Aira Snape - A Comensal

16 Um pedaço da verdade


Notas iniciais
Yo mina-san (oi todos.)Um capítulo saindo. Espero que vocês gostem do que escrevi.
A inspiração está excassa ultimamente, mas ainda tenho 2 capítulos sobrando.

Jean estava enrascado, pois estava ao meu lado quando eu sofri o acidente. Ele tinha todos os motivos para ser julgado, mas queriam ouvir a minha versão da história. E, agora, eu estava no Ministério da Magia em uma sala nada agradável.

Meu pai me observava. Ele como os outros esperavam resolver tudo. E Percy Weasley estava ali. Como ele me fazia lembrar do cafageste do Fred!

Não aguentava mais ficar ali, e quando fui chamada par depor, senti que a saída estaria próxima. Sentei-me na cadeira e esperei começarem com as perguntas. Ainda tinha ataduras, mas nada que importasse naquele minuto, pois elas estavam escondidas pela roupa.

– Senhorita Aira Snape, Jean Baptiste estava diferente do habitual antes de você sofrer o acidente?

Não era a pergunta que eu esperava, mas era necessário respondê-la.

– Não. Bem, ele só estava um pouco nervoso...?

Nem eu sabia o que falava. Pra mim ele estava agressivo, mas não queria revelar isso ao juri e condenar Jean.

Após infinitas perguntas e repostas vagas por minha parte, pensei que o caso seria encerrado.

– Vocês dois namoraram, certo? Por que a separação?

Infeliz! Eu sabia o que queria. Se eu dissesse que Jean me traiu, eles pensariam que meu ex-namorado estava querendo voltar pra mim a qualquer custo e como eu não quis voltar, ele me empurrou da escada.

Jean olhou-me. Senti pena dele, mas eu não podia mentir... ou podia?

Olhei para o homem a minha frente e depois para Percy Weasley. Nunca contei a ninguém a verdadeira razão da minha separação com Jean. Certo que não o amava, mas pensei que ele sentia algo por mim e que eu poderia sentir o mesmo.

– Eu comecei a namorar o Jean por conveniência. Ele aceitou isso quando me pediu em namoro. Porém, desde que começou o ano letivo percebi a ausência de Jean em minha vida. Procurei me desligar dele e por um acaso da vida, ele preferiu a Giulia Cheege.

Eu poderia treinar mais minhas mentiras. Esperava que todos entendessem e que Percy não me fizesse mais perguntas.

Olhei para Jean, que não parecia atordoado. Voltei para meu lugar, ao lado de meu pai. Não demorou muito para chegarem a conclusão. Jean foi absolvido, pois deu a entender que estava apenas me ajudando.

De volta à Hogwarts, todos ficaram sabendo que Jean era inocente. As notícias correm rápido. Alguns me viam até como a vilã da história. Como se fosse possível eu me jogar do alto da escadaria para encriminá-lo.

Apenas esperava que a excitação cessasse rápido.

As aulas eram cansativas de tão tediosas e ainda tinha meu tempo para ajudar Draco e as aulas de Oclumência com meu pai. Nestas, eu quase chegava a inconsciência de imediato.

– Concentre-se, Aira! – pedia-me, mas o que eu podia fazer, se minha magia não estava funcionando.

Meu emocional estava acabado. Mesmo com as brincadeiras das gêmeas, as loucuras de Draco pra me conquistar e a irreverência da Alekssis, eu não me sentia viva. Não tanto quanto antes.

Sentei-me no chão, abraçando meus joelhos.

– Desisto! Ele que invada minha mente!

Pensei que fosse ser repreendida por meu pai, mas ele apenas sentou-se ao meu lado, me abraçando.

– O que está acontecendo com você, Aira? Vejo o quanto está desistindo de tudo.

Pela primeira vez pensei do por quê meu nome era aquele. Nunca perguntei a causa da escolha.

– Por que me chamo Aira Dulce?

Ele suspirou.

– Sua mãe, a Madson contou-me a escolha. Aira é Arya, somente muda a posição das letras do meio e a troca do “y” pelo “i”. Arya, com significado de cavaleiro ou valente. Dulce, é doce. Você é uma garota valente, porém doce.

Era interessante saber a origem de meu nome. Nunca odiei ele, mas achava estranho. E eu não tenho nada de doce. Olhei pra ele indagadora desta parte. Meu pai apenas sorriu de leve, achando graça de mim.

– E qual seria o meu nome se tivesse sido criada por você?

Achei que o pegaria de surpresa, mas ele tinha a resposta pronta:

– Eillen. O nome de minha mãe.

Minha avó muito famosa na época dela. Seu azar foi se casar com um trouxa ignorante e hipócrita.

Por outro lado, eu preferia ter de conhecê-la à Judith, àquela cascável.

– Como era minha mãe? Ela era legal?

Severo riu. Ele rir era tão diferente. Algo estranho, mas ao mesmo tempo bom. Fazia tempo que não ficávamos assim.

