Aira Snape - A Comensal
11 A nova rebatedora
Notas iniciais
A temporada de quadribol ainda não começara, mas já começava me assombrar. Os testes estavam próximos e meu pai queria que eu fizesse parte do time. Se eu não passasse veria meu pai procurar outra forma de eu não querer matar todo mundo. Eu tinha senso, mas tinha vezes que meu sangue fervia...
E a Parkinson era uma das grandes culpadas. Mesmo eu não fazendo nada – aparentemente o fato de eu estar ajudando Draco com os estudos para ela era motivo para me perseguir e achar que seu querido Draquinho tem algo comigo. Como se eu quisesse o Draco! Ele pode até ser bonito, possuir charme e conseguir conquistar todas as garotas, mas eu não sou elas!
Despitar a buldogue não era fácil. Eu sempre visitava minhas amigas, no sétimo andar e ficávamos ali conversando. Eu sabia muito bem que a enciumada estava escondida ali. Se ela não sabia, eu estava muito bem, namorando.
Mas um dia eu não aguentei e lhe joguei na cara diversas coisas, das quais ela revidou quase à altura. E no dia seguinte apareceu um jornal, onde estava eu e a Parkinson estampadas na página – aparentemente a única – gritando uma com a outra. Meu pai faltou me matar quando leu aquilo. Teve algum infeliz que fez questão de colocar nosso diálogo ali.
– “Não me chame de vadia, sua puta” – meu pai leu um trecho a mim e a Parkinson, que estava ao meu lado. McGonnagal deu-lhe a tarefa de castigarnos por isso. – Isso não são palavras para nenhuma moça usar.
Parkinson havia corado, pois foi ela que disse aquilo. Eu escutava atenta ao sermão de meu pai sobre as normas e condutas de Hogwarts e mais um monte de coisa.
– Posso dizer como tudo aconteceu? – pronuncie-me pela primeira vez.
– Prossiga.
Parkinson ficou onfendida e tentou tomar a dianteira:
– Por que ela tem de ser a primeira? Não é porque é sua filha que...
– Quieta, Pansy Parkinson. Não estou do lado de você e nem de minha filha. Apenas quero esclarecer toda essa situação, e como Aira foi a primeira, ela começará.
Ela fechou a cara e cruzou os braços.
– Eu estava conversando com a Ângela e a Clara nas escadarias, quando a Parkinson chegou...
– Eu não posso nem mais andar pelas escadas...?
– Quieta – meu pai foi autoritário. – Se falar mais uma vez sem lhe ser concedida a palavra, levará uma detenção.
Ela calou-se e eu prossegui:
– Ela chegou e começou a dizer para eu ficar longe do Draco. Falando que ele era dela e não seria de mais ninguém – olhei para ela, que estava se remoendo para falar, mas não queria ganhar detenção. – Eu eu disse a ela que ele não pertencia a ninguém e que só o estava ajundando com as matérias. Mas Parkinsnon não acreditou e começou a atirar palavrar sobre mim como: “Por que ele perderia o seu tempo com você, sua vulgar”. E eu apenas respondi à altura “Antes olhe-se no espelho, Parkinson, depois venha falar comigo” – meu pai olhou-me.
Contei o restante da história até quando os palavrões eram muito ditos.
Meu pai olhou-me e depois à Parkinson. Ele não estava muito feliz e nem apresentava que seria compreensível.
Parkinson contou a versão dela e depois veio dizer que estava com vergonha do que fez.
– Sinto muito, professor Snape, mas eu não queria isso. Eu pensei que a Aira estava muito próxima do Draco. E como ela tem namorado, não queria que ela o magoasse.
Ela lançou-me um olhar de desprezo, mas quando olhava meu pai, seus olhos transmitiam culpa. A desgraçada estava conseguindo convencê-lo de que eu era a errada! Grande filha duma...
– Pode ir, Pansy. Não lhe darei nenhuma detenção.
Olhei para o homem a minha frente, indignada. Como ele pode fazer isso? Levantei-me para sair, mas fui impedida pelo chamado dele.
– Precisamos conversar.
Olhei-o. Meu sangue fervia por ele não ter feito nada para me defender. Pelo menos poderia ter tido o dever de ter dado a ela uma detenção, mas nem isso ele fez.
