Ainda É Cedo

37 Gaiola das Loucas


Notas iniciais
Oláááááá!! Eis que mais ou menos como a Gretchen ,Clarissa voltou para assombrar vocês!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Pois é, demorei de novo, mas tenho uma justificativa... Falta mórbida de tempo e quando tinha tempo, adivinhem? Isso aí... Dormia feito pedra. Maaaaaaaaaas, como nem tudo é desgraça arranjei tempo para vir botar capítulo procês!! Tcharam!!! E com participação especial das loucas de pedra Sharon (liderando no quesito loucura!), Natasha e Isadora que também anda tendo surtos kkkkkkkkkk. Bom, chega de falar bobagem... Divirtam-se!!

SHIELD — ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Um mês internada, um estômago perfurado e uma raiva ainda maior.

Estas foram às consequências que o tiro de Romanoff deixou em Sharon. Embora os ferimentos tenham sido graves, isto era o que menos a incomodava no momento. O que tirava o sossego de Carter era ter falhado novamente em seu plano para prendê-los. Agora antes de qualquer coisa era uma questão pessoal, de honra.

Só faltava uma pista. E a ruiva estava refletindo sobre o quadro quando um homem alto, negro e caolho entra em sua sala, sem cerimônias, dizendo:

–Carter, eu tenho três notícias para você. Duas boas e uma, hum, surpreendente, porem acredito que essa deva soar ruim para você.

Sharon transferiu o olhar dos papeis em sua mesa para o homem.

–Surpreendente? Algo ligado aos malditos?

– É só isso que importa para você, não é? –Nick debochou quase afirmando – Então sim, é sobre seu precioso Steve. Qual quer primeiro, as boas, ou a surpreendente?

Sharon mordeu os lábios enquanto tentava decidir.

– Surpreenda-me.

–Tudo bem, você que pediu. – Fury agia como se dar esta notícia fosse algo extremamente engraçado ou que fosse gerar uma reação cômica da agente – Como você deve imaginar o grupo do Rogers contou com a ajuda de alguns irlandeses para fugir do país. Pois bem, o nome do seu “precioso” Steve consta em três certidões de nascimento da Irlanda. Como pai.

Carter levantou da cadeira em um salto, cenhos franzidos, entre uma mistura de indignação, surpresa e ódio.

–O-O-O que? Certidão de nascimento? Como assim, que porra é essa Fury? – berrou prestes a ter um surto nervoso espremendo entre as mãos folhas que estavam sobre a mesa. – Que por-ra é essa?

O diretor não resistiu a uma risada.

–Isso aí ele é pai de, hum, espere um pouco... – ele voltou sua atenção ao tablet em suas mãos– Ah sim! Anna Joy, Flora Hope e Olívia Faith Rogers. Não é um amor? Ao que me parece o mistério da mamadeira cor de rosa está resolvido. Bom, vamos as bo...

A fala do homem, que até então levava tudo na brincadeira, foi cortada por um grito agudo e ensurdecedor vindo da mulher. Definitivamente Sharon havia surtado.

Fury manteve uma distancia segura enquanto, aos berros, a loira arremessava o monitor do computador, porta-retratos e tudo mais que estivesse pela frente contra a parede.

–Sha- Sharon! – bradou o chefe, espavorido, tentando imobilizá-la ao ver que o ataque não tinha hora para acabar. Ela se esquivou dele jogando um copo contra a janela de vidro, provocando o som estridente do vidro se quebrando. — Calma! Calma!

Ela pareceu se acalmar por um momento ajoelhando-se sobre o chão da sala destruída, aos prantos,se alto mutilando com cacos de vidros.

A esta altura todos os agentes daquela ala haviam sido atraídos até o local graças ao barulho. Nick não sabia como agir. A visão de uma das suas melhores agentes perfurando as próprias mãos com vidro era no mínimo... Perturbadora.

Aos poucos a moça foi voltando a si e percebendo que existiam outras pessoas na sala assistindo seu ataque de fúria. Levantou-se.

–O que vocês estão fazendo aqui seus imbecis? – grunhiu – Saiam daqui AGORA! Saiam todos! Deixe-me a sós com Fury!

Estarrecidos com a cena, quase ninguém se mexeu.

–Estão surdos? Saiam da minha sala! – gritou ainda mais alto, agora fazendo alguns disparos com seu rifle em direção à porta e o teto. Todos saíram afobados.

Fury permaneceu.

