Ajuda-me a Viver

14 O segredo é saber lidar com os fantasmas


Notas iniciais
Hey meninas ♥
Como vão vocês? Este capitulo esta grandão! E é melhor vocês aproveitarem, porque isso não vai acontecer muitas vezes. Temos 12 páginas de muita ... Deixa pra lá ! Vamos ler?
P.s Não esqueçam de ler as notas finais.

Meus olhos se abriram para um quarto branco, aparentemente, desconhecido. Em algum lugar, consigo ouvi um bipe. O bipe que me atormenta. Reparando bem, eu conheço este lugar perfeitamente: é um hospital. Olho para o lado e vejo o Dr. Carlisle em pé com uma prancheta mão.

– Não me diga que eu fraturei novamente a perna? – falei, tentando fazer piada com a situação.

– Desta vez não. – Respondeu ele, com um sorriso nos lábios. – Você sofreu de Hipotensão... Ou melhor, pressão baixa. Você costuma desmaiar?

– Não que eu lembre. – admiti

– Então, no seu caso não foi nada demais. Podemos levar em conta que você provavelmente sofreu fortes emoções. Eu só te peço, Bella, – ele se aproximou de mim – que você tome cuidado. Você ainda está frágil psicologicamente.

– Claro, doutor.

– Se por um acaso esses desmaios continuarem, teremos que fazer alguns exames, mais profundamente.

Assenti.

– E como está sua perna? – perguntou

– Minha perna? Está bem, só um pouco dolorida. – murmurei

– Reparei que ela estava meio arroxeada. Pegue um pouco mais leve na corrida, Bella, se não seu fisioterapeuta pode te dar um puxão de orelha.

– Não, jamais. Não quero desobedecer às ordens do Edward. – disse

– Bom, sua alta está assinada. Você só estava em observação mesmo. – Recebi um sermão com os olhos, e me perguntei como eu cheguei aqui.

– Doutor, quem me trouxe até aqui? – Perguntei

– O Edward. Ele te trouxe imediatamente para o hospital.

– Ah, então foi ele... Ainda está aqui?

– Sim, está lá fora. Bom, Bella, eu preciso ir.

– Espera, Carlisle... Posso te chamar assim? – perguntei envergonhada

– Claro, Bella, sinta-se a vontade. Alguma coisa?

– Eu queria te agradecer pelo o que você fez por mim... Eu não fui muito gentil com você, e nem com ninguém daqui do hospital. Espero que o senhor entenda.

– Bella querida, – ele se aproximou de mim e pegou as minhas mãos – fique sabendo que eu te entendo perfeitamente, querida. Quando precisar, estarei sempre aqui; não só como médico, mas também como amigo.

Percebi de onde vinha toda a compaixão do Edward. Não tem como descrever o que o Carlisle transmitia.

– Obrigada, Carlisle. Você e seu filho são duas pessoas maravilhosas. – admiti.

– Disponha, Bella. Eu e o meu filho gostamos muito de você. Principalmente ele. Com licença.

Dito isso, ele saiu do quarto com um ar risonho. O que ele quis dizer com o “principalmente ele”?

– Bella? – ouvi a voz de Edward. Virei e ele estava na porta do quarto. – Posso entrar? – perguntou-me em um tom baixo e tranquilizador, mas a sua voz ainda estava tensa. Não da mesma forma que ele gritou o meu nome no cemitério, mas como se estivesse preocupado.

– Claro. – respondi.

– Que bom que você está bem; eu fiquei realmente muito preocupado.

– Muito Obrigada por você está aqui... Faz-me sentir menos horrível. – falei tentando não olhar nos seus olhos.

– Bella, olha para mim. – obedeci, fitando aquelas belas esmeraldas. – Você está bem?

Sacudi a cabeça negativamente.

Edward me abraçou. Enterrei a cabeça no seu peito e comecei a chorar.

– Chora... – falou ele afagando o meu braço.

Senti vibrações quando suas mãos tocaram meu corpo. Meu Deus, O que é isso?

– Hoje está sendo um dia muito difícil... – Falei com a voz rouca. Foi a única frase que eu consegui completar.

Ficamos sentados por bastante tempo. Eu chorando e molhando toda a camisa dele, e ele acariciando as minhas costas. Sentir seu toque é tão... Bom.

