Ainda É Cedo
39 Bem-Vindo ao Inferno -Parte II
Notas iniciais
CARLISLE – REINO UNIDO
Após duas horas de viagem, em um carro roubado, Natasha e Anna haviam chegado a pequena cidade de Carlisle.
A ruiva observou a criança, que ria sozinha olhando para o móbile preso em sua cadeirinha, através do retrovisor com repulsa.
–Idiota! – analisou a mulher – Tá achando isso muito divertido?
Anna ergueu as sobrancelhinhas tentando encontrar a dona da voz.
–Por isso que não gosto de crianças. São umas imbecis que amam qualquer um que lhe dê uma mamadeira. – continuou ela virando-se, séria, para encarar a criança. A bebê gargalhou. – Isso, ria enquanto pode.
–Babu! – retrucou a coisinha cor de rosa.
–Argh! Nem pra conversar você serve Rogers. Você é como Judith Grimes, uma coisa inútil e fofinha que só atrapalha as pessoas.
Romanoff pisou no acelerador. Os choros e barulhinhos da criança a estavam tirando do sério, mas tentou ser legal com a criança, afinal, estavam chegando ao destino final de Anna: Escócia.
–Sabia que seus pais estão mortos? – comentou ela com a criança que estava concentrada nos próprios pés, não dando a mínima atenção. – Pois é, e suas irmãs provavelmente estão mortas. Então não olhe para mim com essa carinha. Podia ser pior...
A criança fez cara de choro. Mesmo não querendo algo dentro da russa fez com que ela parasse o carro para acariciar a criança.
–Não olhe para mim assim. – ordenou em um tom de voz tão amedrontador que Anna começou a chorar. — Você vai ter uma vida melhor e eu vou ter dinheiro para fugir para um lugar seguro. Todos sairão ganhando no fim das contas. Mesmo que seus pais estejam vivos, o plano de “fazer justiça” já foi por água a baixo e suas irmãs já foram para o espaço. Acabou. Ao menos para nós, colega.
Retornou ao volante e o trajeto de duas horas até a Escócia estendeu-se á quatro devido as trocas de fraldas de Anna e os ataques nervosos da motorista por ter que realizar a função. Mesmo sentindo certa culpa (mesmo que negasse para si mesma!), a espiã estava decidida.
Pegou o bebê conforto com a pequena Rogers, colocou óculos escuros e seguiu por uma longa avenida a pé até encontrar a casa que procurava.
Bateu na porta.
Ann a fitava com certa admiração e estranhamento... Afinal quem era aquela que havia salvado e gritado com ela durante o último dia? Onde estava a mamãe? E as minhas cópias? O que houve com aquele cara bobão que falava engraçado e que pedia que eu repetisse “papai”?
–Vai ficar tudo bem. – Nat sentia-se obrigada a dizer isso à menina, mesmo sabendo que esta não entendia. – No fundo você é até uma menina bacana. Não é das piores bebês...
A porta se abriu interrompendo a conversa unilateral. Um homem alto de belos olhos claros a fitou estarrecido.
–Natasha?
– Oi Ivan. Preciso, bem, precisamos da sua ajuda. – corrigiu olhando para a criança. – Posso entrar?
O sujeito estava chocado frente a porta e precisou de um tempo para dizer:
–Sim, entre.
A russa não pode deixar de reparar na bagunça que a casa de Ivan Smirnov se encontrava.
–Nossa parece que caiu uma bomba atômica aqui. Onde está a Anastásia?
O cara bufou visivelmente incomodado.
–Os negócios andam ruins, não estamos conseguindo traficar absolutamente nada. Nós brigamos e ela foi para a Croácia. Culpa sua e de seus amiguinhos. – acusou – Por causa de vocês a Interpol esta atenta a tudo e todos, vocês foderam com o esquema de muita gente. Por falar nisso, o que diabos você está fazendo aqui e de quem é esse bebê?
–Essa é Anna Rogers...
