Aham, é amor
1 A vizinha nova
Notas iniciais
PERCY (Point of View)
Olá, meu nome é Percy Jackson. Tenho dezesseis anos e vivo com meus pais em um condomínio em Nova York. Ele se chama Poseidon (meu avô era fã de mitologia grega) e ela Sally. Acordei tarde naquele dia ensolarado de verão. Aquela era minha última semana de férias, então decidi aproveitá-la bem. Estava em meu quarto, deitado na cama enquanto assistia séries na TV. Isto é um ótimo jeito para aproveitar os últimos dias de férias, não é? Continuei rindo das palhaçadas do Alan quando ouvi alguém batendo na porta do meu quarto.
– Entre. – falei, apenas.
No mesmo instante,Thalia entra no quarto ofegante.
– Onde você estava? – perguntei, sentando na cama e encarando minha querida prima– Disputando uma maratona, antes de vir para cá?
– Nada engraçado, Perseu. – ela falou, forçando um sorriso.
– O que você quer? Fala logo, tá atrapalhando meu episódio de Two and a Half Man. – falei, e ela debochou.
– Você assiste isto? – ela perguntou apontando o dedo indicador para a TV, com uma cara de nojo.
– Se não gosta, respeita, tá bem!? – gritei e ela sorriu – Vamos, o que você quer?
– É o seguinte. – ela começou a falar, sentando ao meu lado em minha cama – Eu preciso da sua máquina fotográfica.
– Pra que você quer minha...
– Eu vou explicar! Deixa de ser apressado, Perseu! – ela gritou.
– Tá bem...
– Uma amiga minha se mudou para casa da frente. – ela disse.
– Pra casa da frente? – perguntei – Quando?
– Hoje pela manhã. – ela disse – Você ainda não saiu desse quarto hoje, por isso que não sabe o que está acontecendo ao seu redor!
– Cale-se! – falei bravo – Eu não vou te emprestar minha máquina fotográfica! Suma daqui!
– Então... Eu preciso de um cartão de memória emprestado. – disse Thalia calmamente.
– Emprestado?
– Tá bem, eu perdi o meu, estou precisando de outro.
– Por que você não compra um? – perguntei irritado.
– Por que você tem vários, e não estou afim de gastar dinheiro, quando meu lindo priminho pode fazer esse favor pra mim. – ela disse, forçando uma cara angelical, se é que ela era capaz disso.
Ela parece até gente boa pra quem não conhece. Deixe-me explicar: Thalia curtia rock e metal, e pode ser considerada uma garota punk. Usa roupas escuras quase sempre (quase, pois às vezes usava um cinza sem vida também) e parece uma gótica. Então, minha querida prima gótica não se encaixa nos requisitos para ser um anjo, mas continuando...
– Tá bem, eu te dou um. – disse levantando da cama – Quanto mais rápido eu te der o cartão, mais rápido você sai daqui, não é? – ela assentiu.
Andei até a mesa do meu PC e abri uma pequena porta que ficava acima do gabinete, peguei um pequeno adaptador que estava solto, onde dentro se encontrava um cartão de memória, e entreguei à Thalia. Ela beijou minha bochecha, e saiu saltitante do quarto. Sabia que nunca mais veria aquele cartão de dois gigabytes.
Decidi descer e ir à cozinha, já que meu quarto era no segundo andar, e considerando o fato de hoje ser sábado, e eu ainda não havia visto o sol, a não ser pelos raios quentes que entravam no meu quarto pela janela que estava entreaberta.
Quando chego na sala de estar, encontro meu irmão Tyson sentado no sofá, comendo pipoca e assistindo um filme.
– Bom dia, irmão. – falou ele feliz.
– Bom dia, mano. – disse.
Tyson era três anos mais novo que eu, e gostava muito de filmes de ação, especialmente Rambo.
– Você ainda assiste isso? – perguntei apontando para a TV. Ele assentiu como se não se importasse, e continuou vendo o filme, sem dar a mínima para mim.
Fui em direção à cozinha. Quando chego lá, encontro minha mãe cortando cenouras enquanto observava algumas panelas que estavam no fogão.
– Bom dia, mãe. – falei, coçando a cabeça. Ela virou-se para mim e sorriu.
– Bom dia, Percy! – veio até mim e me abraçou – Dormiu bem?
– Sim, melhor impossível. – falei – Que horas são?
– Onze e meia. – ela disse.
