Ainda Não Acabou - Romione
3 Capítulo 3 - De Volta à Toca
Nos dias que se seguiram todos tentavam se adaptar a nova rotina. Ninguém falava muito, os olhares tristes e a cadeira vazia em toda refeição já dizia tudo. Faltava Fred. A família Weasley não seria mais a mesma, nunca mais. Jorge praticamente se isolou dos demais, fechou a loja de logros e preferia ficar trancado no quarto. Só descia quando a mãe o implorava para comer alguma coisa. A Sra. Weasley tentava manter o controle, sempre se ocupando das tarefas da casa, as vezes até inventando trabalho para fazer.
Harry não podia deixar de perceber o quão mais sensível a matriarca se tornara, abraçava os filhos o tempo todo e sempre saia tentando esconder as lágrimas que teimavam em percorrer sua face.
Numa manhã de sábado, logo após o café, Harry resolveu ir até o jardim, sentar na sombra fresca de uma árvore qualquer. Seria bom respirar um pouco de ar puro, refletir. Qual seria seu caminho a partir de agora? Os Weasleys eram como sua família, tinha Hermione que também estava ali e Gina, sua amada Gina. Desde o fim da batalha os dois ainda não tinham parado para conversar e ele necessitava dessa conversa, mas ele ainda não tinha cabeça para isso. Deixaria para mais tarde, para outro dia talvez. E passou a admirar as verdes colinas por trás da Toca, o sol matinal refletia nas gotas de orvalho da vegetação rasteira, era um brilho suave e cativante.
– Em algum lugar ali atrás ficava a casa dos Lovegood.
– Ah, oi Rony. Ficava?
– É, ou será que foi reconstruída depois daquele dia?
– Bem, eu não sei. Faz quase um ano que não tenho uma conversa formal com Luna, então não perguntei.
– Conversa formal? Poxa, Harry. Acha mesmo que é possível uma conversa formal com algum Lovegood?
– Rony riu, mas Harry permaneceu sério.
– Sabe, Ron, naquele dia na casa de Xenofílio, eu vi uma coisa que me fez ter certeza da sinceridade e honestidade de Luna, uma coisa que acho que você e Hermione não conseguiram ver e nem eu tive tempo de contar ainda.
– E o que era? Zonzóbulos ou um chifre de erumpente?
– Isso é sério, Rony, quando entrei no quarto de Luna, vi que ela tinha pintado alguns rostos no teto. Sabe de quem eram?
Rony fez que não com a cabeça e Harry esboçou um sorriso.
– Você, Hermione, Gina, Neville e eu. E em volta daqueles rostos havia dezenas de minúsculas palavras: AMIGOS.
– Eu não te disse? Para ter amigos como a gente ela não pode ser uma pessoa normal.
Os dois riram um pouco. Momentos como aquele eram muito raros nos últimos dias e mereciam ser aproveitados ao máximo.
– Sabe Harry, as coisas ainda estão muito complicadas, principalmente para mamãe e Jorge. Acho que vou conversar com ele. As Gemialidades era a vida de meus irmãos. Fred se foi, eu sei, isso dói, mas tenho medo de que essa tristeza acabe levando Jorge também. Ele precisa dar continuidade a loja, mas não sozinho.
Harry fitou o amigo meio que captando suas ideias.
– Você está querendo dizer que...?
– Que se Jorge permitir e desejar eu posso ajudá-lo na loja, não há muita coisa para fazer por aqui não é mesmo? E não sei se ainda quero ser um auror ou jogador profissional de quadribol. É minha família, cara.
– Isso é brilhante Rony. Magnífico! Quero dizer, muito boa ideia. Acho que meu amigo está se tornando um homem!
Os dois riram mais uma vez. Harry sempre soube que Ron tinha um ótimo coração, mas agora se superara. Harry então se lembrou do beijo de Rony e Hermione e resolveu perguntar ao amigo como as coisas andavam com eles.
– Mudando de assunto, onde está Hermione?
– Lá na cozinha ajudando mamãe e Gina a preparar o almoço, eu acho.
– Sim, mas e vocês dois?
– Nós dois? Como assim nós dois?
Harry revirou os olhos meio impaciente.
– Ron foi na minha frente que vocês dois se beijaram, no meio da batalha. Ou você sugere que eu imaginei aquela cena?
Rony pareceu pensar na resposta por algum tempo, de cabeça baixa.
– Eu não sei direito, a gente não conversou ainda, mas de uma coisa eu tenho certeza. Eu a amo, Harry. E eu tenho que dizer isso a ela, só não encontro a maneira certa.
Harry sorriu com as palavras do amigo, Rony e Hermione juntos, seus dois melhores amigos. A ideia lhe soava muito bem por um lado, mas por outro ele começou a pensar em Gina e a incerteza se eles também ficariam juntos um dia.
– Gina está vindo para cá. Imediatamente Harry se virou para a porta da Toca e pode ver Gina saindo. Usava uma calça jeans clara e blusinha rosa, o sol fraco refletinho sua pele macia. Caminhava serenamente na direção dos dois e Harry percebeu o quanto o corpo da amada havia ganhado forma nos últimos meses. Tão linda, tão frágil e forte ao mesmo tempo. Um sorriso surgiu nos lábios da garota quando ela percebeu que Harry não tirava os olhos dela, talvez tivesse chegado a hora para um conversa franca, pensou. Mas se virou para o irmão:
– Hermione está chamando você lá dentro.
– O que ela quer comigo? Aconteceu alguma coisa? Ela está bem?
– Eu não sei Rony. É com você que ela quer falar.
Rony saiu em direção a Toca e Gina sentou ao lado de Harry, sem falar nada. Estar com Harry já era o mundo para ela. Poderia passar horas, dias ali a seu lado, seria tão feliz... Mas sentia que o amado a estava evitando nos últimos dias, já imaginava o motivo, mas queria ouvir de sua boca. Essa era a hora, não podia esperar mais.
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