Ainda que a queira ela não é minha
1 Capítulo Ùnico - One Shot
Notas iniciais
Ele a amava mas sabia que ela não sentia o mesmo. Como poderia depois de tudo o que fez? Ele a perseguiu, tentou impedi-la de conseguir o que queria, destruiu sua família e matou a sua amada. Ela o odiava e podia culpá-la? Nunca. Seu amor apesar de não correspondido nunca sumiu ou diminui. Ela era única e os momentos que tiveram juntos é o bastante para a eternidade que o espera.
A morena, no entanto, as vezes agia estranho. Seus ferozes olhos azuis se acalmariam diante dele e os golpes tão certeiros que marcara nela errariam quando em direção a si, feririam levemente sua pele bronzeada mas nada mais duradouro. Ela sorriria, um pequeno mas puro e brilhante sorriso, apenas para ele e o deixaria.
Os momentos entre eles eram como fogo, intensos e propensos a explosões, mas as vezes ele se tornaria calmo e eles poderiam conversar como quando depois de uma batalha intensa em que mal podiam erguer os braços de tão exaustos. O ódio dela esquecido e o seu amor´profundo transformado em afeição pacífica. Nesses momentos ela deitaria a cabeça sobre seu ombro, seus belos olhos fechados e dormiria totalmente confiante que ele não a feriria.
São esses momentos que o fazem duvidar a certeza que ela o odeia.
Mas os dois não estão destinados a estar juntos mesmo que esteja errado. Gabrielle é quem traz o melhor nela e depois de tudo que passou ela merece a paz e o amor que ela trará.
E com esse pensamento em mente ele cuidou das duas até o dia de suas mortes. Xena vez ou outra perceberia sua presença e sorriria para o ar, provocando o apelido de velha maluca na pequena aldeia onde resolveram se estabelecer. Ele bem que queria matá-los por tal insolência mas ela parecia em paz e ele os deixou. Uma atitude que até sua família do Olimpo se surpreenderia afinal não é do feitio do Deus da Guerra desistir de algo que lhe faça sentir.
Mas ele a viu crescer barriga e ter uma pequena menina que nomeou Lyla. Logo após um menino que nomeou Xander. Lyla era uma pequena bolha de energia e nunca parava quieta, sempre curiosa e corajosa, uma combinação do melhor das duas mães. Xander, no entanto, era definitivamente o contrário, quieto e tímido mas de porte altivo ele preferia o trabalho braçal e a paz.
Ele observou enquanto Xena os amava, seus olhos sempre brilhantes quando em companhia da sua pequena família. Mas também viu que vez ou outra, quando cuidando da plantação ela olharia o sol e seus olhos azuis se tornariam opacos, seus beiços apertados e sua cabeça baixa. Nesses momentos ele não conseguia se controlar e apareceria para ela.
Sorriria e a ajudaria a sentar ignorando o aperto no coração ao vê-la cada dia mais definhar mesmo que seu espírito não se abatesse. Xena tocaria seu braço e o chamaria por outro nome, contando-lhe histórias sobre os dias em que foi a protegida de Ares. Seus olhos se tornariam tristes e sem que percebesse lágrimas correriam pelas suas bochechas marcadas pela idade e pelo sol.
Ele carinhosamente as colheria no seu dedo e beijaria cada olho, liberando um pouco de seu poder desejando que fosse qualquer outro deus que não o da guerra para proporcioná-la algo mais do que a sensação da vitória. Mas seus belos olhos brilhariam com reconhecimento e ela agarraria suas mãos, puxando seus longos dedos para perto de seus olhos e contando cada cicatriz e linha marcadas ali. E então ela as beijaria e se ergueria, dando-lhe as costas e voltando para dentro.
Ele ficaria ali por alguns minutos a mais, pensando em como seria a vida caso insistisse em ficar com ela, caso seguisse o fogo que corre por suas veias e tomasse o que não é seu mas que seu coração negro deseja mais do que tudo.
Mas ele ouviria os risos e gritos alegres dos filhos delas e desistiria de tal ideia. Ela não é mais sua, mas isso não significa que ele não possa protegê-la e sua descendência.
E foi o que ele fez ao longo dos anos. Ele a viu renascer vez ou outra mas nunca mais se aproximou, se contentando em vê-la dominar o mundo com sua beleza e inteligência.
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