Ai To Hokori
5 Dificuldades e surpresas
Notas iniciais
Os dias passaram rapidamente, dias estes que se tornaram semanas e Sesshoumaru ainda estava preso, nas fronteiras, muitos youkais estavam invadindo a região a idéia principal do Lorde das Terras do Oeste era retornar ao castelo alguns dias depois, todavia, muitas baixas ocorreram em seu exército, o general estava resistindo bem, junto de alguns poucos homens que mais pareciam serem feitos de aço, pois todas as investidas se tornavam frustradas contra aquele grupo, Yoshitora havia enviado alguns homens e comparecido pessoalmente ao campo de batalha, não puderam fazer a reunião, pois a guerra assolava não só a região de Sesshoumaru, mas também as Terras do Leste. Noticias catastróficas chegaram ao forte montado debilmente para tentar diminuir as baixas.
- Lorde Sesshoumaru. — Kyosuke fazia uma breve reverência, olhando diretamente para o Lorde que permanecia quieto, observando alguns mapas e algumas táticas de batalha em que estivera trabalhando a noite inteira.
- Kyosuke, envie seus homens para tentarem conter as invasões que estão ocorrendo no lado norte do rio, mandei que alguns homens fossem lá ontem de madrugada verificar o local e até agora ninguém retornou. - Sibilou o Lorde ligeiramente abatido, já fazia quase dois meses que ele estivera preso naquele maldito buraco, estava ficando demasiadamente irritado.
- Sesshoumaru! - Chamou o general, fazendo com que o Lorde o encarasse furioso. - Escute, tive noticias do Leste, Lorde Yoshitora está de cama, ele foi atingido na batalha, pela gravidade dos ferimentos talvez ele não dure até amanhã. — Concluiu, vendo Sesshoumaru franzir o cenho, era fato que não gostava daquele homem, mas dentre todos os aliados, ele era o mais velho, o mais experiente. Estiveram de acordo desde a época que InuTaishou era o Lorde das Terras do Oeste, aquela noticia foi como um balde de água fria. Do jeito que as coisas estavam indo poderia até perder as terras do pai.
- Isso é impossível! — Bateu sobre a pequena mesa, causando uma rachadura na mesma. - Mudança de planos, envie seus homens para o Leste, vá, quero que verifique o que está acontecendo. Amidamaru está agindo rápido demais, assim não vai dar... E o Sul? Não obtivemos respostas de Kanemaru? — O Lorde andava de um lado para o outro, aquela postura altiva de outrora, parecia escoar água abaixo diante das noticias, ele iria perder? Não! Nem que tivesse que se enfiar nas malditas Terras do Norte e arrancar a cabeça de Amidamaru com as próprias mãos, maldito youkai aranha! Pensava, enquanto esperava uma resposta de Kyosuke que parecia tentar argumentar e arrumar uma forma de explicar a situação sem tira-lo do sério. - Oras, Kyosuke, fale de vez! Não enrole.
- Sesshoumaru, escute, Kanemaru não respondeu ao chamado, ele não enviou absolutamente nada como resposta. Fontes seguras indicam que ele tem tido reuniões com Amidamaru, ele parece querer se aliar ao Norte, mas... Yoshitora, é amigo de longa data de Kanemaru, talvez se você se apressar com casamento ele... — Revirou os olhos, ao perceber que Sesshoumaru erguia a mão pedindo que ele parasse.
- Não vou me casar! Mesmo porque Yoshitora está morrendo, não? Que diabos de vantagem eu teria com um mediador morto? — Encarou o general que parecia estar tendo um surto de nervos.
- Escute! Por isso mesmo, Sesshoumaru, se você for agora para o Leste, casar com a garota, você ficara no comando dos exércitos de Yoshitora, não se faça de tolo, vai me dizer que prefere perder suas terras por causa de uma humana? - Gritou o outro, chamando a atenção do Inuyoukai, ele aproximou-se de forma tão rápida que o outro nem teve chance de defender-se, viu-se erguido, enquanto as garras do Lorde cresciam consideravelmente quase perfurando a carne do pescoço dele. O veneno escorria, pingando na armadura e no chão que ao toque daquelas gotas esverdeadas tornava-se imediatamente uma pequena cratera, infértil.
