Aham, é amor
16 Thalia atormenta outra vez
PERCY (Point of View)
Eu não faço ideia de onde tirei coragem para me declarar daquele modo para a Annabeth. Mas com certeza foi a coisa mais certa que fiz com relação à ela desde o sábado passado, quando a conheci.
Juro que pensei que não conseguiria falar tudo aquilo com tamanha facilidade, mas ao vê-la em minha frente com um certo tom de ciúmes em sua voz quando perguntou sobre o buquê de rosas que eu havia comprado, senti que deveria abrir de vez o jogo e falar a verdade.
Ao menos ela sorriu e falou que aquelas foram as palavras mais lindas que alguém já havia dito à ela. E eu fiquei feliz com isso. Depois que entreguei o buquê de rosas vermelhas à Annabeth, conversamos por longos minutos até que voltei para casa e fiquei o resto do dia em cima da minha cama, olhando para o teto e lembrando o sabor doce e delicioso de morangos que senti ao beijar a Annabeth.
Sem prestar atenção no tempo que passava rapidamente, me dei conta que já eram dez e quinze da noite, e que meu sono parecia ter chegado mais cedo naquele dia, talvez por causa do cansaço acumulado. Qual é! Decidir entre um buquê de rosas vermelhas ou brancas para dar para uma garota não é tarefa nada fácil. Pelo menos a Annabeth gostou das rosas vermelhas... E então, em meio aos pensamentos, lembranças e todo o meu cansaço, eu adormeci.
*****
Ao acordar no outro dia, senti uma pontada no peito. Já era terça-feira. Minhas férias estavam chegando ao fim. Daqui há exatos sete dias eu estarei no meu segundo dia de aulas cursando o segundo ano médio. E pra deixar a situação mais reconfortante, eu ficaria mais cinco dias em casa, sozinho, já que minha família decidiu ir ao Brasil e me deixar aqui em Nova York completamente abandonado, sozinho, como já citei antes, e sem ninguém. E não há drama nenhum nessa última frase...
Tá, eu tenho a Annabeth e ela tem a mim. Estamos na mesma situação. Sozinhos em casas separadas, na última semana de férias. Eu tenho que dar um jeito nisso.
Nesse momento, eu continuava despreocupado em cima da minha cama, enquanto quentes raios de sol adentravam meu quarto pela janela de vidro liso da parede à minha direita que estava entreaberta. Porém, segundos depois eu pulei da cama ao ouvir o barulho de algo quebrando lá em baixo, com certeza na cozinha.
E aí eu pensei: pronto, fodeu. Alguém arrombou a porta da minha casa e entrou aqui. Talvez seja um serial killer tentando exterminar minha raça. Eu sempre sonhei com esse dia. Mas em meus sonhos eu tinha armas de fogo poderosas e acabava com todos os inimigos... Coisa que eu não posso fazer no momento.
Andei até o meu guarda-roupas e abri-o, tirando de lá de dentro um taco de basebol. Eu não jogo basebol, mas meu irmão havia me dado esse pedaço de madeira para o caso de zumbis tentassem dominar o mundo.
Tudo bem, a pessoa ou coisa que está lá na cozinha não é um zumbi, mas a situação é semelhante. Quando equipado com meu taco de basebol e com minhas sandálias de praia, abri a porta do meu quarto, atravessei o extenso corredor dos quartos que havia no segundo andar, e cheguei até a escada. Desci-a fazendo o mínimo barulho possível.
E quando eu chego na minha sala de estar, me deparo com uma criatura obscura e tenebrosa sentada no meu sofá, em frente à minha TV. E a tal criatura comia minhas batatinhas fritas e tomava meu refrigerante, enquanto apertava nos botões do meu controle remoto procurando algo para assistir.
Céus, eu não vou conseguir domar essa coisa. Tenho que ligar para o órgão de proteção das criaturas perigosas, se é que esse tal órgão existe, para que eles tirem essa coisa daqui.
– O que foi? – a criatura perguntou – Parece que viu um fantasma.
Mas não, a tal criatura não é um assaltante, um zumbi, ou fantasma ou algo do tipo. Era muito pior, e mais perigosa: a Thalia, que me encarava querendo uma satisfação do motivo pelo qual eu estava observando-a com aquela cara de espanto, enquanto ela levava minhas batatinhas fritas à boca.
Suspirei. Contei de um até dez, calmamente. Suspirei novamente. E suspirei mais uma vez. Deixei o taco de basebol encima da mesa de centro, já que não teria utilidade, ainda... E antes de observá-la de novo, suspirei outra vez. Tomei fôlego.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO NA MINHA CASA? – gritei – COMO VOCÊ ENTROU AQUI!? – a criatura apenas deu de ombros e suspirou após engolir minhas batatinhas fritas e tomar um gole do meu refrigerante – VAMOS, QUERO RESPOSTAS!
