Ainda É Cedo
20 Vamos Fugir ♪
Notas iniciais
#Isadora
Um teto mal-emboçado. Essa foi a primeira coisa que vi quando acordei. Um teto mal-emboçado desconhecido. Olhei para a cama em que eu estava. Desconhecida também. Meu pé direito estava todo enfaixado e meu rosto possuía curativos. Levantei-me bruscamente e tudo rodou.
–Oi Brasile, vai com calma Brasile! – exclamou uma cidadã com sotaque espanhol, vindo até a mim.
Olhei para ela, assustada, antes de tirar o pano molhado de cima da minha testa.
–Quem é você? Que brejo é esse? – perguntei arredia
Sim, brejo. Eu estava num brejo. Um quarto escuro de uns três, quatro metros quadrados com a tintura de algumas paredes descascando enquanto outras estavam pichadas.
A bonita morena sorriu estendendo a mão para que eu me levantasse.
–Não preciso de ajuda para...
Nem deu tempo de terminar a frase. Assim que coloquei os pés no chão levei um tombo memorável, do tipo videocassetada! A sujeita veio me acudir desesperada.
–Está vendo só brasilenã, porque tanta pressa? Yo nem pude disser que usted não podia ficar de pé. – disse ela preocupadíssima. – Se acontece algo com você ele me mata!
Colocou-me na cama de novo. Aquilo estava muito estranho. De onde brotou essa muchacha?
–Quem é você? Quem foi que me trouxe pra cá? – perguntei já nervosa, olhando ao redor em busca de uma saída.
A mocinha sorriu. Devia ter mais ou menos a minha idade, um pouco mais, um pouco menos.
–Ah desculpe a indelicadeza. Sou Dominika Martinez, prazer conhecê-la brasilenã.
–Meu nome é Isadora. Isadora Wollscheid – me apresentei estendendo a mão, ainda cabreira. Vai que ela é da laia da loira pirada!
Dominika sorriu apertando minha mão.
–Eu sei o seu nome, o moço que te trouxe falou. – contou animada – Ele está muito preocupado, passou os últimos dois dias aqui ao seu lado. Saiu hoje para ajudar Sam na guarda. Eu acidentalmente nos coloquei em perigo.
– Moço que me trouxe? Que moço? Que Sam? Que guarda?Últimos dois dias? – me desesperei
Danei a falar mesmo. Vai que eu to em um calabouço para ser torturada...
–Ah o nome dele é...
O barulho da porta se abrindo cortou a fala de Dominika, que ninjamente se posicionou a minha frente com um rifle erguido em direção a porta. Muito, muito estranho.
E então Steve apareceu correndo e a “tica” abaixou o revolver.
–Isa! – gritou vindo ao meu encontro- Graças a Deus, graças a Deus!
O abracei forte, aliviada por não estar sozinha. Ele beijou meu rosto repetidas vezes, como se para ter certeza que eu estava ali mesmo. Sorri.
–Que lugar é esse? Por quanto tempo eu apaguei? – estava muito confusa
Ele sorriu para mim antes de me abraçar novamente.
Steve soltou um suspiro.
–Você dormiu por dois dias, mas fique tranqüila. Estamos entre amigos. – afirmou mexendo o queixo em direção a Martinez – Você está bem?
Confirmei com a cabeça.
–Sim, mas o meu pé vai mal. Eu não consigo pisar no chão direito. – choraminguei
Steve sorriu meigamente para mim, acariciando meus cabelos.
–Você levou um tiro no pé, é normal. Em alguns dias já estará bem, Sam retirou a bala.
Fiz uma careta de nojo.
–Eu passei por uma... Cirurgia?
Rogers gargalhou.
–Mais ou menos, quer dizer, com anestesia de dentista, mas foi. Pelo menos você não sentiu dor.
Assim que ele falou dor lembrei-me de Sharon com o punhal “tatuando” meu rosto. Levei a mão ao local ferido que agora tinha
– Steve a Sharon quase me matou. Meu rosto deve estar parecendo o de um monstro. — lamentei
Ele se afastou um pouco, o semblante sombrio.
– Você não está parecendo um monstro, continua linda. As cicatrizes são superficiais vão sumir logo. – tentou me consolar – Então foi... Foi mesmo a Sharon?
