Ainda É Cedo

6 TPM X Mãe Que Fala Demais


Notas iniciais
Cheguei com capítulo novo!! Aêê!! Esse é para vocês se divertirem, o capítulo de amanhã é mais cabeça hahaha. Até as notas finais, boa leitura!!

#Isadora

“Moreno alto, bonito e sensual ♪” . Assim era Zion, o charme em forma de menino. E não era só charmoso, era também culto. Gostava de Chico e Marisa Monte, Pitty e Rita Lee, Beatles e Rolling Stones, Jack Johnson e Bem Harper, Barão Vermelho e Legião Urbana. Não gostava de tudo que eu não gostava e amava tudo que eu amava. Quem diria, eu, Isadora, que nunca acreditei em alma gêmea, acabei encontrando a tampa da minha panela. A metade da minha laranja! Que aventura!

Meu encontro estava bárbaro. No meio da conversa trocávamos olhares purpurinados, sorrisinhos apaixonados... Nem acreditava que depois de tanto tempo eu estava gostando de alguém. Sim, eu sou chatíssima com namorados. Chata meeeesmo! Minha mãe costuma dizer que é mais fácil passar em primeiro lugar no Enem do que passar na minha “entrevista amorosa”. Exageros á parte, sempre há um fundo de verdade. Mas, Zion tinha conseguido passar nos dois. Cursava medicina na UFRJ e agora estava prestes a se tornar meu namorado.

E no pico do clima purpurina, o momento em que finalmente nossas bocas se encontrariam... BÉÉÉÉÉ!!!! Telefone toca.

– É melhor você atender. – sugeriu, Zion, completamente sem graça.

Vou matar quem quer que seja! – pensei, antes de me afastar para atender a ligação.

–Alô? – atendi com mau-humor de segunda-feira

–Eu vou te matar!

Steve!

– Ah é? Então somos dois, americano de uma figa! Sabia que eu estou no meio de um encontro e que a sua ligação acabou com todo o clima? – me exaltei

Steve soltou uma risada.

–Bem feito! Bem feito mesmo, Isadora Wollscheid! – comemorou,sabe-se lá porque – Sabe onde eu estou agora?

– Não, querido, minha bola de cristal quebrou!

– Eu aproveitei que aquela louca foi ao banheiro e fugi. Estou indo pro aeroporto agora, rumo à Nova York.

– A Stacy? Você fu... Steve! – briguei – Não acredito que você amarelou!

–Amarelar? Eu nem consegui abrir a boca. Aquela garota me confundiu com um divã. – ele estava muito irritado.

Não aguentei, morri de rir.

– Não acredito! Ela falava muito?

Steve gargalhou.

–Ela não parou de falar por um segundo e quando eu tentada dizer algo ela dizia “Cala a boca, vocês homens falam demais”. – imitou a voz dela de forma muito afetada

Escangalhei-me do outro lado. Steve continuou contando sobre as coisas mirabolantes que Stacy falava e o desespero dele, que fez com que adiantasse sua volta á Nova York.

Depois que desliguei o telefone, chorando de rir, Zion fez todo um interrogatório sobre “quem era Steve” e por que eu estava rindo. Achei muito fofo o ciúminho bobo e o clima purpurina voltou com tudo.

Tempos depois fui descobrir que de “fofo” o ciúme não tinha nada e que alma gêmea só na música do Fabio Junior. O cara era uma mala, não me deixava respirar. Se estivéssemos em algum lugar público e qualquer pessoa do sexo masculino se aproximasse de mim ou perguntasse ás horas (apenas as horas!!) ele já partia pra cima com um linguajár de funkeiro que me dava vergonha. Era tal de “Colé tira os ‘oio’ da minha mulér”, “Quê que tu tá olhano”. E o sujeito fazia medicina. Pra onde caminha a humanidade?

