Ainda Não Acabou - Romione
10 Capítulo 10 - St. Mungus
Notas iniciais
O Sr. Weasley saiu mais cedo para trabalhar naquela segunda-feira prometendo voltar o quanto antes para almoçar. Agora tudo fluía mais facilmente no mundo bruxo, inclusive no Ministério da Magia, agora sob comando de Kingsley Shacklebot que se mostrava cada vez melhor em seu trabalho.
Carlinhos destinava um pouco de seu tempo na tentativa de convencer Jorge a sair do quarto, chegando até a dizer que uma viagem à Romênia para conhecer mais a fundo os dragões lhe faria bem.
Harry e Gina ocupavam o tempo namorando discretamente no sofá. Volta e meia a Sra. Weasley saia da cozinha e dava uma olhada mal disfarçada nos dois.
– Temos que falar de uma vez para meus pais, sobre a gente.
– Eu sei Gina. Mas acho que essa não é a hora, vamos esperar Rony e Hermione voltarem para acabar com toda essa tensão. Se bem que...
– Se bem que o quê?
– Rony estando longe significa um irmão seu a menos, mais chances de eu continuar vivo quando contar sobre nosso namoro.
– Seu bobo!! Vamos lá pra fora?
Depois de uma volta no jardim, os dois se sentaram mais uma vez à sombra da frondosa árvore costumeira.
– Eu sei que você não gosta muito desse assunto Gina, mas preciso dar um rumo à minha vida.
– O que quer dizer com isso?
– Não posso ficar a vida toda aqui na Toca. Apesar de gostar muito. – acrescentou vendo o olhar atravessado de Gina.
– Eu não vejo motivos para você sair daqui!
– Sirius deixou a casa para mim. No início eu não gostei, não queria, mas agora vejo que é uma forma de ficar mais tempo sentindo a presença dele, tempo que eu não tive antes.
– Olha Harry, eu entendo esse seu lado, eu compreendo, mas e a gente?– perguntou Gina pesarosa.
– A gente? Nada vai mudar! Quero que você entenda uma coisa – disse segurando o rosto da ruiva – não importa se estou com você aqui na Toca, se estou no Largo Grimmauld ou em qualquer outro lugar do mundo, distância nenhuma pode abalar o que sinto por você.
– Eu te amo, Harry. – disse Gina com um imenso sorriso.
– Também te amo. Muito. – e abraçou a amada dando-lhe um beijo demorado no pescoço.
Nesse instante um barulho muito característico fez os dois se separarem. O Sr. Weasley estava a poucos metros deles, parado, fitando-os.
– Chegou cedo assim para almoçar, pai? – perguntou Gina corando.
– Cedo? Já é quase meio dia.
– Perdão Sr. Weasley. Acho que perdemos a noção das horas aqui conversando.
– Conversando é? – várias linhas se formando na testa do Sr. Weasley – então vamos entrar e vocês podem continuar essa conversa lá dentro.
O Sr. Weasley ainda os fitou por alguns instantes antes de seguir para casa. Levantando, Harry falou:
– Acho que não vai dar para esperar por Rony e Hermione para conversar com seus pais. Deseje-me sorte.
Harry tinha decidido pedir a autorização para namorar a amada Gina assim que se sentasse a mesa para almoçar. E então poderiam parar de namorar às escondidas. Estavam a poucos metros da porta da cozinha quando... “crack”! Virando na mesma hora na direção daquele som, Harry e Gina se depararam com Rony pálido e ofegante carregando Hermione nos braços.
– Me ajude. – ele sussurrou enquanto a irmã e Harry corriam de encontro a ele.
– O que aconteceu Rony??
– Por Merlin, o que houve com Hermione? Ela está banhada em sangue!
Mas Rony não respondeu às perguntas, foi ficando mais pálido e tonto.
– Rony, o que você tem? – indagou a irmã.
– Segure ela.
Mal deu tempo de Harry tomar desajeitadamente Hermione nos braços e Rony desabou no chão. Harry, que não ia suportar o peso por muito tempo, correu para dentro da Toca enquanto Gina tentava reanimar Rony.
A Sra. Weasley estava terminando de colocar a mesa. Carlinhos, Jorge e Sr. Weasley já sentados, quando Harry irrompeu pela porta da cozinha.