Confirmei com a cabeça e o puxei para um abraço. Poxa, imagina só que tenso descobrir que sua ex-namorada é uma assassina delinqüente. Se não foi fácil para mim, imagina para ele. Dei um beijinho em sua bochecha.
–Vai ficar tudo bem. — afirmei
–Sim, vai ficar tudo bem quando ela estiver numa cadeia. – vociferou ele agora com raiva – Carter vai pagar pelo que fez á você.
–Ah! – gritei lembrando-me de algo importantíssimo – Esqueci de te contar uma coisa...
–Depois você fala, precisa se cuidar para sairmos daqui. Tem muita coisa que preciso falar com você também, mas não agora. Você precisa descansar. – me interrompeu praticamente me obrigando a dormir
Balance a cabeça freneticamente em negativa, me desvencilhando dos lençóis.
–A Natasha, a tal da Viúva Negra... Ela foi lá me matar, mas consegui convencê-la a me ajudar. Ela salvou minha vida, preciso agradecer. Cadê ela? – me impôs
Ele levantou as sobrancelhas, mordendo os lábios.
–Ela está presa no banheiro. –afirmou
–Quê? Que horror, tadinha! – briguei dando um tapa no braço dele
– O que você queria que eu fizesse? Podia ter sido ela que fez isso tudo a você. – se defendeu
–Tudo bem, tudo bem. Você tem razão, ela não é lá muito gente fina. – analisei
–É, mas vou lá soltá-la. Está presa no banheiro há dois dias. Algemamos o braço dela ao vaso sanitário.
–Não, espera! – pedi puxando o braço dele – Tem algo que você precisa saber antes.
Contei a história toda para ele. Desde o momento em que a russa chegou ao apartamento até o momento em que eu disse que era do balacobaco e que poderia salvar o tal do Clint.
Quando terminei de informá-lo da mentirada toda, Steve tinha afundado as mãos no próprio rosto.
–Nós estamos duplamente ferrados agora. – afirmou ele
Fiz uma careta.
–Na verdade... Ah a gente pode dar um jeito. – ponderei buscando uma solução otimista- Podemos juntar alguns sindicalistas, informar à população que tem um rapaz que foi preso e torturado por saber demais. Talvez o povo abrace a causa, você pode usar sua influencia com Capitão América e assim consigamos salvar o tal do Clint. Você conhece esse cara, Steve?
Ele confirmou com a cabeça indo em direção a uma cômoda localizada enfrente a cama onde eu estava.
–Leia isso, é de hoje. – disse ele, coçando a nuca, entregando-me um exemplar do The New York Times
–É... Estamos ferrados. – concordei ao ler a manchete.
Logo na primeira folha, em letras garrafais, havia uma foto minha e de Steve no Cristo Redentor com a seguinte legenda: “Procura-se”
–O que significa isso? – grunhi jogando o jornal para o alto – Como assim estamos sendo procurados? Criminosos? Infratores? Como assim o que nós fizemos?
Steve soltou um longo suspiro e me contou toda a historia. O porquê daquela reunião na SHIELD. O carinha gente boa que deveria estar morto, mas está vivo. O tal do Homem de Ferro tentando queimá-lo vivo, a reunião que mostrava AA todos que sou uma “manipuladora”. E principalmente sobre a tal da lei.
Então resumindo bem a situação é a seguinte: Levei um tiro no pé da ex descontrolada do meu amigo, tô com a cara toda ferrada, com dor de cabeça, em um lugar que não sei onde, sendo cuidada por uma sujeita chamada Dominika (Dominika!!) e de quebra na lista da Interpol. Agora eu te pergunto: POR QUE MEU DEUS, POR QUÊ? Minha mãe deve estar desesperada tentando falar comigo e não consegue já que meu celular também levou um tiro.
Eita vida boa...
–E esse tal de Sam? De onde ele veio?
–O conheci um dia em um bar. – comentou meio envergonhado por estar em um “bar” – Naquele dia que surtei com a Sharon.
Eu ri. Agora não sentia mais pena dela. Sharon mereceu passar vergonha, aquela psicopata de uma figa!
–E daí?
–Daí que naquele dia ele me deu um papel com este endereço e disse que se um dia eu me envolvesse em algum problema com a SHIELD, aqui seria seguro. E então quando isso “tudo” ocorreu te trouxe para cá.