- Não ouse dizer nada! Esse assunto não é de sua alçada! — Empurrou com força o general, destruindo parte do local onde se encontravam, ele levantou-se ainda irritado, pensou em rebater, todavia, apenas suspirou, cansado.
- Partiremos agora mesmo, Lorde Sesshoumaru. - Fez uma pequena reverência, sumindo das vistas do youkai branco.
- Rin-nee... - Shiro balbuciava preocupado, já fazia quase um mês que Rin tivera aqueles enjôos, logo quando voltou das Terras do Oeste, a garota andava esquisita, evitava sair muito, tentava de qualquer forma fugir das investidas de Kohaku e o assunto ‘casamento’ se tornara proibido naquela casa. Ele ajudava a garota, que se levantava com tonturas novamente aquela manhã.
- Você está bem? — Segurava as mãos da ‘irmã’ que estavam mais geladas que o normal.
- Hai, hai, não se preocupe, Shiro-kun. — Forçava um sorriso, sentia-se péssima, desde que retornava do castelo de Sesshoumaru, as regras não vinham, tinha enjôos e coisas do tipo, apesar de ser ainda inexperiente, sabia muito bem o que aquilo significava, afinal, estivera ao lado de Sango e Kagome durante cinco anos, elas comentavam como era incomodo os enjôos matinais durante a gravidez.
Estava pálida, abatida, pois não andava se alimentando direito e se perguntava como andava Sesshoumaru, ele nem ao menos se dignou a procurá-la. - Já vai passar, né... Vamos sair um pouco? — Puxava o pequeno pela mão, saindo de dentro da cabana, mais tarde falaria com Kagome e Sango e se as suspeitas fossem confirmadas daria a noticia à Kohaku, diria que não iria se casar, pois ela estava esperando um filho de Sesshoumaru. Sentiu um friozinho na espinha, céus, como diria aquilo? Depois dele ter confiado nela, depois de ter lhe dedicado amor incondicional.
- Rin-nee, você está com fome? — O hanyou sorria, InuYasha e Kagome estavam logo adiante, pareciam um pouco exaltados, Rin não conseguia escutar absolutamente nada, mas Shiro identificava parte da conversa, Kagome estava irritada, dizendo a InuYasha que ele precisava ir até as Terras do Oeste, pois Rin provavelmente estaria esperando um filho. Ela não era boba, desde os primeiros sinais já tivera a certeza do que se tratava.
- Rin-chan, meu tio... — Ele olhou para a expressão entristecida da garota.
- Ele... Bom, eu já ouvi várias coisas sobre ele, mas você, você gosta dele não? - O garoto de apenas cinco anos notou um sorriso fraco se delinear no canto dos lábios da humana, era óbvio até para ele, que era uma criança.
- Eu acho que você Rin-nee, deveria ir até lá e...
- Não, Shiro-kun, está tudo bem, eu quero ficar aqui. — Forçou um outro sorriso, vendo uma expressão de raiva se formar na face do garotinho.
- Demo, Rin-nee, você não pode continuar assim! Você quase não come, vive passando mal então eu acho que a mamãe está certa! O papai deve ir até lá e exigir que aquele homem assuma o hanyo que você carrega! — Ele apontou para a barriga da ‘irmã’ que se encolheu, como ele sabia? Isso era impossível! InuYasha a encarava de forma indecifrável, enquanto ela, caminhava calmamente até onde os amigos se encontravam, Kagome sorria, enquanto Shiro ainda olhava-a acusatoriamente.
- Feh, pirralho, não se meta! - InuYasha olhou-o com superioridade que ele fez questão de ignorar, soltou-se das mãos de Rin e ficou do lado da mãe que olhava InuYasha muito irritada.
- Você... - O garoto começou, enquanto o pai arqueava a sobrancelha. - É um idiota! — Sibilou, escondendo-se nas costas da mãe, que gritava um sutil ‘Senta’ para o hanyo mais velho. Aquilo já se tornara rotina, ele se divertia com a expressão de raiva contida do pai que sempre se levantava furioso, retirando o excesso de poeira das roupas avermelhadas.
- Shiro, pode ir brincar um pouco? — Kagome sorriu gentilmente, passando as mãos sobre os cabelos longos do filho, ele assim como InuYasha optara por deixar as madeixas crescerem.
- Hai, mas mamãe, tente convencer a Rin-nee a deixar esse orgulho de lado, ela deveria ficar ao lado do meu tio agora. — Ele olhou com frieza, passando por ambas, ele era teimoso, ciumento, mas era um bom garoto.