Nesse meio tempo Steve era o conselheiro, a pessoa com quem eu dizia “Vou matar o Zion” e também a pessoa que respondia “Eu avisei que ele era um psicopata”. Pois é, ele avisou. Lembro que isso foi em um dia em que Zion me mandou trocar de roupa porque minha blusa era transparente nas costas (nas costas!) e que “mulher dele não usava roupa transparente”. Eu não ouvi meu amigo, me lasquei. E que burra que eu fui! Maldita paixão! Quando é que eu pude, feminista assumida, deixar ser chamada de “minha mulher” e ainda tentar me mudar para agradar um imbecil?

Felizmente essa “paixão” só durou quinze dias. Perdi a paciência e mandei Zion pastar no maior estilo novela mexicana, com direito a barraco e tudo.

Um mês depois Steve e eu estreitávamos nossos laços de amizade ao mesmo tempo em que ele se adaptava as novas tecnologias. Nossas discussões sobre Estados Unidos eram quase diárias e estava cada dia mais barra pesada, uma vez que Steve não parava de ler um só livro que passasse pela frente. Acreditem ou não, mas em um mês de aulas via Skype o cidadão já estava tão afiado que poderia facilmente fazer uma prova sobre 3º Revolução Industrial e Guerra Fria e gabaritar. Modéstia á parte, a professora era ótima hehehe.

Em uma tarde de sábado em que estava (finalmente) de folga e Steve idem (folga da SHI – que até hoje não descobri o que é!) resolvi que era hora de passar dos temas históricos e entrar nos temas mais atuais.

– Olá Steve! – saudei ele assim que o mesmo apareceu na tela

– Olá Isa! Tenho uma novidade para te contar! – contou animado

–Arrumou uma namorada! – tentei adivinhar, empolgada.

Steve revirou os olhos.

–Nãããão! Para de querer me casar, menina! – resmungou – Já basta o que eu passei em Washington com a SST (esse foi o jeito com que Stacy Sinistra Tagarela ficou conhecida!).

– OK, então o que foi?

– Descobri que a Peggy tem uma sobrinha. – contou mordendo a mão de alegria -Você lembra quem é Peggy, certo?

– Penny, claro! A mulher do August... A viúva.

–PeGGy! – estrilou

– Tanto faz!

– Tanto faz nada! – reivindicou bravo

– Tá Steve, tudo bem. Agora me diga o que tem ela? Espera... Você está gostando dela!

– Nãããão de novo! Credo, Isa você só pensa nisso que horror! – brigou

– Desculpa, eu só quero te ver feliz. – me expliquei – E imagina que coisa mais linda ia ser você se apaixonar por ou Carter. Awn! Ia ser um romance digno de ser publicado por Nicholas Sparks! Amei a ideia, eu aprovo!

Ele revirou os olhos.

– Vou ignorar essa sua surtada. O negócio é que ela trabalha aqui na SHIELD... – travou. Travou, mas dessa vez a palavra saiu

–SHIELD! – gritei – Então é isso, você trabalha na SHIELD!

Me segurei na cadeira para não dançar o ragatanga. Steve estava perplexo do outro lado da câmera.

–Isso é segredo de morte! – exclamou – Você tem que ficar quieta.

– E eu vou contar isso pra quem? Pro Loki?

– Loki? O que sabe sobre o Loki?

– Você conhece o Loki?

– Você conhece?

Papo de doido on.

– Steve, Loki é o meu cachorro. – esclareci

– Ah!

E ele se acabou de rir do outro lado.

– Estava ficando preocupado aqui. – falou ainda rindo – Loki é o louco que quase destruiu Nova York á dois anos atrás.

– Ah sim, tô ligada! – recordei-me — Tadinho do meu Loki!

– Que nome pra se colocar em cachorro, em?

– Antes num cachorro que em uma pessoa. Mas, agora que sei que você trabalha na SHIELD será que pode me dizer o que é isso?

Steve pensativo do outro lado.

– Ah qual é Steve! – me magoei- Depois de quase dois meses conversando comigo, indo a encontros que arranjo pra você... E ainda não confia em mim?

