Ainda É Cedo

32 Enquanto Houver Sol


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores!! Como vão vocês??? Desculpem não ter postado ontem é que,acreditem, estou com muitooooooos deveres de casa! Eita que 3º ano não é mole não! Mas, vamos na fé, certo? Então aí está um capítulo bem grande sobre o ser humano. Isso aí sobre como os nossos queridos lidam com as adversidades da vida, porque vamos e convenhamos não está facil para ninguém da nossa historinha, né? E vocês? Acham que vale a pena largar tudo como Isa e Steve fizeram e embarcar em uma viagem quase sem destino para fazer o que é certo? Beijosss! Vejo vocês lá embaixo!

–Ora, ora, ora! – brincou a ruiva colocando as mãos na cintura debochadamente – Me parece que finalmente o Gavião Arqueiro despertou do “maravilhoso mundo de Clint”. Anda, vamos embora antes do sol nascer.

O sujeito que sentia fortes dores nos joelhos, devido a breve corrida do quarto até o pomar, encostou-se á uma árvore, arfando. Natasha se aproximou, preocupada, mas o arqueiro a repeliu.

–Não vou com você... E-E-Eu – e um surto de tosse decorrente do sereno tomou conta de sua faringe. – E-Eu só vim tentar te impedir de fazer essa loucura, cara. Mesmo você sendo a Viúva Negra e tendo habilidades inquestionavelmente fantásticas isto é demasiado perigoso. Sem a liderança do Capitão, as ideias de Isadora e o apoio braçal do Wilson ninguém aqui vai sobreviver.

–Loucura? –repetiu irada marchando em direção ao colega – Loucura é você se submeter às ordens deste bando de bossais e ainda trocar fralda dos bebês. Clint acorda, porra! Estamos a tempo demais na Irlanda e é questão de dias até a SHIELD nos localizar. Você já está melhor... – ela se calou ao observá-lo.

Ele ainda não estava cem por cento. Quando fazia muito esforço (como correr para encontrá-la na mata) outro ataque de tosses o atingia e para andar, Clint, contava com a ajuda de muletas. Muletas essas que Steve gentilmente comprou.

–Não seja ridícula, Natasha. Depois de tudo que eles fizeram por mim o mínimo que posso fazer é ajudá-los a encontrar essa maldita chinesa e completar esse bendito dossiê. Até porque todos nós seremos beneficiados com a vitória deles.

–Na boa, cara você precisa vir comigo. Você está ficando como eles, será que não vê? Está sentimental, idealista e fraco...

–Quem me dera se eu estivesse como eles! – bradou o outro a interrompendo abruptamente – Eles são... São bons. São boas pessoas e são uma família.

A última palavra dita por Clint fez com que a espiã soltasse uma escandalosa gargalhada.

–Família? Ah vai tomar no cú, Clint! – praguejou em tom de incredulidade – Desde quando você liga pra família?

–Desde sempre. – respondeu sério surpreendendo-a– Eu sempre me importei, sempre quis ter uma família. Você não?

Ela engoliu em seco. Jamais exporia uma fraqueza tão perigosa e infantil quanto esta a alguém. Mesmo este alguém sendo seu único e verdadeiro amigo.

–Você não cansa de sempre matar, conseguir dinheiro, fama, chegar em casa e estar sozinha? Isto não te afeta? –despejou perguntas que caíram sobre os ouvidos da nórdica com uma chuva de canivetes – Você nunca quis ter alguém para envelhecer junto? Alguém para confiar? Para amar? Porque você sabe que um dia não terá mesma disposição, beleza e nem habilidade. Assim como eu. Seremos esquecidos. Esquecidos como todos os outros solitários e miseráveis homens do mundo são. Eu não quero viver assim para sempre. E estas... – ele mordeu os lábios fitando a casinha ao fundo – E estas pessoas nos poucos dias que me conheceram me tratam como se eu fosse... Importante. Nunca ninguém me tratou assim.

–Eu... Você nunca fala sobre sua família, sua história.

O arqueiro suspirou preparando-se para contar um pouco do que nunca teve coragem de dizer a ninguém.

–Perdi meus pais quando tinha treze anos em um acidente de carro causado pelo bosta do meu pai. Ele era alcoólatra, violento, grosso. No dia do acidente tinha bebido mais do que o normal e eu meio que esperava por uma tragédia. – confessou de cara amarrada – Ele era um homem horrível, Nat, o pior homem que já tive o desprazer de conhecer. Nunca me deu um abraço, nunca disse um eu te amo, e, sabe, isso faz falta na vida de um moleque.