Ele apenas queria o bem da pequena, pois ali ele era aceito por todos, mas sempre que saiam da vila por algum motivo, as pessoas o olhavam com desprezo, afinal, era filho de um youkai, imaginou que Rin teria muitas dificuldades para criar um filho hanyou, principalmente sem um pai.
- Rin-chan, me conte o que aconteceu entre você e Sesshoumaru. — Kagome olho-a seriamente, enquanto entregava algumas frutas para que ela se alimentasse. Naquele período era bastante complicado, principalmente por ela ser humana, a gravidez era algo bem mais complicado para mãe humanas.
Ela comeu algumas frutas, um pouco desgostosa, não queria discutir, não queria contar nada, mas a situação não poderia ser pior, era óbvio que estava grávida e logo a barriga começaria a aparecer e todos iriam fazer comentários.
- Kagome-chan, eu... Eu fui até lá com a intenção de dizer ‘adeus’, mas Sesshoumaru-sama, ele disse que não aceitava minha decisão, disse que eu não podia me casar. - Ponderou, enquanto comia mais uma fruta.
- Bem, ele nunca me disse que me faria esposa dele ou coisa do tipo, mas me disse que se sentia triste, que me queria ao lado dele, então eu acabei me deixando levar e eu me entreguei a ele. Tudo poderia ser diferente se eu tivesse me negado ou se ele não tivesse mentido pra mim. — Lágrimas começaram a escorrer pela face rubra da garota, ela se sentia envergonhada, humilhada. Relaxou ao sentir os braços de Kagome envolvendo-a num abraço maternal.
- Continue, Rin, desabafe. — Kagome incentivou, enquanto alisava os longos cabelos da garota.
- Sesshoumaru-sama, ele tem uma esposa, Kagome-chan! Ele mentiu pra mim, ele me disse que me queria, mas então ele sumiu sem dar explicações, Jaken-sama me disse que ele tinha ido até as fronteiras, algo como uma invasão, não sei... Então aquela youkai apareceu, Lady das Terras do Oeste, foi isso que ela me disse. Tão bonita, com uma estrutura altiva e severa como Sesshoumaru-sama, então ela me disse que era vergonhoso uma humana como eu estar ali, vestindo kimonos da nobreza e coisas do tipo. Então eu fugi, Sango-chan me prometeu que não ia contar nada... E ela me disse que talvez fosse mentira, que eu deveria ter calma e que Sesshoumaru-sama viria atrás de mim, que ele viria me explicar e me levar com ele, mas já fazem dois meses, Kagome-chan! Ele não veio, ele nem se quer se incomodou em vir me explicar nada! — Chorava, chorava ainda mais, sentindo o chão faltar, sentiu os braços de Kagome ampará-la, quase desabou, chorando ainda mais.
- Rin-chan, tenha calma, você não pode ficar nervosa desse jeito, isso fará mal ao seu bebê. — Kagome, tentava, pacientemente acalmar a morena, que ainda chorava, mas agora tentava se conter, afinal, amava aquela criança. Mesmo que Sesshoumaru não a quisesse, mesmo que ele a rejeitasse, não queria machucar aquela criança, pois aquela era a prova que aquele dia existiu, mesmo que fosse difícil e humilhante, ainda sim queria aquele bebê.
- Kagome-chan... O que direi ao Kohaku-kun? Como posso explicar isso a ele? — Levantou-se com a ajuda de Kagome que a encarava penalizada, de fato seria uma longa jornada pela frente, muito provável que Kohaku não quisesse entender ou perdoar Rin, afinal, ele fora traído.
- Eu te ajudo, certo? Hoje, chame Kohaku para vir jantar conosco, eu ajudo você a contar. — Sorriu, notando uma chama de esperança nascer nos orbes amendoados da garota. — Agora venha, vamos preparar o almoço, você tem dormido bastante, Rin-chan, precisa se cuidar melhor! Se alimentar melhor, afinal. — Tocava o ventre da garota, arranco um leve sorriso da mesma. — O seu bebê precisa de bastante cuidado, não é? — Ambas se retiraram dali, conversando animadamente.
- Miroku! — Gritou um InuYasha impaciente, enquanto o monge saia devagar de dentro de casa, acompanhado de Sango, que trazia um cesto de roupas. — Já era tempo, hein? Eu estou aqui te chamando faz duas horas!