–Ela é a mãe? – a voz de Sharon saiu anasalada devido o chororô que ainda não tinha cessado por completo.

–Isadora Wollscheid Villani, a própria. É eles tem saúde em? – ele tentou fazer graça – Porra, trigêmeos fugindo da polícia!

A outra não levou na brincadeira e fez questão de evidenciar sua ojeriza ao fato de Isadora ter tido trigêmeas do homem de sua vida. Aquilo não tinha a menor graça! Aquilo era repugnante e inadmissível.

–Elas deviam ser minhas filhas! Minhas filhas! Eu deveria ter dado um filho para Steve, não ela. Ela é a vilã nessa história. Ela! – grunhiu – Mas, tudo bem. Tudo bem... Crianças não têm culpa de nada... Nem vão se lembrar de quem era àquela vagabunda. Não merecem ter uma mãe como aquela vagabunda! Ela é uma vagabunda, eu sou a mocinha. Eu! Eu tive o namorado rouba... – Sharon parou de falar para limpar as lágrimas e colocar um sorriso doentio no rosto – Não tem problema. Depois que eu matar Isadora eu e Steve vamos nos casar e criarmos nossas três filhas. As minhas filhas! Minhas... Mi-Mi-Minhas filhas! – gaguejou apontando para si mesma, os olhos arregalados e um sorriso louco nos lábios.

Fury fez uma careta, absurdamente perplexo com a bipolaridade e esquizofrenia da sujeita. Mas, aquela não era uma boa hora para bancar o psicólogo.

–Ér,ér... Nossa! Enfim, essas certidões de nascimento foram impressas há três dias, contudo só caiu no sistema hoje de manhã. Sistema, que óbvio comunicou a todos que o nome de dois procurados pelos Estados Unidos constava em registros de cartório.

–Então alguém nesse cartório os ajudou a fugir. – concluiu ela – Claro! Se registrassem as crianças no dia da fuga, provavelmente nós chegaríamos antes. Isso quer dizer que...

–Eles ficaram na Irlanda por um bom tempo, após o fim do sítio. – completou – Ou seja, nossos homens estão na China atoa. Devem ter ficado no país até as crianças nascerem ou sei lá o quê.

–Nem tão atoa assim, Nick. –ponderou à loira – Ainda tem aquela outra vagaba, a Xiaoli e o monstrengo verde.

–Boa lembrança! O governo britânico registrou esta manhã uma ocorrência com uma “besta fera esverdeada” nos arredores de Liverpool... Já temos homens a caminho. Nosso negócio agora é tirar a localização, os planos e tudo mais de Sherman.

–Sherman? – Carter estranhou – Quem diabos é Sherman?

O homem sorriu.

–Jeremy Sherman é um obstetra irlandês casado com Harriet Sherman, que trabalha em um cartório de registros civis na Irlanda. Eu disse que tinha notícias boas.

A agente número 13 gargalhou junto com ele possuída por uma súbita alegria. Por um desejo de vingança.

–Estamos com o casal Sherman? – quis saber

–Não costumo brincar em serviço, Agente Carter. – gracejou o diretor – Vá lavar esta cara de choro e estas mãos ensanguentadas, rápido. Vamos para Guantánamo encontrar nossos queridos fornecedores de informações.

–Sim senhor!

–----------------------------------------------------------------------------------------------

BASE MILITAR DE GUANTÁNAMO — CUBA

Em uma sala fétida, imunda e sombria dois indivíduos gemem e se remexem num canto, vivendo o próprio tormento dos infernos, amarrados e amordaçados com fita adesiva. Nenhum dos dois merecia aquilo. Não fizeram nada para merecer aquilo... Exceto ajudar o Capitão América, sua família e amigos.

Marchando envolta deles como um carcará, está George Tarleton marchando com uma Nordenfelt em punho. George caminha até a dupla dinâmica. Harriet treme em espasmo, os olhos com a maquiagem borrada cobertos de lágrimas ressecadas. Jeremy respira com dificuldade pelas narinas.

–Como vão meus hóspedes? –inquiriu o homem ao casal em tom de ironia – Espero que bem, afinal, vocês foram tãããão gentis com Steve Rogers e Isadora Wollscheid, não é? Acho que até merecem uma recompensa.

O homem o fita com os olhos fundos, úmidos e inchados, completamente destruído após a noite de horrores e surras que passou. Tarleton sorri para ele.

