Ainda Não Acabou - Romione

5 Capítulo 5 - "Crack" "Crack"


Na cozinha a Sra. Weasley dava início aos preparativos do almoço, totalmente entregue a pensamentos, lembranças das travessuras de Jorge e Fred. Quantas vezes ralhara com os dois! Há alguns anos atrás, brigara com os gêmeos antes de eles irem a Copa Mundial de Quadribol e na manhã seguinte ao saber pelo Profeta Diário que houvera um atentado cometido por Comensais da Morte no evento, quase ficara maluca imaginando se tinha acontecido algo ao marido ou aos meninos. Como suportaria viver se as últimas palavras aos filhos tivessem sido de desprezo apenas por não obter tantos N.O.M.s? Não foi daquela vez que ela perdeu um filho; esse dia apenas se adiou. Hoje ela não tinha mais Fred, nunca mais poderia tomar o filho em seus braços. E ela também não sabia o que fazer com Jorge, pois este só queria saber de ficar no quarto, sem falar com ninguém.

Nesse instante, teve a impressão de ouvir um “crack” bem baixinho. Parou de picar a abóbora pensando: “Que será? Alguém aparatando?”

Correu até a sala e se deparou com Bichento lutando para pegar duas agulhas de tricô enfeitiçadas. As agulhas agora estavam suspensas a cerca de um metro e meio de altura com meio palmo de um suéter marrom tricotado. No chão estava caída uma tigela em que se guardavam os novelos.

– Ah, é apenas o gato!- disse para si mesma, aliviada.

– Mas onde estão as crianças? E caminhou para a porta da cozinha.

Harry e Gina estavam deitados sobre a grama, debaixo da árvore. Gina recostava a cabeça no peito de Harry e este afagava carinhosamente seus cabelos.

– Gina!!!! – ouviu-se uma voz inconfundível.

– Acho que suas obrigações de filha te chamam. – disse Harry.

– Mas onde é que você se meteu menina?

Gina levantou-se a contra gosto e rumou para a Toca, seguida por Harry.

– Estou aqui, mãe.

– Preciso de sua ajuda querida, venha!

Quando a matriarca deixou a porta, voltando à cozinha, Harry resolveu surpreender a ruiva com mais um beijo. Apertou os passos com cautela e aproximando-se de Gina, agarrou-a pela cintura. A menina que claramente não esperava, soltou um grito e forçou o corpo para frente, Harry por sua vez, perdeu o equilíbrio e não pode evitar de Gina tombar bem em cima de uma poça d’água resultante da rápida chuva da noite anterior.

– Mas o que é isso? – A Sra. Weasley voltara à porta, provavelmente preocupada com o grito da filha.

Harry, que afundava um pé na poça na tentativa de segurar Gina, gaguejava para dar alguma explicação e a menina gargalhava sentada na lama.

– Eu escorreguei, mãe. Harry só tentou me segurar.– Harry confirmou com a cabeça, agora rindo também.

– Ora essa! Suba logo para tomar um banho e depois desça para me ajudar na cozinha. Ah, e se sujar a casa vai limpar; sem usar a varinha!

Com a ajuda de Harry a ruiva se levantou toda enlameada, mas rindo.

– Desculpe, minha única intenção era fazer isso. – e deu um beijinho na garota. Respondendo com outro beijo, Gina disse:

– Não importa, foi divertido.

– Espera! E Rony e Hermione? Será que se acertaram de vez?

– Não sei. – respondeu ficando séria.

– Hermione estava diferente, não quis conversar, só pediu que eu chamasse Rony. De qualquer forma, vou subir e descubro. Agora vou entrar antes que mamãe venha gritar comigo de novo. – e dando mais um selinho em Harry, rumou para a porta da cozinha.

Gina subiu as escadas ainda rindo. Abriu a porta do quarto esperando encontrar a amiga, mas esta não estava ali. “Será que está no quarto de Rony?” pensou maliciosa.

Ao abrir o guarda-roupa, puxou a primeira gaveta esquecendo-se de que tinha oferecido a mesma para que Hermione pudesse guardar suas roupas, mas... estava vazia. Puxou a segunda: vazia! Olhou atônita para o alto do guarda-roupa onde Herrmione deixava seu malão e este também não estava lá. Olhou embaixo da cama e nada! Mas quando olhou para o criado-mudo um frio na barriga tomou conta da garota. Viu um pedaço de pergaminho que com toda certeza não estava ali antes. A letra estava um pouco diferente, provavelmente escrevera com muita pressa, mas era sem dúvida de Hermione.