–Rogers? – ele a cortou perplexo — Rogers do tipo filha de Steve Rogers?
Ela concordou com a cabeça, sentando-se em um sofá.
–E o que a filha do Capitão América está fazendo com você? – continuou ele – E o que..
–Quer parar de me fazer perguntas? Porra, eu estava falando e você interrompeu. – a ruiva se revoltou – O négocio é que os pais dessa pestinha, como você já deve ter visto pela TV, estavam com planos de fazer a limpa na SHIELD e tudo mais. O problema é que fomos pegos em Liverpool, a maior parte foi presa e o Rogers e a Chan sumiram. O Barton pra salvar essa... Essa vaquinha aqui... – apontou irritada a menina –... Se entregou para a polícia e disse para que eu a mantivesse em segurança.
–E porque você está aqui? Ainda não ficou claro para mim.
–Eu não tenho muita paciência.
–Oh jura? – Ivan ironizou
Romanoff deu de ombros.
–Estou farta de fazer a coisa certa, não sou assim. Sem contar que passei dois anos tentando fazer a coisa certa e não aconteceu porra nenhuma. Alias aconteceu... Estou sendo procurada pelos persas de novo e ainda tenho que ser babá. Quero acabar com isso de uma vez, voltar para a Rússia e trabalhar para alguém de lá.
–E o que tenho a ver com isso²?
–Preciso de dinheiro e não posso levar um bebê comigo. Trouxe a Anna para você transformá-la em dinheiro... A gente divide o lucro.
Smirnov franziu o cenho estupefato.
–Quê? Você quer que eu venda a filha do Capitão América? É isso, eu entendi direito? – questionou pausadamente
–Sim. – retrucou serena.
–Tá maluca? Tem ideia do que vai acontecer comigo se o Capitão América descobrir que eu VENDI A FILHA DELE? Ele vai me matar! NÃO, NATASHA! NÃO! Eu não vou vender essa criança. – se revoltou com a ideia maluca da colega.
Natasha se levantou para tentar acalmar o cidadão. Ele a repeliu.
–Ele não vai saber que ela foi vendida! – replicou gesticulando de forma exagera com os braços– Eu direi que ela morreu. Não será tão difícil assim de acreditar. Você vende essa diaba, nós dividimos o dinheiro e eu sumo no mundo. Se me encontrarem eu direi que ela morreu atingida em um confronto e que eu desisti dessa ideia toda.
–Mas, e o Clint? Você me disse que ele se entregou para salvar essa menina. – relembrou.
A ruiva coçou a cabeça. Droga! Havia se esquecido de Clint., pensou.
–Er... Ela morreu para todo mundo, não? –usou de humor negro – Ah Smirnov, faça-me o favor! Você já vendeu tantas crianças...
–Vendi, no passado. – rebateu – Eu não faço mais isso. Eu mudei...
–Mudou o caralho! – Romanoff estava começando a se estressar com o falso pudor – Para com isso, Ivan, você não me engana. Sei que sabe de alguém que queira comprá-la.
Momento de silêncio no local. Ivan estava pensativo, Natasha ansiosa. Anna não tinha ideia de como corria perigo nas mãos dos dois.
–Não é a questão de vender um bebê... O problema é que o pai do bebê é o Capitão América. – esclareceu – Esse cara é foda, ele vai me arregaçar se...
–Se algo der errado eu sofrerei as consequências. – cortou-o – Agora deixe de frescura. Diga-me quanto podemos conseguir com ela.
Smirnov deu uma olhada melhor no produto a ser comercializado.
–Quanto tempo ela tem?
–Dois meses. Tinham outras duas, acredita? Mas, foram pegas... Sempre quis vender essas joiazinhas.
–Trigêmeas? – se surpreendeu – Porra ficaríamos milionários se tivéssemos as três e tempo para comercializar.
–Merda. – a mulher lamentou a ausência de Flora e Olívia – Bom, mas agora, na pressa, e só a Anna... Quanto dá pra tirar?