A mulher ranzinza concordou com a cabeça. Também sabia o quão ruim era não escutar esta frase na infância.

– Depois que eles morreram – ele continuou- Eu e irmão mais velho, Barney, fomos enviados para um orfanato em Waverly e foi lá que aprendi a me defender e enfrentar os valentões.

Ambos sentaram-se debaixo de uma árvore, lado a lado.

–Prossiga. – ela pediu

– Ficamos lá por três anos até o dia em que um circo veio para a cidade e tivemos a ideia de fugir com ele.

A ruiva soltou uma risadinha com a história.

–E vocês fugiram?

–Fugimos. – concordou rindo – E nesse circo conheci Trick Shot que fazia um número com arco e flecha.

–Ah então foi com ele que aprendeu? – questionou curiosa

Clint fez que sim com a cabeça.

–Nossa eu achava ele foda! Fodástico mesmo! Trick foi meu herói por muito tempo até eu descobrir que assim como meu pai, Trick se tornava perigosamente violento quando bebia. E então começou a beber cada vez mais e a se envolver e me envolver em trabalhos sujos. No último rolo que me meteu acabei tendo que enfrentar um mafioso, mas eu era muito jovem e não era bom o suficiente para acertar uma flecha no cara certo.

Por um segundo o som dos grilos infiltrados nas folhagens foram ouvidos.

–O-O que houve nesta noite? – Natasha tentou seguir com o assunto de forma delicada. Barton havia parado de falar do nada,com o semblante sombrio.

–Naquela noite... Bem, naquela noite a flecha que lancei para o mafioso, atingiu o meu irmão no peito. Fiquei desesperado, chorei muito, implorei para que o Trick o levasse para o hospital... Mas ele não levou. – concluiu a trágica historia – Lembra quando há algum tempo você me perguntou quem tinha sido a primeira pessoa que matei?

Romanoff mordeu a língua com pena do sujeito.

–Le-Lembro.

–Pois é, a primeira pessoa que matei foi meu irmão. – informou com falsa mansidão – E desde então minha vida tem sido esta: Trabalhar para grupos que supostamente fazem bem as pessoas eliminando outras e comer vadias nas horas vagas.

A moça não sabia o que dizer. De certa forma a vida de Barton era muito similar a sua. Mesmos traumas familiares, mesmos abandonos, mesmas mãos sujas de sangue muitas vezes inocentes. Só existia uma diferença: Clint ainda acreditava no amor.

–Eles só te trataram bem porque precisam de você, não se iluda. Amor não existe. Amor é uma ilusão criada por pessoas carentes e inseguras.

O rapaz, cabisbaixo, negou veementemente as últimas orações ouvidas.

–Para com isso, Nat! – exclamou ele quase em um murmúrio – Sou eu aqui, lembra? Não precisa colocar essa máscara perto de mim. Só porque você não é ou não encontrou boas pessoas até agora não significa que o mundo está perdido. Entretanto, se quer mesmo sair por aí, falar com seus velhos amigos e explodir meio mundo... Tudo bem. Vou ficar triste, pois gosto muito de você e queria que você,sei lá, tivesse uma vida melhor e...

–Minha vida vai ser ótima se amanhã eu explodir a cabeça da Sharon e ou do Fury. – ela o cortou nem um pouco tocada pelas palavras ditas pelo jovem.

–Mais sangue? Nunca vai ser feliz com o peso de mais mortes nas suas costas...

–CALA A BOCA! –berrou espumando – PARA! PARA! Para com essa porra sentimental, caralho! Isso é tudo uma porra de uma ilusão! Isso não vai dar certo e essas crianças só provaram que...

–QUE ELES JÁ GANHARAM! –Clint completou a frase de Natasha em um grito de raiva. Ela não entendeu nada. – Eles já ganharam! E quer saber? Eu tenho inveja do Capitão e acho que você também tem inveja da Isadora?

–Quê??

–Exatamente o que ouviu. Enquanto você está aí achando que vai ser feliz matando mais gente, eles estão lá dentro esperando três crianças. Enquanto você só pensa em vingança, eles se amam. Enquanto você não acredita no amor, eles gastaram 80% do dinheiro que ganharam comigo e com meu tratamento. Enquanto você acha que, assim como você, eles só são bons por interesse eu acabo de ouvir Isa contar que Steve comprou uma casa para uma moradora de rua. Enquanto nós fazemos loucuras por dinheiro, aqueles quatro abandonaram tudo para ajudar os que necessitam. Se só se importassem consigo mesmos todos ali estariam ricos e famosos como Stark. Mas, eles não são assim. Eles são boas pessoas.