- InuYasha, não seja exagerado. - O monge se espreguiçou, enquanto a mulher repousava o cesto sobre o chão, observando ambos. O tempo fora gentil com todos ali, viviam em uma época de paz e agora todos estavam felizes e relaxados.
- Kagome quer que eu vá até o castelo de Sesshoumaru. - O hanyou suspirou, coçando a cabeça. — Vem comigo? — Pediu com cara de cachorro sem dono, arrancando um riso de Miroku.
- Oras, você me pedindo um favor? Que engraçado! — O monge riu, notando uma veia saltar na cabeça do hanyou.
- Feh! Não precisa vir então! — Ele deu as costas, cruzando os braços, emburrado como uma criança, Sango suspirou.
- Ele vai com você! — Sango disse com um leve sorriso no canto dos lábios, que se desmanchou ao sentir a mão boba do monge em sua bunda, deu um tapa na cara do mesmo encarando-o com cara de poucos amigos.
- Seu... Ora, seu... Tarado! Você não muda! — Gritou, enquanto o marido sorria, um sentimento nostálgico tomava conta do corpo do humano que abraçava Sango de forma delicada e dava um leve beijo sobre os lábios da esposa.
- Sangozinha, não fique brava! Já que eu vou ter que ir, eu queria me despedir de você. — Ela suspirou, vencida, enquanto a garotinha de oito anos saia de dentro de casa, seguida pelos dois mais novos.
- Papai onde você vai? — Perguntou Yuki, um pouco chateada, odiava as viagens do pai, era muito apegada a ele, apesar de ser a mais velha parecia ser a caçula quando estava com ele. Soltou as mãos dos irmãos e correu até Miroku, abraçando-o.
- Papai precisa viajar com o tio InuYasha, mas dentro de alguns dias o papai está de volta, ok? Seja uma boa menina e cuide da casa. — Alisou os cabelos castanhos da menina. - E vocês também... - Se aproximou, abraçando os filhos, InuYasha voltou para casa, despediu-se também da família. Limitando-se a acariciar os cabelos de Shiro, que insistia que aquele tipo de demonstração de carinho era desnecessária.
O dia correu calmamente, Rin fizera como Kagome havia aconselhado, convidou Kohaku e a família de Sango para jantar, no fim das contas as crianças já estavam dormindo, Sango e Kagome se sentaram próximos a ambos esperando que Rin começasse a contar.
- O que foi? - Kohaku perguntou confuso, enquanto as três se entreolhavam, Rin deixou um suspiro escapar, capturando a atenção do caçador. - O que foi, Rin-chan? — Ele sorriu.
- Bom... Eu... — Ela abaixou a cabeça, extremamente envergonhada. - Eu tenho uma coisa para te contar, mas... Antes de mais nada eu gostaria que soubesse que eu te considero muito, Kohaku-kun, eu realmente fico feliz em ter um amigo como você. - Ela sentiu as lágrimas querendo sair, mas segurou, tinha que se manter forte, pois dali pra frente teria que cuidar não só dela, mas de uma criança que estava por vir.
- Ei, o que é isso? Eu sou seu noivo! Não gosto quando você me trata como um amigo de infância, Rin-chan. — Ele sorriu, um pouco desgostoso com a situação. — É sobre o casamento? - Ele falou, agora sério e um pouco magoado. Fazia exatamente dois meses que tentava tocar no assunto ‘casamento’ e a morena sempre fugia do assunto ou dizia que estava indisposta demais para conversar sobre qualquer coisa.
- Kohaku, deixe a Rin-chan falar! — Sango disse um pouco enérgica, ganhando um olhar reprovador do mais novo. Ele odiava quando ela se metia na vida dele, principalmente quando usava tom de ordem, afinal, não eram mais crianças.
- Sim, também tem a ver com o casamento. — Rin chamava a atenção de todos. — Sesshoumaru-sama... - Ela sussurrou, enquanto o ‘noivo’ arqueava uma sobrancelha. — Sesshoumaru-sama foi alguém muito especial na minha vida, você sabe, Kohaku-kun, e eu... - Ela ergueu a face, com um sorriso triste expresso ali.