Ele parou para pensar, tentando lembrar-se de alguém interessando em uma recém-nascida branca com olhos azuis.
–Na pressa acho que conseguimos uns 300, 400 mil.
–Pra fugir está bom. Em quanto tempo consegue o dinheiro?
–Espere um pouco aí que preciso dar uns telefonemas.
Ivan se afastou. Natasha e Anna ficaram sozinhas. No impulso a nórdica pegou a menina no colo. A.J se escondeu debaixo dos cabelos ruivos da mulher, sentindo-se segura. Pela primeira vez na vida a russa sorriu verdadeiramente para uma criança.
–Eu realmente não quero nada de mal para você. –afirmou, a voz carregada por algum tipo de sentimento que a mesma não sabia definir – Você... Desculpe-me Anna, me desculpe.
O outro russo se estagnou metros das duas moças que estavam maternalmente abraçadas. Ivan não sabia o que pensar diante da cena. Romanoff ninava a pequena com carinho. Era bizarro ver a monstrenga tão doce.
Resolveu soltar um pigarreio. Assustada, a garota colocou o bebê de volta a sua cadeirinha reestabelecendo sua postura inexpressiva e cruel.
–Natasha você tem certeza que quer fazer isso?
–Lógico! – bradou agressivamente – Alguma vez já me viu mudar de ideia?
–Não é que eu achei que você e a bebê...
–Foda-se o que você achou. – interrompeu-o irritada – Conseguiu alguém?
Mesmo contrariado, Smirnov resolveu dar de ombros e seguir a diante com a negociação.
–Deu sorte... Tem um casal asiático querendo uma filha de qualquer jeito. Pagam U$$ 600.000 por uma loirinha.
–Excelente! Quando virão buscá-la?
– Amanhã às 20h. Fecho o negócio? Lembrando que ela é filha do...
–Se ela fosse filha do Batman e quisessem me pagar seiscentas mil pratas por ela, mesmo assim eu venderia. – encerrou o assunto.
–Certo, que assim seja.
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24 HORAS DEPOIS
Sem Anna e com muito, muito dinheiro Natasha Romanoff dirigia-se ao carro para seguir seu rumo. Sem rumo.
–Vai para onde agora? – Ivan se debruçou sobre a janela do veículo.
Ela bufou.
–Não sei... Acho que Rússia. De lá vou esperar sair algo sobre a prisão do pessoal e tentar tirar o Barton dessa enrascada. Com o Barton, bom, não será difícil arrumar um “emprego”.
Smirnov ainda estava cabreiro e meio arrependido com a negociação da criança.
–E se descobrirem que...
– Anna morreu, entenda isso! – conclamou nervosa. Lembrar da criatura a deixava aflita. – Seu corpo foi enterrado em algum lugar da floresta que cerca o Reino Unido. Não há como desconfiar.
Ele concordou com a cabeça. A motorista ia disparar com o veículo, mas o outro a deteve.
–Sabe, eu realmente tinha parado de traficar pessoas. – resolveu deixar claro – Isso é... Terrível.
–Caguei para a sua consciência. Adeus, Ivan.
E lá se foi ela, para sabe-se Deus onde. Na Escócia ficou o traficante que nunca esteve tão arrependido e preocupado. Porem, nada podia fazer. As regras eram claras. Além do mais para todos os efeitos Anna estava morta e milhares de dólares em sua conta.
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GUANTÁNAMO – CUBA
No chão de uma cela úmida, fria e compacta, Dominika, Skye e Beth continuavam presas e aflitas.
–Já faz uma hora que Isa saiu daqui. –a caribenha evidenciou seus pensamentos– Para onde será que a levaram? Será que...
–Nem ouse completar essa frase! – bradou Beth – Ela ficará bem O que me preocupa é o destino das filhas dela.
–Ou o destino do Capitão. –acrescentou Skye – A Cavalaria está atrás dele, então ainda existe esperança.