A russa não sabia o que dizer. As palavras de Clint havia destruído todo e qualquer argumento que esta pudesse usar.

Barton se levantou do chão.

–Se você quiser ir, sinta-se a vontade. – finalizou ele com a voz rouca após tanta discussão – Ainda há razões para acreditar e tempo para mudar.

E voltou para casa com suas muletas. Romanoff continuou ali pensativa. Era difícil mudar tão radicalmente seus princípios a ponto de permanecer em uma casa com dois lunáticos prestes a dar cria, todavia sabia que o arqueiro estava certo.

Decidiu ficar com Clint e tentar segurar a onda enquanto pudesse.

Não entendia essa enorme necessidade de ficar com ele. Amor não era – visto que este é ilusão – mas, também não era ódio. Era uma grande... Natasha não sabe explicar, porem jamais dirá que é amor – mesmo sabendo que é.

–----------------------------------------------------------------------------------------------------

Dois dias depois.

#Steve

Por volta das quatro da manhã mãozinhas insistentes e delicadas me sacudiram afoitamente. Esfreguei os olhos, sonolento, até conseguir reconhecer pela penumbra a figura de Isadora.

Levantei quase em pânico já imaginando o porque dela estar acordada e ansiosa a uma hora dessas.

–Que foi? Passou mal? Enjoo novamente? Quer que eu ligue para a doutora Ni...

–Não Steve, estou bem... Quer dizer, quase. – interrompeu-me impaciente – Eu quero cajá! Preciso comer cajá agora.

–Ca- o-que?

–Cajá! Não consigo dormir! Fecho os olhos e vejo um cajá e quando cochilo, advinha? Sonho com um grande cajá! Eu preciso MUITO comer um cajá! – repetia ela a comida, doce ou sei-lá –o-que insistentemente.

–Eu não sei o que é isso.

Isa fitou-me como se eu fosse um alien.

–Ah pelo amor de Deus! Como não sabe o que é um cajá? Cajá é uma fruta superpopular no Brasi... Ah é. – recordou-se do óbvio – Esqueci que você não é brasileiro. Ai será que tem cajá aqui na Irlanda?

–Vou buscar o cajá para você. – afirmei em um bocejo, zero animação, para caçar a fruta que até dez minutos atrás nem sabia que existia.

Peguei o carro e fui a todos (t-o-d-o-s) os mercados, hortifrutis e lojas de produtos exóticos abertos da Irlanda e toda hora que eu fazia a seguinte pergunta:

–Por gentileza à senhora tem alguma fruta tropical chamada cajá?

A resposta era:

–Ca-o-que?

Acompanhado de uma cara de perturbação.

O relógio já marcava seis e trinta da matina quando em um simples e humilde bairro encontro uma loja de produtos brasileiros. Aleluia! Finalmente eu havia encontrado a bendita fruta! Eba! Minhas filhas nãos nasceriam com cara de cajá! Até porque, agora que conheço, o tal do cajá é muito feinho. Mas, é gostoso.

Segui tranquilamente meu rumo para o sítio quando na curva final, já próximo a nosso esconderijo, pensei ter visto algo pelo retrovisor. Por um milésimo de segundo pensei ter visualizado um carro e freei desconfiado.

Peguei a arma e desci do carro.

Nada na esquerda.

Nada na direita. Sem rastros.

Resolvi ignorar, vai ver é coisa da minha cabeça (que quase não tem problemas!) ou talvez tenha sido um bicho. Enfim, deixei para lá e segui o resto do caminho em paz.

–Ei cheguei com os cajás! – exclamei a Isa e Domi que tomavam café na cozinha

–Natasha viu um helicóptero a cerca de dez minutos atrás. – Isadora soltou a bomba, tensa até o último fio de cabelo.

Meu coração disparou. Então talvez o que eu tenha visto na estrada tenha sido mesmo um carro.

–Cadê ela? – perguntei nervoso largando a sacola do cajá sobre a mesa

–Está lá fora com Clint e Sam.

–Fiquem aqui. – quase implorei – Por tudo que é mais sagrado não sai dessa cozinha. Dominika segure isso – entreguei a arma – Não deixa a correr.

–Steve eu não estou doente, sabia? – resmungou a grávida – Eu posso muito bem...

–Não pode não. A doutora Nina disse para você não fazer esforço nesse finzinho do primeiro trimestre. A não ser que você queira perder essas crianças.

–Não! Tudo bem... Eu fico aqui. – bradou assustada

Disparei para o jardim onde encontrei os três com armas apontadas para o céu.

