Ainda É Cedo
27 Muito Longe de Um "Felizes para Sempre"
Notas iniciais
Oymyakon- Sibéria
Quarenta e oito horas após a saída de Steve e Isadora, Sam, Dominika e Natasha finalmente encontraram o “império” de Nikolaievitch. Dentro do carro, frente a um forte cercado por homens armados, Romanoff analisava o ambiente em busca de uma falha na vigilância.
–É... Russa, vem cá! – chamou Sam com medo do que se passava na mente da mulher – Você não está pensando em invadir esse lugar aí não, né?
Natasha não respondeu de imediato por estar demasiada ocupada espiando os homens que marchavam a duas quadras dali.
–Não estou pensando. Eu vou invadir. – decretou lançando um olhar ameaçador ao negro ao seu lado.
–Como assim? – se desesperou Domi – Não! Não mesmo, está maluca? Vamos esperar o Capitão voltar...
–Que capitão voltar! – grunhiu a outra – Ele não vai voltar se tivesse que voltar já teria voltado. Deve estar pela Sibéria como um louco atrás daquela idiota que provavelmente morreu congelada ou devorada por um lobo.
–E você fala isso nessa tranqüilidade? –se irritou Sam
–Estou pouco me lixando para aqueles dois. Só me atrasaram ate agora! Não preciso mais deles!
Sam desceu do carro junto com Dominika, ambos nervosíssimos.
–Ah é assim? – berrou a caribenha batendo a porta do veiculo violentamente – Então faça tudo sozinha e MORRA sozinha.
–Como é que é? Vão dar para trás agora? Seus bananas! –brigou a ruiva prestes a ter uma sincope – Vocês não podem dar no pé agora que sabemos onde Clint está. E fui eu que consegui as armas. E fui eu que consegui os documentos e passaportes falsos, seus merdas! – continuou a valorizar seu trabalho- Não venham agora bancar os bonzinhos e...
–E o que sua doida? – Sam a cortou mais irado do que nunca – Quanta audácia! Acorda Natasha! Se não fosse o Rogers você já estaria morta e se não fosse a Isa nossa situação com o povo estaria mil vezes pior. Agora você cala a porra da boca e vê se faz a tua série! Se não fossem eles você NUNCA ia ter a chance de vir atrás do Barton. Se estamos aqui é graças aos planos da Isadora e porque o Steve nos livrou de poucas e boas. Eu não vou entrar nesse negócio sem eles. Isso é suicídio! Tem uns trinta cabras com fuzil aí dentro! – enfatizou apontando para o outro lado – Mas, se você quer entrar lá e morrer... Tranqüilo, mas vá sozinha.
Romanoff fez um bico entrando no carro novamente. Nada a deixava mais irritada do que depender de outras pessoas. Todavia, Wilson tinha razão ao dizer que se estavam próximo a encontrar Clint era graças aos dois bobocas.
E agora ela tinha que esperar o “Capitão América” voltar com a outra imbecil de sabe-se lá Deus onde. Era fato, Natasha sozinha não daria conta. Mesmo para a Viúva Negra, aquilo era impossível. Sem contar que era preciso um plano e a garota dos planos não estava ali.
–E aí já acalmou ou ainda vai tentar o suicídio? – ironizou Dominika encostando-se à janela do carro.
–Cinco horas. – murmurou ela, ódio puro – Cinco horas para o por do sol. Se eles não voltarem até lá eu vou invadir.
Sam gargalhou.
–Metida você, em Natasha? Está achando que há mesmo uma chance, ainda que remota, de não te fuzilarem no momento em que você sair detrás dessas árvores? – zombou
Ela passou a mão pelos cabelos curtos, pensando em alguma idéia.
–Precisamos de um plano. – verbalizou o óbvio
–Só invado supermercados vazios... Adentrar esse forte aí não dá pra mim, não. – comentou a namorada de Sam – Mas...
–Mas, o que? – insistiu Romanoff
–A Isadora sempre tem boas idéias e o Steve é bom em organizar grupos. – explicou – Ou seja, nós não vamos conseguir nada sem eles.
Todos bufaram quase ao mesmo tempo.
É... O jeito era esperar o por do sol.
