Notas iniciais
Devo avisar-lhe que esse texto contém cenas fortes de violência. Nao posso lhe dizer quando sai o primeiro capítulo, mas vai demorar um pouco...

Era noite, não sei ao certo a hora, mas sei que era muito tarde. Voltava da casa de uma amiga após uma noite de estudos que durou mais que o planejado. Caminhava pelo mesmo caminho que fazia na volta do colégio, porém, o beco que eu sempre usava, diferente das vezes em que passei as claras, desta se encontrava escuro e deserto. Engoli a seco o medo, agarrei a alça de minha mochila rosa ao tentar enxergar com dificuldade o final daquele beco. Continuei a caminhar, tendo em mente aquele pensamento de que nada poderia me acontecer. Eu já estava ciente de como o mundo era, mesmo com meus meros 16 anos, já sabia de todas as atrocidades que poderiam me acontecer aquele momento, mas sabe aquele pensamento, de que nunca irá acontecer com você? Então. Foi com esse pensamento que congelei, minhas pernas não se moviam e tremiam como se eu tivesse com frio. Ele estava parado bem a minha frente, com suas vestes sujas e rasgadas, alto, magro, cabelos encaracolados na altura dos ombros e um olhar aterrorizador que parecia atravessar minha alma. Fechei os olhos, respeirei fundo e apressei o passo. Ele me abordou, me perguntou sobre as horas. Eu fui gentil, expliquei-lhe que estava sem relógio e sem celular. Esse foi meu grande erro. Tentei continuar andando porém ele segurou meu braço, disse que me admirava a dias, que minha farda escolar chamava-lhe muito atenção. Eu agradeci constrangida, fechei o último botão da minha blusa branca pressentindo o pior. Ele segurou meu outro braço, me beijou a força, eu ainda consigo sentir o cheiro de bebida que ele carregava e o nojo que ainda me embrulha o estômago. O empurrei, me virei na direção contrária e tentei correr o mais rápido que consegui, porém ele me alcançou, segurou-me com força e me jogou contra algumas sacolas de lixo que se encontravam ali. Eu entrei em desespero ao vê-lo na minha frente abrindo o zíper da calça. Comecei a gritar por ajuda, mas era como se minha voz ecoasse no vazio. Ele me disse para me acalmar, que aquilo era normal, um homem e uma mulher no escuro. Ele ria ao se deitar sobre mim. Eu chorava ao tentar empurra-lo com os pés. Senti suas mãos grossas e frias subirem por baixo da minha saia azul, rasgando minha calcinha, abrindo minhas pernas com força e arrebentando os botões da minha farda. Tentei criar novamente enquanto soluçava de tanto chorar, porém ele me impediu, cobriu minha boca com a mão enquanto dizia que seria rápido. Chorei ainda mais ao sentir seu membro violar meu corpo até então intocado. Eu não tenho lembranças do que ocorreu após isso, passei anos me forçando a esquecer toda essa cena. Mas sim! Ele me estuprou, me violentou. Tomou a força minha pureza. Tirou minha virgindade e com isso levou também minha vontade de viver, minha confiança nas pessoas, minha esperança no mundo, meu amor pelo próximo. E foi assim, sob aquele chão sujo, sobre aquele homem nojento que contrai AIDS.

Notas finais
Espero que tenha gostado. Nao esqueça de deixar um comentário, eu adoro feedback...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.