–Quanto tempo? – inquiri a ruiva presunçosa. Não precisava especificar o que, pois ela sabia. E estava nervosa. Todo mundo estava.

Com a barriga de Isadora crescendo em velocidade assombrosa e o risco de complicações aumentando consideravelmente, tudo o que não precisávamos era de ter que fugir as pressas.

– Quinze minutos. Acho que aconteceu o que mais temíamos.

–Vai com calma garota. – ponderou Sam, embora a aflição estivesse visível em seu rosto – Já vi outro avião passando por aqui. Um avião comercial. Estamos em Dublin, porra, é a capital do país.

–Na verdade estamos em Pale que é a zona rural de Dublin. – corrigi – E ela não viu um avião, mas sim um helicóptero e hoje eu...

–Você o que? – Clint se inquietou

–Por um minuto eu pensei ter visto um carro passar á uns cinco quilômetros da entrada do sítio. A vizinhança mais próxima fica a vinte quilômetros, ou seja, quem quer que seja que estivesse atrás de mim estava em nosso encalço.

–Calma aí de novo! – vozeou o negro pela segunda vez – Você acha que viu...

–Acha? Puta merda, já deu ruim! – cortou-o Romanoff – Fim de jogo, os homens nos acharam.

–Ou talvez estejam perto disso. – tentei diminuir as evidencias – Fiquem atentos a qualquer movimentação estranha e cuidado redobrado quando saírem do sítio entenderam?

–Sim, senhor! – responderam com certa ironia

– Então vamos ficara aqui mesmo sabendo que há uma grande possibilidade da SHIELD já estar armando uma grande emboscada? – a mulher se indignou – Está vendo Clint? Eu falei que eles são...

–Se a senhorita tem uma ideia melhor que inclua um homem com a locomoção debilitada e uma grávida de trigêmeos com três meses e uma barriga do tamanho de uma de cinco, ótimo, está é a hora de abrir a boca. – desafiei a sem noção. Silencio absoluto no local. – Nada? Então cale a boca e faça o que eu mandei.

Voltei para a cozinha e só encontrei Dominika que estava com o semblante cansado tricotando alguma coisa.

–Cadê a Isa?

–Vomitando o cajá que você comprou. – respondeu rindo – Ela descascou o negócio, fez uma careta e correu para o banheiro.

Arfei derrotado. Tanto sufoco para isso? Tudo bem,tranquilo.

–E o que é isso que você está fazendo?

Ela sorriu mais contente me entregando um sapatinho amarelo com um casaquinho. Minúsculo e delicado.

Fiquei olhando para o sapato completamente aflito. Sei lá, acho que aquela coisinha delicada e pequena fez com que a minha ficha caísse. Eu vou ser pai! Caramba que responsabilidade.

–É... Pequeno, muito pequeno.

–Claro que é pequeno Steve! É um bebê! – exclamou de volta – Esse é só o primeiro ainda tenho que fazer mais dois.

Franzi o cenho angustiado.

–Obrigado Dominika.

–Pelo quê?

–Por fazer as roupinhas dos bebês... Elas não teriam o que usar se não fosse você. Acho que você é a madrinha oficial delas. – brinquei – Obrigado mesmo.

Parecia que a cada dia que passava o dever de ser um bom pai crescia dentro de mim e de uma forma tão rápida e avassaladora que me deixava em desespero. Como eu poderia ser um pai com tantos erros? Que exemplo vou deixar para essas crianças? A de um louco que jogou tudo para o alto e resolveu lutar por uma causa quase utópica?

Naquele momento eu era tudo, menos um bom pai.

–Não precisa agradecer Capitão.- a voz da morena retirou-me dos meus devaneios- Faço isso com o maior carinho. Adoro tricotar, aprendi com minha mãe, e nunca tive tempo para colocar em pratica. É bom saber que meu “talento” está sendo útil.

–Acredita que ela fez um vestido? – disse Isadora saindo do banheiro, secando os cabelos – Eu disse que eram meninos e ela fez um vestido, ou seja, já está incentivando a criança a ser uma Drag Queen.

Gargalhei em um raro instante de descontração.

–Viu Isa? Até ela percebeu que são meninas e você que está com elas aí dentro não.

–Por isso mesmo que sei que não são meninos, ora. – persistiu sentando-se ao meu lado – Acho bom você ir se acostumando com a ideia de ser pai de meninos.

–Acho bom você se acostumar com a ideia de ser mãe de meninas. – trepliquei rindo antes de dar um beijo em sua testa – Falta muito para fazer aquele exame... Como se chama mesmo?

–Ultrassonografia Morfológica. – respondeu – Está marcada para daqui a cinco semanas vai demorar um tempo.

