Ainda é cedo.
13 Capítulo 13: Quem é Rachel?
Notas iniciais
Manuela
Minhas aulas voltavam na segunda e foquei totalmente nisso. Simplesmente evitei o Edu e tentei abstrair como pude. Ajeitei o material com antecedência e quando dobrei meu jaleco foi maravilhoso. Pela primeira vez, era como se ele realmente fosse meu.
Carregava ele pra cima e pra baixo todo santo dia, desde o primeiro dia de aula. Só usei jaleco uma vez, e nem era o meu, era o do laboratório da faculdade. Mas aquele com meu nome bordado... Era como se minha vida começasse de novo.
Coloquei algumas roupas soltas dentro da bolsa. Estava pensando em voltar para dançar de novo depois da aula. Me olhei no espelho uma última vez antes de sair. Meu rosto ainda doía e tinha um tom esverdeado. Passei maquiagem, mas não adiantou muito.
Só tinha uma matéria hoje: farmacologia. Um bando de nome complicado que se embolava na minha cabeça. O professor falava de forma tão natural e tão rápida, que mal tive tempo de pensar. Me concentrei o máximo que consegui na matéria, já sabendo que não seria um conteúdo fácil.
Sai com a mente cansada, mas meu corpo ainda precisava descarregar. Antes de sair, peguei minha nova grade de horários e troquei de roupa. Vesti um short e uma regata com um top por baixo. Peguei um ônibus e desci perto do ponto desejado, caminhando calmamente até a porta.
Já melhorei só de sentir o piso de madeira nos meus pés, a música vindo de diferentes lugares.
-Manuela? – olhei ao redor mas não vi ninguém. To ficando doida de vez? – Aqui em cima!
Olhei pro mezanino e vi o Ben, sentado com as pernas balançando no ar. Abri um sorriso e corri pelas escadas, deixando meu livros e cadernos jogados de qualquer jeito no topo dos degraus. Dei um pulo, lhe dando um abraço. Era disso que eu precisava.
Pode parecer meio estranho, mas o Ben era o tipo de cara que você não precisa saber muito para confiar. Ele exala segurança pra você.
-Ei – ele passou as mãos na minha cabeça – O que houve? Pra que essa urgência? E o que houve com seu rosto?
Engraçado como eu já me sentia tão aliviada.
-Não é nada.
-Acho que sei do que precisa... Tenho uma aula agora! Topa?
-É tudo que eu mais quero!
Ele sorriu de forma gentil e saiu me puxando. Só deu tempo de pegar minhas coisas no chão.
Me levou até uma sala não muito grande, mas muito iluminada, nos fundos do terreno.
-Não me mostrou isso aquele dia.
-Aqui é só para a galera VIP, querida!
Algumas pessoas estavam lá dentro já, e dançavam enquanto cantavam a música.
-Pessoal – ele falou, ninguém ouviu – Gente!
Dessa vez ele gritou e bateu palmas, chamando a atenção de todos. Pude reconhecer a tal Andréa e o namorado. Ela novamente, não pareceu feliz em me ver e agarrou ele como se eu fosse uma ameaça. Coitada!
-Essa é a Manuela, ela está em fase de adaptação ainda, então por favor, sejam normais e não assustem a garota!
Uma menina extremamente feliz veio, me puxando e pegando as minhas coisas, colocando no canto. Ela repetiu seguidas vezes “vem, vem, vem!”. Devia ter uns doze anos, se muito!
-Juju, já te falei...
A garota soltou minha mão e fez cara de emburrada.
-Ai, mas você é chato ein!
O garoto riu e olhou como se dissesse “acredita nisso?”.
-Desculpa, é minha irmã mais nova.
-Ela é linda!
-Linda? É porque você não conhece, já já ela perde a beleza... Sou o Philipe.
Ele esticou a mão e eu retribui. Olhou meu all star branco sujo e foi levantando a cabeça, parando... Nos meus peitos?
Cara de pau!