– Aira, olhe-me – virei para ele, ressentida. Meu pai fazer isso comigo!?
Ele olhou-me assustado. Talvez pelo fato de eu não ter dito nada. Por ter-me controlado o tempo todo em não dar uma bofetada certeira na Parkinson.
– Você não devia tê-la deixado sem punidade.
– Aira...
Não estava aguentando mais. Eu merecia um pouco de consideração.
– Ela me chamou de puta. E você não fez nada! – ele olhava-me. – Ela me humilhou na frente de todos, me chamando de biscate e dizendo que eu daria pra todos que me pedissem. E você aqui na minha frente, tentando bancar o pai, mas não sabe o que é ter de enfrentar tudo isso!
Fui até o outro lado da sala e retirei um recipiente da prateleira. Aquela coisa ali dentro era estranha. Parecia o feto de algum animal. Joguei-o no chão; com raiva de tudo. Estava prestes a pegar outro, quando meu pai segurou meu braço. Comecei a socá-lo, mas ele me abraçou forte.
– Você não entende!
Ele afagou meus cabelos, tentando me acalmar.
– Sei como se sente. Nunca fui bem vindo quando era estudante.
Parei de agredi-lo.
– Como assim?
Meu pai suspirou alto.
– Digamos que o passatempo de certas pessoas eram me humilhar todo dia.
Ele nunca tinha dito isso pra mim. Eu somente soube que ele não era amado, mas a humilhação...
– Nunca tinha sossego. Um dia revidei e quase matei-o. Não deveria ter usado o Sectumsempra nele, mas eu estava com raiva e queria vê-lo morto. Foi um erro, do qual me arrependo até hoje – ele me abraçava forte, com medo de eu fizesse algo se me soltasse. – Sei como se sente e não farei nada para as duas – ele olhou-me e retirou uma mecha de cabelo de meu rosto. Olhei-o. – Só peço que se controle. Deixe que os outros lhe digam o que quiserem, mas não demonstre se importar. Dê a volta por cima, Aira – ele beijou minha testa. – Não quero que nada lhe aconteça.
Senti-me um saco de lixo depois de sair da sala de meu pai. Eu querendo que ele me defendesse, mas tinha seus motivos. Eu podia deixar a Parkinson falar, mas não conseguiria. Ela era irritante e vivia me infernizando.
Por sorte não encontrei-a enquanto voltava para o salão comunal. Depois de um dia longo e cansativo acerca da troca de elogios entre mim e Parkinson, fui para o dormitório. Nem fui jantar. Caí na cama e dormi, remoendo tudo que foi dito por meu pai.
Acordei de manhã, com o barulho de alguma coisa se quebrando. Levantei-me e fui até o salão comunal onde Parkinson e a Cheege estavam conversando. Ignorei-as e fui ao banheiro. Banhei-me e coloquei uma roupa comum e meus all stars. Ainda sentia saudades de meu coturno. Peguei minha vassoura em meu malão e depois de deixá-la em seu tamanho real, saí.
Cheguei ao salão principal e peguei algumas frutas e fui comendo, andando até a mesa da Grifinória.
– Que é isso? – Clara perguntou, olhando-me.
– Quadribol.
E ela lembrou do que eu lhe dissera antes. Ela, Ângela e Alekssandra iriam torcer para mim. Jean disse que precisava terminar um trabalho e praticar mais alguns feitiços, o que eu achava idiota demais da parte dele.
Fomos nós quatro para o campo. Os integrantes do time já estavam todos lá. Draco estava com uma lista em mãos e verificava tudo. Apoei meu braço no ombro dele e li meu nome em caligrafia floreada. Ele tinha uma letra bonita, muito mais que a minha.
– Pensei que não viria mais.
– Nem parece que conhece o Snape – espreguicei-me. Coloquei as luvas de rebatedora. – Quem é o primeiro?
Eu era a primeira. Meu nome era o primeiro da lista e não porque começava com “a”, mas pelo fato de Snape ter pedido ao Draco para escrevê-lo.
Montei em minha vassoura e alcei voo.
– Manda os balaços – gritei.
Draco abriu a caixa e os balaços voaram longe. Olhei para eles, esperando que viessem em minha direção. Fiquei sentada, de pernas cruzadas em pleno ar, esperando minha deixa. Ouvia os múrmurios de jogadores que não aceitavam o modo que eu agia. Avistei um ponto ao longe. Era o balaço.