–Ai eu queria que fossem meninas. – suspirou Domi – É tão chato fazer roupa para menino, é tudo tão sem glamour, sem graça...

–Por isso que é mais barato e por isso que serão meninos. – completou Isa – Parem com esta ideia de meninas, por favor. Isso seria uma tragédia e eu já cansei de ver filhas de mãe irresponsáveis se tornarem mães mais irresponsáveis ainda. Não quero isso.

Mirei-a incrédulo. Domi percebeu que precisávamos ficar sozinho.

–Er... Eu vou terminar os casaquinhos na varanda.

Assim que caribenha deixar o lugar perguntei:

–Por que você fica tão nervosa quando alguém diz que é menina? Quem disse que você é irrespo...

–Quem disse? Eu disse. – enfatizou irritada apontando para si mesma — Sempre abominei essas garotas inconsequentes que não se preveniam e traziam crianças ao mundo sem nenhum tipo de infraestrutura seja esta física, emocional ou financeira. E sabe qual é a desculpa que elas dão? Que foi um “acidente”. E não foi. Não foi um acidente com elas e nem comigo. Foi sim uma grande irresponsabilidade e eu me sinto muito, muito culpada por trazer não só uma, mas três vidas a um mundo violento como este.

As palavras cheias de rancor que ela declama me atingiam em cheio. Era tudo verdade. Nós fomos negligentes. Isso não é uma brincadeira ou um erro esquecível.

–Não Isa, a culpa não foi sua... Foi... Foi minha eu devia...

–Sim, também foi sua. Foi nossa! –interceptou minha frase com uma determinação quase sinistra — Nós fomos idiotas ao extremo. Como podemos em pleno século XXI alegar ter sido um “vacilo” tendo tantos métodos contraceptivos disponíveis? Nada justifica o que fizemos. Nosso erro mudou nossa vida para sempre e também destruiu a chance dos nossos filhos terem um futuro mais digno ou ao menos um... Berço. Nem isso podemos comprar...

–Não. – a parei – Podemos sim. Ainda temos dinheiro suficiente para comprar coisas essenciais com um berço, um carrinho e algumas fraldas.

Ela riu enquanto chorava.

–Não é por dinheiro, Steve!Não podemos comprar um berço porque não podemos ficar aqui por muito tempo, não vê? A SHIELD vai invadir isso a qualquer momento e temos que estar longe daqui quando isso acontecer. Além de não termos dinheiro ainda estamos sendo caçados como animais. O mundo acredita que somos terroristas e se... – Isadora parou de falar aos soluços. Eu estava tão emocionalmente abalado que nada pude fazer a não ser fechar os olhos. Fechar os olhos e esperar que ela parasse de chorar. – Se a Sharon descobrir que estou grávida... Nós quatro vamos morrer. E não vai ter ONU e nem direitos humanos para interferir, pois jamais encontrarão o meu corpo. Nunca vão saber que um dia eu estive grávida.

–Vou manter vocês a salvo. – murmurei com o que restou da minha esperança – Enquanto houver sol haverá esperança. Nunca pensei que fosse fácil fazer justiça, lutar pela liberdade, por uma vida justa para as pessoas boas... – um nó se formou em minha garganta e parei de falar. – só... Só queria que você... Que você soubesse que eu sinto muito.

Levantei-me devastado querendo fugir para longe daquilo tudo, talvez atrás de algo que pudesse voltar no tempo... Alguma coisa que fizesse esse piano de caldas sair das minhas costas. Algo que trouxesse o sorriso e bom humor de volta a Isadora.

Refletindo sobre nossa jornada de meses cheguei à conclusão de que não valeu a pena.

O que ganhamos com isso tudo? Nenhuma ideia vale uma vida. Perdemos vidas, Isa quase morreu, o mundo nos quer mortos... E nada mudou até agora. Por que é tão difícil fazer a coisa certa?

Ela puxou-me pelo braço, ficando de pé e me abraçou.

Um abraço. Parece simples, certo? Contudo o abraço que Isa me deu certamente foi inesquecível. Ela não dizia nada apenas me apertava contra si.

Aquele abraço significava colo, proteção, um abrigo seguro, um refúgio silencioso, uma palavra amiga, um consentimento calado, um amparo. Éramos tudo isso um paro o outro.

Eu não estava sozinho no meio daquele furacão. E nem ela.

Entendi então que tudo isso valeu e certamente valerá a pena. Se ainda não deu certo é porque não acabou. Isa se desvencilhou de meus braços e depositou um suave e carinhoso beijo em meus lábios.