Quando finalmente o Edward percebeu que eu tinha terminado o meu momento depressão, ele falou:

– Olha, eu acho melhor a gente ir. Precisamos desocupar o quarto... Podemos ir comer alguma coisa. O que acha? – sugeriu, tirando uma mecha, molhada pelas minhas lágrimas, do meu rosto.

– Eu acho ótimo.

– Vai ficar tudo bem, ok? – falou me dando um beijo na testa.

– Você sempre trata as suas pacientes depressivas deste jeito? – questionei, tentando quebrar o clima tenso.

– Não, Bella. – disse ele entre risos. – Você ainda não percebeu que eu não estou aqui como seu médico? Eu me preocupo com você, Bella.

– Porque você se preocupa tanto comigo, Edward? – questionei, sem pensar nas consequências das palavras.

Ele pareceu tentar achar a resposta certa.

– Eu realmente não sei... – hesitou. – Me pergunto isso todos os dias.

E nós ficamos ali, olhando um para outro. O que realmente ele quis dizer com isso?

Ouvi alguém batendo na porta.

– Com licença. Senhorita Isabella, vim te dar as últimas instruções. – disse uma enfermeira.

– Eu vou te esperar lá fora. – falou ele, e eu assenti.

Deu-me um beijo na testa e saiu.

– Aqui estão alguns cuidados com relação ao repouso e alguns medicamentos para a sua perna. – ela me informo, me entregando uma receita médica.

– Obrigada. – agradeci

Levantei e fui arrumar meu cabelo.

– Desculpa me intrometer, senhorita Isabella, mas você e o doutor Edward são namorados?

Virei-me e olhei para a enfermeira.

– Não, somos amigos.

– Ah que pena – falou a mulher tristemente. – Vocês são tão bonitos juntos... E o doutor Edward merece uma mulher. Ele nunca mais foi o mesmo depois da morte da esposa...

Olhei novamente para a enfermeira. Porque ela estava me dizendo isso? Então o Edward é viúvo...

– Foi muito triste, senhora. O doutor Edward nunca mais foi o mesmo. Eu só achei que você poderia fazer ele feliz... Desculpe-me. – Ela se desculpou.

– Não, tudo bem... Como é o nome da senhora? – perguntei a enfermeira.

– Maggie.

– Obrigada pela informação, Maggie.

Ela assentiu e saiu, parecendo um pouco envergonhada pela intromissão.

Agora tudo se encaixava... Tudo que eu o ouvi falar todos esses meses... O jeito de o Jasper falar meio desconfiado...

‘‘... Eu sei o que você está passando... ’’

‘‘... Eu sei o que você estar sentindo. É culpa, não é? ...’’

‘‘... O Edward é meio antissocial... ‘’

O motivo da Alice não conhecer ele... O porquê de ele usar aliança, mas não falar de família... Mas porque ele não me contou? Provavelmente ele não se sente a vontade com relação a isso.

Porque será que a mulher dele morreu? Meu Deus, tantas perguntas! A única pessoa que vai me dizer essas respostas é ele mesmo.

Andei em direção ao Edward. Ele estava encostado em um balcão assinando alguns papeis. Resolvi sentar e esperar que ele terminasse. Ele não notou a minha presença.

Fiquei ali o observando. Será que por trás desse homem alegre e de bem com a vida existe algum sofrimento? Eu não creio. Como ele pode ser assim, do jeito que é, sendo que teve uma perda?

– Bella? – ouvi sua voz de longe me chamar. – Bella?

– Oi – Sai do transe dos meus pensamentos. – Eu estava distraída.

– Eu percebi... Você está há muito tempo sentada ai? – Perguntou

– Não, acabei de chegar.

– Que bom. Então vamos.

Ele me puxou para o seu lado e pegou a minha mão. Foi um ato involuntário, eu sei. Mas foi um pouco estranho. Eu estava me sentindo realmente estranha com relação a isso.

Percebi alguns olhares. Uns meios discretos, outros bastantes inconvenientes. Reparei algumas enfermeiras cochichando algo. Vi a Maggie com uma prancheta na mão. Ela também estava nos observando. Dei-lhe um sorriso. Ela retribuiu. Lembrei-me do que ela tinha dito, se eu e Edward éramos namorados. Eu acho que é essa a impressão que passamos a todos. O cuidado que ele tem comigo... Porque ele me trata tão bem?