–Você gosta de assistir? – o agente fez outra pergunta aos réus, levando a mão ao cinto e o tirando-o, abaixando as calças.

–Não, por favor, não! Não faça isso! Por favor, por favor! – implorou Sherman, a voz abafada pela fita, ao perceber pelo que a esposa iria passar. – Ela é minha mulher... Não!

O clamor de Jeremy e o choro de Harriet não foram suficientes para impedir que a moça fosse violentamente estuprada.

O doutor chorava tanto, sentindo-se impotente e fragilizado, que começou a desconcentrar Tarleton. Após a quarta ou quinta estocada em Harriet ele parou.

Harriet parecia inconsciente. O marido se desesperou.

–Tudo bem, doutor bonzinho, você também vai ter o que merece. – anunciou antes de dar um tapa na cara do homem.

Preparava-se para dar outra surra quando um soldado vem lhe avisar que os chefes haviam chegado.

–Cruzes, Tarleton! – exclamou Sharon tapando o nariz – Há quanto tempo você não limpa isso aqui? Eca! Isso cheira a gente morta e cocô.

–Deve ser porque aqui é onde as pessoas fazem cocô e em seguida morrem. – zombou ele – Tínhamos uma presa gostosinha que fazia a faxina aqui, mas morreu.

–Morreu ou você matou? – desconfiou Fury – Já disse que precisamos manter as aparências sobre essa base, poxa. Já basta a incompetência de vocês ano passado quando o australiano fugiu e botou a boca no mundo.

–Ah Fury! Não faz drama, ninguém nem lembra mais de Guantánamo.

–Ninguém lembrava até aqueles putos fazerem um vídeo onde comentam sobre uma Rafaela Gonzáles que “foi presa injustamente em Guantánamo”. – caçoou Carter com a voz enojada – Por falar naqueles putos, cadê os filhos de uma meretriz que os ajudaram?

O chefe do departamento de torturas fez um gesto exagerado com as mãos rumo ao que restou do casal irlandês, dizendo:

–Voilá!

A loira se aproximou dos dois com um sorrindo cinicamente. Cada um trazia as marcas inclementes dos instrumentos de punição utilizados pelos guardas: alicates pontudos, arame farpado, tábuas de madeira com pregos enferrujados e, claro, a violência sexual. Ao perceber que a mulher tinha apagado concentrou- se no homem, colocando um banco em sua frente e puxando a fita de sua boca.

–E-Eu na-não vou falar nada pra senhora. – sussurrou Jeremy olhando aflito para a esposa apagada, sem ter o que fazer.

Sharon dá uma coronhada na testa do médico, abrindo uma ferida.

–Se você não entendeu quem manda aqui sou eu e eu quero saber onde eles estão. –rosnou dando um soco em seu queixo. – Ela está viva, mas está não será sua condição por muito tempo caso você não colabore. Diga quem o está o ajudando? É alguém da SHIELD não é?

–Eu nem sei o que é SHIELD, garota!

A falta de colaboração dele a estava irritando. Carter pegou uma arma e pôs sobre a testa de Harriet. Ele soltou uma exclamação de pânico.

–Vou fazer outra pergunta então... Foi você quem fez o parto de Isadora?

Ele confirmou.

–E faria de novo! – gritou – Ela é uma boa pessoa, todos eles são! Eles vão acabar com voc...

Jeremy foi calado por outra agressão na cabeça, desta vez vinda de Tarleton.

–FALA PORRA! – o autor da agressão fez um escândalo – Você quer morrer? Ou você quer que ela morra?

–Não! Por fa-favor, fa-faça o que quiser comigo, mas não machuque a minha mulher. E-ela nem queria fazer parte disso, eu e Nina que... – Sherman engoliu em seco ao perceber que tinha revelado um nome.

–Ahá! Estão vendo como eu sei fazer as coisas? – ostentou ela aos demais companheiros – Então temos uma terceira piranha irlandesa na jogada. Nina! Nina do que?

–Eu não vou falar mais nada! Não vou! Não vou! – berrava ele aos soluços

A torturadora respirou fundo, pegando um revolver no bolso da calça e o mostrando ao homem.

–Deixa eu te perguntar uma coisa, Dr. Sherman, o senhor por acaso já jogou roleta russa? – ela começou a balançar o revolver frente ao rosto do homem amarrado – Que coisa! Óbvio que não, certo? O negócio é que geralmente as pessoas colocam a arma na têmpora e isso, bom, isso é idiotice. – a psicopata engatilhou a arma apontando para o joelho do homem. O semblante calmo e sereno – Você estoura a cabeça da pessoa antes que ela diga o que você quer saber.