–Desculpe por ter despejado todas as minhas frustrações em cima de você, meu amor. – afirmou ela mais calma – Eu só... Só tenho medo de não conseguir dar conta disso tudo. Acho que isso é um castigo divino por todas as vezes que fui metódica. Agora olhe só para a minha vida: Tudo ocorrendo na velocidade da luz.

Dei um beijinho no alto de sua testa e em seguida me ajoelhei em sua frente colocando os ouvidos próximos ao seu ventre.

–O que você está fazendo? – ela perguntou sorrindo

–Shi! – pedi silencio – Estou querendo conversar com as minhas filhas, posso?

Ela soltou uma risada alta o que me trouxe certa alegria. Já fazia dias que ela não ria dessa forma.

– Oi queridas. – saudei não resistindo a um sorriso

Alguma coisa mexeu lá dentro no momento em que coloquei as mãos. Isa soltou uma exclamação.

–Mexeram! – quase gritou colocando suas mãos sobre as minhas. Agora chorávamos de emoção – Oh meu Deus isso ainda não tinha acontecido!

–Elas me responderam! Elas estão me ouvindo! – me emocionei – Oi minhas plantinhas!

– Ainda é pequeno Steve, não ouve.

– Mas você ouve e transmite pra ele, tudo, até sentimentos. Não vê? ELAS SE MEXERAM!

– Oi filhas! – ela exclamou entre lágrimas. – Desculpem a mamãe estar tão nervosa ultimamente é que... Estamos arrumando as coisas aqui fora para vocês.

Fico surpresa com o que ela disse e me levanto para beijá-la.

Ela fica sobressaltada, pois a beijei de surpresa, porem logo desliza seus lábios sobre os meus em um sentido doce e carinhoso. Deixo que ela enrosque meu pescoço entre as mãos enquanto acaricio a maça de seu rosto com uma das mãos e com a outra acaricio as três coisinhas entres nós dois.

Quando nos separamos ela sorri.

–Por que este beijo tão inesperado?

–Porque essa foi a primeira vez que você chamou os bebes de elas, de filhas, no feminino. – respondi bem-humorado – E quer saber? Elas só terão motivos para se orgulhar de uma mãe tão linda, valente e corajosa como você. Você não é uma adolescente inconsequente que vai gerar outra adolescente inconsequente. Isa você é uma heroína.

–Fofo! – clamou antes de me beijar- Eu te amo, sabia? E quero que me prometa uma coisa.

–O que você quiser meu amor.

–Prometa que nunca mais, nunca mais mesmo. – enfatizou – Nunca mais vamos pensar em desistir. Você disse uma coisa certa: Os bebês sentem tudo o que sinto. E eles têm que sentir que são muito amados e queridos porque são. Prometa que seremos otimistas sempre.

–Eu prometo. – respondi antes de puxá-la para um beijo.

–-----------------------------------------------------------------------

CINCO SEMANAS DEPOIS.

Um mês se passou e Isa estava prestes a entrar no quinto mês de gestação com a barriga do tamanho de uma de oito. Ah como ela estava linda! Seus cabelos estavam mais brilhantes, sua pele mais macia e depois de nossa lavação de roupa suja seu lado otimista e bem-humorado havia voltado – para pânico de Romanoff.

Clint já estava atingindo seu peso ideal e felizmente a pneumonia tinha partido para o inferno. O único problema dele era a audição (que fora afetada pelos pregos enferrujados utilizados na tortura) e os joelhos que ainda o faziam mancar e ter de usar as benditas muletas. Viúva Negra continuava intragável, porem não ameaçava mais fugir. Não sei o que aconteceu – e nem o que a fez mudar de atitude – mas, não cogitava mais a hipótese de nos abandonar e explodir tudo e todos sozinhos. Sam ainda estava alerta quanto à segurança do sítio- assim como todos nós – e não conseguia nem dormir direito.

Acho que a pressão em cima dele (que ele mesmo colocou que fique bem claro que não estou explorando ninguém!) fez com que ele imaginasse coisas. Semana passada acordou as três da manhã alegando ter visto a luz de uma lanterna no quintal. Disparamos em pânico para checar tudo e... Nada. Era só uma lâmpada que havia se desprendido na varanda e lançado a luz no quarto dele. Wilson ainda insistiu no assunto, contudo Dominika que dormia o fez esquecer essa bobagem. Podia até ter alguém ali, todavia o que poderíamos fazer?

Para nossa saúde mental era bom esquecer a SHIELD. O que será que eles acham que estamos fazendo? E aquele helicóptero no mês passado? Se fossem eles já teriam se pronunciado, certo? Espero que sim.