Ele me levou até o seu carro.

– Então, aonde quer ir? – perguntou ele.

– Sinceramente? Eu queria ir para casa, estou me sentindo cansada. Podemos comer algo lá mesmo. – dei uma sugestão.

– Claro, se você acha melhor. Então vamos. – Falou ele dando aquele sorriso torto.

– Vamos. – falei.

A ida de carro até a casa de Alice foi silenciosa. O Edward cantarolava uma música baixa, parecendo distraído. E isso não é típico dele. Ele estava me dando um tempo. Um tempo para pensar. E eu o agradeço por isso. É tanta coisa para pensar...

Edward estacionou na frente do prédio de Alice, saiu do carro e foi abrir a porta do meu lado. Cavalheiro.

– Obrigada. – agradeci timidamente.

– Disponha.

– Então vamos.

...

– Bom esse é a minha casa... Ou melhor, a da Alice. – apontei para a sala.

– Muito bonito. Bem... Feminino. – comentou, com um sorriso nos lábios.

– Na verdade é bem... Alice. – falei rindo.

Ele ficou me observando.

– O que foi? – perguntei a ele.

– É bom ver você rindo... Rir é muito bom, Bella. – Falou ele andando pelo apartamento. – Não é a toa que dizem que rir é o melhor remédio.

– Deve ser. – respondi. – Nos podemos pedir algo; talvez uma pizza, comida japonesa...

– Se você não se importar, – falou parando na minha frente. – eu posso cozinhar. Sou ótimo na cozinha.

– Se você diz, então tudo bem. Espero que você seja melhor que eu e Alice. – dei um sorriso para ele.

– É assim que eu gosto de ver. Você fica linda sorrindo.

Não sei o porquê, mas sentir as minhas bochechas corarem.

– E ficar ainda mais linda corando. – disse ele, com a maior cara sínica.

– Edward, eu não conhecia esse seu lado galanteador... Eu estou ficando com vergonha. – Admiti.

– Desculpa. – falou ele. Percebi que ele estava prendendo o riso.

Mudei de assunto.

– Bom, eu preciso tomar um banho. Você consegue se virar sozinho na cozinha? – Perguntei.

– Claro que sim. Eu sou profissional. – gabou-se, dando uma piscadela.

– Ok. Sua cota de galanteador esta altíssima hoje. – brinquei e indo em direção ao quarto.

Ouvir a sua risada na cozinha.

Peguei uma roupa leve e confortável para vestir, e me direcionei ao banheiro.

Tirando os dias que eu estava no hospital, hoje é a primeira vez que eu fico assim: tão destruída, vulnerável.

Provavelmente, se o Edward não estivesse aqui, eu ficaria embaixo do chuveiro chorando até a Alice chegar e me consolar. Fico feliz que ele esteja aqui; eu me sinto viva quando ele está por perto. A alegria dele me contagia...

Tomei banho esperado que a água lavasse todas as minhas incertezas, o cansaço... Toda a culpa.

Vesti-me e me olhei no espelho. Eu estava realmente péssima. Essa Bella no espelho não sou eu.

Desloquei-me em direção à sala e fiquei vendo Edward cozinhando. Uma cena que não tem preço.

Sentei no sofá e fiquei observando ele ‘’ trabalhando ‘’ na cozinha.

Ele esta com as mangas arregaçadas até o cotovelo. Vestido com um avental e um chapéu de mestre cuca que eu não sei onde ele achou... E ainda estava cantando, totalmente desafinado. Mas ele parecia não se importar.

A cena era tão engraçada que acabou se tornando ridícula. Ele até parecia parente de Alice.

Se alguém dissesse para mim, há três meses, que o meu fisioterapeuta intrometido estaria cozinhando nesta cozinha, e ainda com direito a música ao vivo, eu diria que seria impossível. Como é engraçado este destino.

Meu Deus, esse homem não existe. O que eu faço com você, Edward Cullen?

– É feio ficar vigiando as pessoas, mocinha. – informou ele olhando para mim.

A sua bochecha estava suja de farinha de trigo e o seu nariz de molho de tomate. Não consegui conter o riso.

– Me conte porque esta rindo, também quero rir. – falou sorrindo.

