Aishiteru Kara Hajimeyou

5 Capítulo 5: Solidão


Notas iniciais
O capítulo está grande x___x sorry.

Nós continuamos a viajar e matar pessoas durante alguns anos, não foi rápido nem fácil conquistar o que ele queria. Vez ou outra eu me senti cansado e desiludido, Mello nunca me prendeu, aliás.... muito pelo contrário ele sempre mandou eu ir embora quando começava a reclamar demais, isso sempre me deixava abatido e eu disfarçava ficando mau humorado igual a ele. As vezes eu me pergunto se sou seu homem ou apenas seu menino... medo, insegurança, eu não quero ser deixado para trás novamente.

Apesar de todos esses dias tristes e felizes, eu me recordo de um em especial. Estávamos morando já em Tóquio e era dia 25 de Dezembro aproximadamente umas 3:45 da madrugada, porque eu estava na rua sozinho? Bom... a vida não é feitas somente de planos, não é mesmo?

-------------- A solidão de Matt ------------

A neve estava forte e apesar disso Matt não abriu o guarda-chuva que carregava na mochila, vagou pelas ruas enfeitadas de Tóquio também sem dar atenção as luzes de natal e outros enfeites; apenas mantinha os ombros caídos e o passo firme em direção ao nada...

O telão que passava algumas musicas de natal cantadas por Vocaloid se desligou, era o inicio de uma longa noite fria e silenciosa.

--------- Fash Back ---------

- Matt!! MATT! _Mello berrava pelo amigo do quarto.

- O que foi?! _respondeu do banheiro.

- CORRE SEU DESGRAÇADO! _o loiro gritou ainda mais alto para encobrir a voz do ruivo que desesperado saiu do banheiro todo molhado.

- O que aconteceu?!

- Consegui o nome do mafioso que precisamos matar e de mais dois capangas fieis, está no papo nossos milhões!! BANG! _atirou no amigo com um gesto.

- ... _sua respiração ofegante agora estava normal novamente, sua expressão não poderia estar mais neutra _que bom.

- Não está feliz por que diabos?! _fechou o MacBook irritado.

- ... vou me secar _entrou no banheiro para pegar uma toalha e suas roupas, estava terminando o banho quando o loiro começara a berrar sem parar por seu nome.

- Matt... Matt! _espiou dentro do banheiro que estava com a porta aberta _o que você tem afinal?

- Não é nada, só achei que tinha acontecido alguma coisa... você me assustou _mostrou a língua para ele.

- Deixa de ser idiota, vem cá _agarrou a cintura de Matt que logo abriu um sorriso _sabe o quanto isso é importante?

- Eu sei... agora que demos esse passo importante... podemos comemorar...

- Mas é claro! _mordeu a orelha do amante, sabia que esse era um ponto fraco _vamos lá pro chuveiro.

- Ah.. ah sim, mas era uma outra coisa... que.. Mello, espere... _empurrou o loiro alguns centímetros _hoje é dia 24.

- Estou morrendo de vontade de comer você caralho, vamos lá..._mais uma vez insistiu em levar Matt para dentro do Box e ele acabou cedendo, como sempre.

Como sempre, como sempre... desde quando eu sou assim? Desde que nos encontramos depois da explosão que lhe deu aquelas cicatrizes, nós nunca mais falamos de sentimentos, aquelas promessas... tudo voltou como era, ele correndo atrás de seu objetivo e eu acompanhando, será que estou me cansando ou é ele que se cansou de mim?

Um pensativo Matt estava atirado à cama de casal esperando por Mello que resolvera fazer o jantar pela primeira vez desde a chegada na capital.

- Matt, está pronto _entrou no quarto com dois pratos nas mãos _por favor vá buscar alguma cerveja na geladeira.

- Hum, está com o aroma muito bom _se levantou e deu um selinho em Mello antes de correr para cozinha.

- É minha especialidade, espaguete com muito “tabasco” _sentou na cama e ligou a TV.

- O que é isso? _entregou uma latinha de saporo [cerveja japonesa] para Mello e sentou ao seu lado

- Experimenta oras _observou Matt dar a primeira garfada, seria uma cena um tanto romântica se não fosse pelo fato de “tabasco” ser uma marca de pimenta, um tanto famosa e principalmente forte do Japão.

- UAH!! _tapou a boca com uma das mãos, seus olhos se encheram de lágrimas _picante... _apontou para a latinha de cerveja que Mello estava tomando _me dá!