Sexta- feira passada Isadora começou a reclamar de umas dores do lado direito da barriga. Começou fraquinha e foi gradativamente aumentando. Entrei em pânico na hora logo lembrando do que a Dra. McCarthy tinha dito sobre “dores podem representar um trabalho de parto prematuro”. Isa disse que seria melhor esperarmos até segunda, dia em que a médica estaria no hospital, e a contragosto concordei.

Na segunda, mal conseguia se esticar e qualquer movimento que fazia gritava de dor. Fomos então ao médico às pressas e com o coração na mão. Nada poderia ser pior do que um trabalho de parto ás 17 semanas de trigêmeos. Quando chegamos os médicos (que realmente são ótimos profissionais e nos tratam com muita atenção) logo a encaminharam para a sala de exames. Após horas angustiantes na sala de espera eis que descobrimos a razão das dores:

Pelo fato de serem trigêmeos a barriga de Isadora está esticando muito rápido e para nossa infelicidade ela vai sentir mais dor do que normalmente as mulheres costumam relatar. É tudo muito rápido e o organismo sofre com a adaptação.

Outro fator, é que descobrimos que tem um bebezinho que está bem esticadinho pro lado direito (e está é a que mais se mexe) e isso também contribui pras dores.

A doutora nos indicou um remédio que aliviaria as dores do crescimento da barriga e que também servia de “calmante” para nossa pequena espoleta. Pois é, desde a barriga já sabemos que é a arteira.

Fiquei mais tranquilo em saber que era uma coisa tão boba e fácil de resolver, porque como diz minha querida namorada, fico mais apavorada do que quem sente a dor. Já escutei tantos relatos neste mês de papais de primeira viagem que fico com medo de estar passando por alguma emergência sem me dar conta.

Outra coisa que questionamos a médica foi que tem dias que Isa sente a barriga muito dura por alguns minutos. Ela falou que são contrações mesmo, e que é normal e toda grávida tem (algumas nem percebem). Mas é preciso ficar atento porque isso não pode acontecer frequentemente. Não entendi nada, mas deixei pra lá. Contrações não deveriam aparecer só na hora das crianças nascerem? ? ? ?

Pois é, gravidez de pai é tão difícil (e em alguns aspectos mais ainda) do que a de mãe. Mas é uma experiência legal... Muito legal.

E depois de nosso pânico de pais principiantes e o problema de nosso bebê lutador de jiu-jítsu finalmente chegamos a 18º semana de gestação o dia em que teríamos certeza de que eram três moçoilas.

Isadora passou o dia inteiro conversando com os bebês e pedindo que pelo menos um (já que são idênticos se só um colaborar já dá certo!) escancarasse as perninhas para que a tia Domi pudesse em fim tricotar coisinhas em rosa ou azul (vai que estamos errados durante tooodo esse tempo!).

–E então papai e então mamãe prontos para descobrir o que tem aí dentro? – fez suspense a simpática obstetra.

–Ai anda começa isso logo, estou morrendo de curiosidade! – gritou Isa se sacudindo na maca

Mordi os lábios no mesmo grau de ansiedade para ver minhas plantinhas. E foi muito incrível e emocionante ver os bebês.Isa era só sorrisos.

Graaaaças a Deus estão todos ótimos, perfeitos e se desenvolvendo maravilhosamente bem, o que deixou Isadora com a sensação de dever cumprido. O maior medo dela é fracassar no desenvolvimento deles afinal, querendo ou não só depende dela.

–E olha só estão todos com as perninhas abertas. – comentou a médica – Mas, está uma confusão de pernas aqui dentro... Tá difícil ver alguma coisa.

–Ai sosseguem crianças! – implorei aos risos

–AI meu Deus eles são da pá virada. Olha só que loucura! – observou a mamãe apontando a mega movimentação da telinha. Eles se chutavam, tentavam pegar os cordões umbilicais, davam chutes... Isso na barriga.

Fiquei com um medinho de eles serem tão agitados assim quando nascessem. Isso ia ser um grande problema, afinal somos dois e eles três.

–Epa o bebê do lado esquerdo parou de chutar! – bradou Dra. Nina com um sorriso – E é...

Isa colocou as mãos na boca explodindo de euforia.

–Uma menina. –completou a obstetra.

Vibrei alto com a notícia.

–EU SABIA! EU SABIA! É A WILLOW! É A WILLOW!

A doutora gargalhou.

–Jurava que a torcida do pai era por meninos.

–Ele tem medo dos meninos serem tão tímidos como ele. – Isa fez o favor de contar – Mas, é minha Lili! Olívia! Awn! Essa aí que é mais obediente e parou de chutar quando pedi é a Olívia.

