Aham, é amor
13 Uma conversa divertida e descontraída
PERCY (Point of View)
Se eu estava bolado por que a Annabeth não deixou o momento rolar e eu não consegui beijá-la? Claro que estava. Nós estávamos muito próximos! Se eu tivesse agido com mais rapidez...
Mas eu não posso culpa-la. A Annabeth não é desse tipo de garota dada, vadia, que beija qualquer um que não conhece. Não. Ela é diferente. Ela é especial. Nós somos só vizinhos, ainda nem nos conhecemos direito. E mesmo estando bolado, eu não conseguia me irritar com ela.
Nós andávamos lado à lado, indo em direção ao quiosque, onde meus amigos estavam. Mas... Espera. Onde fica o quiosque mesmo?
Ótimo. Eu não faço ideia de onde seja o quiosque. E uma multidão de pessoas bêbadas dançantes à nossa frente não facilitava a tarefa de ter que procurar o tal quiosque. É sério, tinha muita gente ali. O pátio da mansão, que ficava à frente da mesma, estava completamente lotado. Acho que deviam caber umas cinco mil pessoas naquele lugar, ou mais. Não tinha um local pra ficar sentado, apenas curtindo a festa ao lado de uma garota, e ouvindo a música. Não que seja conhecido por todos.
Peguei na mão esquerda da Annabeth, puxando-a mais pra perto de mim. Senti uma espécie de hesitação da parte dela. Desculpe Annabeth, mas isso foi uma ação necessária. Ou não.
– Não quero te perder no meio de toda essa gente. – falei em seu ouvido esquerdo. Ela não fez nenhum movimento inicialmente, mas depois de alguns segundos assentiu.
À medida que andávamos, mais difícil ficava transitar naquele lugar. Não existe um limite de pessoas para uma festa? Se existir, essa festa está indo contra essa regra, com certeza.
Continuamos à andar, e depois de mais alguns metros olhando fixamente para frente e pensando no porquê eu nasci tão idiota, eu notei uma construção esverdeada à uns quarenta metros de distância de nós. Só podia ser ali. O quiosque só podia ser ali.
– Annabeth... – falei, eu seu ouvido novamente. Ela pareceu tremer após ouvir.
– O-oi Percy. – ela respondeu.
– Vem. – apertei a mão dela, e puxei-a comigo para o meio da multidão.
Depois de alguns minutos de aperto e sufoco no meio de toda aquela gente, nós finalmente estávamos nos aproximando da tal construção que deveria ser o quiosque. Deveria, por que se não fosse, eu ficaria irritado. Mesmo.
Você deve estar se perguntando: se você já foi em uma das festas dessa sua amiga, por que não sabe onde fica o tal quiosque? E eu te respondo: as festas da Calipso nunca são iguais. Na última festa que eu vim, por exemplo, eu não lembro de uma enorme construção no meio do pátio da mansão. Não me surpreenderia nada se aquilo ali fosse uma espécie de construção desmontável.
Andamos mais alguns metros, em direção ao tal quiosque. Uma boa notícia: quando nos aproximamos mais, eu pensei em ler a enorme placa que estava em cima da tal construção, e ela dizia “QUIOSQUE”. Então, estamos indo mesmo para o quiosque! Todos felizes.
Por que eu não li a tal placa antes? Não sei. Talvez para ficar mais tempo segurando a mão da Annabeth. Mas se bem que eu poderia ficar segurando na mão da Annabeth mesmo sabendo onde é o quiosque e, como eu estou fazendo agora e... Apenas esqueçam.
Pude ver Andrew e Sophia sentados à uma das mesas ao redor do tal quiosque, e do lado da Sophia tinha uma garota morena. Quando andamos mais alguns passos, notei que a tal garota morena que estava ao lado da namorada do Andrew era a Piper. E o cara que estava ao lado da Piper era o Jason. E do lado do Jason, estava o Nico, que já aparentava estar bem “alegre”.
Vocês devem estar pensando: “nossa, vocês não vão chegar no tal quiosque não? Já andaram tanto! Vocês estão andando mesmo?” Sim, nós estamos andando. A prova disso é que depois de mais alguns passos, finalmente chegamos na mesa onde meus amigos estavam.