–E o que esse Sam tem a ver com a SHIELD? – continuei cabreira
–Ele era um agente muito bom de lá até o dia em que recebeu uma dessas, hum, “missões” que testam nosso caráter. – dissertou – Ele se negou a participar e ainda denunciou o esquema para o FBI, porem o FBI fazia parte do esquema.
Abri a boca chocada.
–Então ele fugiu e tem ficado aqui escondido há pelo menos três anos. Como era procurado pela polícia, não conseguiu emprego e acabou entrando mundo do crime. Porem me parece ser uma pessoa boa. Ele usa o que rouba para ajudar as pessoas. – analisou ele – Isso tudo aqui fica debaixo da terra, sabia?
–DE BAIXO DA TERRA? – me surpreendi
–Aham, embaixo de uns prédios velhos e abandonados. Ninguém nunca conseguiria localizar isso aqui se ninguém usasse um celular.
–Alguém usou?
–Sim, precisamos sumir daqui o mais rápido possível. – a preocupação estava estampada na cara dele- Acho que podemos ficar por mais um ou dois dias para você se recuperar antes dos caras aparecerem.
– Quem foi imbecil ao ponto de usar um celular daqui?
–A Dominika. – disse ele rindo – Ela é a namorada do cara, não sabe que ele tem problemas com o governo, só com a polícia local. Mas coitada, nem podemos reclamar dela. Se não fosse ela você estaria morta.
–Ela é médica?
–Enfermeira. – disse ele se levantando — Descanse, preciso soltar a Natasha.
–Nessa frase parece que a Natasha é uma cachorra. “Soltar a Natasha”.
Ele gargalhou junto. Um sujeito negro apareceu abraçado à enfermeira Dominika.
–Ah então é verdade, a Bela Adormecida acordou! – gracejou – Então você é a famosa Isabella?
–Dora! – corrigi – Isadora, mas pode chamar de Isa.
–Mas é tão bela que deveria ser Isabella. – brincou
Steve rolou os olhos. Eu ri.
–Vai se acostumando ele adora gracinhas. – informou Dominika rindo também.
–Muito obrigada, senhorita Martinez, por ter cuidado de mim. – agradeci
–Awn não precisa agradecer! – exclamou ela fofa me dando um abraço – Eu é que devo pedir desculpas por ter usado o telefone. Eu não sabia mesmo.
–Está tudo bem, meu anjo! Tudo bem. – Wilson consolou-a – Agora só preciso de um novo refugio. Mas, isso só depois da belinha se recuperar, né Belinha?
Eu estava cansada demais para corrigir o apelido. Deixei rolar.
–Escuta, eu preciso te informar uma coisa. Pedir sua ajuda. – eu disse e ele fez sinal para que eu continuasse – Sabe a ruiva trancada no banheiro?
–Sim, sei da ruiva do banheiro. Já trabalhei com ela.
–Então eu disse para ela que conhecia uns caras que poderia explodir meia Nova Iorque. –comentei – Só que é mentira.
Ele franziu o cenho, estranhando.
–E porque raios você disse isso, garota?
–Disse isso porque se não dissesse ela ia matá-la. – interveio Steve
Sam bufou.
–Steve me ajuda aqui. – pedi ficando sentada na cama.
Lorde que é logo me ajudou. Apoiei-me em seus ombros ficando com um pé levantado, no maior estilo Saci Pererê.
–Aonde você quer ir?Banheiro? Quer água? Sua cabeça está doendo? Pé? Quer descansar? Quer que eu te leve no colo? – soterrou-me de perguntas com a preocupação estampada na cara
Ergui as sobrancelhas em meio a uma risada.
–Não Steve, está tudo bem. Já descansei demais. – o tranqüilizei – Só quero ficar em pé para explicar a situação a este adorável senhor. Mas, antes seria bom um banho. – disse eu fitando a morena de cabelos curtos – Você poderia me emprestar algumas peças de roupas?
–Claro, se precisar, mas o seu amigo trouxe uma mala rosa com suas coisas. – respondeu, simpática, apontando Steve
Sorri para ele agradecida.
–Eu peguei a mala maior, a que estava fechada. – disse ele
O abracei feliz por tê-lo por perto.
–ótimo nem a tinha aberto ainda. De qualquer forma não vou precisar de tantas roupas assim. – analisei – Se meu plano der certo em uma semana estarei em casa.
–E qual é o plano? – perguntou o colega de Steve sentado na beira da cama
Dominika o abraçou carinhosamente massageado sua nuca. Respirei fundo antes de explicar a idéia.
