Ainda Não Acabou - Romione

6 Capítulo 6 - O Telefonema


Rony e Hermione aparataram numa ruazinha a dois quarteirões da casa dos Granger.

– Vamos andando. –disse Hermione.

Nenhum dos dois dizia mais nenhuma palavra, o único som era dos próprios passos e do malão que Rony arrastava. Eventualmente passava um ou dois carros sem importância. Pararam em frente a uma típica casa de classe média inglesa, visivelmente aconchegante, e com uma placa com dizeres bem visíveis: VENDE-SE.

Era a casa dos Granger. Hermione respirou fundo e seguiu em direção à casa. Abriu o portão olhando tudo a sua volta.

– Alohomora! – e a porta principal se abriu.

Era tudo tão igual e diferente. Os mesmos móveis nos mesmos lugares, mas tudo silencioso, escuro, chegava a ser medonho. O som do malão arrastado por Rony a despertou, voltou à porta e acendeu a luz; estava melhor assim.

– Legal... – disse Rony encarando o Lustre.

– Mione, ainda não entendi porque viemos pra cá. Era certo que seus pais não estavam mais aqui, não é mesmo?

– Eu precisava. Sinto a presença deles, mesmo que estejam num outro continente agora. É como se estar aqui me ajudasse a criar forças e a encontrar coragem. Não vou negar, estou com medo.

Rony ficou um tanto surpreso, geralmente quem sentia medo em alguma situação era ele, não Hermione. Ela era a eterna “sabe tudo”, nunca tinha o que temer, tinha sempre um plano traçado, sempre uma solução. E agora ela acabara de confessar que estava com medo. Será que a situação era tão grave assim? Será que isso significava que ele também deveria temer? Não! Definitivamente não! Se Hermione estava insegura precisaria de alguém para apoiá-la. Como Hermione estava ainda de pé perto da porta, buscou-a pegando sua mão e a levou ao sofá, sentaram lado a lado. Ainda segurando a mão de Hermione, olhou em seus olhos e disse:

– Eu não sei se isso lhe serve de conforto, mas eu estou aqui, estou com você. Nós vamos conseguir.

– O que seria de mim sem você, Rony? – disse Hermione num fraco sorriso.

– Eu que deveria fazer essa pergunta. Mione, eu realmente não sei o que eu faria e o que seria de mim se alguma coisa acontecesse com você, eu preciso de você, muito mais do que você pode imaginar.

Uma lágrima solitária percorreu a face de Hermione e antes que pudesse morrer em sua boca, Rony a aparou passando suavemente o polegar direito sobre sua bochecha.

– Rony, eu...

“Ding- dong” “Ding-dong’

– O que foi isso?

– A campainha. – respondeu Hermione voltando em direção à porta e abrindo-a após verificar rapidamente o olho-mágico.

– Olá.

– Sr. E Sra. Thompson? – era um casal de meia idade, também moravam naquela rua. A senhora magra e alta que usava um conjunto de blusa e saia cinza, apertou os olhos como se quisesse deixar a visão mais nítida.

– Hermione?? Como está crescida! Há quanto tempo não víamos você, não é Garry?

O Sr. Thompson era mais baixo que a mulher, gorducho e tinha a expressão bastante séria.

– Eu estava estudando fora.

– Nós sabemos querida. Onde estão seus pais?

– Ah... meus pais? Eles viajaram.

– Também sabemos disso queria. Há meses que a casa está fechada, mas como vimos luzes acesas hoje, resolvemos vir. Estamos interessados na casa.

– Na casa?

– Sim querida. Queremos comprá-la.

Hermione se lembrou da placa na entrada da casa, mas não poderia deixar que aquela casa tivesse outro dono, jamais!

– Não está mais à venda!

– Mas a placa...

– Esqueci de tirar. Mudamos de idéia e meus pais já estão voltando. Agora, se me dão licença, acabei de chegar e preciso descansar, até mais. – e fechou a porta sem nem mesmo esperar uma resposta do casal.