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#Isadora
Abri os olhos, tensa, com a possibilidade das lembranças em minha cabeça serem verídicas e não apenas um sonho.
E era realidade.
Eu e Steve fizemos amor na noite passada!Não tive dúvidas quanto á isso ao perceber que repousava minha cabeça sobre os ombros de Steve, vestida apenas com um fino lençol. Levantei-me da cama, sorrateiramente para não acordá-lo, e fui em direção ao banheiro,ainda enrolada no lençol.
–O que eu fiz!!! – exclamei dando pulinhos enfrente ao espelho – Doida! Pirada!
Lavei o rosto meio que as pressas de tanto nervosismo. Eu estava muito nervosa. Tão nervosa que minhas mãos tremiam. Mas, não estava arrependida. Não tinha como me arrepender! Aquilo foi... Foi... Foi perfeito! Steve foi tão carinhoso, tão delicado e tornou minha primeira vez mágica e inesquecível. Hoje, mais do que nunca, tenho certeza de meus sentimentos. Acho que sempre amei Steve. Acho não, tenho certeza.
E esse amor com o passar dos meses foi mudando e crescendo e crescendo e cresceu tanto e tão rapidamente que me deixou verdadeiramente confusa. Quanto mais eu admirava a pessoa que ele é, mais o meu amor amadurecia. Parando para refletir sobre nossa história de amor, me recordo de dois trechos de Eduardo e Mônica, musica de Renato Russo, que descrevem bem a evolução e razão de nosso sentimento. A primeira é a parte em que ele diz “E mesmo com tudo diferente veio meio de repente uma vontade de se ver. E os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia como tinha de ser.” e a outra é “E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”.
É nós somos meio “Eduardo e Mônica”.
Talvez esteja aí o meu grande erro nessa história toda: Procurar sempre a razão. Tolinha que sou! Como se o coração fosse tão frio quanto o cérebro que precisa de uma justificativa para tudo. Ah o coração! Tem suas próprias regras, próprio conceito de tempo... E nós somos apenas suas “vítimas”. Como é bom ser uma vítima do amor!
Steve é o amor da minha vida, isto é indubitável.
Onde eu estava com a cabeça para demorar tanto em perceber que não consigo viver sem ele? Sabe aquela outra música “Só Love” que fala “avião sem asa, fogueira sem brasa... Sou eu assim sem você”? Pois é, acho que essa música foi feita para nós. Ah e aquela do Roberto Carlos “Nem mesmo céu, nem as estrelas. Nem mesmo o mar e o infinito. Não é maior que o meu amor nem mais bonito.”, também! Quer saber, acho que todas as músicas de amor foram feitas para nós!
Olhei-me no espelho mais uma vez, penteei o cabelo, escovei os dentes e decidi acordar Steve para tentar expressar em palavras tudo que nossos corpos trocaram e exemplificaram na noite passada.
Dei um largo sorriso antes de carinhosamente depositar um beijo em seus lábios. Ele sorriu para mim antes mesmo de abrir os olhos.
–Bom dia príncipe! – exclamei
Steve fez certa manhã para despertar, mas por fim ajeitou-se na cama roubando outro beijo.
–Ai eu quero isso para sempre! – bradou antes de distribuir beijos em meu rosto.
Sério, minha ficha ainda não caiu.
–Você quer o que? – perguntei meio confusa
–Isso! Acordar do seu lado. – suspirou mais lindo impossível – Ir dormir vendo seu sorriso e acordar com um beijo seu.
Beijei-o, ainda sorrindo, suave e carinhosamente. Aaaawn!! Ele não é um fofo, gente? Impossível não apaixonar!
–Awn! Coisa linda da namorada! – disse antes de me abraçar – Desculpe ser tão lesada, eu te amo!
–Já tinha perdido as esperanças de um dia ouvir você dizer alguma coisa dessas para mim. –confessou em um suspiro antes de me abraçar
Aconcheguei-me a ele no meio dos lençóis, o abraçando forte.
–Por mim eu ficava assim o resto da vida. – afirmei — Pode cair o mundo do lado de fora que eu não estou nem aí.
Steve beijou o alto da minha testa arrancando um sorriso de meus lábios com a atitude.
–Isa quer casar comigo? – perguntou ele
Gargalhei alto.
