Ainda nao escolher o nome
1 Introdução
Todas os adolescentes Blau Blume treinavam como escravos, amanhã seria um grande dia. Mesmo distante, era possível ouvir as espadas tinindo, as flechas atingindo a madeira e os professores gritando. Sim, o amanhã era o dia de admissão. Decidiria se você iria para o exército, se viraria um mercador, se assumiria alguma outra missão ou ficaria na vila.
Mesmo com toda importância do dia seguinte, Zelo não tentou nem levantar da cama. Já havia aceitado que ficaria a vida inteira na vila, comparado com as outras crianças, não era nada. Se conseguia levantar a espada sem sentir dificuldade, era uma grande evolução. Resolveu que só iria lá cumprir presença, afinal, não queria ninguém no seu pé. Perdido em seus pensamentos, olhou para o céu e fez uma pequena oração, pedindo ajuda a sua mãe, pai e avó, falecidos há algum tempo.
Os pais de Zelo eram grandes guerreiros, lutavam bravamente pelo Reino, mas caíram em uma armadilha de Jiniss e faleceram. Desde então, fora criado pela avó, que faleceu após alguns anos, deixando Zelo totalmente sozinho. Voltando a realidade, deitou a cabeça em seu travesseiro e dormiu.
Quando acordou, já estava atrasado. Mas, não havia acordado por acaso, ele tinha ouvido algo. Foi até a porta e abriu, encontrando seu treinador.
— Por acaso, a moçoila esqueceu que dia é hoje? – ele gritou.
— Não, senhor!
— Então, faça o favor de se trocar... – Deu um sorriso um maligno – Apesar de que eu tenho certeza que você nunca vai sair dessa vila.
Ele marchou e foi embora. Zelo se trocou e foi para o centro de treinamento. Todos estavam em uma grande fila. Vários diretores de escolas, mestres, grandes mercadores, militares estavam lá, analisando cada um. Entre todos, o que mais chamou a atenção foi uma mulher alta, sentada com as pernas cruzadas. Seu rosto era coberto pelo capuz preto que usava, deixando apenas a mostra seu cabelo roxo e seus lábios vermelhos. Seus braços estavam cruzados e batia o pé no chão, estava impaciente.
Quando finalmente começaram a chamar para designar quem iria para onde, a mulher deu um sorriso leve. Todos pareciam estar enfeitiçados pelo ar misterioso que a mulher tinha. Quando chegou a vez de Zelo, todos abaixaram a cabeça e não disseram nada, ninguém queria o pobre aluno que era fraco. Alguns colegas de Zelo deram risadas maldosas para ele. A mulher misteriosa levantou a mão e tirou o capuz, revelando um belo rosto delicado, porém machucado, e disse com sua voz firme e charmosa:
— Caso ninguém mais tenha interesse, ensinarei a esse garoto a arte da justiça com a espada, a arte da agilidade com a adaga e a arte do silêncio com o arco.
Ninguém disse nada. A mulher deu um pequeno sorriso.
— Certo, então, Zelo, você é meu aluno. Seja bem-vindo.
A mulher levantou-se, fez uma reverência e saiu do centro de treinamento, junto de Zelo. Andaram em silêncio durante alguns minutos, mas o jeito que ela andava era certamente gracioso para Zelo, até que chegaram num estábulo com dois cavalos.
— Não gosto de apresentações, então, meu nome é Toke, isso é o que precisa saber. Espero que você saiba montar neles, temos um longo caminho até a sua...
— Escola?
— É.. “Escola”.
— Onde ela fica?
— Reino Élfico. Pode fazer um favor? Como sua primeira tarefa, fique quieto durante um tempo. – Zelo assentiu e ficou quieto, Toke deu um sorriso de canto.
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