- Diga logo! Desde que voltou você anda distante, não me contou nada sobre a conversa que tiveram, vai me dizer que ele voltou atrás? Oras, e você ainda tem a cara de pau de aceitar as ‘migalhas’ que ele te oferece? — Exaltou-se, praticamente berrando, Sango beliscou o irmão, indicando para ele falar mais baixo, pois haviam crianças no recinto, ele revirou os olhos, encarando uma Rin magoada.
- Não é isso! — Ela murmurou. — Em partes você tem razão, eu sou uma idiota mesmo! Porque eu acreditei, eu escutei as promessas vazias de Sesshoumaru-sama, acreditei nelas cegamente e por causa disso eu estou do jeito que estou, mas Kohaku-kun, não se esqueça que eu voltei como prometi, mesmo que agora eu esteja aqui tentando cancelar nosso compromisso, eu realmente me sinto péssima pelo que fiz, embora eu não me arrependa de certa forma. — Ela encarou o noivo que cerrava os punhos, irritado.
- O que diabos você fez, Rin? — Ele voltou a se exaltar, dessa vez ninguém disse nada ou repreendeu-o pela atitude.
- Naquele dia, eu conversei com Sesshoumaru-sama, nós dois dissemos tudo que tínhamos a dizer um para o outro e então eu... Eu me entreguei a ele! — Ela chorava, não ousava erguer a cabeça, notando que ele não dizia nada continuou. - E agora eu estou esperando uma criança... Eu estou grávida! - Dessa vez ela ergueu a face encarando um Kohaku que nunca imaginou existir, ele não gritou, não disse absolutamente nada, continuava olhando-o enquanto uma chama de ódio parecia queimar nos olhos dele.
Fez menção em dizer alguma coisa, mas foi surpreendida por tapa, ele ergueu a mão rapidamente, desferindo um tapa que fez a menina cair sob o chão, com uma expressão de surpresa sem igual, um filete de sangue escorria pelo canto do rosto da mesma, enquanto a marca avermelhada marcava aquela pele delicada.
- Você... Sua descarada, era isso que você queria? Serviria qualquer um não é? Qualquer um, menos o idiota do Kohaku, esse imbecil que ficou cinco anos agüentando você chorar por causa de um cão sarnento, mas nem ele, Rin, nem ele quis você... Só serviu por uma noite, porque você não passa de uma cadela, uma maldita traidora! Como se atreveu a deitar-se com ele sendo minha noiva? O que você pensa que eu sou? — Ele gritou, levantando-se rapidamente, praticamente se jogando em cima de Rin, que recuava assustada, Sango segurou os braços dele, por trás, enquanto Kagome se atirou sobre as pernas de Rin, que permanecia petrificada diante daquela atitude.
- Me solte! Onee-chan, me solte ou não respondo por mim! — Gritou Kohaku, tomado por uma raiva crescente.
- Já chega! — Shiro levantou-se de súbito e ficou frente a mãe e Rin. - Você, dê o fora daqui! Como se atreve a bater na Rin-nee? — Gritou o hanyou, cerrando os punhos, ele era pequeno, não tinha tanta força, talvez nem conseguisse defender-se de Kohaku, mas jamais permitiria que ele batesse em sua adorada ‘irmã’.
- Não se intrometa, você não tem nada a ver com isso, pirralho! - Kohaku encarou o garotinho que estreitava os olhos, ainda mantendo-se na frente da mãe e de Rin.
- Você não pode! Ela não deve nada para você, Kohaku! — Sango disse, ainda tentando imobilizar o irmão. - Por favor, você sempre soube, ela nunca prometeu que te amaria, você sabe melhor do que ninguém que esse casamento não deveria acontecer, Kohaku, você conseguiria suportar viver ao lado dela sabendo que ela estaria pensando em outro? Acorde, você não é mais uma criança, isso está sendo mais difícil para ela do que para você! Ela aceitou se casar, porque você de alguma forma induziu ela a chegar nessa decisão, é algo que ela pensou graças a você e não uma decisão tomada de coração, Kohaku, acorde! — Sacudiu o mais novo, praticamente montada nas costas dele que tentava livrar-se daquele ‘abraço’ para ir pra cima de Rin, porém ao escutar aquelas palavras ele sorriu, um sorriso de escárnio, relaxou o corpo e olhou atentamente para Rin que ainda tremia, com lágrimas nos olhos.