–Cavalaria? O exército?
Skye riu alto.
–Não, Srta. Ross. Cavalaria= Melinda May, uma agente fodona que trabalha com a gente e foi a única que conseguiu fugir. Provavelmente ela está tentando achar o Rogers para invadir isso aqui.
A luz da esperança voltou a brilhar nos olhos de Domi.
–Então quer dizer que ela sabe que estamos em Cuba? Acho que esse é nosso maior problema, porque Steve ficou na Inglaterra. Estamos do outro lado do mundo.
Pensar que a única pessoa capaz de tirá-las dali estava do outro lado do oceano aumentou o nervosismo de todo mundo. A hacker resolveu quebrar o silêncio angustiante.
–A Melinda sabe que estamos aqui, acalmem-se. Ela viu esses soldados broxas comentarem quando nos prenderam. –xingou os soldados lançando um olhar satânico a um deles que fazia a vigia.
Domi mordeu os lábios levantando-se e sacudindo grades, como se apenas a força de vontade fosse o suficiente para transformá-la em cinzas.
–Foi pra cá que trouxeram a Rafaela. E agora ninguém sabe onde ela está. – um soluço rasgou sua garganta – Eu perguntei para três soldados e eles só riem.
–Quem é Rafaela? – as outras duas se interessaram pela história.
–Rafaela é minha amiga que foi junto comigo para...
Alguns militares abriram as grades interrompendo a explicação da morena. Junto com eles uma senhora de pouco mais de cinquenta anos era arrastada violentamente. Um dos capatazes lançava um olhar malicioso a Dominika que por instinto direcionou-se a outra extremidade da cela.
–Companhia para as princesas. – zombou ele.
A senhora foi arremessada contra o chão e Beth a ajudou a levantar enquanto os carcereiros fechavam a cela.
–Está tudo bem com a senhora? – preocupou-se a médica
–Está sim... Quem é você? – a outra estava arredia.
– Elizabeth Ross e estas são Dominika Martinez e Skye. – apresentou a todas. – E a senhora?
A mulher fitava os soldados com ódio.
–Que vontade de dar uma surra nesses veados. – rosnou – Sou Elisa, Elisa Wollscheid.
–WOLLSCHEID? – todas gritaram em uníssono – Você é a mãe da...
–Isadora! –ela completou em um sorriso – Vocês sabem onde está a minha menina? Ela está aqui?
As garotas se entreolharam aflitas.
–É... Ela está aqui sim, mas...
– Sharon, a filha da puta que nos prendeu, disse que estava com as meninas e ela ficou nervosa. – Skye completou a frase de Beth – E a loira aguada a levou daqui.
Elisa suspirou aliviada por meio segundo por saber que a filha estava próxima, mas logo se apavorou novamente.
–Como assim a levaram daqui?
–Ela foi... Foi ver as meninas. – ponderou Domi. A morena achou melhor não dizer “Ah a sua filha foi para sala da justiçatortura”.
Vai que a velha tem um treco!, pensou.
– Que meninas? –a mãe de Isadora quis saber
–Ui! – exclamou Domi esboçando uma careta – A senhora não... É a senhora não tem a menor ideia de quem elas sejam né?
A mulher negou com a cabeça.
–Espera ela não sabe que a Isa teve...
–Shi! – abafou Beth em pânico. – Não, ela não sabe Skye.
A garota teve uma crise de risos. Elisa estava achando aquilo estranhíssimo.
–O que é que vocês estão tentando esconder de mim? Aconte-te... Aconteceu alguma coisa com a minha filha?
–Não, Sra. Wollscheid, Isadora está bem. – tranquilizou-a Beth – Quer dizer, quando saiu daqui estava.
–Desculpe, mas a quanto tempo a senhora não vê a sua filha? – investigou Skye.
–Vai fazer dois anos este mês. –informou Elisa – A última vez que a vi, Isa estava indo com Brian passar o aniversário do Estevão no estrangeiro.