– E aí, seus fracos. – falei, atraindo a atenção deles. Andrew sorriu maliciosamente ao olhar para mim, e ver a garota que estava ao meu lado. Os outros apenas olhavam de mim para aminha princesa, como se não soubessem que eu traria uma garota para a festa. Não os culpo, eu nunca levo garota nenhuma para as festas da Calipso. Ou melhor, nunca levo garota pra festa nenhuma. Vou sozinho, para conhecer as garotas. É... Eu estou mudado mesmo.
– E aí, Percy! – Andrew falou, erguendo a mão como cumprimento. Bati de volta.
– E aí, pessoal. – falei, sorrindo. Em seguida, olhei para Annabeth – Essa é a Annabeth.
– Olá Annabeth! – disse Sophia.
– ANNABETH? – alguém que eu ainda não havia notado na mesa falou. Mas... Como assim alguém que estava na mesa falou, e eu não vi essa pessoa? Eu já estou bêbado? Mas eu acho que nem bebi ainda... Ou bebi? Melhor, quem sou eu? Onde eu estou? – Anw, esse nome é tão lindinho!
Eu olhei para trás e espantei todos aqueles pensamentos. Eu não estava bêbado, nem nada do tipo, e sei que meu nome é Perseu.
É MESMO? SEMPRE ACHEI QUE VOCÊ ERA O PETER, DO HOMEM ARANHA. – desnecessário.
Continuando, a pessoa que havia falado não estava na mesa. Era a Silena, e estava atrás de nós.
Vi que a Annabeth apenas sorriu quando Silena sentou-se numa das cadeiras livres.
– Obrigada. – a garota loira ao meu lado falou, para a outra loira.
– Eu sou a Silena, Annabeth. – falou a loira. Não a minha loira. A outra loira. – Aquela é a Sophia, namorada do Andrew. Do lado dela está a Piper, e seu namorado, o Jason. Aquele do lado do Jason é o Nico. – a garota apontou para todos da mesa enquanto dizia o nome deles. Piper e Sophia sorriram, simpáticas. Os caras apenas assentiram, também sorrindo – No balcão, estão o Frank e a Hazel. – e foi graças à Silena que eu percebi que a Hazel e o Frank também estavam ali.
– Prazer. – todos falaram, quando Silena terminou a apresentação.
– O prazer é todo meu. – Annabeth falou, sorrindo.
Vendo que ainda estávamos em pé, puxei a cadeira que estava livre ao lado de Silena para Annabeth sentar. E ela o fez. Todos deram alguns risinhos e murmuraram algo quando eu fiz isso. Notei que o Andrew olhou para mim, ainda sorrindo de forma maliciosa. Apenas neguei com a cabeça.
– Então, Annabeth... – a Silena começou. Aí vem besteira... – O que você é do Percy?
– Ah, somos só amigos. – falou a minha garota, olhando para mim. Olha, ela ainda não sabe que é minha. Mas do jeito que as coisas estão... É, não estou mais tão certo disso, o que é triste... – Eu e minha família nos mudamos para o mesmo condomínio do Percy ontem. Somos vizinhos.
Sério, doeu quando eu ouvi a Annabeth dizer que éramos só amigos, e vizinhos. Nós dormimos juntos, mulher! Não somos só isso!
Nossa, eu estou apaixonado mesmo. Não consigo pensar na Annabeth apenas como amiga... Mas e se ela não quiser nada comigo? E aí, pra foder de vez, eu lembrei que há pouco ela rejeitou um beijo meu. Ótimo, então somos só amigos.
E VIZINHOS. – mais uma vez, desnecessário.
Beleza. Valeu, amigão. A Annabeth e eu somos só amigos, e vizinhos. Ótimo. Legal mesmo.
– Esse Percy é um sortudo mesmo. – disse Nico, o “alegre”. Olhei mortalmente para ele – Só arranja vizinhas legais.
– Não liga pra ele, Annabeth. – falou Sophia – Ele já bebeu algumas...
– Algumas? – Nico falou – Eu tomei só uma haha, tomei só uma... – e quando pensávamos que ele iria parar... Ele continuou... — Uma só...
É, o idiota do Nico estava mesmo “alegre”.
– Annabeth, você quer alguma coisa pra beber? – perguntei, olhando para ela.