– Não, por favor, não chora! – se desesperou. Sim, eu estava quase chorando. Sim, eu estava na TPM – Não é isso, eu confio em você... É que... Isa! Ai meu Deus, não chora!

E eu lá chorando, chorando muito. Chorando horrores.

– Ah poxa! Eu to aqui sempresendolegalcomvoce pensei que vocetavavaydf...

Steve ficou me olhando com se eu fosse um E.T. Um E.T que ele tinha destruído o planeta. Ou talvez ele não tenha entendido o que eu falei, já que soluçava sem parar.

– Desculpa, olha eu vou te contar. Mas, para de chorar pelo amor de Deus. Você sabe que eu sou péssimo com o lado feminino da força e quando o lado o feminino chora é pior ainda. – falou desesperado

Olhar ele completamente sem o que saber o que fazer me deu vontade de rir.

– Você é bobo! – disse eu sorrindo e chorando

– Isso foi um sorriso?

–Foi! E me desculpa pelo drama, é que... – pausa para mais lágrimas – É difícil a vida, sabia? Pessoas são más.

–Isa você bebeu?

– Não. – foi o que consegui dizer antes de voltar ao chororô.

Estava a ponto de colocar Adele pra tocar quando minha mãe me grita.

–QUE É?

– Que é nada, ó respeito menina! – exclamou ela, invadindo meu quarto – Com que você tá falando?

Enxuguei as lágrimas.

–Ah mãe este é o Steve que te falei. Steve essa minha mãe, dona Elisa. — eu disse abaixando a cabeça da minha mãe para poder aparecer na câmera

– Boa tarde, dona Elisa. – cumprimentou Steve,ainda preocupado com meu estado emocional – Ah e eu não sei porque sua filha tá chorando.

Minha mãe riu.

– Ah ela é assim mesmo, Estevão.

–Steve, mãe! – corrigi injuriada

–Ela é assim mesmo, Steve. –corrigiu – Isadora é uma garota chorona e nojenta. Você lava o vaso sanitário da sua casa, Steve?

Eu não acredito que ela perguntou isso.

– Quê? – questionou tão chocado quanto eu que a esse ponto não sabia onde enfiar a cara – Ér...Sim, porque?

– Não porque a Isadora vai limpar banheiro e não lava o vaso...

–Mãe! – berrei

– Não lava o vaso porque diz que “tem nojo”. Agora me diga se pode uma coisa dessas? – continuou, ignorando minha prece.

–Nã...

–Não pode! Parece até que não caga, não mija. Você caga não caga?

Eu quero morrer!!!!!

–Caga, claro que caga. Todo mundo caga! – continuou ela, verborrágica – Aí a garota vai e não lava o vaso. E detalhe: tem luva! É uma palhaça mesmo essa sua amiga, viu? Se eu fosse você não era amigo de gente que não lava o vaso.

Steve gargalhava do outro lado.

–A senhora é muito engraçada.

Eu quero morrer ².

– Não, ela não é engraçada! – me exaltei – Mãe! Você tinha mesmo que dizer isso tudo pra ele?

Dona Elisa revirou os olhos. Para ela era normal, isso.

– “Cáqueta” Isadora! – exclamou – ‘’Cáqueta” e vai limpar aquele vaso.

–Fala sério, mãe!

– Que é agora? Baixou Thalita Rebouças? – debochou

E Steve, ‘’el amigo’’, quase morrendo de rir da situação.

– Agora, Estevão você me desculpe, mas ela vai trabalhar. Depois vocês conversam!

– Mãe! – choraminguei.

Tarde de mais. Desligou o computador e me obrigou a limpar aquele negócio nojento. E pior: Não descobri o que era a SHIELD.

Notas finais
E então pessoal? Mereço comentários? Lembrando que sugestões e críticas são sempre bem-vindas! Amanhã capítulo de suspense hahahha bjss