Aimer
1 O Despertar
Estava chovendo, e ela não sabia o porquê de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Cantava Carla Bruni, “Dolce Francia”, enquanto penteava seus cabelos meio loiros meio ruivos, não sabia onde nem quando tinha aprendido a falar e pronunciar francês tão bem, mas continuava a cantar até que sua mãe bateu na porta.
— Ágata, minha filha, Claire está aqui fora lhe esperando.
Claire era a melhor amiga de Ágata Mitchell desde seus 6 anos de idade, quando se conheceram no primário. Brincavam de atirar grampo de cabelo nos meninos pra chamar atenção deles quando criança, apesar de que Ágata nunca tinha precisado usar de algum artifício pra tomar atenção de algum menino, de ninguém na verdade.
— Manda ela entrar, mãe! Até parece que ela é visita. — Gritou.
Claire entrou correndo com seu par vermelho de Vans, sua calça jeans colada, camisa com os seguintes dizeres “Don’t trust in the bitch” até o começo do joelho, seus óculos de grau Ray-Ban e seu cabelo mel com as pontas azuis presos num rabo de cavalo.
— O Robert acabou de me mandar um sms dizendo que quer que eu leve você na festa dele hoje de noite. Eaí?
Robert Charlton era o menino mais rico da escola e que sempre foi afim da Ágata, ela sabia disso, porém não gostava muito da idéia de ficar com menininhos populares e depois sair tarjada de “aproveitadora”. Todos os meninos sentiam atração por ela e era coisa séria. Uma vez num jogo de verdade ou conseqüência, Grover Underwood,um garoto que vivia de muletas confessou que “Ela é a coisa mais linda que já vi” com os olhos brilhando logo após que foi perguntado “O que você acha da Ágata?”. Ele e seu amigo inseparável Percy Jackson haviam sumido do colégio e ela mais nunca os vira.
— Ah não Claire! – Ela se levantou e abriu sua gaveta procurando por algo. — To cansada de ser alvo de comentários quando vou nessas festas.
As duas se entreolharam em um olhar de cumplicidade e começaram a gargalhar.
— Mas é Claro que eu vou! Acha que perco essa? Preciso encontrar só meu... Aqui! – Puxou um CD do Glee, colocou a faixa “Ice Ice Baby” no repeat e começou a gritar dançando. — Vamos Claire, nós somos a Britney Spears agora! Imite-a no X-Factor!
Claire riu, e sentou na cama e também soltou sua pérola:
— Não, vou ficar aqui fazendo cosplay da Demi Lovato só batendo palma.
Ela não era muita de “Aparecer”. As duas foram para o closet de Ágata e começaram a escolher uma roupa pra ela, ainda dançando no ritmo da música. Era uma cena engraçada, cada uma de um lado do cômodo mostrando uma peça de roupa para outra, se alguma gostasse ou não faria sinal de “sim” ou “não” com a cabeça e também estavam fazendo isso no ritmo da música.
A sra. Mitchell entrou no quarto gritando:
— O CD travou nessa música ou o que? Por Deus! Mudem isso! – Ela se deparou com dois meninos bisbilhotando pela janela do quarto. Eram os irmãos gêmeos Josh e Louis Hitter, dois garotos com quase 16 anos de idade que “disputavam pelo amor” de sua filha. Ágata não sabia o nome de nenhum dos dois, os chamava de “Mary-Kate e Ashley” fazendo referência as famosas norte-americanas irmãs Olsen . Elas duas voltaram ao quarto pra tirar a música quando deu de cara com sua mãe jogando os saltos-altos de Ágata pela janela para expulsar os garotos de lá.
— MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE! Não machuque Mary e Ash! Elas vão embora! – Olhou pela janela e fez sinal de “Xispa” com a mão pra os garotos. Ela gostava deles, na verdade ela gostava de platéia.
Claire tirou a música, sua mãe saiu da janela com uma fisionomia intrigada e soltou:
— Mary e Ash? Mas eles são meninos, não são?
Ágata tirou a mãe do quarto empurrando-a divagar, dando tapinhas, enquanto repetia “são, são”, e fechou a porta. Claire olhou pra ela de novo e perguntou:
— Pronta pra arrasar os corações hoje a noite?
Ágata sentou na cama e confessou:
— Sabe Claire, as vezes é chato saber que você é tão bonita que as pessoas só te querem por dizer que ta ficando com uma pessoa bonita. Eu queria alguém pra dividir as coisas, conversar, rir, trocar carinho. É Complicado, eu sei. E fico até com vergonha de dizer isso.
Seus olhos verdes-azulados brilhavam com a luz solar que entrava no quarto. Seus lábios delicados e bem desenhados abriram para dar espaço a língua que umedecera-os. Claire fichou-a, ficou parada em sua frente e disse:
— Achei que você nunca fosse sair do seu mundo de princesa, até que fim os Deuses ouviram minhas preces!
— Você e essas histórias de deuses,não é?
Claire a abraçou e sussurrou:
— Agora você está começando a entender sua realidade.
Realmente, ela estava só começando.
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