–Bom, como eu ia dizendo, falei para a ruiva do banheiro que poderia destruir Nova Iorque...
Steve riu.
–Eu sei que no seu interior essa é sua vontade! – exclamou ele provocativo
Coloquei a língua pra fora dando um tapinha em sua bochecha.
–Enfim o plano é salvar esse tal de Clint. Esse sujeito foi preso por saber demais e a SHIELD está se lixando se ele está vivo ou não. Suspeito né? – todos confirmaram com as cabeças – Se ele ainda estiver vivo podemos usar o que ele descobriu contra o governo.
–Como assim? – inquiriu Dominika – Queres chantagear El governo?
–Não fofa, eu quero é colocar a população do nosso lado. – todos me olharam mais ou menos assim:
–Veja bem, está é a maior democracia do planeta, logo quem manda é o povo. – continuei – Segundo o The New York Times, o Capitão América se aliou a uma “desequilibrada esquerdista”,que no caso sou eu, e que por conta disso teve sua mente totalmente deturpada. Além disso, ainda disse que ele e o tal do Hulk estão no mesmo barco, já que há uma chinesa que segundo eles é tão “desequilibrada” quanto eu. Resumindo o povo está achando que o Steve é um surtado por não condizer com uma lei que impedia outro ato terrorista, que é o que todos temem.
–Tá mas o que isso nos ajuda? – disse Steve afobado
Sorri maliciosamente.
–Ajuda que já sabemos que a idéia deles é justamente “cagar” com a sua opinião pública. Com o povo te odiando é muito mais fácil te liquidar. Sem contar que o Homem de Ferro é outro “herói” amado pelos americanos e este escreveu uma nota no jornal dizendo que junto com o Patriota de Ferro vai proteger a América dos surtados contra lei.
Sam bufou.
–Continuo sem entender.
Rolei os olhos.
–Ai vocês são lerdos em? – resmunguei – Opinião pública, gente! Opinião pública! É isso que importa na política democrática. Se sairmos nas ruas agora e dissermos “Hey gente nós somos os mocinhos” com certeza seremos linchados. Agora se usarmos o que este Clint sabe, se tivermos provas da corrupção da SHIELD, FBI entre outros... Aí sim o povo vem para o nosso lado – disse eu animada com a idéia – Então o plano é simples, nós vamos a Natasha dizendo que vamos realmente entrar em guerra civil, partimos para a Sibéria, salvamos Clint e enfim mobilizamos a situação.
Steve coçou a cabeça. Wilson fez uma careta de desconfiança.
–E o que este Clint sabe que pode nos ajudar? – perguntou ele
– Isa me contou que ele e a ruiva do banheiro foram designados para assaltar um banco de uma pequena cidade siberiana. Disseram que um poderoso narcotraficante havia guardado seu lucro semanal de três milhões ali. Esse lucro mensal era a única prova física capaz de colocar o homem na cadeia. – contou Steve coçando a barba
–E por que diabos um traficante colocaria dinheiro no banco? – perguntou o outro incrédulo
–Isso eu não sei, mas me cheira lavagem de dinheiro. E me parece que algo não saiu conforme os planos da SHIELD, já que o pobre espião foi largado á própria sorte. – analisei – Bem, de inicio isso não nos importa. Lavagem de dinheiro ou não, com certeza é algo errado. E é esse algo errado que vai virar a mesa a nosso favor. Quando essa informação estiver em nossas mãos, vamos sair país a fora contando para cada cidadão americano e o arrastando por manifestações em todas as sedes governamentais dos cinqüenta estados. Usaremos a internet para manter o mundo informado e ai sim faremos uma revolução. Uma guerra civil não adianta de nada. Só funciona para matar inocentes. Guerra boa é a guerra que se forma na mente de cada um e o nome disso meus caros, não é guerra. É evolução.
Silêncio constrangedor no local quando eu termino de contar meu plano á lá Pink e o Cérebro.
Todos me fitavam perplexos. Senti-me corar.
–É... É só uma idéia gente. – me justifiquei
–Às vezes você me assusta sabia? – Steve quebrou o silencio com a expressão quase que catatônica. – Isso é brilhante, mas perigoso.
–É uma idéia fodástica, Belinha. – Sam insistia nessa historia de Isabella... – Essa garota é um gênio. Isso pode dar certo.