- PUTA QUE PARIU! _caiu na gargalhada ao ver Matt virar a latinha _não sabia que era fraco com pimenta desculpas! _apesar do suposto arrependimento, ainda ria sem parar.

- Deixa... você! Vou comer todos os seus chocolates...

- Da próxima eu faço algo melhor _secou as lágrimas que escorreram pelo rosto alvo de Matt _coma de vagar, viu.

- Hum... _fez um bico _ ...amanhã é natal _tentou retomar o assunto de antes_ se lembra quando me fez ir jantar com as outras crianças do Wammy’s house no natal?

- ... não _respondeu com sinceridade _eu não me lembro de muitas coisas... Ah! Foi em algum natal que eu te dei os óculos, não foi?

- Hum _ concordou com um aceno _Mello, vou te dar alguma coisa também.

- Não precisa, deixa isso pra lá _mudou de canal a procura de algo interessante, ainda não estava acostumado á língua japonesa por isso não entendia muitas coisas.

- Essas lembranças são preciosas pra mim... _arrumou uma mecha de cabelo de Mello estava caída em seu rosto _você fica muito bonito de cabelo preso.

- Calma ai Matt _aumentou o volume da TV _estão falando de algo que... _sua voz foi sumindo na proporção que sua atenção aumentava diante a noticia, era sobre os mafiosos que estavam atrás.

- ... _suspirou e terminou seu prato em silencio.

O dia seguinte amanheceu cinza, era o começo de muita neve e um frio que Matt ainda não estava acostumado.

O ruivo acordou com o nariz escorrendo, a fim de dormir só mais um pouquinho tentou abraçar Mello para se esquentar, mas ele não estava lá.

- Mello? _chamou pelo amante e como não ouve resposta se levantou _que frio! Cadê você?... me abandonou!! _foi furioso até o banheiro, olhou na cozinha e até dentro dos armários, mas nada.

Depois de mais alguns minutos de indignação, encontrou um bilhete na mesa: “Fui trocar mercadorias com os mercadores negros, volto á noite”

- Nossa, nem me chamou por que diabos? _imitou Mello colocando as mãos na cintura _então também não ficarei em casa.

E continuando a falar consigo mesmo, tomou um banho e saiu. Uma cidade muito animada, era uma alta temporada de casais e o clima propício fez Matt suspirar ao lembrar que seu suposto namorado era um alguém com tanta falta de romantismo. Ele parou em frente a uma vitrine cheia de doces diferentes e seus olhos brilharam por um momento, chocolate era clichê, mas era o que deixava Mello feliz.

- Com licença... ah... eu quero um de cada sabor _tentou um japonês enrolado e a atendente não entendeu _por favor, um de cada... _apontou para as embalagens coloridas.

- Que tal experimentar também esses novos sabores? _a moça simpática da loja perguntou a Matt indicando outras embalagens.

- ... ah... não obrigada, é para presente por favor... _deduziu o que ela tinha falado e resolveu finalizar as compras rápido, a loja estava muito cheia.

- Deu um total de 2.322,58 ienes [aproximadamente 54,00 reais].

- Hum... _tirou um bolo de notas do bolso _ah... é...

- Você é americano? _uma simpática menina chamou sua atenção e sorriu.

- Ah vim da Inglaterra! _ficou feliz por ela falar inglês _estou um pouco atrapalhado com o Japonês...

- Aqui... pegue mais duas dessas que vai dar a quantia _apontou para algumas notas em sua mão.

- Obrigado!... posso te agradecer de alguma forma?

- Hum... _pagou a sua compra também e saiu da fila do caixa _de forma alguma! _corou violentamente _eu preciso ir... seu cabelo é muito bonito!! _elogiou Matt e saiu da lojinha apressada.

Depois de mais algumas horas rodando pela cidade – e de entrar em lojas de jogos e presentes – Matt voltou para casa e encontrou Mello dormindo no sofá. Sem querer acordá-lo, fez carinho em seus sedosos cabelos e ficou agachado ali por alguns minutos apenas observando-o.

- ...hum, aonde você foi?! _Mello acordou de repente assustando Matt.

- Fazer compras, calma! Quem me abandonou primeiro foi você _inflou as bochechas.

- E se eu precisasse de você em casa?! Mas que caralho viu nem o celular atende... _bufou e foi para o quarto.

- ...nossa, por que está tão bravo? As negociações não deram certo?!

- Não, vamos atrasar uma semana para matar o filho da... _engoliu o resto da frase e se jogou na cama.

- ...vai ficar tudo bem?

- Claro que vai.

- Hum... ah eu vou pedir nosso jantar, o que quer comer?