–Estevão? –Domi ergueu uma sobrancelha – Enfim, isso não importa no momento. O négocio é que tem algumas coisas que... Bem, é que é... É...É...hm...
A viúva de seu Miguel deu um pescotapa na sujeita.
–Para de enrolar, menina! – resmungou – Por que vocês estão com essas caras? O que aconteceu de tão grave nesse tempo fora as coisas que estão saindo na TV?
Minutos de silêncio no local. Ninguém ali sabia como dizer “Bem, a sua filha teve trigêmeas.” Ou “parabéns vovó”.
Beth resolveu dizer de uma vez.
–Já chega disso.
–Ótimo! –a senhora agradeceu – Desembucha moça.
Ross vacilou Domi a empurrou para frente como quem diz “agora fala, filha da mãe”.
–Isadora teve um bebê. – soltou
–Um bebê? –Skye e Elisa disseram juntas, embora o tom de voz da aspirante a agente da SHIELD fosse de deboche e o de Elisa pânico.
–Como assim... Espe-Espera eu sou avó? – desesperou-se.
–Sim... Parabéns... Eu acho. – felicitou a médica cabreira – Mas, tem uma coisa não é só...
–COMO ASSIM EU SOU AVÓ? – a mulher estava em choque – O que passa na cabeça da Isadora... Vaca! Eu sou muito nova para ser avó! Isadora é muito nova para ser mãe! Como isso foi... Eu vou meter a mão na cara da Isadora... Ô carcereiro! – chamou um sujeito – Vem aqui seu filho de uma égua!
–Dona Elisa não faz...
–Quieta! –a vovó brigou – Quieta que eu preciso dar uma coça na minha filha... Ô CARCEREIRO!
Domi a arrastou para longe das grades a força.
–Nós ainda não terminamos de explicar a história...
–O que falta mais? –ela estava histérica – O que falta mais, hein? Vai dizer o que, que a palhaça da minha filha além de quase me matar do coração se infiltrando no meio de gringos mafiosos e ainda me arrumar um neto, esse neto ainda é do Brian?
–Não, não é do Brian! – Martinez explicou tentando manter a mulher calma – Eles terminaram poucos dias depois de chegarem à Nova Iorque, ela me contou tudo. Isa e Steve estão namorando há um ano e meio.
A viúva ficou menos tensa por um breve minuto.
–Ao menos arrumou um homem bonito, vou ter um neto bonito. É bonita a criança?
As moças sorriram bobamente.
–São umas gracinhas! Eu as vi quando de relance pouco antes de vir para cá. – anunciou Skye
–Espera aí. – Wollscheid pegou algo estranho no ar – Você disse que são umas gracinhas? Pelo amor de Deus não me diga que são gêmeos.
–Então, era aí que eu queria chegar...
–São gêmeos! – Elisa nem esperou a guatemalteca terminar a frase. – Ah Isadora! Ah Isadora! Ela vai se ver comigo... Ô CARCEREIROOOO!
–Não chama eles! – ralhou Beth — Eles são perigosos...
Dessa vez Elizabeth mesmo resolveu parar de falar ao perceber que nada ia fazer a outra parar de gritar pelo carcereiro.
–O que a senhora quer? – perguntou um deles, muito mal-humorado — Tá querendo levar uns tapas na cara, minha senhora?
– Não seu desalmado. Eu estou querendo saber onde é que está minha filha.
O soldado gargalhou junto à outra.
–Aí essa aqui é a mãe da vítima da Carter. – comentou com outro. – E quer saber onde está a filha... Minha senhora vai tomar no cú vai.
A sujeita estava prestes a dar uma sapatada na cara dele.
–Tem respeito não, hein? Tem mãe não?
Os capatazes riam sem parar até que um homem negro e caolho se aproximou colocando ordem no recinto.
–O que está acontecendo de tão engraçado aqui, soldados? – Fury quis saber
–Nada, senhor.