– O que é isso? Hermione??
– Valha-me Merlin! Harry meu filho, o que houve?
Em meio a chuva de perguntas, Carlinhos correu para ajudar a amparar Hermione e juntos atravessaram a cozinha e a colocaram no sofá da sala.
– Quando ela chegou? Por que todo esse sangue?
– Como ela chegou? Sozinha?
– E Rony?
– Gina está lá fora com Gina. Ele desmaiou, não sei o que houve. – foi a única coisa que Harry conseguiu responder.
Quando o Sr. Weasley deu meia volta para ir ao quintal, Gina já entrava na sala arrastando pelo braço Rony ainda bastante pálido e com a camisa toda suja de sangue.
– Meu filho! – gritou a Sra. Weasley enquanto o abraçava.
Mais chuvas de perguntas vieram sem que Rony conseguisse proferir uma só palavra. Harry, Gina e agora a Sra. Weasley tentavam, sem sucesso, fazer Hermione acordar.
– Mas por que ela está enrolada nesse lençol? E sem roupa?? – perguntou a Sra. Weasley quando uma parte do lençol escorregou.
Rony, que parecia em estado de choque, enfiou a mão dentro da bolsinha de contas e tirou o pequeno frasco com a aranha morta.
– Ela foi picada.
O ruivo entregou o frasco na mão do pai, que disse:
– Mas eu nunca vi essa aranha antes. Onde vocês estavam?
– Na Austrália.
– O que?? Vocês foram para a Austrália sem nosso consentimento? Sem nem nos avisar?
– Molly, deixe o Rony falar.
– É, nós fomos para a Austrália – continuou Rony com o olhar perdido – os pais dela estão lá, mas a aranha é do Egito e picou Hermione e eu não pude fazer nada e ninguém pôde fazer nada... – disse caindo no choro.
– Vamos levá-la ao hospital, AGORA! – ordenou o Sr. Weasley – Gina, você fica.
– O quê? Por quê??
– Porque você ainda não pode aparatar, não fez os testes.
– Eu sei aparatar muito bem e aqui eu não fico!!
– Ahh, que seja então!
Harry foi levantar Hermione do sofá, mas Carlinhos interveio:
– Eu faço isso, Harry.
E aparataram na rua ao lado do St. Mungus tentando ao máximo não chamar a atenção dos trouxas, o que era bastante difícil naquela situação. Passaram pela recepção atraindo muitos olhares e foram direto ao primeiro andar, onde encontraram Augusto Pye, o curandeiro estagiário, que conjurou uma maca imediatamente.
– A coloque aqui. – falou para Carlinhos – e o que aconteceu com ela?
Rony ergueu o vidrinho no ar.
– Foi picada hoje de manhã.
O jovem curandeiro olhava do frasco para Hermione e de volta ao frasco.
– Vocês ficam aqui! – orientou o rapaz enquanto entrava com a maca de Hermione por uma porta.
– Mas eu quero ir com ela! – insistiu Rony, mas o curandeiro não respondeu e fechou a porta.
– Venha, meu filho. – disse o Sr. Weasley arrastando Rony e fazendo-o se sentar.
– Você está bem?
Rony balançou a cabeça negando.
– Óh, céus! Você está ferido Roniquinho? Foi picado também? Oh, Merlin!
– Mãe, você vai matar o Rony sufocado!
– Eu vou morrer sim, Gina. Vou morrer se acontecer alguma coisa com Hermione.
O Sr. Weasley passou um braço pelos ombros do filho e disse acalmando-o:
– Os medibruxos estão cuidando dela e ninguém vai morrer aqui.
No decorrer de duas longas horas, Rony explicou detalhadamente tudo que aconteceu desde quando Hermione e ele saíram da Toca até o momento em que ele aparatou de volta no quintal de casa com Hermione nos braços. Embora a Sra. Weasley implorasse para que o filho comesse o sanduíche que Carlinhos buscou, Rony se recusou a comer enquanto não tivesse notícias de Hermione.
Algum tempo depois, a porta se abriu e o curandeiro Hipócretes Smethwyck saiu por ela.
– Vocês estão acompanhando a jovem que foi picada pela aranha? Ah, olá Arthur, é muito bom revê-lo.