–Não! Não! Por favor não fa...

A frase de Jeremy terminou em um grito de dor. Sem dor e muito menos piedade, Sharon atirou contra o joelho do homem. Sem perder tempo apontou para o joelho da mulher.

–Bom, vou fazer duas perguntinhas e quero duas respostinhas ou os dois joelhinhos da Harrietizinha vão ficar explodidinhos. – brincou – Qual o sobrenome dessa Nina? E quem além dela os ajuda?

A monstra começou a cantarolar, distraidamente enquanto o outro gemia de dor.

–Não atire nela... Po-po-por,fa-favor.

–Não vou atirar amado é só você...

–Nina McCarthy! Nina McCarthy! – ele gritou assustado no momento em que ela apontava a arma para a perna da outra. Mesmo assim engatilhou a pistola. – Te – Tem um homem po-po-poderoso os ajudando, mas não sei o nome todo só sei que é Philip. Philip alguma coisa, ele deu armas e telefones para eles.

Carter, Fury e Tarleton se entreolharam enraivecidos, contudo não surpreendidos.

–Certo, Sharon, ele já falou o suficiente por hoje. – encerrou Nick – Vamos, já sabemos por onde começar a procurar.

A mulher desviou a arma do joelho de Harriet para o outro joelho de Jeremy e atirou. Todo mundo se surpreendeu com a atitude.

–Po-Por que fez isso? Eu disse o que queria. – ganiu Sherman – Por que?

A maluca riu meigamente para ele.

–Porque eu tive vontade, ora.

–----------------------------------------------------------------------------------

LIVERPOOL- INGLATERRA

#Steve

– O que você tem na cabeça, garota? – Sam estava inconformado com Beth, a causadora (acidentalmente, claro!) de ter enfurecido o Hulk. — Capim? Merda? Você tem ideia da desgraça que você fez? Eu quase morri do coração, sabia?

Bruce, agora em seu físico normal, estava enrolado em um lençol velho completamente catatônico. Beth ainda chorava ao seu lado.

–Desculpe, me desculpe! – pedia ela – E-Eu... E-eu só... Desculpem-me! Eu fiquei assustada com aquela mulher ruiva com a arma, atirando e...

–Tudo bem, Beth, tudo bem! – Bruce a cortou. Tão calmo que nem dá para desconfiar de que aquele era aquele monstro de meia hora atrás – Eu que peço perdão a todos vocês por... Eu machuquei alguém?

–Não doutor, não se preocupe... Estamos... – olhei ao redor e notei que Natasha ainda não tinha regressado. – Espera, onde está a Natasha? E principalmente onde está o Clint?

Uma Domi descabelada e zonza saiu do meio das árvores. Fiz uma careta com pena.

–Eu a machuquei? – se apavorou Bruce

–Não, fique calmo. – implorei morrendo de medo de ele ficar nervoso outra vez – Na verdade o senhor a assustou... Um pouco.

–Um pouco? – se indignou Sam, abraçado a ela, aparentemente não percebendo que eu só quis amenizar a situação para poupá-lo – Um pouco? Dominika vomitou três vezes de tanto nervoso! Aquela coisa verde quase a esmagou! E tu vem me dizer que “a assustou um pouco” ? Vai tomar no cú os dois! E cadê os outros dois?

–Cadê a Isa? Está segura? – me preocupei

–Está bem. – tranquilizou-me o negro – Está em algum lugar longe da floresta.

–Ainda temos nosso carro, podemos ir atrás delas. – informou Elizabeth – E, bem, Bruce precisa de roupas.

Ele ainda continuava cabisbaixo e tristonho. Estava com pena, mas não tinha tempo para dizer “Ei tudo bem. Todo mundo fica nervoso e... Fica verde.” nosso grupo estava partido.

Domi estava em estado de choque, mal ficava em pé. Esperamos uns cinco minutos até Banner estar bem o suficiente para andar e caminhamos entre as copas das árvores a procura de Clint que tinha saído há tempos atrás de Romanoff. Domi estava tão apavorada que um espirro do doutor fazia com que ela gritasse.