-Quer que eu tire uma foto ou eu vou ter que ficar aqui até você começar a babar?
Algumas pessoas riram, o que não era bem minha intenção, eu só queria dar um chega pra lá no garoto.
-Desculpa – ele disse baixinho, se afastando.
-Ah! – era o Ben de novo – E só pros espertinhos de plantão: – ele olhou diretamente para Philipe, que já estava morrendo de vergonha – ela está sob meus cuidados.
Todos os garotos fecharam a cara. Isso parecia ser algo sério.
-Obrigada – disse pra ele sem emitir som.
O engraçado era que era só a segunda vez que eu encontrava o Ben mas já me sentia ótima com ele. Havia alguma conexão entre a gente. Até mesmo essa proteção não pareceu ter malícia e admito que isso me deixou aliviada. Eu precisava de um amigo. Só amigo!
Acho que era uma espécie de aula livre. Não tinha professor, só os alunos dançando soltos, seguindo as batidas da música. Alguns formavam duplas ou trios e era aberto espaço na rodinha para se “apresentarem”. Todos eram incríveis! O Ben me puxou em uma das vezes e fomos improvisando uma coreografia. Era uma música lenta e calma. Chegava a ser um pouco melancólica. Ele me guiava e eu apenas me permitia sentir tudo que veio. Aos poucos, fui me sentindo cada vez melhor. Tudo que estava preso em mim saía, me deixando cada vez mais leve. Meu corpo estava solto e parecia seguir seus próprios comandos. Eu já não me importava com a aposta, nem com Caio, e muito menos com Eduardo. Era só... Eu, a música e o Ben.
O ritmo agitou um pouco e continuei com o Ben. Giramos juntos e damos leves batidinhas de quadril na batida, até que alguém gritou. A música parou e eu caí no chão.
Mas o que raios está acontecendo comigo esses dias?
Consegui ver o que acontecia olhando o reflexo no espelho. Uma movimentação confusa enquanto meu joelho latejava.
A tal Andrea dava chilique e alguém segurava ela.
-Sua va...
-Eeeeei – era novamente, o Ben. Os braços erguidos como se tentasse acalmar um bicho raivoso – Ta louca Andrea? Por que fez isso?
-Ela tava ai se insinuando pra ele!
Minha santa da garotas que apanham de graça, essa menina era doente. Só pode!
Uma outra pessoa me ajudou a levantar, perguntando se eu estava bem.
-Eu vou acabar com você, Rachel!
Rachel? Quem é Rachel?
Ela se soltou e veio correndo na minha direção. Por sorte, o namorado interferiu, segurando sua cintura e erguendo seu corpo no ar, enquanto ela esperneava como uma criança birrenta.
-Ela não é a Rachel! Calma, Andrea!
A garota foi se acalmando aos poucos, mas não ficou por ali. Saiu ainda carregada pelo namorado.
-Fim da aula, galera...
Ben dispensou o pessoal, que saiu calado. Alguns deram um sorrisinho simpático em solidariedade, outros só um aceno discreto. Nada além disso. Sentei no chão processando a dor no joelho. Estava arranhado, e sem dúvida, ficaria com um belo hematoma.
-Eu lamento… Você tá bem? Machucou muito?
-Não, tá tudo bem. Você não teve culpa. Mas aqui, quem é Rachel e por que eu to apanhando por ela?
Ele sentou do meu lado com um daqueles kits de primeiros socorros, me entregando a caixinha.
-Acho que pode fazer o curativo melhor do que eu – deu um sorriso forçado, era um pedido de desculpas. Se sentou na minha frente com as pernas cruzadas e começou a explicar – Bem... Rachel é uma ex do João, e para o seu azar, vocês duas são muito parecidas fisicamente. O cabelo, a cor dos olhos, a altura... Mas dá pra ver de cara que o jeito é completamente diferente. O que importa é: a Andrea tem um problema com ciúmes e posse que quase chega a ser patológico, então não leva para o coração o que aconteceu hoje. É daquelas namoradas possessivas, sabe? E o João... Bem, o João é um espírito livre, entende?