– Tia Sally me deu uma chave reserva da casa no dia que saiu de viagem. – ela falou, enquanto tirava mais algumas das minhas batatinhas fritas do saco de batatinhas – Ela queria ter certeza de que a casa não estaria de cabeça para baixo quando voltasse.
– ÓTIMO. COMO VOCÊ JÁ NOTOU, A CASA NÃO ESTÁ DE PONTA CABEÇA OU ALGO DO TIPO. ESTÁ TUDO EM PERFEITAS CONDIÇÕES. – falei, ou melhor, gritei. Ela assentia enquanto mastigava minhas batatinhas fritas... – AGORA VOCÊ JÁ PODE IR.
Tá, eu sei que já falei minhas batatinhas fritas e meu refrigerante muitas vezes. Mas qual é! São minhas batatinhas fritas e o meu refrigerante que eu comprei ontem à tarde, sendo consumidos por uma criatura obscura e tenebrosa! Isso não é certo!
Thalia apenas balançou a cabeça lentamente, negando. Isso sempre me enfurecia. E ela sabia disso.
– E POR QUE VOCÊ NÃO VAI? – gritei mais uma vez, agora questionando-a – ESTÁ TUDO BEM, VOCÊ NÃO ESTÁ VENDO?!
– Sim, está tudo bem... Mas eu prometi à tia que cuidaria do meu priminho que estava com medo de ficar sozinho em casa. – ela falou, forçando um rostinho angelical.
– NÃO ESTOU COM MEDO NENHUM! – gritei... – VOCÊ JÁ PODE IR! VÁ À PRAIA, APROVEITE SEUS ÚLTIMOS DIAS DE FÉRIAS! NÃO PERCA TEMPO COMIGO AQUI! – ela apenas sorriu, ainda sentada no sofá.
– Não, priminho lindo. – minha priminha linda, só que não, falou – Quero ter certeza de que você está bem e vai ficar bem até a hora da volta da tia Sally, do tio Poseidon e do primo Tyson. – suspirei.
– ANTES DE MAIS NADA, O QUE FOI QUE VOCÊ QUEBROU? – questionei lembrando do barulho que ouvi lá de cima. O sorriso do rosto de Thalia desapareceu. Era como se ela pensasse que eu não tivesse notado o barulho de algo sendo destruído pelas garras dela – VAMOS, DIGA!
– Para de gritar! – ela falou, olhando para mim – Não foi nada, só um copo de vidro, tá legal!?
– AH THALIA, VOCÊ SÓ FAZ MERDA! POR QUÊ NÃO VAI VISITAR À ANNABETH E ME DEIXA EM PAZ, HEIN?
– Já falei com a Annabeth antes de vir para cá. – ela disse, continuando à comer minhasbatatinhas fritas...
– E POR QUÊ VOCÊS DUAS NÃO PASSAM O DIA JUNTAS? VÃO NO SHOPPING, DIVIRTAM-SE!
– Sabe que é uma boa ideia? – Thalia perguntou, encarando-me séria – Vou levar a Annabeth numa boate que conheço para ver se ela arruma um namorado... Tá carente, coitada...
Senti meu rosto queimar. Estava totalmente enfurecido. Tudo bem que a Thalia me irritasse e falasse mal de mim, mas insinuar que vai levar a minha Annabeth para boate, pra ela conhecer uns caras? A Thalia não pode fazer isso!
– VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!
– E POR QUÊ NÃO? – ela perguntou no mesmo tom, gritando – VOCÊ NÃO FALOU QUE QUERIA QUE NÓS PASSÁSSEMOS O DIA JUNTAS? PARA QUE EU FICASSE LONGE DE VOCÊ? OU SERÁ QUE VOCÊ TÁ COM CIUMINHO DA SUA NAMORADINHA?
– AH THALIA, VAI SE FODER, TÁ LEGAL? – gritei totalmente enfurecido.
– MAS O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – a minha loira pergunta entrando na minha casa – THALIA? PERCY? VOCÊS JÁ ESTÃO BRIGANDO?
– Ela/ele quem começou! – eu e Thalia gritamos em uníssono, um apontando para o outro – Não, foi você! – mais uma vez, gritamos em uníssono, e nos encaramos enraivecidos.
– Parem com essa discussão tola, crianças. – Annabeth falou, superior.
– QUEM É CRIANÇA AQUI!? – Thalia e eu mais uma vez gritamos em uníssono. Isso já estava ficando irritante. Annabeth apenas suspirou, em desaprovação, balançando a cabeça negativamente.
– Vem Thalia, agora que você já viu que Perseu está bem, vamos lá pra casa. – Annabeth falou, indo até Thalia e pegando na mão dela, puxando-a para fora – Preciso falar com você.
E então, as duas saíram, me deixando sozinho em casa, às dez e vinte e seis da manhã de uma terça feira.
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