–Sabe o que seria uma boa notícia? – disse Sam em tom brincalhão

–O que? – me interessei

–Se encontrássemos a chata mor transformada em paçoca, pisoteada pelo Hulk. Imagina que alegria em nossas vidas!

O fitei estarrecido, porem não resisti a uma risada.

–Ia ser demais!

–Não brinquem com isso, pessoal. – pediu o autor da bagunça que estava à mata – Se acontecesse algo com ela eu me culparia eternamente.

Ficamos muito sem graças com a declaração. Coitado, deve ser muito ruim perder todo o controle de si. Já estava começando a amanhecer e nada de encontrar o casal. Agora além deles Isadora também me preocupava sozinha por aí com as bebês.

–Onde você estava Domi? – tentei me distrair com outros pensamentos

–Quando eu vi aquele demo... Digo, o Hulk, tive um troço coloquei o bebê no carro e saí correndo rumo ao infinito.

–Viram só? – bradou Beth – Eu não fui a única a surtar!

–Não vem que não tem! – replicou a caribenha – Uma coisa é se assustar com o Hulk e outra bem diferente é se assustar com a Natasha.

–Domi, vamos e convenhamos, a Romanoff é tão assustadora quanto. – contrastei rindo – É só ver quando...

–Pelas barbas do profeta! – chocou-se Wilson, sabe-se lá pelo que – Aque-aquela ali embaixo daquela árvore se balançando feito louca é a...

–Natasha! – completei boquiaberto.

E lá estava Clint tentando tirá-la daquele bizarro estado de choque. A ruiva gemia baixinho, batia os dentes e se balançava contra a árvore, como se tentasse quebrá-la com a força do corpo.

Nós estávamos mais ou menos assim:

–Isso é real ou eu estou tendo alucinações? – perguntou um Sam perplexo atrás de mim – Aquela ali é a Viúva Negra gemendo de medo debaixo de uma árvore?

Domi concordou com a cabeça, tão grilada quanto qualquer um ali. Aproximamos-nos mais dos dois de modo que eles pudessem nos ver. Clint estava abaixado ao lado dela dizendo frases de animo e consolo. Se aquela não fosse Romanoff a cena seria triste, porem pelo fato de ser ela tornou-se patética. Sei lá, às vezes me esqueço de que no fundo (bem no fundo meeeesmo!) ela é gente e tem medos.

–Barton você está bem, quer dizer, vocês estão bem? – precavi

Natasha se levantou do chão em um sobressalto, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

–Estamos ótimos não está vendo? – grunhiu, voltando ao seu estado normal de grosseria. – Estão esperando o que? O bonito aí se estressar de novo?

–Calma, Nat, ele só...

–Ele nada, Clint! – rebateu ela enfezada indo em direção ao carro – Eu estou ótima, só estava pensando em algumas coisas debaixo da árvore...

–Você tava chorando e se batendo contra o tronco. – ressaltou Snap de modo divertido — Não vê...

Subitamente as mãos frias e pálidas da russa grudaram no pescoço de Sam causando um alvoroço para imobilizar a sujeita.

–Dá próxima vez que você tentar tirar uma com a minha cara eu arranco a sua cabeça! – gritou ela tentando se soltar de Clint – Seu filho da puta! Cretino, desgraçado...

–Chega Natasha! – bradou Martinez exausta dos ataques da outra – Que droga! Para de reclamar de tudo, de tentar esconder os sentimentos... Que ifnerno! Você pode enganar o Rogers, a Beth, o Sam, mas a mim você não engana.

–Não te engano é? Do que você tá falando, garota?

Domi soltou uma risadinha se aproximando do rosto da mulher que ainda era segurada pelos braços de Barton.

–Eu sei que isso é tudo defesa, Natasha. No fundo você é uma mulher como todas as outras, com inseguranças e medos. Solte-a Clint. – pediu. A monstrenga de Moscou estava visivelmente abalada pelas palavras da morena. – Já chega tudo bem? Temos problemas demais para ter de aturar você. Vamos pessoal, Isa e Xiaoli estão sozinhas por aí.

Concordei em parte com a guatemalteca. Era certo que Romanoff era irritante e tínhamos muitos problemas para ter de aturá-la, contudo não acho que ela no fundo seja apenas uma mulher normal. Ela é um cavalo! Com perdão aos cavalos, até porque nunca vi nenhum cavalo tentar vender o filho de alguém ou trair o próprio país. Natasha era mulher perversa, sem mais.