– Seu... Rosto está... Sujo – esclareci, entre risos.

– Ah, isso é normal. Eu sempre me empolgo demais. – falou também rindo.

Ele passou a mão no rosto, tentando limpar a sujeira. Meu Deus, ficou pior!

– Oh não... Deixa eu te ajudar. – pedi.

Levantei do sofá e peguei um pano.

– Vem, deixe-me limpar seu rosto – falei puxando o seu braço.

– A situação esta muito séria? – falou ele tentando imitar uma voz séria e preocupada.

– Uhum. Seríssima. – respondi no mesmo tom que ele, entrando na sua brincadeira.

– Prontinho, Mestre Cuca. – falei, colocando o pano em cima da bancada.

– Obrigado, mocinha. Será que você aceita ser minha assistente? Acho que fiz muito bagunça...

Olhei ao meu redor. É, ele realmente se empolga na cozinha.

– Se a Alice ver isso, ela mata nós dois.

– Não duvido disso. – declarou.

Nós rimos juntos.

Arrumei a bagunça enquanto Edward terminava de cozinhar. Ele cozinha e canta. Em alguns momentos, ele me pediu para eu acompanhá-lo na melodia. Até cheguei a arriscar em algumas partes. Mas, quando ele viu que a minha voz conseguia ser mais desafinada que a dele, ele achou um motivo para rir de mim. E como riu.

Coloquei a mesa enquanto ele abria o vinho.

– Bom, agora você vai experimentar o meu famoso Gnocchi. – disse ele, todo convencido.

– Uau, estou super ansiosa. O cheiro está ótimo!

– É uma receita italiana. – informou-me, dando um sorriso torto – Minha mãe que me ensinou.

– Sua mãe é italiana? – perguntei.

– Sim, ela veio para Londres quando era adolescente, mas não esqueceu as suas origens... Temos até um restaurante com típicas comidas italianas.

– Sério? Que interessante! Eu amo a cultura italiana. Queria conhecer este restaurante.

– Se me permitir, te levo o quanto antes, mademoiselle. O restaurante se chama La Mama Cullen – disse rindo.

– O nome é realmente característico. Quero conhecer a sua mãe, ela deve ser muito interessante.

– Sim, e como é. A senhora Esme é uma mama muito interessante. – Disse rindo – Irei te apresentá-la. Em breve.

Assenti

– Então, – mudei de assunto – a comida está pronta, Mestre Cuca?

– Uhum. Vamos pôr a mesa.

Arrumamos a mesa e colocamos as coisas nos seus devidos lugares. Edward abriu um vinho. A comida está realmente com uma cara maravilhosa.

– Você cozinha muito bem. – admiti, me deliciando com a comida que ele fez.

– Obrigado, é o que todos dizem.

– Convencido. – Exclamei.

– Só um pouco – admitiu, rindo, – Na verdade, aprendi, e aprendo até hoje, muita coisa com a minha mãe. Se a medicina não estivesse na minha vida, provavelmente eu seria chefe de cozinha.

– Concordo. Eu gosto de cozinhar, só não sei. Acho que se eu encontrasse alguém que pudesse me ensinar....

– Isso é uma indireta? – disse ele, com um olhar desconfiado e as sobrancelhas arqueadas. – Porque, se for, sou oficialmente seu mais novo professor de culinária. – falou sorrindo, aquele belo sorrisinho torto.

– Acho que foi uma indireta. – admiti. – E eu aceito as suas aulas de culinária, preciso me ocupar com alguma coisa. – Sorri para ele, meio tímida.

Porque tudo é tão simples quando eu estou com ele? Tudo sai tão natural, quanto caminhar, falar...

Ele me questiona, me faz me perguntar com qual propósito eu não morri naquele acidente, porque eu tive uma segunda chance. Eu amo realmente estar com ele. Ele me faz sorrir, faz-me sentir viva.

– Obrigada – falei de repente.

– Por nada. – disse ele – Mas por que está agradecendo?

– Por você não ser só mais uma pessoa que olha para mim de cara feia, e me julga... Por você me ouvir quando eu mais precisei de alguém, mesmo quando eu disse que não queria que você se intrometesse mais na minha vida. Simplesmente pelo o que você está me fazendo sentir neste momento...