Talvez tivesse sido grossa demais, mas não importava agora. Voltou a sentar e logo Rony levantou sem nada dizer, abriu a porta e saiu. Um minuto depois ele voltava com a placa na mão.

– Melhor nos assegurar que não vai aparecer mais nenhum comprador. – e colocou a placa encostada na parece, perto da porta.

– Hermione, qual nosso próximo passo?

(...)

– Hermione??

– Como não pensei nisso antes?! – exclamou a garota correndo para pegar a placa.

– A resposta está aqui, Rony!

Rony observou a placa. Em letras grandes pintadas de vermelho lia-se: VENDE-SE e logo abaixo, em tamanho menor havia alguns números. Ele reconheceu o que aqueles números significavam, já havia usado uns parecidos para ligar para Harry numas férias de verão passado.

– São números de Tefé... telefone?

– Sim, vou tentar agora mesmo! Abriu as gavetas de uma estante, mas estavam todas vazias, então correu para seu malão pegou uma pena e um pedaço de pergaminho, anotou os números e disse:

– Vamos logo. Precisamos de uma cabine telefônica. Tem uma a um quarteirão.

Enquanto iam apressados à cabine, Rony questionou:

– O que vai dizer? Não vai poder dizer de cara quem é.

– Claro que não. Estou pensando em algo.

Hermione entrou na cabine e Rony hesitou, mas logo a menina a puxou para dentro também.

– Pode ficar perto de mim?Eu preciso!

Rony foi ao Céu e voltou à Terra.

– Mas é claro! O tempo todo.

Colocando uma moeda, Hermione discou os números e aguardou com o telefone no ouvido. Rony segurou sua mão esquerda.

– Alô. – disse uma mulher do outro lado da linha.

Hermione, reconhecendo a voz, perdeu uma ou duas batidas de coração nesse instante. Que vontade de chamá-la de mamãe, dizer que estava com saudades, mas se o fizesse provavelmente a mulher do outro lado pensaria estar falando com uma maluca.

– S... Sra. Granger? – respondeu gaguejando. Era tão difícil chamar sua própria mãe pelo sobrenome!

– Sim?

– Meu... meu nome é Katie. Katie Rudinston. A senhora tem uma casa a venda aqui em Londres, não é mesmo? Estou interessada.

– Que ótimo! Sim, meu marido e eu queremos vendê-la. Estamos morando na Austrália agora e não faz sentido mantermos uma casa em Londres, afinal não temos filhos.

Rony que havia encostado a cabeça próximo ao telefone, ouvia tudo e segurou mais forte a mão de Hermione nessa hora. Lágrimas silenciosas transbordaram dos olhos da garota.

– Sra. Rudinston?

– Desculpe-me Sra. Granger. Eu estou de viagem marcada para a Austrália, podemos nos encontrar para negociar. Eu retorno quando já estiver no país.

– Perfeito!

– Tchau, até mais.

Hermione desligou o telefone e não se conteve. Acabou-se em lágrimas abraçando Rony apertado, soluçando. Iria encontrar seus pais. Uma das melhores sensações do mundo: falar com a mãe e estar protegida nos braços de Rony.

Já em frente a casa de seus pais, Hermione ouviu um ruído bastante familiar que vinha do estômago de Rony. Os dois se encararam e riram.

– Desculpe Rony. Já é tarde, nem tinha me dado conta.

– Isso não é nada. Seus pais em primeiro lugar.

Agora foi a vez de Hermione se surpreender. Pela primeira vez via Rony deixar a comida em segundo plano.

– Espere aqui.

– Aonde você vai?

– Espere!

Rony ficou parado no portão enquanto Hermione entrou em casa. Instantes depois ela voltou sorrindo.

– O que você fez?