– Steve você ainda nem me pediu em namoro. –justifiquei, me separando para encará-lo
–Ué e depois... Bem, depois disso “tudo” eu ainda preciso pedir você em namoro? – inquiriu uma sobrancelha erguida.
–O senhor está muito moderninho pro meu gosto. Sou uma moça tradicional, exijo um pedido formal de namoro.
Steve fez sinal para que eu o esperasse e foi até a janela do quarto, onde havia um canteiro de tulipas azuis.
–O que você está fazendo? – não agüentei de curiosidade – Steve?
–Espera aí! – pediu – Pronto!
E foi aí que ele conseguiu superar seu próprio Record de fofurice aguda. Steve se ajoelhou aos meus pés segurando minha mão direita. Ai gente!
–Steve o que você...
–Shi! – exclamou pegando uma aliança feita com galhos de árvore (galhinhos!!) e colocando em meu dedo – Isadora Wollscheid Villani você aceita ser minha namorada?
Levei as mãos à boca, estupefata, antes de gritar um escandaloso.
–SIIIIIIIIIIIM!! SIM!SIM! MIL VEZES SIM!! – praticamente berrei o puxando para um beijo.
–Te amo! – disse ele antes de me dar outro beijo – Muito – e mais um beijo – Muito – e mais um.
Quando dei por mim já estávamos na cama, novamente, aos beijos.
–Espera aí Steve. – falei ofegante me desvencilhando dele – Nós precisamos... – difícil falar com essa coisa linda beijando meu pescoço – É sério... O Phil!
Steve finalmente voltou para a nossa triste realidade.
–Que horas são?
–Quinze para meio-dia. – informei
–Estamos atrasados, temos que sair daqui. – disse o óbvio
Levantamos as pressas, caçando nossas peças de roupas espalhadas pelo quarto, e após dez minutos já estávamos no carro rumo ao centro de Ulan Botar onde Coulson nos esperaria.
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#Steve
Eu ainda estou meio boquiaberto com tudo que aconteceu nas últimas vinte e quatro horas. Depois de noventa e tantos anos consegui encontrar a minha parceira ideal. Ela não é como eu esperava que fosse. Não é americana, não se importa nem um pouco com meu país, não se importa com a preservação da flora mundial e não torce pelos Patriots. Isadora não é nada disso. Ela é incrivelmente superior a qualquer idealização boba que fiz de uma namorada na adolescência. Agora entendo porque nunca deu certo com nenhuma outra; porque nenhuma outra é a Isa. Mal acredito que ela é minha namorada! Minha! Finalmente minha.
–Eu ainda não esqueci que você não aceitou meu pedido de casamento. – alertei brincalhão, olhando para ela de rabo de olho.
Isa riu.
–Um dia a gente casa.
–Um dia?
–Um dia. –repetiu sorridente – Nos casamos, moramos em uma casa bem bonita com um jardim.
–Jura? Jardim? – questionei incrédulo
–Você cuida do jardim. Eu vou lá de vez em quando para ver os matinhos e depois volto para a civilização. – brincou
–ótimo! – eu realmente estava gostando da idéia – Teremos sete filhos...
–SETE FILHOS? – gritou – Tá maluco? Vou virar um monstro se parir sete vezes! Deus me livre!
Dei um beijinho na bochecha dela.
–Você sempre será linda! – exclamei – E sim, sete filhos. Só tenho nome para quatro.
Isa rolou os olhos.
–Eu quero três. Três está bom demais. Você já tem nomes, Steve?
–Sim, tenho. – confirmei – Willow, Breeze, Summer e James.
A garota me olhou como se eu fosse um unicórnio.
– NUNCA que minhas filhas vão se chamar “Salgueiro, Verão e Brisa”. – alegou – Hippie demais! James é legal. Gosto de James!
Ótimo! Tínhamos o nome do menino.
–Três meninas da natureza. – insisti – São lindos nomes.
Ela negou com a cabeça a parte do “lindos nomes”.
–E porque três meninas? Pensei que ia querer um menino.
–Menino corre o risco de ser parecido comigo. –contei – Se for tão enrolado como eu... Coitado! – ela gargalhou, mas acabou concordando – Agora menina, não. Menina vai se espelhar na mãe. Quero que ela seja exatamente como você é. Linda, inteligente e doce.