– Bella eu... – falou me interrompendo.

– Edward, me deixa terminar... – Respirei fundo e continuei: – É tão complicado falar dessas coisas, porque eu nunca conversei com ninguém desse jeito. Nunca agradeci a ninguém por ter feito algo por mim e, de repente, aqui estou eu: comendo comida italiana com o meu fisioterapeuta, que me irritava profundamente só por se preocupar tanto comigo.

– Bella, você não precisa me agradecer. – disse ele. Pegou as minhas mãos e beijou as duas. – Você só esta passando por um momento difícil, mas, se você está sentindo algo diferente, isso você tem que agradecer a você. Você aceitou se ajudar. Só precisava de um empurrãozinho.

– Você costuma dar um empurrãozinho em todas as suas pacientes problemáticas? – Perguntei.

– Em todas não, só nas mais especiais. – disse ele.

Ele passou a mão no meu braço e foi subindo em direção ao meu rosto. Acariciando. Foi um gesto inocente e involuntário, mas nós somos adultos. Homem e mulher. Não sei se foi tão inocente assim. Ele tirou a mão do meu rosto, percebendo o quão longe tinha ido.

– Me desculpe – falou ele, confuso. – Eu me descontrolei.

Eu suspirei.

– Não precisa se desculpar...

Ele me olhou meio hesitante por alguns segundos, e depois falou:

– E se eu te disser que você é uma das primeiras mulheres que eu converso descontraído depois de alguns anos? Sem ser a minha mãe, ou a minha irmã...

‘‘... Ele nunca mais foi o mesmo depois da morte da esposa.’’

Olhei para ele e vi os seus olhos brilhando. Parecia triste. Perdido.

Será que por trás desse homem alegre, descontraído e cheio de filosofia de vida existe realmente um Edward sofredor? Isso não se encaixa com ele. É tão estranho... Será que é errado eu me intrometer na vida dele? Ele sabe tudo sobre mim. Talvez não seja tão errado.

– Edward, porque você não me contou que era viúvo?

Sua expressão mudou. Seu queixo enrijeceu, formando uma linha rígida.

– Quem te contou isso?

– Foi uma enfermeira do hospital. – informei. – Não precisa me contar nada, se você não quiser... Eu só acho que nós somos amigos, você poderia ter falado.

Respirei fundo e esperei sua resposta. Sua expressão era indecifrável.

Comecei a pensar que é errado eu querer saber dessas coisas. Tecnicamente, o que ele sabe de mim foi por ele ser o meu médico. Mas eu não sou nada dele e não tenho o direito de perguntar nada sobre a sua vida pessoal. Mas nós somos amigos, não somos? Se não fossemos, não estaríamos aqui.

– Bella, – sua voz estava normal, e seu olhar e expressão também. Ele era novamente; o homem forte e alegre. – Eu ia te contar, mas também não é fácil para mim.

– Você não precisa dizer nada se não quiser. – Sussurrei.

– Não, mas eu quero falar. – disse ele, a voz mais forte. – Eu e a Tanya nos casamos muito cedo, ela estava grávida. Eu com 20 anos e ela com 18. Os pais dela eram bastante tradicionais, então seguimos os seus conceitos.

‘’Meu pai me perguntou se estava pronto para ter uma família. Eu estava iniciando a minha faculdade, e nós namorávamos a bastante tempo. Apesar de novos, éramos bastante apaixonados. Respondi que sim ao meu pai, e ele me deu um aperto de mão e um beijo na testa. Casamo-nos. Ao 4º mês de gestação ela perdeu o bebê. Ela ficou transtornada. Foi um aborto espontâneo, e em breve ela poderia engravidar novamente. Isso era o que achávamos. Nosso casamento continuou como antes. Continuei fazendo a minha faculdade, e Tanya resolveu fazer pedagogia. Era sua paixão. Não pensamos em gravidez tão cedo, e dois anos depois ela engravidou novamente. Nós ficamos eufóricos. Novamente, no 4º mês de gestação, ela perdeu o bebê. Aborto Espontâneo. Resolvemos procurar um especialista, e descobrimos que ela tinha problemas em manter uma gestação. Ela começou a fazer tratamento. Foram terríveis dois anos de tratamento. Os medicamentos faziam muito mal a Tanya. Sem contar na frustação, de todo mês achar que está grávida. Era realmente horrível. E finalmente ela conseguiu engravidar. Tomamos todos os cuidados necessários, para conseguir levar a gravidez dela à diante. Passamos do 4º mês e ela estava fora de perigo. Estava tudo correndo normalmente, quando tudo se acabou. Em um piscar de olhos. ’’

Ele me fitou com os olhos insondáveis.