– Foi incrível conhecê-la. Foi a primeira pessoa a se importar comigo. Assim com a amei, também fui amado. Hayley tinha seu temperamento estourado, mas sabia das responsabilidades.

– Igual a mim...

– Sim, mesmo você sendo uma cópia dela, também é diferente – ele riu. Com certeza a lembrança deveria ser engraçada. – Sempre que ela era contrariada, não importasse quem, batia nele. Quase fui esmagado por um troglodita em uma dessas vezes, só escapei por que usei a varinha, escondido.

Quem diria que minha mãe era boa em discutir! Sorri e o abracei mais apertado.

– Poderíamos ter sido uma família bem diferente. Eu não teria todos esses problemas...

– Tem certeza que preferiria que certas coisas fossem diferentes? Coisas más, trazem boas também.

Ele estava certo. Perdi as Cheege como amigas, mas ganhei as gêmeas. E meus namoros me mostraram que homens podem ser idiotas, e nunca namorar um que você não conheça a um bom tempo.

Que amizades verdadeiras não são cheias de carinho, mas também tem xingamento e muita briga. E, principalmente, que seu primeiro amor é inesquecível.

Primeiro amor... Fred Weasley conseguiu esse lugar em meu coração. Queria muito esquecê-lo e de fato esqueço, quando estou com Draco. Mas minha atração por este é carnal e puramente carinhosa do que amor.

Não quero ingressar em outro relacionamento só para me iludir e acabar magoando-o ou me magoar. Nunca fui cem por cento verdadeira, mas sempre tratei todos bem. Queria, pelo menos, que retribuissem isso.

– Se fosse tudo diferente. Você teria sido criada como Draco. Narcissa ou Bellatrix, ou quem sabe as duas, lhe ensinariam o que sabem.

Imaginar como seria se educada pelas duas embrulhou meu estômago. Eu gostava da Narcissa, ela era legal e sempre me tratava como sua filha. Bellatrix me torturaria sem piedade, só por eu ser mestiça; o que já acontece. Eu sou seu brinquedinho quando estou na Mansão dos Malfoy.

– E seus amigos seriam diferentes. Você seria diferente.

– E eu não me importaria de ser quem sou!

Levantei-me e suspirei. Eu não podia cair tanto assim. Eu tinha meu pai, que me ajudaria.

– Pai, por favor, posso te contar como me sinto?

– Depende da revelação.

Ignorei a resposta dele. Apenas sentei-me em uma cadeira e fui soltando tudo que estava preso.

– Você nunca gostou do Crouch Júnior...

– Por que quer falar dele?

Eu não podia revelar meus sentimentos, sem mencionar Crouch Júnior. Foi ele que disse para eu não desistir. Crouch podia ser estranho e comensal, mas ele me mostrou que qualquer um pode amar.

Eu não queria amar, mas eu amo. E amo o idiota do Fred.

– Ele não era malvado. Ele sempre me defendeu e ajudou-me quando precisei – meu pai não parecia acreditar. Eu mal via a hora dele começar a espumar pela boca daqui alguns minutos – Aquela carta que ele deixou pra mim era uma carta de despedida – não estava sendo difícil pra mim, como teria sido antigamente. – Júnior despediu-se de mim e disse que me amava.

Meu pai saltou da cadeira, exclamando furioso:

– Como? Ele te amava? Você só tinha... quatorze anos...

– Eu sei qual era a minha idade! E nunca fui ingênua. Se estou lhe contando isso é por que aquela carta abriu meus olhos. Sabe por que voltei pra Hogwarts de pois de ir à Beauxbottons? Não foi porque sentia saudades ou tinha tédio, mas por que queria lutar por algo importante.

– E o que é tão importante que fez você voltar?

– Minha família e o...

Ele sentou-se. Achei que fosse difícil pra ele, mas Crouch estava morto e enterrado.

– Quem seria o garoto que deixou você assim?

– Como?

Meu pai aproximou-se mais.

– Um garoto sempre muda uma garota. Aira, você fazia tudo sem pensar antigamente. Agora está virando uma mulher, infelizmente para mim.

Sorri e o joguei-me em seus braços. Ele continuava com sua paternidade estrapolada, mas no fundo eu gostava de que ele me protegesse.

– Ele é um completo idiota. Odeio ter de continuar a amá-lo. Queria poder esquecer, mas não consigo.

Senti um afago em meus cabelos.

– Você ainda é jovem – ele separou-se de mim. – Vai ter muitos garotos atrás de você. Como eu gostaria de exterminar todos.

Bati no ombro dele, sorrindo. Ele era protetor, mas se fosse diferente não seria meu pai.

– Preciso respirar – estiquei meus braços. – Vou dar uma volta.

– Não te proibo de nada, Aira.

Olhei para ele assustada.

– Como assim?

– Já te privei de muitas coisas que gosta. Só não quero que suas diversões tenham consequências.

– Quer dizer que posso fazer tudo, mas não posso me ferir e nem...

Ele virou-se e recolheu alguns pergaminhos sobre a mesa.

– Ser avô ainda não está em meus planos.

Fiquei estupefata ao ouvi-lo. Será que ele sabia?