Queridos Weasley e Harry,

Desculpem-me por não me despedir como deveria, mas acho que não suportaria. Sinto-me muito bem aqui na Toca, vocês são realmente muito importantes para mim, mas preciso encontrar meus pais.

Contei a Rony e ele decidiu vir comigo, me ajudar. Não fiquem preocupados, estaremos bem e manteremos contato. Espero voltar em breve e com meus pais.

Hermione

Gina ficou paralisada por alguns segundos, depois correu para o quarto de Rony, passou por sua cabeça que talvez estivessem lá ainda. O malão do irmão estava debaixo da cama, vazio. Não tinha nenhum bilhete, mas parecia faltar algumas peças de roupa na gaveta.

. . .

Harry também decidiu entrar, não podia ficar com o pé encharcado daquele jeito.

– Vou subir também. Preciso trocar meus sapatos. – disse à Sra. Weasley.

– Por favor, querido. Diga a Hermione que o gato dela está com fome ou querendo atenção. Estava agora a pouco tentando agarrar minhas agulhas de tricô e eu não sei o que ele come.

Harry sorriu em resposta e rumou às escadas já tirando o tênis molhado que o incomodava. No terceiro lance de escadas encontrou Gina que descia ofegante.

– O que foi? Gina apenas esticou uma das mãos entregando-lhe um pedaço de pergaminho. Harry correu os olhos rapidamente sobre aquelas palavras.

– Não pode ser...

– Pode sim. Os quartos estão vazios e o malão de Hermione sumiu!

Nesse instante a Sra. Weasley surgiu subindo as escadas.

– Mas você ainda não tomou esse banho?

Gina, que sentia a lama começar a secar, revirou os olhos e respondeu:

– Eu teria tomado se o seu Roniquinho e Hermione não inventassem de... – não sabia como terminar, sua mãe levaria um tremendo susto. Olhou para Harry implorando ajuda. Ele deu de ombros:

– Ela vai ter que saber mesmo... – e entregou o pedaço de pergaminho à Molly.

– Céus! – exclamou a Sra. Weasley levando a mão ao peito.

“Crack!”

Esse som muito familiar fez os três se entreolharem. Será que Rony e Hermione já estavam de volta? Correram em direção ao barulho, na cozinha, mas era o Sr. Weasley que acabara de chegar de uma pequena reunião na casa de Kingsley Shacklebolt, novo Ministro da Magia. O Sr. Weasley, que mordia uma tortinha de abóbora, assustou-se ao ver os três entrarem tão rapidamente na cozinha e ao perceber que a filha estava toda enlameada e Harry com um pé calçado e outro não, alarmou-se:

– Mas o que houve aqui? Gina, você está ferida? – e ia de encontro a filha, mas foi impedido pela esposa que o abraçou chorosa pela cintura.

– Roniquinho nos deixou. Vamos acabar sozinhos, sem filho algum, Arthur.

– Como assim nos deixou???? – o Sr. Weasley deu um grito, já imaginando o pior.

– Eu explico! – disse Harry. E contou ao Sr. Weasley tudo que aconteceu.

Já mais calmo e pensativo depois de ouvir toda explicação em silêncio, o patriarca enfim falou:

– Não podemos culpá-los. Hermione deve realmente sentir muita falta dos pais e Rony não quis que ela fosse sozinha.

– Se ela tivesse nos contado, também teríamos ido ajudar, não é Harry? – retrucou Gina.

– Valha-me Merlin! E como ficaria seu pai e eu mocinha?

– Acho que foi por isso que ela não nos avisou.

– Exatamente, Harry. A coitadinha deve estar confusa. Mas isso é trabalho para o Ministério, não sei se eles vão conseguir sozinhos e mesmo com os novos tempos é arriscado se aventurar por aí. – disse Arthur.

A Sra. Weasley punha as mãos à cabeça e voltava a chorar:

– Se acontecer alguma coisa com eles...

– Nada vai acontecer, Molly querida. Vou dar um jeito nisso, precisamos ao menos saber onde estão. Onde está Errol?

– Saiu para caçar, papai. Mas Pichi está lá em cima.

– Ótimo! – e pegando um pedaço de pergaminho em sua maleta escreveu um bilhete, enrolou-o e entregou à filha dizendo:

– Já sabe o que fazer.

–Por que não manda um patrono, pai? É mais rápido. – disse hesitando em pegar o bilhete.

– Sim, mas diferente de uma coruja, um patrono só consegue encontrar o destinatário se nós soubermos sua localização, o que não é o caso.

– Ok. -E subiu à procura da coruja.