Ainda Há Luz
1 Ainda Há Luz
Os anjos cantam e as crianças riem,
Ainda há luz
Embora as trevas reinem nos corações
dos tolos humanos sem fé
e maus de espírito, sem esperança
Os lobos ainda uivam alegremente,
e as árvores das florestas sussurram fofocas,
estrelas sorriem músicas plenas,
a lua pisca um olho, esperta
E a luz brilha no interior
dos que se dispuseram a encontrá-la,
como uma ilha de esperança num mar de tristeza,
um órgão vital pulsando lentamente
Bocas amargas beijam
e olhos salgados choram,
corpos de vidro sangram,
mas os sábios celebram o triunfo dos bons
O silêncio é a música
que ecoa pelas ruas lotadas,
vazias de vida
um final sem fim
As bocas mudas falam
palavras desesperançosas e preces sem fé
e os ouvidos surdos ouvem
as batidas dos corações mortos e os gritos silenciosos
Os olhos cegos vêem,
próximos ao fim,
o legado da destruição que reconstrói
e os corpos mortos vivem
das ondas de fogo e labaredas de água
(E as almas dos desalmados se corrompem)
O fim chega
e os gélidos lábios da morte
marcam um por um os desistentes
Tolos mundanos humanos
rezam descrentes suas preces
pedindo a um Deus que não acreditam,
chorando o medo que não sentem
O acerto de contas foi anunciado
e tolos assustados humanos
temem o conforto morno da morte
Mas a vida é fria e a realidade é dura,
o castigo dos tolos é viver
e os sábios recebem a morte como uma velha amiga
(Recompensados, morrem os sábios e de bom coração)
E os tolos e mal-intencionados
perecem em seus corpos viventes.
Almas corrompidas, irreconhecíveis, porém almas,
se humanas, tolas, se não, sofridas
Uma brecha de sol ilumina o céu,
uma batalha silenciosa se trava,
sorriem os heróis que lutam por bem
e choram sangue os que lutam por mal
E sofrem os maus, imortais
e os bons e sábios triunfam renascendo
no Paraíso, com esperança
Os anjos cantam e as crianças riem
Ainda há luz.
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