata azul clara, que combinava com seus olhos que eram da mesma cor. Por um instante ela se animou um pouco, ficou girando pelo quarto e dizendo:
— Olhe, Akkie, estou voando! Eu me movimento que nem o vento. O azul combinou comigo, não foi?
Sorridente, eu respondi:
— Tem razão, Aiko-chan. Azul é a melhor cor."
Notas finais
Obrigada por ler! Atualizarei em breve! Matane! ❤
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