–E você alem de se vingar da SHIELD, de um modo politicamente correto, ainda poderia limpar sua barra com a sociedade. – incentivei sorrindo – Poderia se tornar um herói nacional.
–Herói nacional! – exclamou ele sonhador – Tô gostando cada vez mais dessa idéia!
–Gente isso é muito arriscado. – afirmou o chatonildo Steve
–Perdon , mas porque seria arriscada? – a tica se pronunciou – Achei La idéia de Isadora tão bonita.
–É bonita, mas é muito perigosa. – repetiu ele – Acham que vai ser fácil enganar a Viúva Negra até a Sibéria? Ah e tem mais! Como vocês acham que vão chegar à Sibéria? Teletransporte? Não, porque somos procurados pela polícia internacional NUNCA vamos conseguir sair do país. Muito menos tirar passaporte.
–Isso não é problema. Quando fugi da SHIELD trouxe comigo umas coisas bem legais. – disse ‘Snap’ o bandido, de forma divertida – Entre essas coisas tem um jato que pode tranqüilamente nos levar até a Sibéria. Só precisa de um piloto...

–Romanoff sabe pilotar. – afirmou Steve ainda com o pé atrás – Mesmo assim a situação continua perigosa.
–Ai Steve, deixa de ser chato! – resmunguei – Vai ser bem simples enganar a Natasha é só todo mundo aqui ficar com raiva dos Estados Unidos o que de certa forma todos nós estamos.
–Isa eu não quero você no meio disso. – disse Steve se tornando cada vez mais chato – Já estou me sentindo culpado o suficiente pelo que te aconteceu anteontem. Não quero que ver você mal daque...

–Ah para! – o cortei bolada – Para! Para! Para! Pelo amor de Deus não me vem com esse clichê machista para cima de mim não. “Quero te proteger! Quero te proteger” – imitei a voz dele de forma afetada – AH não, para! Quer proteger alguém, proteja você mesmo.
–Isa! – vociferou ele – Você não está vendo no que eu te meti? Olha esse jornal – jogou o dito cujo em cima de mim – Por minha causa seu nome foi parar na lista dos mais procurados da Interpol, por minha causa você levou um tiro e quase morreu estrangulada. Eu fico preocupado sim com você sua tonta! Você é importante para mim, não quero ver você morrer nas mãos da Sharon ou de um soldado do Tarleton.
Revirei os olhos, cansada de tanta baboseira.
–Steveee vai lamber sabão! – ordenei – Por sua causa? Fala sério, Steve! A culpa é minha. EU me embrenhei nesse mundo louco que é afrontar criminosos do colarinho branco. Tanto é que a presidenta do Brasil me entregou as autoridades americanas porque um mês atrás, quando os americanos ainda te amavam, eu sambei na cara dela e na daquele cosplay de Philip Blake. – expliquei bastante irritada – Eu em. Estou farta desse machismo disfarçado de preocupação. Aposto que se eu fosse o “Isadoro” você não estaria tão chateadinho. Mas, nãããão! – fiz um gesto exagerado com as mãos – Eu sou a frágil e delicada Isa, a mocinha indefesa que precisa ser protegida...
Argh! – gritou o loiro zangado – Quer controlar esse seu lado conspiracionista? Até no meu zelo você tem que achar machismo? Que saco! – desabafou – Eu é que estou farto! Eu! Tudo para você é machismo, imperialismo, monopólio, manipulação, falta de liberdade... DÁ UM TEMPO ISADORA!
–DÁ UM TEMPO? – gritei de volta agora muito irritada – Me desculpe se eu não sou tão ingênuo e manipulável quanto você.
–MANIPULÁVEL? – berrou nervosíssimo
–Gente vamos relaxar...
–CALA A BOCA, SAM! – rosnamos juntos interrompendo a tentativa do rapaz em apaziguar a situação
Ele ergueu as mãos em rendição e indo junto de Dominika até a pequena janela do quarto.
–Sim, você é manipulável. – retornei a discussão
Ele concordou com a cabeça.
–Ah, mas é claro. E você é a “manipuladora”, a espertalhona, a gênia, a dona da razão. – ironizou se aproximando de mim enquanto falava – A superintelectual Isadora Wollscheid!
Semicerrei os olhos e espremi os lábios.
–Não é questão de ser intelectual querido – olha o querido do ódio aí de novo – É questão de não ser trouxa.
