Os anjos cantam e as crianças riem,
Ainda há luz

Embora as trevas reinem nos corações
dos tolos humanos sem fé
e maus de espírito, sem esperança

Os lobos ainda uivam alegremente,
e as árvores das florestas sussurram fofocas,
estrelas sorriem músicas plenas,
a lua pisca um olho, esperta

E a luz brilha no interior
dos que se dispuseram a encontrá-la,
como uma ilha de esperança num mar de tristeza,
um órgão vital pulsando lentamente

Bocas amargas beijam
e olhos salgados choram,
corpos de vidro sangram,
mas os sábios celebram o triunfo dos bons

O silêncio é a música
que ecoa pelas ruas lotadas,
vazias de vida
um final sem fim

As bocas mudas falam
palavras desesperançosas e preces sem fé
e os ouvidos surdos ouvem
as batidas dos corações mortos e os gritos silenciosos

Os olhos cegos vêem,
próximos ao fim,
o legado da destruição que reconstrói
e os corpos mortos vivem
das ondas de fogo e labaredas de água

(E as almas dos desalmados se corrompem)

O fim chega
e os gélidos lábios da morte
marcam um por um os desistentes

Tolos mundanos humanos
rezam descrentes suas preces
pedindo a um Deus que não acreditam,
chorando o medo que não sentem

O acerto de contas foi anunciado
e tolos assustados humanos
temem o conforto morno da morte

Mas a vida é fria e a realidade é dura,
o castigo dos tolos é viver
e os sábios recebem a morte como uma velha amiga

(Recompensados, morrem os sábios e de bom coração)

E os tolos e mal-intencionados
perecem em seus corpos viventes.
Almas corrompidas, irreconhecíveis, porém almas,
se humanas, tolas, se não, sofridas

Uma brecha de sol ilumina o céu,
uma batalha silenciosa se trava,
sorriem os heróis que lutam por bem
e choram sangue os que lutam por mal

E sofrem os maus, imortais
e os bons e sábios triunfam renascendo
no Paraíso, com esperança

Os anjos cantam e as crianças riem
Ainda há luz.

Notas finais
Desculpa qualquer problema de formatação, aqui está meio esquisito.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!