–Ué já dá pra identificar dentro da barriga? – me surpreendi. Muita modernidade para minha cabeça.

–Claro que sim. – concordou Nina – Elas chutam, viram para um lado, paro o outro, mas não trocam de lugar. Temos então Olívia no canto esquerdo, outra mocinha no canto direito e a bagunceira em cima de todas elas.

–Nesse caso a espoleta de cima é a Willow. – bradei. Ah não! Sempre quis ter uma filha chamada Willow e agora vou ter três. Uma vai ser Willow de qualquer jeito.

–Sem Willow. – persistiu Isa – Ah para com isso esse nome é complicado demais para se escrever.

–Ah não é nada. – me ajudou a doutora – Acho Willow superlindo e parece perfeito o nome de uma árvore tão bonita e forte para uma bebe tão sapeca. É lindo Willow é o nome da filha da Pink.

–Ótimo filha da Pink, não da Is...Alicia. – quaase sai o nome errado. – Eu já disse que esse nome é complicado para... Você sabe.

Ah claro... Os brasileiros não vão saber escrever dois W’s e dois L’s e nem vão entender que se trata de um nome unicamente feminino. Bla!Bla!Bla! Ela já me disse isso zilhões de vezes. Até desisti dos outros nomes que eu gostava Summer e Breeze, pois Sam disse que eram nomes de prostitutas texanas, porem de Willow não desisto. Todo mundo gostou do nome menos ela. Argh.

–E qual o problema da garota soletrar o nome e dizer “Ah eu sou irlandesa”. – imitei a voz de uma garotinha e ela riu. – Qual é o Brasil é um país multicultural estão acostumados com coisas diferentes.

Caramba eu falei Brasil. Para a doutora McCarthy nós somos canadenses!

–Brasil? – ela estranhou – Pensei que fossem do Canadá.

Isa quase enfartou

–E somos! – Isadora foi mais rápida – É que meu... Meu pai é brasileiro e é bom que usemos um nome universal como Olívia. E se eu me chamasse Willow e tivesse uma irmã chamada Olívia... Serio eu odiaria meus pais para sempre.

Rolei os olhos.

–Olívia também é uma árvore.

–Mas, não é exótico como Willow.

–Quer saber acho melhor conversarmos em casa.

–Concordo. – disse ela e já me preparei para uma discussão.

A médica sentou-se em uma mesa próxima para nos explicar sobre os riscos do terceiro trimestre. Mais riscos! Nossa vida já não tem riscos o bastante?

–Pois bem, agora acabou o glamour. – começou a profissional de saúde – Já disse mil vezes que essa gravidez da Allie é de extremo risco, que trigêmeos gerados naturalmente não são algo normal e que apesar da boa saúde essa gravidez inspira muitos cuidados. O risco de aborto espontâneo acabou, todavia o risco de morte da mãe e ou dos bebes não. Repouso. Essa é a dica que insisto em dar a vocês. Muito repouso a partir de agora. – disse a Isa – A sua barriga já está quase do tamanho de uma de oito meses normal e ainda há pelo menos 15 semanas pela frente. Se não tomarem cuidado pode ir tudo por água a baixo.

Precisa dizer que ficamos mais tensos? Enquanto Isadora foi se trocar, ela continuou falando comigo, milhões de conselhos, advertências, instruções de precauções etc, etc, etc. O recado era, claramente, esse: se vocês não tomarem cuidado, pode ir tudo por água abaixo.

Agora sabíamos que eram mesmo três meninas que provavelmente viriam pré maturas e que Isa não podia fazer absolutamente nenhum esforço e nem sofrer fortes emoções. Ah e vale lembrar que estamos no quinto mês e só temos algumas peças de roupa que Domi bordou.

E que o dia do helicóptero ainda não saiu da minha cabeça.

Notas finais
êêêêê!! TRES MOCINHAS!! kkkkkkkkkkkkkkk Prevejo guerra na hora de escolher os nomes da irmãzinhas da Olívia! E aí vocês teriam uma Willow ou apoiam a Isa a tirar isso da cabeça do Steve?? E a Natasha em gente?? tadinha, eu tenho pena. Gente sem amor merece pena não acham? O Clint é gente boa só foi para o caminho errado. E esse negócio dessas luzes que o Sam viu, o helicóptero, o carro na estrada deserta... AI ai ai! Será gente? Logo agora que Isa não pode sofrer fortes emoçoes?? O que podemos esperar?? Beijoooooooooooos vejo vocês nos comentarios!!