Ele é galinha, entendi...
-Então como eles podem dar certo? Porque ela nitidamente não é do tipo que engole e segue a vida.
-Esse é o problema: não dá certo. Mas eles nem se importam... Ele gosta dela com uma intensidade que nunca gostou de nenhuma. E ela corresponde a isso tudo. É quase como se fosse uma relação viciosa de droga e drogado, mas nesse caso, os dois se contaminam. É meio tóxico pros dois lados.
-Então...?
-Então ela ainda vai implicar muito com você. Não leve a mal, não é culpa sua... Entre Andrea e Rachel tem muita história, e confia em mim, não vai querer participar disso. Você só é vítima.
Limpei o arranhão com uma gaze e xinguei essa peste da Rachel por estar sendo atacada no lugar dela.
-E essa tal Rachel também vem aqui?
-Não mesmo, e eu espero que nunca apareça – ele começou a rir de forma estranha e fez algum sinal como se benzesse.
-Não entendi.
-Rachel não dançava... Nem botava os pés aqui se pudesse escolher. Eles tiveram um caso mas não foi nada demais. Ela só vinha quando o João obrigava ela a passar para buscar ou deixar algo. A Rachel era toda perfeitinha, nunca dançaria aqui porque iria sujar suas roupas de marca ou bagunçar o cabelo impecavelmente escovado.
-E onde ela tá?
-Ta morta.
Ele falou como se dissesse “foi ali fazer um lanche”.
-Como é que é?
-Se ela ta no céu ou no inferno, eu não sei. Só sei que morreu. Sofreu um acidente há um tempo. Foi um bafafá na cidade quando aconteceu. A família dela era influente por aqui. E ela já estava comprometida e tudo, futuro planejado nos mínimos detalhes. Dizem que o ex dela ficou muito abalado e deu uma surtada, mas nunca conheci ele pra poder dizer se é um boato real. Ela não era o doce todo que todo mundo achava ser e até ela começar com esse outro cara, provocou muito a Andrea.
Coloquei um curativo no joelho e estiquei as pernas.
-Então eles terminaram e o João ficou mal e depois namorou a Andreia?
-Não! Ela era a ex do João, mas o João não era o ex dela. Ela já estava com outra pessoa quando o acidente aconteceu. Entendeu? Quer dizer… O João sentiu, é claro, mas ficou bem rápido porque as coisas entre eles não acabaram tão bem — apenas confirmei com a cabeça – Então, vai me contar o que tá rolando ou não?
Meu corpo todo se arrepiou, e parece que toda a leveza que tinha chegado enquanto eu dançava, estava sendo esmagada agora mesmo.
-Nem eu sei o que tá rolando...
-Anda, começa do começo mesmo. É um bom ponto de partida quando a gente não sabe por onde começar.
Contei brevemente sobre minha vida e ele também. Até que chegamos no ponto que tinha me levado ali.
-Em resumo, eu divido apartamento com um cara. A gente ficava às vezes, nada demais. Só que as coisas foram mudando, sabe? Parece que começou a virar algo sério... E não era isso que eu queria. Fui pra casa nas férias, e antes de viajar, briguei com ele. Por lá, acabei ficando com um primo meu, que era a pessoa que eu mais odiava no mundo e essa parte eu nem sei explicar porque nem eu entendi. Quando voltei, ele me recebeu como se nada tivesse acontecido, só que eu sei que aconteceu, mesmo que ele diga que não. E olha que eu nem to falando só da briga. Durante a viagem eu liguei pra ele e ele tava com outra garota. Disse que não rolou nada, mas mesmo assim…
-Você não confia nele?