– Fui pegar um dinheiro trouxa que estava no fundo do malão. Vai comer comida de trouxa hoje!

Falar com a mãe pelo telefone tinha deixado Hermione triste por um momento, mas agora ela irradiava felicidade. Entraram num mercado depois de cruzar umas 3 ou 4 ruas.

– Não dá pra muita coisa, mas será o bastante. – disse Hermione.

– E você vai cozinhar?

Hermione fechou a cara:

– Acha que eu não sei? Posso não cozinhar tão bem como a sua mãe, ou a minha, mas sei sim. Mas vou comprar algo que seja mais rápido e prático.

Hermione comprou lasanha congelada, suco de caixinha e bolachas.

– Só não me vai ver cozinhando do modo trouxa. O gás provavelmente foi suspenso.

Rony preferiu não perguntar que gás era esse.

– Lacarnum Inflamare! – e uma chama azulada pairou a menos de 5 centímetros da mesa da cozinha.

– Wingardium Leviosa! – e uma travessa de lasanha se sobrepôs à chama azul.

Minutos depois ela disse:

– Está pronto, mas vamos esperar que esfrie um pouco.

– O cheiro é bom. Do que é feito?

– Massa, carne, queijo, presunto, molho, ervilhas... Tudo em camadas.

– Maravilha! – disse Rony com os olhos brilhando e a boca cheia d’água.

– Vamos ter que comer assim mesmo. Encontrei alguns talheres, mas pratos...

– Eu não me importo. – Rony comeu ¾ da lasanha com suco de laranja. Era delicioso!

Depois do jantar, Rony cochilava no sofá enquanto Hermione preparava outra bolsinha de contas com um feitiço indetectável de extensão. Quando terminou de guardar tudo que precisariam, ouviu um barulhinho na janela: era Pichi, a coruja minúscula que Rony ganhara de Sirius. Trazia uma carta amarrada à perninha.

Hermione,

Entendemos que precisa encontrar seus pais, mas você e Rony não podem fazer isso sozinhos. É uma tarefa para o Ministério.

Voltem para a Toca que é mais seguro e prudente. Estamos preocupados.

Arthur Weasley

– Rony, Rony, olhe! –disse sacudindo o ruivo e entregando a pequena carta.

– Você quer voltar?

– Claro que não, Ron. Agora não. Vamos viajar amanhã pela manhã, já pensei em tudo, mas teremos que fazer algumas “escalas”.

– Como assim escalas? – perguntou o garoto ainda sonolento.

– Não podemos aparatar diretamente na Austrália. É muito longe e se torna perigoso. Suponho que percorrendo uma distância menor de cada vez será mais seguro.

– Mas também não podemos fazer muitas aparatações seguidas...

– Exato, por isso vamos bem cedinho.

– Tá ok. Eu posso responder a carta?

– Claro. Vou ajeitar para a gente dormir.

Hermione subiu para verificar os quartos. Sua cama ainda estava com a mesma colcha de meses atrás e isso lhe trouxe lembranças tristes. Balançou a cabeça para colocar os pensamentos em ordem e foi verificar o quarto de hóspedes para Rony. Sacudiu o lençol empoeirado e abriu a janela. Era bom arejar o quarto, mesmo que só fossem ficar ali por uma noite.

Acordaram muito cedo, talvez mais cedo do que precisavam.

– Pronto? –perguntou a Rony depois de comerem algumas bolachas.

– Você gosta mesmo dessas bolsinhas, não é? – disse apontando para a bolsa de contas que Hermione segurava.

– Sim. Mais prático, não acha? A menos que você não se importe de ficar carregando um malão...

– Prefiro sua bolsinha!! Posso saber primeiro para onde vamos agora?

– Em menos de 10 segundos você vai saber. – e dando a mão a Rony, aparataram.

Notas finais
Gostando??? Queria pedir que deixassem seus comentários, não precisa ser apenas elogios, críticas também são bem vindas!! Bjus