Ainda sou uma garota
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Seu pai a havia deixado sozinha no quarto, para que pudesse arrumar suas coisas sem pressa, devagar puxou a mala que estava guardada ao fundo do pequeno guarda-roupa que possuía, retirou a poeira deixando a cor cinza mais brilhosa, ali colocaria as roupas do dia-a-dia e intimas alguns produtos pessoais que acharia necessário, reservou uma parte para os sapatos, chinelos e coisas do tipo. Com tudo cheio, puxou a mochila que usara na escola primária, e colocou seu uniforme escolar, uma caixa com algumas presilhas. Vasculhou o quarto a procura de algo que poderia ter deixado para trás e seus olhos pousaram no retrato de sua mãe.
Conseguia lembrar-se de sua aparência e gestos com precisão, mas agora não se via pensando com tanta frequência como fazia antes, sentiu-se culpada por isso, com delicadeza guardou o porta retratos na mochila, embrulhado em uma toalha para que não se quebrasse. Sem mais nada para guardar, deitou-se em seu futon dormindo no exato momento. Não sonhou com nada ou ninguém, e deu graças por isso ao acordar na manha seguinte.
—Bom dia Haruhi.
—Bom dia Otou-san —Cumprimentou de volta, ainda vestindo seu pijama.
—Papai daqui a pouco já estará indo embora.
—Não se preocupe, sei que faz para o nosso bem. –Sorriu.
—Liguei e avisei para a escola que somente iria resolver as coisas para que os pais dos gêmeos sejam seus responsáveis por um tempo, não precisará frequentar as aulas hoje ou o clube, pegue esse tempo para se instalar na nova casa temporária.
—Irei de ônibus até a mansão depois que sair mais tarde passo na escola.
—Me desculpe mesmo –Abaixou a cabeça- Depois que sua mãe se foi, as coisas pioraram, sinto que não sou um bom pai para você, Haruhi.
—Não diga isso Otou-san, sem drama antes de ir, sabe que me criou muito bem, frequento uma ótima escola, e tenho tudo que preciso não se menospreze.
Conversaram por mais um tempo, relembrando os momentos felizes que haviam vivido na casa, onde a matriarca ainda se fazia presente. Haruhi assistiu sei pai sair de casa, o mesmo tinha lágrimas nos olhos ao entrar no carro de um de seus amigos do trabalho. Esperou sair de seu campo de visão para então voltar para dentro de casa e conferir tudo novamente. Pegou as bagagens e trancou a porta com pesar no coração, não sabia se voltaria ali um dia, deixou a chave com a dona do prédio e se despediu, andando até a parada de ônibus, sem muito esperar, embarcou, sendo ajudada pelo motorista que se ofereceu para carregar a bagagem até o acento.
Sozinha, pensou em tudo que ocorreu de forma rápida, sem descanso, a dois dias sofrerá um assalto em casa, onde todos do clube acabaram se envolvendo, na mesma noite, iniciou um namoro com um dos gêmeos diabinhos. No dia seguinte brigou com o mesmo por vários motivos, e descobriu que teria que morar com ele por um curto período de tempo.
—Senhorita, vai descer aqui? –Perguntou o motorista notando seu estado.
—Obrigada, irei descer. –Respondeu ao perceber que se encontrava na rua em que a mansão residia.
Saiu puxando a mala de rodinhas enquanto apertava a alça da mochila em seu ombro, sem demonstrar nervosismo por estar em um dos bairros mais ricos da cidade, apertou a campainha ao lado do enorme portão, que a seu ver, seria muito pesado para ser empurrado. Escutou um chiado sair do interfone e o portão se abrir, entrou reparando melhor em como o jardim se parecia, já que, quando esteve na última vez não teve tempo para apreciar. Duas empregadas se curvaram em sinal de respeito ao chegar à porta de entrada
—Por favor, não façam isso. –Pediu.
—É uma convidada senhorita, mostraremos respeito. –Rebateram.
—Façamos assim então, não quero causar problemas para ninguém aqui, quando estivermos somente nós, sem formalidades, façam apenas quando alguém estiver presente.
—Certo. –Sorriram. –Seu quarto será o mesmo da noite em que esteve aqui, se importa?
—Claro que não, obrigada.
Seguiu. As mesmas queriam carregar as malas, mas Haruhi as impediu, faria ela sozinha a pequena tarefa.