–Tá me chamando de trouxa? – grunhiu estupefato
Nesse momento eu já estava de pé novamente, no maior estilo Saci.
–Sim, algum problema? – rebati com a expressão determinada ao homem alto que estava excessivamente próximo ao meu rosto e completamente irado.
Estávamos parecendo àqueles lutadores de MMA nas fotos antes dos combates. Tão próximos que parece que vão se beijar, mas o olhar violento mostra justamente o contrario. Assim mesmo que estávamos.
–E você poderia me dizer o que faz de mim um trouxa? – quis saber com a voz rouca, olhando em meus olhos
–São tantas coisas... Mas, vamos começar pelo momento em que você entrou no serviço militar.
–Quê?
–É isso aí, se quer saber sempre achei militares uns pamonhas. – joguei na cara o deixando mais enraivecido ainda – Já dizia Luiz Gonzaga “Os quartéis lhes ensinam uma antiga lição, de morrer pela pátria ou viver sem razão” – cantarolei para ele – Vocês só seguem ordens de engravatados que estão pouco se importando se voltarão vivos ou não. Mas, vocês, patriotas, nem ligam para isso, certo? Afinal estão lutando pela nação! – falei com sarcasmo
Steve se aproximou mais ainda de mim com o rosto contorcido de nervoso. Nossos narizes quase se tocaram.
–VOCÊ SABE MUITO BEM QUE EU NÃO SOU ASSIM! – vociferou ele – E se quer saber eu não preciso ficar aqui ouvindo uma malandrinha brasileira.
Apelou para o Brasil...
Seria maduro da minha parte dizer “Steve você está nervoso, não vamos entrar nesse assunto. Vamos esquecer essa discussão idiota e seguir enfrente.”
Mas, eu estava com raiva demais para ser madura.
–Ah olha só quem fala o bobão que usa a bandeira mais nojenta da terra.
–Olha só quem voltou meu amigo Bin Laden aquele que queimou a bandeira americana. – anunciou ele em um tom que variava da brincadeira á agressividade
–Antes Bin Laden que George Bush. – revidei – Pelo menos o Bin Laden faz um terrorismo escancarado enquanto uns e outros...
–Ah então está defendendo os terroristas? – me interrompeu – Eu não sei onde eu estava com a cabeça para um dia na minha vida ter sido amigo de uma monstra igual a você.
Aqui doeu.
–MONSTRA? – repeti horrorizada – Eu não sou uma monstra e não estou defendendo ninguém.
–Monstra sim! E se quer saber eu concordo com todo mundo que diz que você se faz de boazinha. Concordo que você é um lobo em pele de ovelha. – gritou mais alto
Senti uma lagrima escorrer em meu rosto, mas limpei logo antes que ele percebeci.
–Como se eu me importasse com a opinião de um imbecil igual a você. Pateta, orgulhoso, xenófobo...
–XENÓFOBO?
–CALEM A PORRA DA BOCA! – Sam gritou mais alto do que nós nos assustando. Olhamos para ele ofegantes. – CARALHO, QUANTOS ANOS VOCÊS TEM? ENQUANTO VOCÊS ESTÃO AÍ NESSA TENSÃO SEXUAL A SHIELD NOS ACHOU.
–Tensão sexual? – repeti perplexa
Steve foi até ele ver a movimentação do lado de fora pela janelinha. Fui pulando até lá também.
Ferrou de vez. Sharon Carter, a louca, estava do lado de fora juntamente com alguns agentes do FBI nos caçando e matando todos que se negassem a revelar nossa localização.
–Merda!Merda!Meeeeeerda! – se descabelava Wilson – A gente tem que vazar daqui agora.
Steve pegou nossas bolsas e o escudo. Adeus banho, pensei!
–E quanto a mim? Como voltarei para cassa? – Dominika se desesperou
–Desculpa gatinha, mas vai ter que fugir com a gente até Alvorada. – respondeu Wilson dando um selinho nela
–Alvorada? – perguntei juntamente dela
–Nós vamos para Sibéria não vamos? – disse ele alto para que Steve escutasse
Ele confirmou com a cabeça.
–E o que Alvorada tem a ver com isso? –Steve quis saber
–Ué é lá que está o avião. – respondeu ele juntando algumas coisas em uma mochila – Domi meu amor, tome essa chave e solte a ruiva do banheiro. – instruiu a Martinez
–Para onde devo levá-la?