– Não que você... – não houve tempo para eu mudar minha expressão. – Você não está... está?

Apenas fui o mais rápido possível até a porta e saí correndo. Minha ação faria ele pensar que é verdade, mas o que importa. Eu tinha que ajustar minha vida; e bem rápido.

– Ainda não, pai – gritei, vendo ele da porta.

Esperava que na próxima vez que nos encontrassemos ele não fizesse um interrogatório sobre minha aparente vida sexual inesxstente.

Como parte de meus planos futuros, voltei a ser o que era – no essencial –, bem sarcástica. Eu adoraria volta à época em que não havia preocupações.

A primeira aula era de Defesa Contra as Artes das Trevas. Quanta coincidência! Entrei na sala, de cabeça erguida, procurando meu lugar. Por consequência de minha faltas, tinha uma pilha de lições e redações para fazer. Mas Dumbledore – sempre bonzinho – estendeu o prazo de entragas. Eu começava a sentir uma afeição forte por aquele velho. Ele me lembrava muito meu avô materno, pai de minha mãe adotiva.

– Então agora está tudo bem entre você e o Jean?

Vi a Clara sentar ao meu lado. Ângela estava agarrando Ernesto do lado de fora da sala. Eu ainda não consiga vê-los como um casal.

– Não é tão ruim. Ainda não conversei com ele depois de ser absolvido.

– Dulce.

Fiz questão de ignorar quem me chamava. Eu conhecia a voz. E Draco não me faria pensar nele de formas obcenas.

– Tudo bem. Então não vou te entregar um bilhete – ele abriu o envelope e começou a lê-lo: “Soube que esteve no julgamento. Como não iria! Só queria saber como está...”

Arranquei da mão de Draco o envelope o pergaminho. Olhei a assinatura e meu coramção quase saiu pela boca. Era de Fred. Forcei meus dedos a não tremerem e li a carta. E como e se atrevia a ler algo privado?

Soube que esteve no julgamento – como não iria!? – Só queria saber como está agora. Gui contou-me que te viu lá e sobre o caso. Sei que você me odeia e nunca mais quer me ver, mas eu precisava lhe enviar essa carta e saber de você. Poderíamos nos ver de novo.

Fred Weasley

Encinerei a carta e sentei-me na cadeira, afobada e quase tendo um ataque cardíaco de tão emocionada. Mesmo depois de tê-lo deprezado, Fred ainda queria me ver. Abaixei a cabeça e prendi um sorriso dentro de mim. Quem eu penso que sou! Voltar para ele não faz parte de meus planos. Posso até vê-lo, mas nunca reataremos nada.

Mas por que mencionar a Giulia Cheege sabendo que a odeio? Não a odeio tanto quanto antes, mas ela ainda me machucou muito. Se ele quer tanto me ver novamente, deveria ter ocultado essa informação.

– Aira – olhei para cima e vi Clara. Havia muitos alunos me observando. – Está tudo bem?

Bufei e vi alunos correrem pra dentro da sala. Meu pai estava bem atrasado e todos usufruiam bem disso. E a correria sinificava que ele estava chegando.

– O fim do mundo estará próximo se conversarmos – apontei para a entrada. Meu pai, parecendo um mafioso, entrando na sala e ordenando o de sempre.

A aula transcorreu sossegadamente para alguns. Após várias explosões de uma das bancadas da Grifinória, pude sair para fora. Respirar era tão bom. Eu queria muito fazer algo. Seria aula de uma matéria chata, sem as gêmeas ao meu lado. Resolvi matar aula, sentando-me na beira do lago negro. Sempre gostei de molhar meus pés e mesmo estando frio, princípio de inverno, a água estava razoável.

Contrariando o risco de pegar uma hipotermia, continuei com meus pés na água, mexendo-os. Minutos se passaram comigo vislumbrando a Floresta Negra. Nunca entrei lá, mas as histórias que eu ouvira era de que havia criaturas vivendo ao meio daquele habitat.

Ouvi barulho de gravetos sendo quebrados. Virei meu rosto e vi o Guarda-caças Hagrid. Ele parecia assustado em ver-me do lado de fora, com poucas roupas e ainda com os pés dentro da água gelada.

– Está frio aqui fora. Não deveria estar tendo aula?

Afastei meu cabelo e levantei-me, recolhendo minha mochila e meu casaco.

– Não tanto quanto se fosse inverno – Coloquei a mochila em meu ombro, em uma mão segurava meus sapatos e em outra meu casaco. – Estou matando a aula de poções.

Dei alguns passos e espirrei alto, fazendo o som ecoar pelos terrenos. Levantei minha cabeça, tentando arrumar meu cabelo com a mão que eu segurava o casaco.

– Posso preparar um chá pra você não ficar resfriada.

Não vendo alternativa e começando a sentir o efeito de ficar ao ar livre sem proteção, aceitei o convite do guarda-caças. Segui-o pela trilha que ele fazia em meio à grama seca.

Notas finais
Se existir leitores fantasmas, se manifestem, por favor!