– Hm, não... – ela estava sem jeito.
– Ora, vamos! – insisti – É só uma bebida!
– Tudo bem, um chá gelado, Percy. – ela respondeu.
– Sério? – perguntou o Jason, olhando pra minha princesa – Você não bebe álcool? – Annabeth apenas negou com a cabeça.
É, PERSEU... SE VOCÊ TINHA UM PLANO PARA EMBRIAGAR A LOIRINHA, NÃO PODE MAIS REALIZÁ-LO. HAHAHA. – desneces... Espera! Eu não tinha plano nenhum pra embriagar a Annabeth! Não sou desses!
– Tudo bem... – falei – E vocês, querem que eu traga alguma coisa? – eles balançaram a cabeça, negando – Certo... Volto já.
E saí dali, indo até o balcão do quiosque que ficava à apenas cinco metros dali. Chegando lá, pedi o tal chá gelado da Annabeth e uma latinha de Heineken pra mim. Paguei e voltei pra mesa rapidamente, não queria que meus amigos invejosos queimassem meu filme com a Annabeth, dizendo que não presto e sou pegador...
HAHA, FALOU “O PEGADOR”. – novamente, desnecessário.
Quando cheguei na mesa, vi que a Annabeth estava sorrindo. E se divertindo. Pelo menos ela está gostando do papo dos meus amigos. Isso é bom. Ou não.
– Eu não acredito que o Percy fez isso! – Annabeth falava, sorrindo. Só pude ouvir isso quando cheguei à mesa.
– Eu fiz o quê? – perguntei, sentando na cadeira livre ao lado da minha loira, entregando seu chá gelado, e encarando-a.
– Nós estávamos só contando pra Annabeth uns momentos legais que passamos juntos... – disse Andrew. É, fodeu de vez... – Como aquela vez que ficamos bêbados na festa de natal do colégio e você confundiu o duende com o Papai Noel.
– Eu não confundi o duende e o Papai Noel! – falei, irritado – É só que... As fantasias eram parecidas!
– Ah, claro que eram! – disse Jason – A roupa verde do duende e a roupa vermelha do Papai Noel são completamente iguais, Perseu. – ah, santa ironia... – E nós sabemos que você não é daltônico.
E continuamos naquela conversa por muitos minutos. Meus amigos sempre querendo me queimar inventando histórias como a do duende e Papai Noel e...
ELES NÃO INVENTARAM AQUILO. VOCÊ REALMENTE CONFUNDIU UM DUENDE COM O PAPAI NOEL. – se tem algum culpado por confundir algo e alguém é você, seu cérebro idiota! Foi você quem confundiu! E espero que fique calado agora que todos sabem que só sou idiota por sua culpa. – ERRADO. VOCÊ É IDIOTA POR QUE USA SOMENTE 0,000001% DE MIM.
Ah galera, continuando e continuando mesmo... Eu notei que o Luke não estava entre nós, e meus amigos disseram que ele foi no estacionamento com uma moreninha que conheceu na festa, alegando que iria pegar o celular que esqueceu no carro para arquivar o número do celular dela.
– Mas ele enviou uma mensagem de texto para o Percy, e ainda estava aqui no quiosque. – perguntou Nico, e nós estampamos um sorriso no rosto. Será mesmo que ele não sabe o que o Luke e a tal garota foram fazer no estacionamento? – Como ele foi pegar o celular se já estava com ele?
– Ah, caveirinha. – disse Andrew – Você não se liga mesmo nas coisas.
– Como assim se ligar nas coisas? – o “alegre” perguntou irritado – Sério pessoal, diz aí!
É, PERSEU. EXISTE MESMO GENTE MAIS IDIOTA QUE VOCÊ. – eu já sabia disso.
E continuamos com aquela conversa legal e descontraída. Ficamos a noite inteira nos divertindo ali. Bom, quase a noite inteira. Eram aproximadamente umas onze e quinze quando a Annabeth falou que tinha que voltar pra casa, e eu, como a trouxe, fui obrigado à deixar a festa para leva-la de volta até a casa dela. Não que eu tenha achado isso ruim. Pelo menos teríamos a chance de ficarmos um pouco à sós, e falar sobre o tal beijo que quase aconteceu. Se ela quiser, é claro.
Fale com o autor