Levantei-me, ficando em pé sobre a vassoura. Segurei com força o bastão e fiquei em posição de rebater. A uma velocidade enorme o balaço veio até mim. “Isso balaço”. Imaginei o rosto da Parkinson naquele balaço. Rebati-o com força, façando ecoar o som pelo campo. Por uma pequena probalidade, o balaço atingiu o outro, que vinha em direção contrária.
Aterricei no solo e vi olhares descrentes. Joguei o bastão a um garoto que faria o mesmo teste que eu.
Passei por Draco. Não queria saber meu desempenho. Sentei-me na arquibancada e assisti a todos os testes.
– Nem parece animada.
Olhei para Draco sentado ao meu lado.
– Quando eu for aceita, verá minha felicidade.
Ele aproximou-se mais, ficando a centímetros de meu rosto. Draco não tinha jeito. Olhei para seus lábios e depois seus olhos cinzas. Empurrei-o, fazendo-o cair no chão. Sentei-me em cima dele, com minha perna cada uma em seu lado. Ele achando-se o espertinho, tentou levantar se soltar. O que era impossível.
– Eu tenho namorado – segurava os braços dele. Ele não parecia querer soltar-se de mim.
– Então por que ele não está aqui?
Eu também queria saber. Draco aproveitou minha distração e usou seu corpo para se deslocar, ficando por cima de mim.
– Se ele te amasse não estaria fazendo o que faz.
O que é que Draco sabia?
– Sabe de alguma coisa?
Ele não negou nem afirmou. Aproximou-se mais, mas eu chutei seu ponto fraco. Desvencilhei dele e saí correndo. Ouvi ao longe minhas amigas chamando-me, mas as ignorei. Após centenas de degraus, cheguei à torre da Corvinal. A maçaneta falou um enigma:
– O que não se vê, mas sabe que está lá?
Tinha tantas coisas que me passava pela cabeça. Pensei em diversas maneiras de responder, mas não conseguia encontrar a palavra certa.
– A verdade – olhei para trás e vi Alekssandra acompanhada das gêmeas.
– Simples, porém certo.
A porta abriu-se e vi um salão comunal todo em azul. Adentrei-o e subi a escada. Levantei meu braço para bater na porta, mas parei ao ouvir vozes. As garotas já estavam atrás de mim. Aproximei meu ouvido da madeira e ouvi o que não queria:
– Por que você não termina com ela? – conhecia aquela voz feminina. Torcia para que não fosse de quem eu estava pensando.
– Gi, não posso, ainda. Tenho de explicar porque estaria deixando-a.
Senti meu estômago embrulhar. Aquilo não estava acontecendo!
Ele me traia com ela. Era isso. Por isso ele não ficava mais comigo.
– Seu cachorro! – ele apenas me olhava artudido, enquanto Giulia olhava-me, estupefata. – Você transa com ela e diz que me ama. Seu ordinário!
– Calma, Aira.
Ele segurou-me
– Não era pra ser assim...
Pulei no pescoço dele. Segurando minhas mãos em volta de sua garganta. Aquele imbecil me pagaria por ter me feito de idiota.
– Era pra ser como?
– Quem precisa de você? Quem iria te querer? – afrouxei o aperto em seu pescoço. – Aira Dulce Snape. Somente uma idiota. Você é muito burra. E feia – Agora queria pular no pescoço da vadia da Giulia
Avancei para cima dela, mas ele ficou em frente.
– Vai defedê-la? – Se for preciso sim.
Jean preferia ela do que a mim!
Saí do quarto, bufando.
Alekssandra tentou me consolar. Mas eu não precisava de consolo. Aquele desgraçado me pagaria.
– Aira?
Estavamos sentadas na escadaria. Alkessandra chorava. Eu deveria estar fazendo aquilo, não ela.
– Aira. Eu não sabia. Quando meu irmão mandava os recados pra você através de mim, pensei que ele estivesse estudando...
– Está tudo bem, Alekxis.
Ela secou as lágrimas e olhava-me descrente.
– Você não tem nada haver com isso – cerrei meu punho. – No jantar nos encontramos. Tenho algo para fazer antes.