- Certo... ‘Rin-chan’, meus parabéns! Agora você vai colocar um bastardo no mundo! Espero que você seja bem ‘feliz’, essa aberraçãozinha que você carrega, nem mesmo o pai dessa coisa vai querer ele, mas é muito interessante... A situação. HAHAHA! Hilária! Uma cadela, esperando um cãozinho sarnento, meus parabéns! — Sibilou, venenoso, notando Kagome virar o rosto decepcionada, afinal, ‘aberração’ queria dizer que Shiro também era uma, que InuYasha, aquele que ela tanto amava também era uma. Sendo que em momento algum eles desistiram de buscar por ele, em momento algum machucaram o garoto, mesmo sabendo que seria mil vezes mais simples matar aquele garoto e pegar o fragmento, mas ela tentou ignorar, afinal, Sango era sua amiga e ele estava nervoso. Shiro olhava-o com desprezo, enquanto ele ainda parecia rir sozinho, enlouquecido pela fúria momentânea.
- Fora daqui! — Shiro disse mais uma vez, aproximando-se de Kohaku e puxando-o para fora, porém o humano livrou-se das mãos pequeninas e então saiu dali, mas não antes de sorrir de maneira maldosa para Rin que ainda parecia petrificada diante da atitude dele.
- Rin-nee você está bem? — Shiro encarou a expressão destruída de Rin, ela não dissera absolutamente nada, pois sabia o quão magoado Kohaku ficaria, sabia o quão terrível fora sua atitude e que nada, nem mesmo o fato de amar Sesshoumaru acima de tudo justificava aquela traição, mas ainda sim, ainda sim esperou que talvez ele pudesse entende-la, que pudesse perdoá-la, mesmo que demorasse, mas nunca, jamais esperou que ele a fosse ofender tanto, que fosse ofender Kagome, pois sabia que para a garota ouvir aquelas coisas terríveis era muito cruel, pois assim como ela Kagome também escolhera juntar-se à um youkai. Mesmo Shiro, um garoto tão pequeno entendia o que aquilo significava, chorou, um choro mudo, sofreu, escondendo o rosto ainda dolorido com ambas as mãos e tudo que ela mais desejou naquele momento foi que Sesshoumaru estivesse bem, almejou secretamente que ele viesse buscá-la, que viesse tira-la dali o mais rápido possível.
Três semanas haviam se passado, InuYasha e Miroku alcançaram o castelo, todavia, depararam-se com uma surpresa tamanha, Sesshoumaru não estivera ali, Jaken havia explicado a situação, explicado que Sayuri era de fato ‘noiva’ de Sesshoumaru, mas não tinham absolutamente nada. O Lorde recusaria a união na reunião que teriam, mas as batalhas nas fronteiras impediram que tal reunião acontecesse e que ela, fizera por crueldade aquela revelação errônea para Rin. InuYasha retirou-se dali, um pouco incomodado, estava disposto a arrastar Sesshoumaru para o vilarejo se fosse necessário, mas não imaginou descobrir que ele era de fato inocente e que tudo não passava de uma tolice.
- InuYasha, veja. — Miroku apontou para uma floresta fechada, podia sentir o miasma que irradiava dali, era um monge afinal, InuYasha torceu o nariz, o cheiro forte de sangue e morte invadiu-lhe os sentidos, assim como a energia maligna que ansiava por mais sangue. Ambos adentraram a floresta, InuYasha com a Tessaiga em mãos.
- Kukuku, mais dois, mais dois cadáveres — Uma risada esganiçada que feria os ouvidos do hanyou ecoou pela floresta, fazendo-o recuar alguns passos, analisando o terreno. Um sorriso vitorioso e extremamente irritante tomou conta do semblante do mesmo.
- Feh! Que fracote! Eu esperava algo melhorzinho para iniciar o dia, mas... FERIDA DO VENTO! - Empunhou a espada que fora do pai, um furação surgira dali, um soque de energias, destruição e poeira por todos os cantos, não restava mais nada, os corpos dos oponentes caíram inertes na frente do hanyou que passou por cima deles como se fossem ‘nada’.
- InuYasha-sama! — Uma voz conhecida invadia os tímpanos do hanyou, ele olhava em volta do próprio corpo, procurando, até que por fim dava um tapa na própria testa, estendia a mão, segurando a pequena pulga youkai entre os dedos.