-Nem vejo como falta de confiança. Sinto que nem posso achar ruim ele ter conhecido alguém. A gente não tem nenhuma relação exclusiva nem nada assim. E ainda teve essa história com meu primo, ai eu nem me sinto no direito de falar nada. Nós conversamos quando eu voltei, e meio que “nos acertamos”. Nesse sábado fomos no clube, eu conversei um tempinho com um amigo dele, e ele não gostou, disse que o cara não prestava e bla bla bla. Quando fomos para a piscina e ele ficou sabendo que eu não sabia nadar, foi todo fofo, ficou comigo o tempo todo pra não acontecer nada… — um suspiro triste me escapou — E aí, saímos da piscina e meio que tava rolando uma cena, estilo casal de filme, sabe? Mas, como nem tudo que reluz é ouro, rapidinho esse momento acabou. Eu descobri que era tudo mentira, que ele tinha apostado com outro tal amigo que ficaria comigo lá no clube. Eles saíram na porrada, e de burra que eu sou, tentei separar. Acabei levando um soco e brigando de novo com ele. E agora to aqui... Tentando entender como uma garota normal, que só queria se formar no curso de medicina, se tornou uma doida que já apanhou duas vezes em três dias e é apostada como um prêmio de leilão.
-Uau – ele parecia confuso – Deixa eu processar isso! Primeiro: se odiava seu primo, por que ficou com ele?
-Não sei – todo mundo ia perguntar isso? – Quando dei conta, já estava lá!
-Não é porque você me encanta dançando não, mas hoje... Você estava diferente. Tava botando pra fora? – confirmei com a cabeça – Foi o que pensei... O cara tá errado, muito errado, mas você também não tá certa...
-Eu sei...
-Acho que precisa se acalmar, pensar na vida, botar as coisas no lugar... Às vezes a gente precisa de tempo para processar as coisas.
Parecia o mais certo pra se fazer agora.
-Obrigada.
Nos despedimos com um abraço. Peguei minhas coisas e sai, sentindo algo preso na garganta de novo. Levei um susto quando vi que já tinha escurecido.
Eduardo
Minha aula foi inútil hoje. Pelo menos pra mim que não prestei atenção em um minuto sequer. Acho que quase ninguém prestou atenção, estavam preocupados demais com meu rosto machucado para olharem para seus cadernos.
Cheguei um pouco mais tarde e saí pra andar depois.
Nada da Manu. Deitei no sofá esperando por ela, e acabei cochilando. Acordei e já estava escuro. Fui até o quarto ver se ela tinha chegado.
Nada!
Celular sem bateria. Já era pra ela estar em casa há muito tempo! Já estava ficando preocupado.
Não sentei no sofá de novo, não ia correr o risco de cochilar e não ver ela chegando. Abri a porta e me encostei no portal, como sempre fazia. Cinco minutos. Dez minutos. Quinze.
Nada.
Fechei a porta, me sentando encostado. Mais cinco minutos. Dez minutos...
-Dá licença?
Não tinha ouvido a porta do elevador. Olhei e vi a Manu de cara fechada, o joelho machucado, o tênis sujo, o cabelo bagunçado, fazendo bico de raiva. Ainda estava puta.
-O que aconteceu?
-Vai me deixar entrar em casa ou não?
Dei espaço e ela abriu a porta, batendo com força na minha cara. Respirei fundo, não ia ficar nervoso, não dessa vez. Quem tinha feito a merda que aguentasse agora…
No caso, eu mesmo.
Abri a porta. As chaves no aparador, os olhos cheios de raiva, o andar lento, ela estava mancando. Fechei a porta atrás de mim.
-O que houve?
-Me deixa em paz – o tom era firme, mas eu sabia que ela estava se esforçando pra falar daquele jeito.
-Não, quero saber o que aconteceu... Me deixou preocupado Manu, e aí quando chega em casa...
-Me deixa em paz – o tom um pouco mais irritado.
-Onde você tava? Como se machucou?
-Já disse pra me deixar em paz! – o tom muito mais irritado.
Puta que pariu!
-Para de palhaçada, Manu!
Manuela
Manu? Palhaçada? Realmente eu era uma grande palhaça. Só pode!