- Qualquer coisa _puxou um cobertor e virou de lado _vou dormir.

- ...Mello, hoje é noite de Natal... e eu comprei algo pra você! _tentou animar o amigo.

- Eu não disse para deixar isso pra la? Não tenho nada pra você.

- Tudo bem, não precisa me dar nada... Mello vamos lá _abraçou-o com força _você não parou de pensar nisso desde que o caso kira terminou.

- Me deixe em paz, eu não tive um bom dia hoje!! SACO! _se levantou empurrando Matt.

- Tudo bem _se levantou também _eu vou dar uma volta até se acalmar, sabe está sendo muito irritante nesses dias.

- E faça o favor de não voltar.

- ... _pegou sua mochila ao pé da cama e saiu batendo a porta.

------------ fim do flash back ------------

Matt parou numa pracinha e se sentou, se arrependeu por não ter pego uma blusa mais quente. Tirou seu psp da mochila e começou a jogar assassins creed sem se importar com a situação.

- Ih olha lá... um americano...

- ... _continuou a jogar sem erguer seus olhos para o menino que tentava o irritar.

- Parece que ele não entende japonês muito bem, o que acha Jiiro? _se dirigiu a um segundo menino atrás dele.

- Ele tem um psp, eu não tenho um psp e você, Takeda?

- Também não tenho _um terceiro elemento respondeu dando um sorriso maldoso.

Era um grupo de Yankis [delinqüentes] que passava pelo local, Matt agora olhou por cima de seu psp para o grupo e se arrependeu mais uma vez de ter saído de casa, eram 3 garotos munidos de barras de ferro e um deles tinha uma arma da fogo, provavelmente artesanal.

- Já que eu vou apanhar mesmo... _guardou seu psp na mochila, ia começar a falar alguma coisa quando um deles acertou sua cabeça logo de cara, ele caiu no chão com a vista turva e depois disso não teve tempo de fazer mais nada.

No dia seguinte Mello acordou com a cabeça pesada, tinha bebido algumas latas de cerveja e um vinho, mas apesar disso não deixou de sentir o frio absurdo que fazia naquela manhã do dia 26.

Quando tudo passou a fazer sentido na cabeça de Mello, ele parou e olhou a sua volta, o Natal tinha passado, Matt não estava em casa ainda e ele sentiu sua cabeça latejar um pouco mais. Sem remédios e muito menos sem paciência ele tentou ligar para Matt, a melodia tão conhecida – Bon Jovi It’s my life – saiu debaixo da cama, o loiro realmente chegou a pensar que ele estaria escondido lá, mas infelizmente era só seu celular esquecido.

- Legal, Matt... você me da todos os motivos para eu ficar nervoso, sabia? _falou para si mesmo olhando em volta a procura de algum bilhete, porém outra coisa lhe chamou a atenção. Em cima da mesinha ao lado da cama havia um pacote azul bebê com um laço prata, provavelmente era o presente de Matt para ele.

Imediatamente sentiu uma pontada de remorso, preocupado nem tanto, pois o garoto sabia se cuidar e estava com dinheiro só que com certeza estava chateado. Mello admitiu para si que estava muito estressado com aqueles novos planos, várias coisas não estavam dando certo e então começou a fazer tudo sozinho deixandoo ruivo sem atenção.

Com certeza estava frio lá fora, Mello pegou dois casacos e saiu a procura desse.

----------- + ------------+ --------------

Matt caminhava vagarosamente para casa, ele tinha fraturado o braço e parte das costelas, fora acordado por um policial á horas atrás e debilitado resolveu engolir o orgulho e voltar.

Gemendo de dor e frio, o garoto usou suas ultimas forças para chegar até o andar de seu atual apartamento, estava trancado e rezou para que suas chaves ainda estivessem na mochila. Abriu o zíper na esperança e meteu a mão até o fundo, encontrou sua carteira, suas chaves e seu psp quebrado; ele tirou o aparelho com um certo pesar e olhou para a tela trincada, sentiu uma lágrima quente escorrer pelas suas bochechas queimadas pelo frio afinal aquele game fora a primeira coisa que Mello dera á ele, mesmo que não tenha sido um presente propriamente dito.

- Mas que... merda... _encostou na parede quase em forças.

O cansaço fez com que o garoto adormecesse encostado na parede fria, ele não quis entrar de imediato e ficar ali só contribuiu para isso. Ele não soube dizer quanto tempo ficou ali desacordado, mas acordou com uma respiração ofegante ao seu ouvido.