–Para a garagem ao sul. Solte-a da privada, mas mantenha algemada. Ela é perigosa. – disse ele alto enquanto ela seguia para o tal banheiro
Dei uns cinco pulinhos até a porta da saída.
–Eu te ajudo. – disse Steve
–NÃO QUERO A SUA AJUDA! – o espanei violentamente
Ele rolou os olhos e me colocou nos ombros como se eu fosse um saco de cimento.
– EU DISSE QUE NÃO QUERO A SUA AJUDA! – exclamei enquanto socava as costas dele
–Tenta não ser idiota agora, Isadora. – debochou – Tem gente atrás de nós, controle seu lado favela e pare de gritar.
Dei uma cotovelada forte nele, mas ele nem deu sinal de sentir dor o que me deixou com mais ódio. Sujeitinho idiota.
Fui carregada até uma garagem escura e fétida que era dominada por um imenso Cadillac Escarlade.

O carro é um verdadeiro tanque de guerra, que é exatamente o que precisamos para sair daqui. Encostada no carro estava uma Natasha mais mal humorada que o costume, com as mãos algemas erguidas, ao lado de Dominika.
–Ótimo a brasileira está bem, todos sabem que fui legal. Agora me soltem! – implorou a russa
Sam ainda desconfiado a liberou.
–Saiba que se você aprontar você morre. – alertou enquanto destravava as algemas
Natasha balançou as mãos repetidas vezes como para se curar de uma dormência. Steve me colocou no chão.
–Te odeio! – declarei furiosa
–Eu te odeio mais. – revidou
Forcei uma risada.
–Ah mas eu te odeio muito, muito mais ianque.
–E eu...
–DÁ PRA PARAR COM A BOBEIRICE AGUDA E ENTRAR NA MERDA DO CARRO! – berrou Sam, irritado, já no banco do motorista.
Dominika foi ao carona eu e Steve no banco de trás e Natasha no fundão.
–Para onde estamos indo? – perguntou a ruiva apoiando nos bancos da frente.
–Alvorada buscar o avião que vai nos levar para a Sibéria. – informou Steve
–ALVORADA? – gritou em pânico
–Não reclama não, já vamos salvar o seu amigo então não importa onde está o avião. – resmungou o motorista
–Então vai ser o plano que combinamos? – murmurou ela em meu ouvido
Confirmei com a cabeça e ela se encolheu no banco atrás de mim, pensativa.
Sam ligou o Cadillac e o portão automático se abriu. E foi no momento em que a garagem se abriu, todos nós entramos em pânico. Cerca de cinco ou seis automóveis estavam a nossa espera do lado de fora e todos seus ocupantes apontando armas monstruosas em nossa direção.
E liderando todo mundo, lá estava ela... A descompensada Carter.
–Seguinte ruiva pega uma granada no porta-malas e lança neles. Fuja no meio da confusão que te pegamos na esquina. – pediu o motorista quase que em pânico
Steve se mexeu no banco abrindo discretamente a janela e colocando ali o tubo do revolver.
Natasha sorrateiramente saiu do carro e fez o que Sam havia pedido. Felizmente o plano de fuga deu certo. Nos minutos seguintes houve uma grande explosão e disparamos estrada á fora recebendo uma grande saraivada de balas.
Na esquina seguinte lá estava à ruiva arfante e logo embarcou.
Meia hora depois do tumulto estávamos em um lugar mais calmo. E foi lá que Steve nos disse que Alvorada ficava a exatos 4 mil quilômetros de onde estávamos. Afundei minha cabeça entre as mãos completamente desolada.
–Gente, mas então quando é que vamos chegar na Sibéria? — se desesperou Natasha — Isso é uma questão de vida ou morte. Quando chegaremos em Alvorada para pegar esse avião?
–Já disse gente, se não pararmos para nada, inclusive abastecer, dois dias. — repetiu Sam
–Tão longe assim? — entrei em pânico junto com a outra — Mas, e se nos pegarem em uma Blitz?
–A distancia é a mesma se você saisse do Rio de Janeiro e fosse de carro até a Colômbia. — exemplificou o Gnomo que estava começando a ficar menos insuportável.
–Fala sério! — exclamei em unissono com Dominika
É, não tinha jeito.
Clint querendo ou não iria ter que agüentar mais um bocado até chegarmos lá.
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Dominika Martinez:

Sam Wilson:

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