–Awn! – suspirou – Fofo! Lindo, mas não. Não serão estes nomes.
–Ainda tenho tempo para te convencer.
–Vai nessa! – desafiou
Andamos por mais uns cinco quilômetros, conversando sobre nosso futuro, até chegarmos ao local marcado com Phil, um beco escuro e sem movimento. Como estávamos muito atrasados (marcamos para ás 12h e chegamos 13h30min!) o carro- que mais parecia um trailer- do agente já estava lá. Descemos do carro um pouco cabreiros com a generosidade do homem.
–Ai estão vocês! – saudou-nos um rapaz descendo do carro – Steve Rogers e Isadora Wollscheid?
Concordamos com a cabeça.
–Sou agente Grant Ward, trabalho com Coulson. – se apresentou
–E onde ele está? – quis saber Isa com um pé atrás.
–Estou aqui, querida. – disse o tal descendo do carro ao lado de uma garota. – Você tem uma visita. –informou a Isadora- Podem me acompanhar?
O seguimos para dentro do automóvel. Uau! Não resisti a essa exclamação ao observar o interior do veículo que mais parecia um laboratório.
–Isadora! – uma voz mácula vinda dos fundos fez-se ouvida.
Ela sorriu ao ver o dono do som, Eduardo seu irmão, e correu para abraçá-lo.
–Que bom te ver!-bradou enquanto o abraçava – A mãe... Ela...
–Ela está bem. Está tudo bem. – Ed a tranqüilizou – Você é o...
–Steve! – me apresentei – Steve Rogers, prazer em conhecê-lo.
–O prazer é todo meu. Cara... – ele olhou para a irmã, um pouco desnorteado – Cara você é o Capitão América?
Vish!
–Ai Ed pelo amor de Deus não vai tietar agora. – grunhiu Isa impaciente – É ele sim, mas não...
Eduardo virou as costas para a outra e pegou algo em sua mochila. Revistas! Revistas em quadrinhos do Capitão América! Ergui uma sobrancelha perplexo com a situação. Ao conhecer o irmão da minha amiga e atual namorada esperava tudo, menos dar autógrafos. Odeio dar autógrafos! Odeio que me idolatrem! É tão estranho...
–Cara eu sou muito, muito seu fã! – disse o cara animado estendo para mim uma caneta – Você precisa assinar minhas HQs! Eu tenho todas, sou seu fã desde pequeno e...
–Eu não tô acreditando nisso! – Isa o cortou irritada – Steve não assina! Não assina! Eduardo você tem TRINTA ANOS deixa de ser nerd.
Eu ri da situação.
–Não tem problema, eu assino. – ponderei pegando a caneta e começando a assinar.
–Cala a boca Isadora! – resmungou o outro – Esperei a minha vida inteira por esse momento! Você pode tirar uma foto?
–FOTO? – se desesperou a brasileira- Eduardo ele é procurado pela polícia não pode aparecer amanhã em uma foto na sua linha do tempo! –observou ela – Steve não acredito que você assinou isso. Agora é que esse imbecil vai idolatrar os Estados Unidos.
–Ah é boa lembrança! – recordou-se Ed voltando-se para mim – Está sabendo que ela odeia seu país?
Isa rolou os olhos.
Gargalhei da briga dos dois.
–É estou sabendo.
–E ainda anda com ela? – se surpreendeu – Anda Isadora bate a foto aqui!
Mesmo contrariada ela atendeu o pedido. Estava prestes a tirar a foto quando...
–Eu também quero foto! Tira a foto comigo? –a mocinha que estava com Coulson se aproximou com outra câmera – Por favor, prometo que não vou postar no facebook!
Minha namorada estava muito irritada e se sentou em uma cadeira, bufando.
–Tu-Tudo bem! – respondi assustado com o assédio – Qual seu nome?
–Skye! – respondeu sorridente – Ai você é tão lindo!!
Senti-me enrubescer com o elogio.
–Já que está dando autógrafos poderia, enfim, autografar minhas figurinhas? – perguntou Phil se aproximando com as tais.
E lá estava eu com uns cadernos, HQs, câmeras e figurinhas completamente enrolado.