- ...Mello? _arregalou os olhos ao ver aqueles cabelos loiros tão perto de si, estava no colo do amante que o levava para dentro.

- Você perdeu o juízo?... eu quase morri ao te ver caído aqui todo machucado... _começou a falar quando viu Matt chamar por seu nome _ainda está doendo, não é?

- Não... agora não está mais _deu um sorriso gentil.

Mello colocou Matt na cama e sentou ao seu lado, fazia careta a cada roxo que encontrava no ruivo.

- Eu sinto muito, não queria ter gritado com você ontem.

- Você nunca quer gritar... diz sempre o que está sentindo, isso é bom...

- ... _procurou por alguma coisa que pudesse usar para amenizar os machucados _então... está tudo bem, não é?

- Está... porque no final eu entendi que eu sinto sua falta, Mihael.

- Mas eu estou bem aqui, eu sempre estive! _ficou confuso por um momento.

- Não, quem está aqui agora é o Mello, aquele que passou pelos portões do Wammy sem olhar para trás...você está matando as pessoas uma após a outra e isso não te faz melhor que KIRA... _ia falando enquanto Mello corria pra lá e pra cá procurando algum medicamento, com certeza ele não estava escutando com atenção como todas as outras vezes _... desculpas, mas eu realmente quero voltar.

Mello deixou escorregar de sua mão tremula a gaze que tinha encontrado, o ar pareceu sumir de sua volta e não conseguiu dizer nenhuma palavra mesmo que fosse extremamente necessário tudo ficou preso em sua garganta seca.

- ... _suspirou _ eu... instalei as bombas e coisas do tipo que pediu, acho que não tenho mais serventia para você nesse caso... _falava dando algumas pausas, seus machucados estava doloridos, mas não mais do que seu coração _agora eu posso ir?

- ...Mail, eu...

Sem conseguir ir contra Matt pela primeira vez, o loiro sem ação apenas assentiu com a cabeça num movimento quase imperceptível; o outro por sua vez, sem querer prolongar a conversa se levantou e deu um tapinha no ombro de Mello que mantinha a cabeça abaixada.

- Se cuida... _pegou sua mochila e saiu.

Ninguém quer ser abandonado afinal, o sentimento de perder alguém e de ser deixado para trás é a maior dor que uma pessoa pode sentir. Sua alma parece partir em pedaços ao ver a pessoa que ama passar por si sem olhar para trás... o fim de uma história de amor é também o começo da solidão.

Cansado, essa era bem a palavra que expressa o que senti naquele momento, vivi tantos anos correndo atrás de algo incerto sem me importar comigo mesmo que acabei assim. Não foi de repente como pareceu, nem estava sendo frio e egoísta... não, é que pela primeira vez eu tive a vontade de viver com minhas próprias forças, seria tão mais confortante ao lado da pessoa que amo só que nossos objetivos estão divergidos e assim, sem nenhuma ação recíproca dele eu resolvi voltar. Não voltar para o Wammy, mas voltar a minha antiga ambição, nesse exato momento eu almejo um emprego, uma namorada, uma casa, coisas que eu nunca tive; tirar um gatinho das ruas, construir uma família, ter um lugar MEU onde eu possa voltar todos os dias... podem rir de um sonho que parece tão pequeno, mas é o meu sonho e para mim é algo muito importante.

Doeu, meu coração pareceu se partir em milhares de pedaços ao passar por aquela porta sem olhar para trás, sem pegar em sua mão e dizer “vamos” como sempre fiz; eu me senti um hipócrita fazendo esse tipo de coisa, mas a realidade é que Mello sabia viver sozinho...e eu era apenas um garotinho esquecido numa caixa de papelão. Apesar de tudo eu espero que ele nunca tenha sentido essa solidão, afinal ele é a pessoa que amo e eu não desejo nenhum mal, espero que ele não derrame nenhuma lágrima, que ele não pare com seus planos, que ele não se lembre de mim...

Eu continuei em Tóquio, a cidade era agitada e tinha pessoas gentis, eu gosto desse lugar e pretendo morar aqui durante algum tempo. Agora eu vejo o quanto sou bonito e o quanto eu consigo me interagir com as pessoas, em pouco tempo no meu emprego de simples entregador de comida eu fiz alguns amigos e conheci até uma bela garota... seu nome é Kyomi-san, tem os cabelos longos e negros como a noite, seu olhar é calmo e ela está sempre sorrindo para mim, o toque de suas mãos é delicado e seu andar é leve; totalmente o oposto dele, totalmente a minha realidade perfeita...