Adriano Costa.

Fatinha e Orelha até tentaram falar comigo, depois que viram a Lia correndo para o banheiro, mas eu não queria conversar com ninguém. Queria ficar sozinho, apenas sozinho. Fatinha insistiu dizendo que precisava me contar de uma coisa da qual não iria me agradar tanto, porém não queria ouvir, só precisava ficar sozinho nesse momento, depois eu falava com ela. Fui para a cantina, e pedi um suco para me acalmar, eu sabia que seria assim, no fundo eu sabia que ela me rejeitaria... E com razão, eu sei. Sei que não será nada fácil voltar a ter o coração da minha marrentinha de volta, mas eu não iria desistir, nem se ela implorasse, eu não iria desistir.

Fiquei o tempo todo olhando para a porta do banheiro na espera de que elas saíssem logo, e eu pudesse ver como a minha marrenta estava, mas não deu tempo, pois logo tocou o sinal e o Robson como sempre surgiu expulsando todos da quadra e mandando todos irem para suas respectivas salas. Assim o fiz, fui para a sala, agora do terceiro ano, e me sentei na carteira aonde costumava me sentar antigamente. A movimentação logo foi parando pois já estavam todos em seus lugares, quando adentrou um cara, estilo colírio da Capricho, na nossa sala. Deduzi que devia ser o tal Vitor que Fatinha havia falado na quadra antes de eu aparecer, e logo comprovei com o Orelha falando que era mesmo o tal.

"Vish, Pilha, esse ano promete. Teremos um triangulo novamente? Hahaha, olha ai quem chegou, nosso Edward. E aí Vitinho?"

"Cala a boca, Orelha." disse Fatinha estressada.

O que será que o Orelha quis dizer com "triangulo novamente"?

"E aí, Orelha. Vem cá, a Lia não veio hoje? Não estou vendo as coisas dela..." perguntou o tal Vitor.

Como assim ele queria saber da minha Lia? Quem era esse cara?

"Veio sim, Vitor. Mas ela saiu correndo para o banheiro porque viu o..." disse o Fera.

"O rato! Foi isso, ela saiu correndo porque viu um rato." disse Fatinha cortando o Fera e logo em seguida o beliscando, que reclamou de dor.

Não entendi porque a Fatinha havia mentido... Na verdade, eu não estou entendendo mais nada, será que perdi tanta coisa assim em apenas sete meses?

"Que estranho..." disse o tal Vitor, mas logo deu ombros e se sentou na carteira ao lado. "Oi, qual seu nome? Você é aluno novo?" me perguntou simpático.

"Não. Já estudava aqui, porém sai e agora voltei. Me chamo Adriano." respondi educadamente.

"Me chamo Vitor. Prazer, Adriano." disse sorrindo.

Apenas lancei um sorriso falso, não tinha ido com a cara desse moleque, cheio de intimidade perguntando da minha Lia. E nem ia dar muita moral senão iria ficar puxando papo e eu não quero conversar com ninguém, apenas ficar na minha e sozinho.