—Deixaremos á senhorita para que arrume suas coisas, se precisar nos chame. Os senhores só chegaram quando as atividades do clube acabarem.
—Mais uma vez, obrigada, e não se preocupem, logo irei à escola resolver alguns papéis.
Deixou que saíssem do quarto para olhar melhor, da última vez não havia reparado no local e decidiu fazer, sobre a cama lenções que julgou serem caros apenas pelos tecidos macios e sedosos na cor rosa bebê. Ao lado um criado-mudo branco. E um pouco mais a frente á parede onde as portas para a sacada estavam abertas e cobertas por cortinas na cor bege. Ao lado da porta que entrou um guarda-roupa de quatro portas marrom. Olhou a procura de mais algo e nada, julgou que apenas o quarto dos gêmeos possui-se banheiro próprio. Guardou suas coisas nos devidos lugares, e o porta-retratos de sua mãe ao lado da cama.
Trocou as roupas para logo após o almoço ir a escola, uma calça jeans, camisa básica e tênis. Não arriscaria ir de uniforme e ser pega perambulando pela escola e também não arriscaria sua identidade como homem, optando pelo básico. Saiu em direção no qual achava ser a correta para a sala onde havia jantado, perambulou por alguns instantes até um dos empregados a encontrar e leva-la.
—O almoço esta servido. –Anunciou um empregado.
—Obrigada. –Olhou a mesa e espantou-se com toda a comida, que provável não daria conta. –Para que tanta comida, mais alguém ira almoçar?
—Não senhorita, apenas você, caso algo não lhe agrade, possa comer outra coisa. –Respondeu paciente.
—O que acontecerá com o restante?
—Lixo.
—Que desperdício, ricos malditos. –Resmungou a última parte. –Os donos da casa estão?
—Foram em viajem, apenas a senhorita e os empregados.
—Chamem eles então.
—Como?
—Vamos almoçar juntos, de onde venho comida não se pode desperdiçar.
—Comemos na cozinha, os patrões nos dão boa comida,
—Por favor, me façam companhia e comam aqui.
O homem já mais velho encarou a jovem e balançou a cabeça, não sabia como uma garota como ela estaria na mansão ou seria amiga de dois rapazes que só sabem o que o dinheiro significa. Por isso sorriu e assentiu, sentia que ela de fato seria especial para todos da casa. Por volta de dez pessoas surgiram, entre eles, empregadas, jardineiros, mordomos. Aqueles que tiveram que permanecer em seus lugares como os seguranças, depois outros levariam suas refeições. Alguns se sentaram envergonhados, outros mais alegres e aqueles que achavam um absurdo, uma simples garota surgir do nada e fazer uma mudança.
—Obrigada pela comida. –Agradeceu juntando as mãos e começou a comer.
O almoço transcorreu em silêncio apenas ao barulho dos garfos. A comida aos poucos foi se acabando e os empregados se retirando, sobrando aqueles que se sentiam confortáveis em presença de Haruhi.
—Eu me ofereceria para ajudar a limpar tudo, mas acho que seria demais falar isso.
—Com toda certeza senhorita, foi um grande esforço para comermos na mesa dos donos da casa. Deixe que façamos pelo menos nosso trabalho.
—Certo, certo. –Concordou. –Pegarei o ônibus e irei a escola agora, voltarei mais tarde.
—Vai assim. –Perguntou uma delas olhando duvidosa para suas roupas. –Sem querer lhe ofender, mas parece um garoto.
—Primeiramente, não me ofendi, segundo, a uma história muito longa por trás dessa minha roupa. –Explicou.
—Os senhores sabem.
—Hikaru e Kaoru? Com certeza sabem, na verdade eles são um dos motivos. –Falou, lembrando-se do dia em que um vaso custou quase sua vida.
—Se é assim, o motorista pode levar você até a escola, ônibus a essa hora demoram a passar.
—Pode ser. –Respondeu sem muita relutância, estava louca para resolver os papéis e não ter mais o que se preocupar. –A escola então.
Declarou por fim, torcendo para não encontrar nenhum de seus colegas de turma, ou pior, do Host Club. Para si, encarar o namorado e seu irmão agora em casa estava de bom tamanho, escaparia de todos para não ter que dar explicações desnecessárias sobre sua situação de vida.
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