Ain't no mountain high enough
1 Capítulo 1 - Estou aqui, amor
Notas iniciais
Capítulo 1 – Estou aqui, amor

— Mas o que... – Peter começou confuso quando apareceu jogado em um chão rochoso e frio, ele estava em Titã um segundo atrás.
O lugar era escuro e havia névoa em volta. Olhando para cima viu o céu noturno encoberto pela mesma névoa, o que o impediu de ver as estrelas, além de uma enorme parede de pedra. O topo de um penhasco? O vento era gelado e se não fosse sua jaqueta possivelmente sentiria frio. Sentou-se e tentou raciocinar. Gamora morta, Thanos derrotando todos eles em Titã, Mantis desaparecendo, depois Drax, e Peter se lembrava de sentir algo estranho, depois nada.
— Que droga de lugar é esse?
O terráqueo se levantou e apenas seus passos ecoavam no silêncio mortal do lugar. Havia alguma aura sombria por perto que o fazia temer o barulho que fazia ao se locomover. Caminhou mais um pouco entre a névoa, com uma mão em seu blaster para possíveis surpresas. Mas não só parou de andar como seu mundo desmoronou com a visão na sua frente. Peter não queria ir, ele tinha medo do segundo em que confirmaria as palavras de Nebulosa não só com os olhos, mas com o toque. Mas que tipo de covarde sem coração ele seria? Depois de sua mãe, era a mulher mais importante de sua vida caída ali.
Primeiro Peter respirou fundo, então começou a chorar quando andou o restante do caminho até ela e caiu ao seu lado. Sangue manchava o canto de seus lábios, e também suas mãos, Peter notou quando segurou uma delas.
— Ainda mais sozinha... – ele chorou – Me perdoe, amor – sussurrou próximo ao rosto dela.
Gamora tossiu de repente e mais sangue escorreu por seus lábios quando ela entreabriu os olhos. Peter ficou em silêncio no mesmo instante, tentando encontrar o olhar dela, mas Gamora não o olhava.
— Ei, querida... Olhe pra mim – pediu, gentilmente acariciado seus cabelos.
Gamora ainda não o olhou, mas seus olhos se abriram completamente e piscaram.
— Peter...
Foi um sussurro tão baixo que ele quase não ouviu.
— Estou aqui, bem aqui – ele respondeu aproximando o rosto do dela para que o visse.
Ela tomou uma respiração e observou o rosto dele. Então ela estremeceu e lágrimas tomaram seus olhos.
— Ei... Estou aqui, vai ficar tudo bem agora.
Um pequeno sorriso surgiu no canto dos lábios da guerreira, meio de felicidade, meio de tristeza, ela sabia que ambos sabiam que isso não podia acabar bem. O sangue em sua boca, algum osso quebrado podia estar ferindo algum órgão, talvez algum dano em sua cibernética...
— Ele fez isso com você... E te deixou aqui sozinha – o Senhor das Estrelas falou com um olhar distante – Eu quase matei você... Eu mesmo quase matei você – sua voz falhou nas últimas palavras.
Peter voltou à realidade quando os dedos de Gamora, quase sem forças, seguraram os seus.
— Não... Thanos... Joia... Sacrifício... – ela disse tentando resumir o ocorrido – Você, nunca...
Peter deixou as lágrimas rolarem livremente por seu rosto outra vez ao observá-la falar isso de olhos fechados novamente.
— Senti sua falta... Você está comigo agora – ela sussurrou, novamente tão baixo que ele quase não entendeu – Faça apenas isso... Esteja comigo, meu Senhor das Estrelas.
Peter acenou positivamente com a cabeça, embora ela não estivesse vendo, e observou o ângulo nada natural e confortável em que estavam seus membros. Ele não queria erguer o corpo dela, cada vez que ela se movia muito mais sangue deixava seus lábios, em algum momento isso a sufocaria. Então ele seria o mais cuidadoso que pudesse.
— Querida... – falou baixo afagando os dedos dela em sua mão.
— Confio em você... Eu amo você.
— Eu amo você também, mais do que tudo – respondeu pondo um beijo cuidadoso em sua testa.
Os olhos de Gamora se apertaram e lágrimas correram para o chão. Peter as secou, e segurou a perna dobrada dela o melhor que podia para posicioná-la ao lado da outra, não parecia quebrada, mas por mais suave que tivesse sido o movimento, Gamora gritou e tremeu quando ele o fez, poupando-o do trabalho de puxar seu outro braço para perto quando ela mesma fez isso.
— Me desculpa – ele pediu desesperadamente, beijando sua testa outra vez.
Lágrimas de dor e uma respiração mais forte vieram dela por alguns instantes.
— F-frio... – a guerreira murmurou, parecendo perder cada vez mais o contato com Peter.
Ele imediatamente tirou a jaqueta e a colocou sobre ela.
— Fique comigo... Peter... Querido...
O Senhor das Estrelas escondeu o rosto com uma das mãos quando desabou em lágrimas o mais silenciosamente que podia. Ela não o chamava muito daquele jeito, mas quando o fazia queria expressar as mais profundas emoções de seu coração. Por um instante se inclinou sobre ela, e abrindo um pouco os olhos, Gamora aproveitou o movimento para beijar a testa dele. Um toque fraco e rápido, mas Peter sentiu.
— Eu sei, seu sei... – ele respondeu entre as lágrimas – Eu também.
Encontrou os olhos castanhos quando a olhou, e se inclinou para beijá-la após aquela última troca de olhares. Deitou ao lado dela, pouco se importando com o chão frio. Uma de suas mãos entrelaçou os dedos com os dela debaixo da jaqueta. A outra acariciou as marcas prateadas em sua bochecha. Ela devia ter ficado com medo, devia ter ficado desesperada, devia ter ficado triste, devia ter chorado e gritado e lutado para evitar. Agora Gamora tinha algo pelo que viver. E Thanos roubara isso dela pela segunda vez. Peter jamais o perdoaria por apagar aquela luz.
— Eu não quero ir... – ela chorou baixinho.
— Você não está sozinha – foi a única coisa que Peter conseguiu pensar – Eu te amo muito. Muito, minha Gamora.
— Meu amor... – foi o último e mais baixo sussurro que deixou os lábios dela, Peter praticamente apenas leu seus lábios.
E o Senhor das Estrelas voltou a chorar, agora conseguindo abraçá-la sem que ela gritasse, sem que sofresse. Esse era o segundo pior dia de toda a sua vida.
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