- Myoga! - Sorriu, ainda apertando a pulga, um sorriso maldoso que o fazia sentir-se bem, afinal, há tempos não via a velha pulga.
- InuYasha-sama, por favor, não me aperte mais. — Uma expressão sôfrega e por fim era solto, ainda encarando o meio-youkai.
- Sesshoumaru-sama, ele está logo ali. — A pulga indicou o caminho ainda mais devastado, InuYasha suspirou, achando incrível a pulga estar na região.
- E você ainda está aqui? Mesmo sabendo do perigo? — Arqueou a sobrancelha, encarando a pulga que revirava os olhos, estava pronto para fugir, mas foi pego de surpresa pelo hanyou.
- Bem, InuYasha-sama, eu vim, porque Yoshitora-sama faleceu! Ele era um velho amigo do seu pai, eu vim até aqui para avisar ao Sesshoumaru-sama, os Lordes do Sul, Leste e Oeste sempre tiveram uma boa amizade, até Sesshoumaru-sama entrar no lugar de InuTaishou-sama, bom você sabe, ele é um pouco irritante quando quer. — A pulga sussurrou, temendo que o outro pudesse escutar e acabasse com a raça dele. — Yoshitora-sama me pediu que viesse dizer para Sesshoumaru-sama que ele deveria retornar, desposar Lady Sayuri e assumir a liderança dos exércitos do Leste, mas ele simplesmente pisou em mim e nem me deu ouvidos! — Balançou a cabeça pensativo, imaginando os motivos do Lorde, claro que ele o faria por gosto, mas ainda sim ele parecia ostentar um brilho diferente no olhar, estava mais maduro, menos grosseiro que na maioria das vezes em que o viu.
- Ahhh... Eu estou cansado disso! Vamos, Miroku, vamos tentar ajudar aquele idiota! — InuYasha tomou a frente, correndo rapidamente pela floresta, logo encontrou uma cena nada agradável, mais um cenário de batalha, corpos para todos os lados, o cheiro estava insuportável.
- InuYasha... - A voz fria chamou a atenção do hanyou que apenas sorriu, irônico é claro.
- Sesshoumaru! Por que será que toda vez que te encontro você está metido em confusão? — Fez uma pose irritante na opinião do Lorde, que simplesmente ignorou, olhando para o ombro do meio-irmão, a pulga se encolhia.
- O que você quer? — Exclamou já sem paciência, a armadura estava parcialmente destruída e tinha muito sangue espalhado nas vestes do Inuyoukai, o hanyou pensou em dizer algumas palavras em tom de preocupação, mas deixou de lado.
- Yoshitora está morto! Ao menos é isso que o Myoga disse, eu acho que você tem que voltar e... - Deu um passo para trás, evitando as garras venenosas do irmão. - O que é que você está fazendo? — Rosnou, encarando o outro avançar novamente, evitou o golpe, mas não rápido o suficiente, um corte aparecia no semblante de InuYasha que se afastava irritado. - Espera!
- Não se meta nos meus assuntos! — Sesshoumaru avisou, já segurando a Bakusaiga.
- Pare! Eu não vim aqui para te lembrar sobre seu casamento! Eu só vim aqui para trazer noticias da Rin! — Exclamou um InuYasha irritado, enquanto o outro voltava a guardar a espada.
- Rin? O que você quer dizer? Ela não está no castelo? — Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas, enquanto olhava em volta procurando Kyosuke que ainda pouco estava com ele, mas pareceu desaparecer como fumaça.
- Você... Nossa, você está atrasado hein? - Relaxou, se aproximando um pouco mais do meio-irmão. — Ela voltou para vila naquele mesmo dia, bom, isso é algo que vocês precisam resolver, mas vou te adiantar duas coisinhas. Primeiro, sua noiva encontrou com ela e colocou ela para fora e segundo, Rin está esperando um filho seu! Está ouvindo, Sesshoumaru? — O outro chamava, mas Sesshoumaru apenas encarava-o, pela primeira vez na vida InuYasha pôde notar uma expressão de surpresa na face do irmão, ele riria se não fosse um assunto tão sério.
- O que disse? - Ele olhou atentamente para a expressão do hanyou, procurando alguma hesitação ou alguma prova de que aquilo fosse alguma mentira, mas não encontrou nada, apenas um sorriso irônico e uma face surpresa pela mudança que ele tivera na própria face.
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