–Tá acontecendo sim. – contrastou a dama – Quero saber onde está minha filha.
–Ué não está aí nesta cela? – estranhou Nick – Guardas onde está a outra Wollscheid?
Um deles, cujo crachá exibia a patente de Sargento James, resolveu se pronunciar:
–Agente 13 levou-a para a sala da justiça, senhor.
–Agente 13 o que? – agora o chefe estava realmente enraivecido – Quem ela pensa que é para desacatar minhas ordens?
–Não sei, senhor. – retrucou o subordinado em posição.
–Onde está minha filha? – insistia Elisa — Onde está o Estevão?
Nick fitou-a com desprezo.
–Fica na sua velha. Ou você vai para a Sala da Justiça.
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#Isadora
Para mim pareceu uma eternidade, mas sei que foram só algumas dezenas de minutos. Dois brutamontes me seguravam pelos braços e aquela, que outrora define como uma pessoa bacanérrima despejava sobre mim chutes, pontapés, socos, tapas e acusações de ter destruído sua família com Steve. Acusava-me de ter roubado as filhas dela, de ter feito a cabeça de Steve contra ela. Nunca apanhei tanto... E sem nenhuma chance de defesa.
Depois de um tempo (quando eu já não tinha mais força para lutar) Carter mandou que os guardas me largassem. O chão veio de encontro a mim como um porrete, batendo num dos ombros e numa das faces. Respirei aliviada, embora com certa dificuldade devido aos ferimentos no nariz (acho que quebrei. Dói muito.), pensando que minha sina tinha acabado.
Mirei o olhar para cima tentando ver quem me rodeava rindo.
–Olhe Avery, como essa malvada que te roubou de mim está agora. Olhe filha, olhe! – Sharon desfilava ao meu redor com minha pequena Florinha, a quem havia rebatizado de Avery. Flora chorava. Eu sabia que ela me reconhecia. – Não chore meu bem, ela não irá te fazer mal.
–Cadê a Olívia? – minha voz saiu tão “bela” quanto a de um bêbado, mas eu precisava saber onde estava minha filha.
A loira riu.
–Alicenne está de castigo. Chorou muito noite passada, nem pude dormir direito. Avery é mais calminha, não é Avery? – brincou com a Flora.
Lili está de castigo? Ai meu Deus! Meu choro transformou-se em gemidos quando a lágrima salgada caiu sobre os cortes em meu rosto. Não consegui dizer mais nada... Tudo doía. Jogada no chão, pude ver impotente, quando ela entregou minha plantinha a Tarleton.
E então ela voltou correndo e descarregou sobre mim mais uma saraivada de chutes e acabei rolando pelo chão sem querer. Provavelmente escorreguei em meu próprio sangue. As coisas começaram a tremeluzir a minha frente quando um novo chute acertou minhas costelas, deixando ali uma grande onda de dor. E continuou, e continuou... e ela continuou me lembrando de que eu merecia estar ali.
Após algum tempo, quando mal podia sentir dor, só consegui ver tudo desenrolar a cima do meu corpo estilhaçado. Tudo foi ficando embaçado e dentro da minha mente lembranças dos últimos anos me atingiam como um raio. Steve, Anna, Flora, Olívia... Minha mãe... Domi... Todo mundo. Será que tudo foi em vão? Talvez Carter esteja certa. Talvez eu não mereça Steve e as plantinhas... Talvez eu tenha, indiretamente, matado meu pai.
Talvez eu mereça estar aqui.
–O que você está fazendo? Eu dei ordens bem claras a você Sharon, saia de perto dela... Ela precisa estar inteira... PORRA SHARON!! – a voz de alguém interrompeu a pancadaria. Não reconheci quem era a voz parecia o fim de uma música... Distante, vaga. – Tarleton leve-a para a enfermaria... Precisamos dela inteira. Carter vá para minha sala, agora.