Voltei para o campo de quadribol e Draco estava no vestiário, quando entrei. Peguei-o somente de calça.
– Está tudo bem?
Joguei-me no banco.
– Quem está dentro do time?
– Você e o Venceslau, o artilheiro.
Era bom saber. Pelo menos eu teria uma forma de me ocupar, sem pensar na segunda traição que faziam. Novamente Giulia Cheege. Ela não se cansa de me atingir?
Draco aproximou-se de mim e colocou uma mecha de meu cabelo para trás da orelha.
– Você não está bem. Eu não queria que você soubesse...
– Você sabia Draco...
Senti raiva por ele. Draco poderia ter contado-me o que sabia.
– Ele me traiu com a Giulia Cheege. Peguei os dois no quarto...
Draco levantou meu rosto.
– Tem certeza que te traiu?. Ele poderia estar conversando – Eu teria acreditado tratar-se de uma conversa se não fosse no dormitório dele. E de que lado Draco estava afinal? – Não que eu esteja defendo ele, mas acho que deveria dar uma chance dele se explicar. Vai fazer? – apenas acenei com a cabeça.
Abracei-o. Esperava que ele fosse me consolar com palavras, mas apenas afagou meu cabelo. Draco afastou meu rosto de seu peito e olhou-me. Aproximava-se mais e mais. Até que senti nossas respirações descompassadas e senti o sabor de seu hálito. Tocou-me os lábios com os seus levemente. Sem pressa ele aprofundou o beijo. Não sentia nada por ele, mas beijá-lo me tirava da realidade.
Olhei-o e ele afagou meu rosto. Será que Draco achava-me atraente? Eu poderia acreditar novamente nos homens? Eles sempre me enganavam de alguma maneira.
– Tenho de ir.
Levantei-me, separando-me de Draco. Senti a mão dele soltar-se da minha, enquanto eu saia de sua presença.
– Sempre estarei aqui quando precisar.
Fiquei no banheiro da Murta-que-geme o restante do dia. Não estava com coragem de enfrentar as pessoas. Mesmo elas não sabendo de nada. E ainda tinha o Jean. Ele me olharia, e todas as lembranças de sua humilhação viriam a minha mente. Giulia Cheege deveria estar se divertindo com Jean. Queria que a praga desse certo, mas não tinha tantas esperanças assim.
A gêmeas e a Alekxis não me procuraram, pois sabiam que eu precisava de um tempo a sós. Quando estava próximo ao jantar, saí daquele lugar e dirigi-me ao salão principal. Ainda estava com as luvas de rebatedora em minhas mãos. Não fiz questão de tirá-las. Adentrei o salão e diversos olhares cairam sobre mim. Giulia, sorria; Jean olhava para seu prato.
Fui até a mesa da Sonserina e olhei Draco, que lançou-me um olhar de cautela. Eu não seria burra de fazer o que aqueles dois queriam. Com certeza ela o satisfaz. E eu a “idiota”, não.
– Não vou ficar pra baixo como na última, vez Crist – enfatizei o apelido dela, que não era muito usado.
Todos pareciam perceber a tensão no ar.
– Pode ficar com ele. Assim como você ficou com o Weasley – a atenção estava toda em nós. – Faça bom proveito – cerrei meus punhos, tentando me controlar.
Senti um aperto em minha cintura. Olhei para baixo e vi uma mão.
– Do que está falando?
Retirei a mão dele e afastei-me. Senti vontade de socá-lo.
– Foi um grande erro eu te namorar, Jean. Espero que fiquei satisfeito com a Cheege.
Andei. Ele não tentou me impedir. Parei. Ela também merecia um agrado para levar como lembrança por toda vida. Virei-me e andei em direção a Cheege. Acertei-lhe uma mão em seu rosto e abaixei-me para lhe sussurrar:
– Espero que tenha se protegido ou pelo menos ele – pelas minhas contas ela já poderia estar. – Ou se não você terá uma surpresa daqui alguns meses – ela arregalou os olhos. Sinal de que não previra nada. Ingênua demais. – Não, é? Então é tarde demais, amiga!
Avancei para fora. Estava sem fome. Apenas deixar a Cheege preocupada era um satisfação enorme. Pela primeira vez não me senti culpada por não ter amado Jean.
Fale com o autor