-Não sou eu quem tá de palhaçada aqui!
Eu me sentia tão cansada de tudo isso.
-Vai começar de novo esse papo de quem faz o que?! To cheio disso! Para de birra Manu!
Enfim parei para encarar ele. O olho tinha ficado roxo, o lábio já tinha desinchado, mas o corte ainda estava lá.
-Birra? Então quer dizer que você pode fazer a merda que quiser e eu tenho que aceitar? Tá bom, Eduardo. Mas vamos combinar uma coisa: pelo menos da próxima vez me avisa quando for apostar com meu nome no meio que aí eu me produzo para ser prêmio! Coloco um lacinho no pescoço e me embrulho pra presente.
Meu corpo tremia de raiva. Ele com um tom impaciente, tentando controlar a voz, o que era em vão.
-Não foi assim! Eu já te disse que…
-Não foi? Ah, mas é claro que não foi! Nunca é. Vai me dizer o que agora? “Não é nada do que você tá pensando?”. Me poupe, não caio mais nessa!
-E se não for realmente o que você tá pensando?
-Foda-se se não for! Você não presta, Eduardo!
-Você entendeu errado!
-EU OUVI! Ouvi no dia e ouvi agora! Repetir não muda os fatos! Me pediu tanto pra se explicar, e nem conseguiu inventar uma mentira!
-Ouviu mesmo, Manu? Ouviu o que? O Caio fazendo sua cabeça? Ele armou isso, e eu fui idiota! Era justamente pra você pensar que eu tinha apostado que ficaria com você! E eu apostei, sei que fui o errado dessa situação, mas não desse jeito. Apostei pra ele largar do teu pé! Pra ele parar de tentar te agarrar! Só que você sequer se deu o trabalho de pensar por cinco minutos... Por que raios eu ia fazer isso se a gente já se agarrou mil vezes? O que eu ganharia apostando algo assim? Correndo risco de perder você pra ele. Mas de que adianta? E de que adianta eu tentar explicar? Olha aonde viemos parar! Não dá pra conversar cinco minutos sem brigar com você!
Fazia sentido... Mas eu não me importava. A única coisa que sabia era que parecia que a terra tinha aberto sob meus pés, me puxando para baixo.
Ele apoiou uma das mãos na parede, tapando o rosto com a outra. Respirou fundo e me olhou. Senti seus olhos dos pés à cabeça.
Eu sabia que minha postura era totalmente defensiva. Meus braços cruzados sobre o corpo, a boca franzida segurando o choro, os olhos cerrados.
-Confia em mim – a voz baixa, muito mais calma agora – pelo menos uma vez na vida.
Ele parecia chateado de verdade. Meu coração deu um pulo, me sentia horrível, cansada, confusa. Senti uma lágrima descer pelo meu rosto, tão fria que parecia queimar minha pele.
Soltou um “tsc” impaciente. Se aproximou devagar, como se tivesse medo que eu fugisse. Não me movi e ele secou a lágrima que desceu.
-Onde eu vim parar pra ter uma garota como você, ein?
Me afastei ainda chateada, mas ele não me deixou ir. Segurou meus braços perto do seu peito, me olhando no fundo dos olhos.
-O que eu preciso fazer pra você ver que eu gosto mesmo de você? Não tem aposta ou bico seu que vá mudar isso. Me desculpa ser um idiota, não vai acontecer de novo.
Eu não conseguia responder. Chorava tudo aquilo que estava prendendo há três dias. Ele balançava a cabeça em negativa, mas não se afastou de mim. Ainda me segurava perto e eu enterrei meu rosto no seu peito.
Consegui pegar fôlego e respirei fundo.
-Eu juro que se fizer isso ou algo parecido de novo... Eu juro por todos os deuses do mundo que eu te capo! Entendeu?
Ele tentou prender o riso, mas não conseguiu. Acabou soltando um barulho muito estranho, e no final, os dois estavam rindo.
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