Outro ponto que tive que concordar com ela foi sobre termos de alcançar Isa o mais rápido possível. Sem perda de tempo seguimos até o carro de Banner (que ainda parecia desnorteado) e seguimos em busca do carro de Isa.

Não demorou muito e o encontramos estacionado frente a porteira de uma fazendinha, em uma estrada de chão.

Xiaoli estava sentada no meio fio, frente ao veículo, olhando para o horinzonte.

–Que bom que chegaram! – respirou aliviada a chinesa ao nos ver – Fiquei tão preocupada.

–Onde está Isadora?

–Dentro do carro, Capitão. As suas filhas são lindas. – elogiou e agradeci com a cabeça indo em direção ao automóvel, mas ela me barrou. – Não! Não, capitão não entra agora!

Fitei-a com estranhamento. Sam e Domi (que já estava mais calma!) socializavam com Beth e Bruce a metros do carro. Clint e Natasha discutiam sobre comportamento... Fiz questão de ignorar.

–Por que não posso entrar?

Chan mordeu os lábios, indecisa se devia ou não falar seja lá o que fosse.

–É que Isadora está dormindo. As suas meninas choraram por uma hora seguida e ela está cansada. Agora todas estão dormindo.

–Ah sim. Não tem problema, só vou dar uma olhada nelas.

–Não, espera... Tem algo mais. – me vetou outra vez.

Aquilo estava começando a ficar estranho.

–O que você está escondendo?

A garota bufou, preocupada.

–Desculpe, me intrometer, mas o senhor já parou para analisar o estado psicológico da sua namorada? Isto é, alguém já disse o problema dela?

–Bem... Não, ninguém me disse nada. Mas, eu sei que ela está... Nervosa... Ultimamente. Depois que as meninas nasceram ela anda bastante nervosa. E acho que a culpa em boa parte é minha... E-E-Eu poderia fazer melhor, eu sei... É que...– desabafei me sentindo a pior pessoa do universo

–Ela está doente, Capitão.

–Doente? Como assim doente? Doente de quê? Ela te disse isso? O que ela te disse? Por que ela não disse para mim? –afligi-me por completo fazendo uma sequencia de questionamentos.

–Acalme-se, Rogers. Ela não sabe que está doente e a doença não é assim do jeito que você está pensando. Isadora contou-me sobre os últimos meses, as pessoas que os ajudaram e sobre, bem, sobre você não a auxiliar da forma como devia. Mas, não é isso que me alarmou. Não sei se o senhor sabe eu sou psicóloga. Trabalhava para a ONU no tratamento mental de agentes que tinham passado por fortes traumas. Foi aí que ouvindo as barbáries pelas quais os agentes, chineses e americanos em sua maioria, que comecei a divulgar alguns relatos cabeludos que escutei. Sim, sei que foi antiético da minha parte revelar os depoimentos de meus pacientes, mas...

–Eu entendo, eu entendo. – a tranquilizei – Imagino que tipo de coisa você deve ter ouvido. Vejo que foi aí que se enrolou com a justiça, certo?

Ela sorriu amigavelmente, concordando com um movimento de cabeça.

–Comecei essa minha busca há três anos, eu e meu... Meu ex — noivo. – algo me diz que esse ex-noivo ainda há fazia mal pelo tom de sua voz – Até que ele desistiu de tudo e, bem, foi, dormir com umas vadias, enfim isso não importa. O que importa é que sua namorada se desafogou comigo hoje e eu já tenho o diagnostico pronto. Isadora está sofrendo de depressão pós-parto.

Até arregalei os olhos de tanto espanto. Depressão? A Isa? Que sempre foi tão alegre... E ainda pós-parto? Como assim ela trata superbem as meninas!

–Como é que é? – balbuciei

–Pode parecer estranho, afinal ela ama as filhas, mas é isso mesmo. Eu mesma já sofri disso, só que reagi de forma diferente. — hã? Ela teve um filho? Fiquei sem graça de investigar. – Isso é muito comum ainda mais em circunstancias como a dela... Isa perdeu o pai, foi expulsa do próprio país, sofreu diversas tentativas de homicídio, está vivendo escondido e ainda ficou grávida de repente de trigêmeas... É compreensível.

–E o que eu faço agora?

–Agora você vai ter que ser mais paciente com ela e comprar antidepressivos caso queira a antiga Isadora de volta. – respondeu.