– O quê? – falei meio que sem acreditar. Olhei para o relógio, onze e trinta e um agora. Havia perdido praticamente a metade do meu dia, deitado encima duma cama enquanto assistiaTwo and a Half Man. Tudo bem que eu gosto da série e tal, mas eu não queria desperdiçar tanto tempo apenas assistindo. – Onde está o pai?
– Ele foi à sede da empresa, precisaram dele lá. – disse minha mãe, votando a cortar cenouras.
– Mas hoje é sábado. – falei, e ela não deu a mínima para mim.
– Qual o problema, filho? – ela perguntou calmamente – Seu pai é o dono da empresa, e aparentemente ele e alguns sócios iriam fazer uma importante reunião de negócios. Coisa de empresário, Percy. Você precisa entender.
Eu estava um pouco chateado, pois todo sábado após o almoço eu e meu pai jogávamos futebol juntos, isso mesmo, futebol, aquele de correr atrás da bola e chutar para o gol, não aquele outro futebol onde as pessoas quase se matam. Talvez você esteja se perguntando: um americano que não gosta de futebol americano? Eu não sei explicar por quê, mas é isso mesmo. Acho que minha expressão facial não era muito feliz, tanto que minha mãe percebeu e começou a fazer brincadeiras.
– Oh, o meu bebê está zangado é? – ela disse, deixando a cenoura de lado e olhando para mim – Você está precisando de um abraço de mãe!
– Não mãe, eu não sou mais seu bebê, e não estou precisando de um abraço. – falei, e acho que fui um pouco rude.
– Tudo bem então. Já que não quer um abraço da mamãe, o que posso fazer... – ela falou, enquanto forçava um rosto triste. Eu não resisti ver minha mãe fazer isso, fui até ela e dei um abraço apertado.
– Tá bom, tá aqui o seu abraço. Satisfeita? – ela sorriu ao se separar – Agora se me dá licença, vou até a piscina, preciso dar um mergulho.
– Antes disso, se importa de ir dizer à Thalia que o almoço está quase pronto? – ela perguntou.
– Onde aquela criatura está? – perguntei, irritado ao lembrar que havia perdido mais um cartão de memória para aquela papa-cartões de memória.
– Ah, ela está na casa que fica de frente para a nossa. – minha mãe respondeu, voltando a cortar as cenouras – Na casa dos nossos novos vizinhos.
– Tudo bem, mas só vou dizer isso e volto. – falei, ela assentiu sem falar nada e continuou cortando cenouras. Suspirei, e fui em direção à porta.
Quando saí de casa, não precisei andar muito até chegar à casa dos nossos novos vizinhos, apenas atravessei a avenida. Em comparação ao que era antes, agora aquela casa estava perfeita. Antes, precisava de uma pintura completa, agora estava completamente pintada em laranja. As velhas portas de madeira foram substituídas por novas, que eram talhadas, como aquelas antigas portas de casarões medievais, mas eram bem bonitas. O jardim também estava bem bonito (não que eu curta jardinagem). Eu fiquei me perguntando como eles conseguiram fazer tudo isso em um só dia. Aproximei-me da porta e toquei a campainha. Rapidamente, uma bela garota loira abre a porta e sorri para mim.
ANNABETH (Point of View)
Sou Annabeth Chase, tenho dezesseis anos e me mudei para esse condomínio hoje pela manhã, junto com a minha família. Não sou muito boa em apresentações, então vamos pular essa parte. Agora há pouco eu estava conversando com Thalia, uma amiga de infância que conheci em São Francisco, lugar onde eu morava até ontem. Eu estava sentada no sofá ao lado da garota gótica quando ouço alguém tocando a campainha.
– Vou abrir a porta. – falei, e ela assentiu.
Quando abro, vejo um garoto alto de pele bronzeada em minha frente. Ele tinha lindos olhos verdes, como o profundo oceano. Fiquei distraída olhando para ele. Ele era um garoto muito lindo. E então ele começou a falar.
– Oi, eu sou o primo de Thalia e moro aqui na frente. Ela está aí? – ele perguntou.
– E-está sim. Entre. – disse, e ele entrou. De repente, Thalia levanta do sofá e começa a xingá-lo.
– O que você quer? – Thalia gritava – Você não falou que queria se livrar logo de mim? Que me daria o cartão de memória e queria que eu desaparecesse?
– Olha, eu não estou aqui por que quero. – ele disse – Minha mãe mandou avisar que o almoço está quase pronto, é só isso.