– Sim Smethwyck, nós estamos com ela e ...
– Como ela está? Ela acordou? Eu posso vê-la? – interrompeu Rony aflito.
– Bem meu rapaz, você pode até entrar, mas eu sinto muito ela não acordou e...
– E o que? – desta vez foi Harry que interrompeu.
– Eu realmente sinto muito, mas não existe antídoto para o veneno da aranha da areia. Ela não vai mais acordar.
Todos ficaram em choque, perplexos. Gina caiu num choro silencioso e Harry a abraçou também deixando várias lágrimas rolarem. Rony, que tinha o braço direito seguro pelo pai, se desvencilhou e correu na direção da porta, pra cima do curandeiro.
– Mentiroso! Você não sabe o que está dizendo! Me deixe entrar, me deixe entrar agora!
Carlinhos e Sr. Weasley correram para segurar Rony que começara a socar o Sr. Smethwyck.
– Calma, meu filho. O Sr. Smethwyck já disse que podemos vê-la, mas você tem que se controlar.
Depois de Rony acalmar os nervos, todos entraram pela porta. Havia mais uma pequena sala vazia e uma dúzia de outras portas enumeradas. O curandeiro os conduziu até a porta de número 8. Lá estava Hermione. Deitada inerte sobre aquela cama de hospital e com uma bolha de ar junto a sua face.
– Oh, Merlin! Ela está tão pálida... – disse a Sra. Weasley.
Rony chegou mais perto da cama e pegou na mão da amada. Estava muito gelada. Observando-a mais calmamente percebeu que seus lábios que foram tão vívidos, lábios que um dia ele tocara com os dele, estavam agora brancos como papel. Até seus cabelos haviam perdido o brilho natural. E perguntou:
– Por que puseram o feitiço Cabeça de Bolha nela?
– É um ar especial, extraído durante o preparo da Poção Veritasserum.
– Da poção da Verdade? – perguntou Harry surpreso.
– É apenas o vapor que a poção exala nos últimos minutos do cozimento, serve para parar hemorragias. Isso nós conseguimos.
– Mas se conseguiram estancar a hemorragia por que não podem fazer com que ela acorde? – perguntou Gina chorando mais ainda depois de ver a amiga.
– Eu já disse senhorita. Não há antídotos. É um veneno fatal e nem mesmo sei como ela ainda vive.
– O bezoar...
– O que disse jovem? – perguntou o medibruxo.
– Fiz ela engolir bezoar assim que a encontrei desmaiada.
– Então isso esclarece algumas coisas. Certamente o bezoar amenizou o efeito do veneno no corpo dela.
– Então ela vai acordar, ela pode viver! – exclamou a Sra. Weasley abrindo um meio sorriso.
– Eu não teria muitas esperanças. O máximo que posso avaliar no momento é que o bezoar pode ter sido suficiente para que o veneno não a matasse, mas isso não significa que ela vai acordar. Se me dão licença, tenho outros pacientes para atender. Só peço que não se demorem no quarto. – e saiu.
Minutos se passaram em silêncio até que o Sr. Weasley disse:
– Acho melhor irmos andando, talvez o melhor para Hermione agora é dar tranquilidade a ela. Não podemos fazer nada.
Sem soltar a mão de Hermione, Rony se virou para o pai:
– Daqui eu não saio.
– Filho, ficar aqui vai acabar te fazendo mal também.
– Eu não me importo! E pior eu vou ficar se estiver longe dela, quero estar aqui e estarei aqui quando ela acordar.
Molly e Arthur se entreolharam até que Harry também argumentou:
– Eu acho que Rony tem razão, não podemos deixá-la sozinha. Eu posso revezar com você, Rony. Posso ficar com ela enquanto você descansa.
– Eu também posso. – Gina não ficou de fora.
Mas Rony nem pareceu ouvir. Nem percebeu o ruivo que os pais, os irmãos e Harry já estavam saindo do quarto. A única coisa que importava era estar ali ao lado da amada que respirava tão fracamente, tão debilitada, tão frágil e tão necessitada de ajuda.
– Eu vou trazer você de volta, meu amor. Custe o que custar não se preocupe, você vai voltar.
E ali Rony permaneceu a tarde inteira.
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