–Sabe, ás vezes eu sinto que aquela Isa pela qual me apaixonei morreu e no lugar dela veio essa aí. – apontei para o carro – Que só tem o mesmo rostinho, mas que não gosta de mim e é terrível!

–Ah pare de bobeira, Steve! – replicou rindo – Ela ama você...

–Ama? Eu tenho minhas dúvidas, Xiaoli. Desde que as meninas nasceram eu deixei de existir para ela. É sempre elas, elas e mais elas! Nunca a tempo para mim, NUNCA! Eu virei o saco de pancadas onde ela joga sua fúria e frustrações.

A moça soltou uma gargalhada.

–Está com ciúmes das suas filhas?

–Não, não é isso. É que... Sinto falta da Isa de antes. Sabe, ela sempre me tratou tão bem, sempre foi tão doce e agora... E agora virou uma leoa e tudo que importa são as crias.

–Tente entender, Capitão, tente entende-la! – insistiu – Isso vai passar e Isadora voltará a ser o que sempre foi. Enquanto isso pode contar comi...

–Ah vocês chegaram! – anunciou a própria saindo do veículo – Podemos seguir viagem?

E como sempre a brasileira tinha aquela expressão de “dane-se” no rosto. Mesmo assim me aproximei tentando acariciá-la. E novamente ela se esquivou indo cumprimentar Bruce. Chan lançou-me um olhar de “tenha paciência”.

Fui em direção a Isa.

–Ei! – chamei sua atenção – Não vai nem me perguntar se estou bem?

–Você me parece bem. – analisou logo voltando sua atenção a Banner – Como eu ia dizendo Dr. Banner, acredito que seja bom voltarmos até Oymyakon com uma câmera e “sequestrar” um dos caras que torturaram Clint. O que acha Clint?

Clint e os outros a rodearam. Tudo bem, eu esperaria ela parar de falar para tentar um pingo de atenção.

–A lindinha tá certa.- concordou ele – Mostrando o lugar em que tudo se passou pode dar mais credibilidade a matéria.

A chinesa vibrou com a possibilidade de fechar o dossiê.

–E o depoimento de vocês? – quis saber

–Por mim podemos gravar agora mesmo. – se animou Domi – Isa como estão os bebês? Dá para ficar aqui por mais um tempo?

Neguei veementemente.

–Precisamos sair da Inglaterra o quanto antes. Não se esqueçam de que a SHIELD monitora as atividades do Hulk, se não...

Um barulho de helicóptero chamou minha atenção. Todos nós miramos o céu suando frio. Muitos, muitos helicópteros. NO mínimo uns 10!

–Puta que paril! – murmurou Sam colocando a mão no revolver por instinto.

Natasha praguejou em russo. Isa em português. Dominika em espanhol. Xingamentos polilinguísticos foram ouvidos nos locais.

Atenção! – uma voz sanfonada veio de uma das aeronaves – Vocês estão cercados, rendam-se em nome da lei!

Demos discretos passos para trás.

–O que vamos fazer? – sussurrou Isa – As meninas...

–Vão para o carro. – ordenei – Andem, discretamente para o carro e acelerem... Vou atrasá-los por um tempo.

–Não, Steve! – se agoniou Isa – Você não...

–Argh não finja que se importa! – bradei enraivecido – Faça o que eu disse. Andem!

Ela fez uma cara de ofendida (que fiz questão de ignorar), mas obedeceu. Bruce respirava profundamente como se estivesse enjoado. Foram todos apertados no mesmo carro.

A voz vinda do avião permanecia repetindo aquela frase “renda-se”. Quando Sam me passou um discreto sinal de que estavam prontos para sair, corri na direção contrária. Uma saraivada de tiros veio em minha direção, mas não me importei.

A única coisa que importava era a segurança delas. Mesmo que uma delas não se preocupasse mais com a minha.

Notas finais
Eita ferro em gente??? Coitado do Dr. Sherman!! Filha da mãe essa SHIELD em?? E agora vai sobrar pro pobre do Phil... #Vacilo. E essa Natasha cocôzenta tentando não demonstrar que tem sentimentos? #TapaNaCara. Ah por falar em gente surtanto e aí pessoas ainda estão com raiva da Isadora??? Tadinha ela está doente, poxa!! Steve é que paga o pato kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Quem aí se disponibiliza para cuidar do papai carente?? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Enfim, tentarei postar o mais rápido que der o próximo capítulo. Se preparem que Sharon vem com tudo atrás das "filhas" dela.