Eu queria poder falar algo, mas estava sem palavras.

– Era aniversário dela. Fomos sair para jantar no restaurante da minha mãe. Todos nossos amigos e a nossa família estava lá. Ela estava linda. A mulher grávida mais linda que eu já tinha visto. Ela estava no seu 6º mês de gestação, então estávamos começando a tomar cuidado, pois era uma gravidez de risco.

‘’Na hora de ir para casa, fomos para o carro, e eu dirigi, é obvio. Eu estava realmente com muito sono e cansado, mas não me dei conta que isso poderia colocar as nossas vidas em risco. Foi em um cruzamento, eu acabei cochilando. O nosso carro caiu de uma ponte, dentro de um lago. Ela ficou presa ao cinto de segurança. Consegui retirá-la antes que se afogasse. Foi horrível ver ela ali, caída nos meus braços. E ainda com o nosso filho. ’’

Ele parou de falar. Parecia encontrar forças para continuar.

Esperei. Esse era o seu momento. A sua dor.

– Nosso filho morreu. A batida, o choque, foi fatal. E a Tanya entrou em coma. Foi realmente horrível ver a minha mulher naquela cama de hospital. Eu queria está no lugar dela, não queria que ela sofresse tanto... Eu não tive nada. Alguns ferimentos leves e só. E isso que me doía ainda mais. Eu estava dirigindo, eu a matei... Matei os dois.

‘’ A Tanya ficou meses em coma. E eu estava em coma com ela. Tecnicamente. Não comia, não falava com ninguém. Minha família sofria junto comigo. E isso me matava. Estava levando todos comigo ao abismo. Tentei me matar duas vezes; é estranho dizer isso hoje, mas naquele momento eu me sentia sujo. Nojo de mim mesmo. Primeiro me joguei na frente de um carro... Não tive nada mais do que uns arranhões. E pela segunda vez cortei os pulsos... ’’

Ele falou virando os braços para cima. Mostrando-me as cicatrizes que eu nunca tinha visto antes.

– Fiquei muito mal, e eu não estava morto. Parece que a vida não queria que eu morresse... Queria me dar uma segunda chance. Minha mãe teve um AVC*. Novamente eu causei dor em outra pessoa, quase matava a minha mãe... Conversei com alguns psicólogos e alguns amigos. E assim, veio o Jasper. Ele me convenceu a não tentar mais me suicidar. Eu só traria dor a outras pessoas que me amavam. Novamente.

‘’E de repente, com um piscar de olhos, a Tanya acorda. Não porque ela estava melhor, mas sim porque os médicos conseguiram fazer com que ela acordasse. Para se despedir. O estado dela era muito grave, mas quando ela acordou, eu esqueci que ela não poderia mais viver, que os dias dela estavam contados. Ela estava tão lúcida, tão linda... Me esqueci de que a mulher da minha vida me deixaria. Não contei a ela do nosso filho, mas ela sabia. Rezei muito por ela. Nunca fui muito religioso, e tenho a minha ética com relação a isso. Não gosto de pedir as coisas, só quando estou em um momento difícil. Mas mesmo assim eu pedir. Fui egoísta.

“A melhor coisa que os médicos fizeram foi acordá-la. A Tanya sempre foi bem mais sábia do que eu. Ela percebeu o meu sofrimento, viu os meus pulsos... Ela disse que o acidente não foi culpa minha, e que, se ela estava em uma cama de hospital, é porque tinha que acontecer. Ela sorriu. Ela estava sentindo dor, mas sorrindo. Eu prometi que eu ia viver, Bella, e que eu ia me ajudar. Por ela. Se a Tanya não tivesse acordado, eu acho que hoje eu não estaria aqui. 3 horas depois ela morreu. Dormindo. ‘’

“Eu não posso dizer que hoje eu não sinto mais a dor da perda dela. Mas eu preciso viver, Bella. Eu não posso simplesmente ficar de cara feia para a vida e a deixar passar. Eu não posso culpar ninguém por isso, ficar reclamando de como a vida foi amarga comigo. Porque ela não foi. Ela me deu uma segunda chance. A morte da Tanya não foi o fim, e sim o começo de uma nova vida.