–Aham! – respondi tentando assinar tudo ao mesmo tempo
–CHEGA! – berrou Isa perdendo a linha – QUAL O PROBLEMA DE VOCÊS? Isso aqui não é a Comic-Con, não sabia? – resmungou vermelhinha de raiva – Será que podem parar com isso tudo e nos levar de volta para a Sibéria.
Momentos de silencio após o surto da castanha.
–Desculpe, ela está certa! –constatou Phil – Depois você assina isso. Precisamos dar um jeito em sua situação primeiro. Pode me acompanhar?
–Claro. – confirmei e o segui. Isa continuou ali dando broncas no irmão mais velho.
O segui até o que parecia ser um escritório e sentei-me frente a mesa.
–Você me pediu ajuda e aqui estou eu. – disse o simpático homem – Vi o vídeo que vocês fizeram e realmente... Vocês são bons no que fazem.
–Obrigado. Na verdade o vídeo foi idéia da Isa.
–Brilhante idéia! – elogiou – Brilhante mesmo, porem arriscada. A SHIELD ficou muito irritada com a atitude e...
–E mataram Seu Miguel. –completei a frase, enfurecido – Foi por isso que pedi sua ajuda. Preciso que proteja a mãe de Isadora e o irmão dela também. O senhor me parece ser uma boa pessoa, parece ser confiável. Só preciso que mantenha a família dela á salvo e que nos dê uma carona até Oymyakon.
Ele sorriu discretamente pegando uma mala preta que estava no chão.
–Pode contar comigo, Capitão. Minha divisão está ao dispor da missão de vocês. –afiançou – Enquanto a SHIELD não desconfiar de mim continuarei os ajudando.
–Bom saber que não estou sozinho.
–Jamais! Tome essa mala. – entregou-me o objeto – São seus uniformes que estavam na SHIELD.
–Como conseguiu isso? – perguntei abismado – tentei pegar antes de fugir, mas só consegui um.
Phil coçou a nuca.
–Bem... Na verdade não fui eu, foi Skye que “roubou”. Ela é boa em pegar coisas. – brincou
Agradeci com a cabeça antes de fechar a mala.
–Mas, Capitão, que mal lhe pergunte o que farão em Oymyakon? – se interessou
–Barton. –respondi – Barton está desaparecido há quase quatro meses e Fury não pareceu se importar nem um pouco. Romanoff nos disse que ele descobriu um mega esquema de corrupção dentro da organização. – narrei à situação – Temos esperança que seja algo concreto o suficiente para “varrer” metade da SHIELD e do governo americano.
O agente parecia surpreso.
–Oymyakon, Oymyakon! – repetia ele tentando lembrar-se de alguma coisa – Oymyakon, claro! Aleksey Nikolaievitch
–Conhece o Nikolaievitch? –uma onda de euforia me atingiu com a idéia de mais pistas – Sabe em que parte de Oymyakon fica o império?
Ele confirmou com a cabeça.
–Sei, sei sim! Quando Skye invadiu o sistema da SHIELD encontrou num registro de pagamentos o nome deste russo. – recordou-se ficando agitado – E depois nós descobrimos e fomos até esse lugar. Fica em uma montanha, é um forte. Mas, não conseguimos ligar direito uma coisa á outra.
Registro de pagamento! Se tivermos certeza do que este homem faz e tiver estes registros de pagamento nas mãos... Goodbye Nick Fury!
–Vocês ainda têm estes registros?
–Não... Sumiram.
Soltei um suspiro de frustração.
–Como assim “sumiram”? Registros não somem do nada. Alguém apagou! – me enraiveci – Essa Skye pode conseguir mais alguma coisa para nós?
Coulson balançou a cabeça para ambos os lados.
–Não sei, não sei. Depois que souberam que uma hackertivista invadiu os computadores, o firewall foi modificado. Mas, podemos tentar.
Isadora entrou na sala no momento em que eu iria responder.
–E aí gente, novidades?- perguntou com a voz anasalada de quem estava chorando.
–Aconteceu alguma coisa? Por que você estava chorando?
Isa passou as mãos sobre os olhos antes de respirar pesadamente.
–Está tudo bem. Não se preocupe. – retrucou
Tarde demais eu já estava preocupado.
