Ainda Não Acabou - Romione
1 Capítulo 1 - Ao Fim da Batalha
Notas iniciais
Harry não podia acreditar no que seus olhos lhe mostravam. O que ele achava que tinha acontecido e o que veria, não era nada se comparado àquilo. Por todo o salão havia corpos espalhados e os pequenos espaços do chão em que não havia destroços do castelo ou aglomeração de pessoas, podia ver uma coloração avermelhada: sangue. E em sua maioria, sangue inocente.
No canto mais afastado, Harry viu alguns corpos meio amontoados, difícil distingui-los, visto que quase todos tinham seus rostos virados na direção oposta, mas eram, sem dúvida, comensais da morte mortos na batalha. Com um pouco mais de atenção, Harry reconheceu dois corpos em meio àqueles. O primeiro era de uma mulher, cabelo alvoroçado, olhos arregalados e boca semiaberta. , expressões de um susto ficaram cravadas no rosto de Belatriz Lestrange. O segundo tinha uma face muito pálida, gélida, mas sem expressão alguma: Voldemort. O causador de toda aquela tragédia estava enfim, morto.
Mudando o olhar de direção, Harry viu um amontoado de cabelos ruivos que choravam e se abraçavam incessantemente. No chão, uma mulher corpulenta chacoalhava o corpo inerte de um rapaz. Eram os Weasleys que velavam o corpo de Fred. Aquilo não podia ser verdade, aquelas pessoas não podiam ter morrido assim, aquelas famílias não deviam estar sofrendo tanto e o culpado era ele. Jamais conseguiria viver com esse sentimento, ele havia tirado muitas vidas, destruído famílias.
Ted cresceria sem conhecer os pais, como poderia desejar que o afilhado tivesse o mesmo triste destino que ele? Fred não estaria mais entre os Weasleys, a família que sempre o acolhera estava despedaçada e ele era o responsável. Provavelmente Gina o odiaria por isso.
Sentiu nesse momento um calor ao seu lado, uma respiração profunda e compassada do seu lado esquerdo e então um braço o envolveu.
– Harry, não fique assim. Acabou.
Por um minuto ou dois, Harry nada disse, continuou apenas fitando quanto sofrimento se espalhara pelo salão. Quando finalmente se deu conta de que alguém lhe falara, respondeu:
– Como não ficar assim? Como acabou? Olhe para isso, Hermione! Se alguém deveria estar estirado no chão, esse alguém tinha que ser eu. Olha no que o castelo se transformou: um monte de destroços, um monte de pó. Olha os corpos inertes de nossos amigos. Nossos amigos, Hermione, estão mortos e a culpa é toda minha! Portanto eu que deveria estar ali, sem vida, apenas eu!
– Harry, não é desta maneira, se estamos seguros agora, é por sua causa. Você salvou muitas vidas, devemos muito a você e...
– Não, Hermione. Não adianta tentar tirar esse peso das minhas costas. Pergunte ao Sr. e Sra. Weasley, pergunte a Rony e Gina, acha que eles virão me agradecer por assassinar Fred?
Antes que Hermione pudesse falar mais uma vez, Harry correu para fora do salão, em direção ao pátio. Ela cogitou ir atrás dele, mas concluiu que o amigo necessitava de um tempo para pensar, sozinho.
Então, caminhou até os Weasleys. A Sra. Weasley agora acariciava o cabelo e a face de Fred deitado no chão. Jorge, os irmãos mais velhos e o pai estavam sentados a sua volta, desolados e Gina se abraçava a Rony, aos prantos. Hermione se juntou a eles, tomando para si também aquele luto.
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