‘’E hoje eu agradeço pela Tanya ter entrado na minha vida, por ela ter me ensinando tantas coisas. Me ensinado o valor da vida. É por causa dela que hoje estou aqui. Eu não posso dizer que o Edward de hoje é o mesmo do de antes do acidente. Eu me afastei de tudo e de todos. Mas eu precisava desse espaço. Eu precisava do meu momento sozinho. E só os que me amam de verdade ficaram.

Ele deu um sorriso, e continuou falando:

– Vou agradecer ao Jasper por não ter contado a você. Ele é um bom amigo; e ele foi o meu amigo quando eu mais precisei.

Respirei fundo. O que eu poderia dizer a ele? Eu não sei, é muita coisa para digerir. Sinto-me horrível por não ter a força do Edward, por não conseguir seguir em frente.

– Edward, como você conseguiu? – comecei a falar. – Eu não sei se consigo desse jeito.

– Eu não posso dizer que eu simplesmente consegui. Lidar com o meu passado é uma batalha diária. Por isso que até hoje eu nunca consegui tirar esta aliança – disse ele apontando para a mão esquerda. – Eu não consigo me sentir livre, eu me sinto atado a ela, Bella. A minha mulher. Morta.

Então esse era o motivo dele usar aliança. Preciso contar a Alice que ele não é gay. Então até hoje ele se sente ligado a ela. Da mesma forma eu me sinto ligado ao Mike. Até quando isso vai durar?

– Mas você seguiu em frente, não seguiu? Quer dizer, hoje você está aí, quem não te conhece não sabe o que você sofreu. Você não é motivo de pena, como eu.

– As aparências dizem muitas coisas sobre nós, mas de certa forma, eu não deixo transparecer a minha dor. Isso é errado. Seria errado comigo e com ela. – disse ele suspirando – Mas, entenda uma coisa: isso não é mérito meu. Eu não sou melhor nem pior que ninguém. Se eu consigo, você também consegue. Lembra quando eu falei que sabia o que você estava sentindo?

Concordei levemente com a cabeça.

– Eu passei por tudo isso, Bella. A dor da perda, a rejeição, a culpa... Muitas pessoas também já passaram por isso. Mas, o que nos diferencia delas, é que vamos seguir. Vamos seguir em frente. Vamos fazer valer a pena essa segunda chance. Não acha?

– Eu não sei, Edward... Não sei se posso. – falei com a voz entrecortada.

– Porque não, Bella? Você está viva. E eu não vou desistir de você.

– Por quê? Porque tudo isso... Porque você se preocupa comigo? – perguntei incrédula.

– Eu não sei realmente o porquê, eu só me sinto ligado a você. O que aconteceu... Eu me identifico. – disse ele.

– Obrigada. –agradeci. – Por tudo.

– Obrigado você, Bella, por se ajudar. Todos nós temos fantasmas do passado, o segredo é saber lidar com eles.

Eu sorri para ele.

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*AVC – Acidente Vascular Cerebral.

*Gnocchi – Um dos mais conhecidos tipos de massa, o Gnocchi (ou nhoque/inhoque aqui no Brasil) foi criado há muitos séculos atrás.

Notas finais
Roupa da Bella: http://www.polyvore.com/cap_13_em_casa/set?id=80538079
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Gente, olha eu estou realmente muito triste. Eu tenho quase 100 leitoras, e não tenho nem 10 comentários no capitulo. Vocês acham certo isso? Vocês não estão gostando da fic? Olha, quem me acompanha no grupo, sabe que eu estou sem net, então eu faço o maior sacrificio para postar um capitulo de qualidade para vocês. Eu estudo, trabalho, tenho vida social,agora tem enem, então o meu tempo é reduzido. SE continuar desse jeito não dá gente. Não paro de postar em consideração as meninas que me acompanham sempre, mas eu posso demorar de postar, ou só mando o capitulo para aquelas que comentam. Então está dado o aviso. Leitoras fantasmas, apareçam .
Bjs