–Mas, me digam o que estavam conversando. – insistiu a garota
Contei a ela tudo sobre a hacker e suas descobertas.
– Ou seja, essa menina do computador pode conseguir provas para nós. – conclui – E Coulson sabe exatamente onde fica esse forte do Aleksey.
Isa sorriu larga e esperançosamente.
–Esse pesadelo está próximo do fim! Graças!- vociferou sorridente – Pois bem, leve-nos até esse Nikolaievitch.
–Como quiser Senhorita Wollscheid. – concordou Phil – Só que não poderei ajudar vocês a entrar no lugar e sair com Barton. Se alguém de lá me reconhecer... Ferrou bonito.
–Não, tudo bem! – o tranqüilizei – O senhor já está fazendo demais por nós, jamais pediria algo assim. O senhor é nosso espião dentro da SHIELD.
Phil sorriu agradecido e foi até a porta do escritório chamar pelo tal Ward, que em poucos minutos apareceu acompanhado de Skye.
–Me chamou senhor?
–Sim. Traga a mala com as coisas para nossos heróis. – ordenou
As coisas em questão eram nada mais, nada menos, que quatro malas. Uma com roupas de frio femininas, outra com masculinas, uma mala repleta de armas e outra com dinheiro.
–Nossa moço, tem muito dinheiro aqui! – se espantou Isa observando a dinheirama– Nós não precisamos disso tudo não.
–Isa tem razão. – dei apoio – Não precisamos disso tudo.
–Relaxem crianças, só tem uns vinte mil aí. – descontraiu a outra garota – Sem contar que isso aí é pinto perto do que vocês vão receber quando provarem sua inocência.
–Com certeza!-consentiu Eduardo abraçando a irmã – Depois de tudo que Isa disse que vocês passaram a indenização por danos morais será imensa. Incalculável!
–Não queremos dinheiro! – Isa e eu dissemos em uníssono – Queremos justiça!
–E vão ganhar os dois. – decretou Skye dando de ombros
–Por falar em dinheiro, Capitão o senhor recebeu sua indenização pelo tempo que passou no gelo? E a aposentadoria por ter servido na guerra? – questionou-me Coulson
Fitei-o estarrecido.
–Eu tenho dinheiro para receber? Nunca ninguém comentou nada sobre isso. – verbalizei minha dúvida quase existencial.
O sujeito devolveu-me o mesmo olhar estarrecido junto com algo que me pareceu revolta.
–NÃO TE PAGARAM? NEM FALARAM SOBRE ISSO? FILHOS DA MÃE! – berrou nervoso – Quer saber? Vamos logo para Oymyakon acabar com o lixo que é essa organização de “segurança”.
–É isso aí. Não vejo a hora de voltar para os Estados Unidos só para dar um tiro no pé daquela assassina. – Isa disse de forma sinistra
–No pé? – estranhou Skye – Por que não na cabeça?
–Por que ela me deu um tiro no pé. – explicou – E ela também vai levar um tiro no peito porque foi assim que matou meu pai.
–Pelo amor de Deus Isadora! Para com isso! – interferiu Ed – Já basta ter uma irmã terrorista, não quero ter que ir te visitar em Bangu 1 por ter matado alguém, não.
Ela rolou os olhos.
–Tudo bem, tudo bem.
Nem levei em consideração o que ela disse. Isadora está com raiva, mas não é capaz de matar ninguém. Nem a assassina do próprio pai.
Enquanto seguíamos para o lugar onde pegaríamos o avião para Oymyakon, a garota hacker nos entregou um GPS e seis walk talks para eventuais emergências. Skye estava sendo muito gentil conosco, porem Isa não se convencia de tal bondade. E também não se conformava com o fato da cidadã se chamar “apenas Skye”. Pois é, Isadora grudou num ódio pela pobre menina.
–Fala sério qual é o seu nome? – insistiu Isa pela milésima vez – Skye do que? Skye... Tá mais com cara de Hell.
–Apenas Skye, não sei por que você não acredita. – se justificou a outra – E chatinha você em?
–Muito chatinha, sou chatinha mesmo! Principalmente com “ativistas” – encenou aspas com um tom de superioridade– Que nem se quer o nome verdadeiro fornecem. Como posso confiar que você não vai me entregar para a polícia.