– Mas que gritaria é essa? – meu pai chegou à sala com uma expressão facial irritada e com uma chave de fenda na mão. Acho que a ferramenta assustou o garoto, mas por que ele se assustaria por causa de uma chave de fenda? Ele possuía músculos fortes, e com certeza poderia entortá-la se quisesse.
– D-desculpe senhor, minha prima Thalia é mesmo inconveniente. – falou o garoto de olhos verdes – Já estamos de saída, não é, Thalia?
Então esse é mesmo o primo de Thalia?! O capitão do time de natação e futebol do colégio sobre quem ela havia me contado tanto?
– Você que entrou aqui gritando, seu animal! – Thalia grunhiu.
– Agora eu sou animal, né? Mas na hora que você precisa de mim pra te dar um cartão de memória... – o garoto contra-atacou.
Eu assistia toda aquela cena ainda da porta, paralisada.
– Espere... Você é primo de Thalia? O garoto que mora à frente? – meu pai perguntou, colocando a chave de fenda que segurava sobre a mesa.
– S-sou, infelizmente. – disse o garoto.
– Sente-se. – meu pai falou, sentando em sua poltrona – A propósito, qual é o seu nome mesmo?
– Meu nome é Perseu, mas pode me chamar de Percy. – falou o garoto de olhos verdes, Percy, olhando furioso para Thalia, enquanto sentava ao lado dela no sofá.
– Uh, Perseu é? Você não é um semideus ou algo do tipo, é? – perguntou meu pai. Ele era professor de história, e o nome de Percy é o mesmo daquele herói da mitologia grega, Perseu, então meu pai apenas fez uma metáfora.
– N-não senhor. – disse Percy, um pouco assustado — Olhe, eu peço desculpas se minha prima Thalia fez algo de errado, mas eu não sou responsável por ela e...
– Não é nada disso, Percy. – interrompeu meu pai – Thalia é uma grande amiga de Annabeth, elas estudaram juntas quando eram mais novas. Aliás, a Thalia falou muito sobre você, sabia? E desculpe pela casa que ainda está muito desorganizada, nós nos mudamos hoje mais cedo, e você sabe como mudanças são chatas, não é mesmo?
– Sim senhor, não tem problema. Mas a Thalia falou de mim? – perguntou Percy, olhando para Thalia – Seja o que for, não acredite.
– Ah, então você não é capitão do time de futebol e nem de natação do colégio, não é? – perguntou meu pai.
– Bem, isso é verdade. – disse Percy – Mas se ela falou que alguma vez eu explodi um carro ou coisa assim, é mentira. — Thalia sorri.
– Entendi, Percy. – disse meu pai sorrindo – A propósito, meu nome é Frederick, pai da Annabeth. Sente-se também, minha filha.
Eu que estava em pé ao lado da porta sem falar nada até agora, obedeci e andei até o sofá, chegando lá sentei-me ao lado de Percy. Eu não conseguia dizer absolutamente nada, nem tentava olharpara ele, pois sabia que poderia entrar em transe por causa de seus olhos verdes novamente.
– Essa é a Annabeth, minha filha, Percy. – falou meu pai.
– Muito prazer. Meu nome é Percy Jackson. – ele me falou.
– Prazer, sou Annabeth Chase. – respondi, olhando para baixo.
– Bom... Desculpem a minha grosseria, mas agora eu tenho que ir. – disse Percy, levantando e puxando Thalia junto – Minha mãe nos chamou para almoçar.
– Você quer ir junto, Annabeth? – perguntou Thalia, tentando se soltar das mãos de Percy. Eu olhei para meu pai, pedindo permissão à ele. Ele assentiu.
– Se não for um incomodo. – falei, olhando para Thalia e Percy.
– Claro que não, certo Percy? – Thalia dirigiu a pergunta para ele, e quando olhei para seu rosto, pude notar que ele estava completamente vermelho.
– Uh, c-claro que não. – ele disse, sem olhar para mim.
– Muito bem, vá na frente Percy, vou falar algo com Annabeth antes... – disse Thalia.
– T-tudo bem. – ele disse – Vejo vocês depois. Foi um prazer, Sr. Chase...
– Apenas Frederick, Percy. O prazer foi meu, meu caro. – disse meu pai, levantando da poltrona e apertando a mão de Percy. Percy sorriu.
– Oh, certo.
Logo ele deixou a nossa casa, e foi em direção à casa dele, que ficava em frente à minha casa, e Thalia me puxou para o meu quarto. Então vamos conversar, gótica.
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