Aimer

4 Pensar em algo feliz


— Ma,ma, mas como assim? – Ágata estava sentada na sala do Sr. Quíron não acreditando no que tinha ouvido.
— É isso mesmo, você é uma semideusa.
— Mas como você sabe? Isso nem existe! Minha amiga Claire vivia falando disso mas era tudo baboseira...
— Não, não é. – Sr. Quíron, auto se interrompeu e continuou: — Você sabe o que são semideuses, não é?
— Claro! Não são os filhos de Deuses com humanos?
— Exato. Os Deuses tem uma certa mania de... se envolver com os humanos quando também vem em forma humana para a terra e acaba deixando herdeiros.
— E o que eu tenho haver com isso? – Ágata já estava nervosa.
— Tudo! Você hipnotizou aquela garota, já tinha feito isso antes?
— Eu o que? – Ela estava realmente confusa.
— Hipnotizou! Isso é muito comum entre os filhos de... – O professor ficou mudo por um instante. — Os filhos dela.
— Dela quem professor? Meu Deus do céu, só eu que não to entendendo nada que o senhor ta falando?
— Afrodite! – Falou o Sr. Quíron num tom mais alto. – Ou vai dizer que você nunca deixou alguém “enfeitiçado” só de olhar pra você? Vai dizer também que nunca convenceu qualquer pessoa a fazer o que você queria?
— Eu... – Ágata não sabia o que falar, isso realmente acontecia. Ela estava sem ação e só queria saber como é que ele sabia disso. — Mas como é que você sabe disso?
— Filhos de Afrodite são assim, super legais, carinhosos, amorosos e muito bons com as palavras. Mas tem um problema serio de medo. Medo de demonstrar emoções e na maioria das vezes isso acarreta egoísmo e narcisismo extremo. Sabe dar um fora de deixar qualquer um no chão, esnoba, humilha mas no fundo tem um coração mole e quer saber, eu acho que eles fazem tudo isso porque é uma forma de...
— Se defender. – Interrompeu Ágata. – Se defender das pessoas que você não sabe se confia ou não, das más intenções, do amor que dizem que tem por você, mas na verdade só querem brincar com seus sentimentos. Eu tenho muito medo de me entregar cem por cento á alguém, me abrir totalmente com ela e depois me ferrar.
— Você é realmente filha dela. – Sr. Quíron abriu um sorriso. Ele logo mudou a expressão para outra, uma de preocupação.
— O que foi? – Ágata perguntou percebendo a mudança no rosto dele.
— Você não tem outra mãe? – Ágata arregalou os olhos numa expressão de surpresa.
— Então, ela não é minha mãe de verdade!
— Presumo isso. – Sr. Quíron levou a mão no queixo.
— Eu já tinha a ouvido falar algo relativo á não ser minha mãe, mas deixei pra lá.Na minha cabeça seria impossível ela não ser minha mãe.
— Vá pra casa, converse com ela. Logo depois ligue para sua amiga Claire e peça pra ela lhe levar pra “aquele lugar”. — Ele foi saindo da sala rolando as rodas de sua cadeira de roda afora.
— Mas eu não falo com a Claire a dois dias e que “aquele lugar” é esse?
— Não tenho tempo pra explicar.

Ágata foi pra casa confusa. Quando chegou lá, Samantha estava na mesa de jantar almoçando.


— E então dona Madonna? Porque você não me contou?- Samantha fez uma cara que não estava entendendo nada. — E não adianta fazer a desentendida não, porque você sabe muito bem que não é minha mãe. – Samanta olhou pra ela como quem não tinha mais nada a esconder.
— Pois bem, quer saber a verdade? Então ta. Seu pai chegou com você nos braços aqui em casa há 15 anos, disse que tinha te adotado. Achei estranho porque foi de uma hora pra outra e ninguém do conselho veio ver nossa rotina, nossa casa, colhe informações. Estava apaixonada então aceitei. Mas depois deu um tempo, achei uma carta de uma mulher chamada Brenda. Na carta tinha declarações de amor e era cheia de desculpas, lembro que a ultima frase foi “Não posso ficar com a nossa filha, me desculpe.’’, então te criei. Pronto, essa é a verdade. Se quiser outra versão da história, pergunte ao seu pai.

Ágata estava com o olho cheio de lágrimas, mas não se permitiu deixar escorrer nenhuma. Samantha voltou a comer como se nada tivesse acontecido e ela subiu pro seu quarto. Ela se olhou no espelho, seu rosto estava vermelho e amassado, como se alguém tivesse acabado de apertá-lo contra as mãos. Ela respirou,enxugou as lágrimas e abriu sua bolsa. Tirou o estojo de maquiagem Lancôme e começou a retocar a maquiagem cantando Edith Piaf e ajeitou o cabelo.

— Está tudo bem, eu sou linda. Sou auto-confiante e tenho tudo que quero. – Ela repetiu isso umas 4 vezes. Seu telefone tocou, era Claire. — Onde é que você se meteu sua louca? Tava que nem uma desesperada atrás de você!
— Desculpa amiga, tive que sair de perto de você por algumas horas. E aí? Já ta pronta?
— Eu sempre estou pronta. Pra onde você vai me levar? O Sr. Quíron disse algo sobre você me levar pra aquele lugar. O que é isso, Claire?
— Ok, jajá eu te explico. Arruma uma bolsa com algumas roupas suas. Me encontra na frente da McDonald’s da sua esquina.
— Tá ok. Aonde você está? – Ela já tinha desligado.

Pegou a primeira bolsa grande qualquer viu pela frente e colocou algumas roupas, que de qualquer não tinha nada pois era uma Gucci. Olhou para o seu quarto, todo arrumado, fechou os olhos e imaginou algo feliz. Observou o quadro em cima de sua cama que tinha escrito o seguinte:

“Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas e começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Shakespeare.”


Desceu as escadas, colocou um óculos escuro e abriu a porta, Samantha estava do outro lado da sala, foi quando Ágata ouviu:

— Aonde você vai? – Ela respirou e pensou em algo feliz, fazia isso toda vez que não sabia o que fazer ou falar. Sorriu e disse:
— Acho que vou ser quem realmente sou.

Entre matar ou morrer os filhos de Afrodite sempre escolhe os dois. Morrer com todo o passado e matar o que os atrasam.

Notas finais
Assim começa a verdadeira história. Estão prontos? xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.