–Skye é meu nome verdadeiro e eu sou de confiança. – a sujeita estava se irritando.
Isa gargalhou.
–Ah agora está explicado! Não tem sobrenome porque nasceu de chocadeira. – provocou
Agora a outra desceu do salto.
–OLHA AQUI GAROTA...
–EPA! – resolvi intervir e separar às duas que já iam para combate – Vamos parar aí que nós já chegamos.
Ainda não entendi porque Isadora cismou com Skye, mas como mulheres são incompreensíveis resolvi ignorar. Seguimos para a última etapa de nossa viagem para Oymyakon, de avião.
Não demorou muito, cerca de uma hora, e chegamos à gélida e detestável cidade siberiana.
–Vai com Deus Isa! – se despediu o irmão da outra.
–Você também maninho. – respondeu a outra – Se cuida em?
–Idem. – respondeu ela com o coração na mão.
–Não se esqueça do que o pai disse... Não desista. – reforçou Ed beijando a bochecha dela– Ah e Steve, Isa venham aqui.
Fomos até ele que nos entregou uma chave.
–Proteja minha irmã, tá bom? – perguntou quase que exigindo. Obvio que concordei. – Essa é a chave de um sítio em Pale, região rural de Dublin na Irlanda. É muito afastado da população e é muito confortável. Se precisarem se esconder vão para lá.
–Irlanda? Estamos n a Rússia, Eduardo. – avisou Isa
–É perto. Agora vão. – respondeu ele voltando para dentro do avião — Fiquem bem!
Agradeci e nos afastamos, cheios de malas.
–Hey Rogers! – chamou-me Phil – Vocês têm carro?
–Temos... Quer dizer, acho que sim. Estão com os outros.
–Ótimo! Vocês estão perto do território de Aleksey. Sigam pela colina em linha reta. – nos guiou – Mas, cuidado que os homens dele sempre vigiam essa área.
–Muito obrigada Seu Phil. – agradeceu minha garota o abraçando – Você é nosso herói!
–Verdade. Não sei o que seria de nós sem você.
–Ah bobagem! – disse ele corando – Obrigado, mas os heróis são vocês. Tenham uma boa viagem.
E então ele entrou na aeronave e a mesma decolou.
Estávamos novamente sozinhos no gelo. Um frio desgraçado! Odeio frio! Frio não é de Deus! A primeira coisa que farei quando sair daqui é ir para o Rio.
–Olha ali o carro do pessoal! – apontou Isa para o automóvel camuflado no meio das árvores
Corremos para lá felizes por não ter desencontro.
–Caraca nunca mais! – Sam quase gritou de euforia ao nos ver – Chupa Natasha! Eles chegaram na hora! No por do sol!
–Por do sol? – repetiu a brasileira arfante pela corrida – O que tem o por do sol?
–Eu disse que se vocês não chegassem até esse horário eu iria invadir. – deslindou a russa – Pronto vocês estão aqui. Sem perda de tempo, o que nós faremos?
Isa fitou o forte repleto de galpões e sobrados. Parecia mais uma prisão.
–Olhem só aquilo; — ela apontou uma torre – Aposto que é ali a cabine de segurança. É ali que precisamos atacar primeiro. Desligar as câmeras e distrair os vigias.
Gênia, né?
–Sabia que ela ia ter uma idéia melhor. – falou Domi – Essa ruiva metida está desde cedo planejando e planejando.
Natasha revirou os olhos, brava.
–Eu ataco a torre. Mas, como vou conseguir atravessar essa pista sem que nos vejam?
Paramos para pensar.
–Acho que nas armas que Coulson nos deu tem dinamites. – pensei alto – Se explodirmos dinamites a uns dez metros do forte... Vão direto para lá ver o que houve. Quando forem para lá, Natasha ataca a torre.
–Desliga tudo Nat, tudo mesmo. Até as luzes. – instruiu Isa – Eu e Dominika vamos atrás do Clint enquanto vocês cuidam do pessoal lá de dentro. Domi temos que ir para o subterrâneo. Se Clint está aí provavelmente está num porão ou coisa parecida.
–Por que acha isso? – perguntei interessado pelo raciocínio rápido dela.
Ela suspirou.