Alguém me arrancou do chão de forma agressiva e uma dor inimaginável tomou conta de todo o meu ser. Desisti de lutar. Entreguei-me ao meu terrível destino tanto quanto uma ovelha se entrega á seu abatedor.
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#Steve
Andamos por um dia inteiro. Estávamos prestes a cruzar a fronteira da Grã-Bretanha com o País de Gales e até então não tínhamos descoberto nada.
–Fique calmo, Capitão. – Xiaoli tentou me tranquilizar. – Em Gales tem uma base militar, podemos verificar os computadores.
Por falar em Xiaoli, ela está se mostrando ser uma pessoa incrível mesmo. Isa com certeza vai amá-la. Doce, engraçada, inteligente e me trata de um jeito muito especial. Especial, está é a palavra que define Xiaoli.
–Obrigado.
–Pelo quê? – quis saber.
–Nestes dois dias que, enfim, que tudo desmoronou você tem me ajudado a manter o foco. Obrigado, Chan. Sem você acho que já tinha surtado.
Ela sorriu antes de me abraçar. Achei aquilo estranho, aquele abraço durou um período loooongo demais. Foi desconfortável.
–Bem, você disse que estava a fim de um cara. – mudei o assunto enquanto andávamos – O que ele está achando disso tudo, de você nessa situação? Vocês se falaram depois que seu nome começou a estampar o caderno policial?
A chinesa abaixou a cabeça, um pouco constrangida.
–Ele... Bem... Está passando pelo mesmo.
–Sério? – me surpreendi – Caramba, em que país? Talvez possamos nos unir a ele... Quanto mais gente melhor.
Xiaoli barrou minha passagem, colocando-se frente a mim com a expressão tensa e nervosa.
–Acontece que ele já está com a gente.
Vish, ela se apaixonou pelo Sam! Ou pelo Barton, ou seria o Bruce? Com certeza é o Bruce, eles passaram mais tempo juntos. Fiz uma careta solidaria.
–Poxa... Que coisa.
–Já sabe quem é?

–É... Eu tenho uma ideia mais ou menos de quem seja. Banner? – dei o meu palpite
–Banner? – repetiu em uma gargalhada – Não... Claro que não.
Dei de ombros.
–Então não tenho ideia.
–Capitão esse cara é...
Um estrondo vindo de uma árvore atrás da chinesa cortou a revelação. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa uma mulher a pegou como refém, apontando uma arma para sua cabeça. Eu poderia facilmente tirar Xiaoli dessa, mas não sem ferir a agressora. E a agressora era uma mulher. Eu jamais faria isso com uma mulher, mesmo ela merecendo.
–Epa! –ponderei – Calma, abaixa essa arma.
–Ainda está com o Coulson? Ela está com o Coulson? – apontou a refém.
–Sim. – respondi arredio – Quem você seria?
–Melinda May. – respondeu libertando Chan – Desculpe o transtorno, mas todo cuidado é pouco.
–Ah claro, Melinda May! – me lembrei – O que está fazendo aqui?
–Coulson foi pego. –passei a mão pelo rosto, histérico. – Todos os agentes vinculados ao Phil foram mandados para Guantánamo e os que faziam guarda da mãe da Isadora foram mortos.
–Ai meu Deus! – pânico era o meu segundo nome – Dona Elisa está bem? Isadora e os outros foram para Guantánamo?
–Pelas barbas do profeta! — a outra também estava agoniada – Se foram para a base de Cuba, não estão em segurança. Tudo acontece naquele lugar!
Respira... Inspira... Respira... Inspira. Vai dar tudo certo, não se apavore Steve.
–Estou te caçando há quase quarenta e oito horas para podermos ir para lá.
–Precisamos de um avião.
–Não Capitão, avião nós temos, o que precisamos é de um plano de ataque. – Melinda me corrigiu.
–E o plano é? – apressou-me a outra moça.
Tive que rir ao responder aquela mesma frase dita por Tony Stark. Mas, não tinha jeito, o plano era simples. O plano era...
–Atacar.
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