–Há duas grandes probabilidades. A primeira é que ele esteja morto. – Romanoff se remexeu no banco do motorista – E a segunda é que ele esteja sendo torturado durante todo esse tempo para que Aleksey extraia alguma informação. Se a segunda hipótese estiver correta e ele estiver sendo torturado, logo, está camuflado em um local onde seus gritos não podem ser ouvidos.
Todo mundo estava, outra vez, chocado com a capacidade que ela tem de decifrar mistérios.
– São só hipóteses, gente. – explicou-se, ficando vermelha ao perceber que todos ainda olhavam para ela.
Com o plano em mente era hora de botar em ação.
Sam queimou as dinamites metros de distancia do território inimigo trazendo a atenção de todos para lá. Assim que as bombas explodiram, Viúva Negra saltou para a torre de vigilância. Minutos depois todas as luzes do edifício se apagaram gradualmente. Corremos todos para dentro.
Encontramos Natasha, ofegante, logo na entrada com as roupas sujas de sangue.
–Tudo desligado. – informou – Corredor C ao norte possui uma sala chamada Zona Vermelha. Isadora e Dominika vocês estão armadas?
–Estamos.
–Ótimo. Atirem em quem passar pela frente. Tomem essas lanternas. – jogou dois objetos para elas – Capitão vamos fazer barulho do lado norte para que não atrapalhem as meninas.Cadê o Sam?
Uma barulheira de tiros logo se aproximou.
–Estou aqui. – um vulto fez-se presente
Dei um beijo rápido em Isa.
–Cuidado! – pedi
–Espera isso foi um beijo? O que eu perdi? – disse Domi em tom de brincadeira
–Assunto para depois, agora vamos. – gritou Isadora antes de puxá-la pelo braço para dentro do lugar.
Corremos em direção oposta revidando o ataque. Agora era tudo ou nada.
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#Isadora
Corremos com se não houvesse amanhã. Ainda tinha gente do lado norte, mas Dominika (graças a Deus!) atirou na direção das vozes. Não sei se morreram, mas ao menos ficaram quietos. Estava um breu ali dentro e apontávamos as lanternas para todas as portas do corredor C em busca da tal “Zona Vermelha”.
Andamos mais um pouco, agora mais devagar ao perceber que não tinha mais ninguém vivo naquele bloco.
–Aqui! – exclamou Domi apontando para a porta – A Zona vermelha! Mantenha o rifle erguido, Isa. Não sabemos o que vamos encontrar.
Um chute só, bem firme, com o calcanhar da bota fez a porta se abrir. Uma enorme onda de fedor atingiu meu nariz como se fosse um soco. Um cheiro terrível de carne pobre e xixi de rato.
–Eca! – não resisti a essa exclamação
O cheiro era tão avassalador que Dominika recuou um passo.
Direcionamos a luz das lanternas para o teto e Domi gritou. Fiquei tão perplexa que não emiti som algum. Havia um corpo, homem ou mulher não sei, pendurado sobre um gancho que vinha do teto.
–Ai meu Deus será que é o Clint? – inquiriu domingo
–Não sei... Vamos nos aproximar! – respondi tapando o nariz e seguindo enfrente.
Tropecei em alguma coisa no meio do caminho e a lanterna caiu no chão.
–Isa! Você está bem?
Dominika me ajudou a levantar. Um gemido vindo de onde tropecei fez se ouvido. Um gemido sinistro como o de um zumbi.
Antes que eu pudesse comentar o barulho, Dominika soltou um grito alto. Joguei as mãos sobre a boca dela a silenciando.
–Silencio!
–A-A-Algu-Algu-ma coisa segurou meu pé. – gaguejou superassustada antes de apontar lanterna para o chão.
A luz evidenciou o rosto magérrimo e machucado de um homem.
Apontei minha lanterna para o sujeito desnutrido e nu no chão. Desnutrido mesmo. Magreza até para os padrões subsaarianos.
–Clint Barton? – perguntei
Ele gemeu como resposta erguendo o polegar. Abaixei-me para falar com ele.
Novamente o fedor me sufocou. O pobre Barton estava em meio às próprias fezes e muito, muito magro.
–Você vai ficar bem. – o tranqüilizei – Viemos te salvar.
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