Notas iniciais
Oie, boa leitura. *---*

Vou contar agora como minha vida mudou drasticamente de um ano para o outro.

Flashback ON

(Roupa da Silena: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=49422697&.locale=pt-br)

Eu caminhava pelas ruas de York, meus pais estavam na casa de um grande empresário e eu resolvi caminhar. Estava passando perto de uma floresta quando sinto alguém segurar meu pescoço. Eu fiquei desesperada e comecei a me debater mas o cara simplesmente pôs um pano em meu rosto e eu me senti mole, não cheguei a desmaiar, mas já não conseguia me movimentar direito. Foi aterrorizante quando me vi sendo levada para dentro da floresta. Fui jogada no chão sem nenhuma delicadeza e pude sentir meus pulsos e tornozelos sendo amarrados e ser amordaçada. Sabia o que aconteceria, mas tentava não manter-me fixada nesta ideia. O homem saiu de perto de mim e eu consegui respirar um pouco mais aliviada. Não demorei muito para recuperar minhas forças, mas agora de nada me adiantava. Eu olhei ao redor e percebi que estava realmente na floresta. Só conseguia ver árvores e mais árvores, ninguém me encontraria ali. Ele me estupraria e me mataria logo depois, ou então continuaria abusando de mim por algum tempo e eu realmente não sabia o que era pior.

Após algum tempo o homem voltou e eu pude ver claramente seu rosto, ele apontava uma lanterna para si mesmo como se quisesse que eu visse quem faria essa crueldade comigo. Ele passou aquelas mãos imundas pelo meu corpo ainda sem tirar minhas roupas e em seguida tirou a mordaça da minha boca. Pela primeira vez eu ouvi a voz do meu carrasco, era gelada e sem vida. “Não adianta gritar, estamos longe de qualquer coisa” ele dizia. Eu não conseguia gritar, minha voz sumiu devido ao medo.

Ele pegou uma faca do bolso e eu perguntei-me se ele me mataria agora mesmo ou se era sádico e gostava de machucar suas vitimas, mas tudo que ele fez foi cortar minhas roupas e depois arranca-las do meu corpo. Eu estava só de lingerie, ele me encarava e eu me sentia tão exposta. Ele tirou sua blusa e calça e aproximou seu rosto do meu com o intuito de me beijar, mas eu apenas virei o rosto; neste momento levei alguns tapas no rosto, podia senti-lo ardendo e inchando um pouco.

– Não vire o rosto pra mim. – Me disse ele.

Eu fiquei com medo, mais medo. E foi por medo que me mantive imóvel enquanto aquele ser beijava-me a boca e o corpo. Eu me sentia imunda por deixar ele tocar em mim sem lutar. Mas se lutasse só iria piorar tudo, não iria?

Quando ele soltou meu sutiã eu gritei para que parasse, o desespero voltando com força total. Rezava à minha deusa para que ela me tirasse de lá, que me ajudasse. Mas eu sabia que ninguém iria vir. Não consegui pensar muito mais, pois eu ouvi um barulho entre as árvores e percebi que o homem também percebeu.

Ele levantou-se rapidamente e puxou-me para perto dele encostando a lamina da faca em meu pescoço. Eu vi a sombra de outro homem entre as árvores, mas pela escuridão não conseguia ver o rosto.

– Não se aproxime ou ela morre. – Gritou o homem que me segurava. O outro pareceu pensar se valia a pena me salvar ou não e não sei como, mas dois segundos depois ele estava parado na minha frete. Levei um susto e creio que o homem que me segurava também pois pude sentir algo cortando a pele das minhas costas. Não prestei muita atenção, hoje acredito quando dizem que o medo anestesia a dor. Mas minha indiferença não era compartilha pelo meu salvador. Senti-me sendo posta no chão cuidadosamente logo depois de o homem que me segurava sair correndo pela floresta. Eu observava tudo deitada no chão, podia sentir a dor invadindo-me mas fixei meu olhar no meu salvador, ele parecia querer ir atrás do homem, mas virou-se para mim. Não conseguia ver sua face e a dor ia aumentando rapidamente. Logo minha visão estava embaçada e eu sabia que desmaiaria, ou pior, morreria. Antes de tudo escurecer pude ver o rapaz próximo a mim e me pegando no colo. Olhei para seu rosto e decidi que mesmo se morresse hoje, eu estaria feliz, pois pude ver o rosto do meu salvador.

Eu estava sentindo uma pequena fisgada nas costas e me sentia tonta a fraca, estava de olhos fechados mas não queria abri-los, de qualquer forma. Eu apurei meus ouvidos, mas não ouvi nada. Eu lembrei-me de tudo que me aconteceu e agora estava feliz por estar salva. Provavelmente estava em um hospital.

Abri meus olhos e tudo que vi foi um quarto espaçoso e elegante com uma mobília antiga e bonita. Olhei ao redor mas não havia ninguém ali. Será que o rapaz que me salvou me trouxe para sua casa?

Levantei-me calmamente e percebi que estava apenas com uma camisa masculina. Era preta e possuía um cheio muito bom. Cítrico talvez? Caminhei até a porta, mas ela se encontrava trancada, fiz a mesma coisa com a janela, mas esta também estava trancada. Eu fiquei preocupada, será que estava sendo mantida como refém? Provavelmente não, aquele rapaz cuidou de... Espera um momento, eu estava com um corte profundo nas costas, porque não o sinto mais? Fui até um espelho que havia lá e levantei a blusa até a metade das costas e onde deveria estar uma grande ferida havia apenas uma leve mancha rosada. Olhei novamente para o espelho e quase enfartei ao ver meu salvador olhando para minha bunda.

Bufei e o encarei sorrindo.

– Obrigada, você é meu salvador.

Ele deu uma pequena risada.

– Isso é muito irônico. – Respondeu-me.

– Ah, por que o quarto estava inteiramente trancado? – Perguntei.

– Para meu irmão não entrar aqui. – Disse.

– Ah, ok. – Eu falei e minha barriga roncou.

– Esta com fome, pelo visto. Venha, vamos comer alguma coisa. – Disse e esperou-me me aproximar para andar até a porta.

Eu o observava agora, ele era muito bonito, possuía cabelos castanhos escuros quase pretos e olhos verdes, uma pele muito clara, tanto quanto a minha, parecia ter um corpo definido, usava uma camisa preta e uma calça jeans escuras com tênis também pretos. Possuía um anel com uma pedra azul no dedo. Estávamos na cozinha e ele insistiu para que eu o deixasse fazer nosso lanche. Ele percebeu meu olhar e sorriu zombeteiro para mim.

– Você é bonito, desculpe a indiscrição. – Falei.

– Você também é muito bonita. – Disse e virou-se novamente para a comida.

– Vou ajudá-lo. – Disse já pegando uma faca e indo cortar tomates.

Ele me olhou preocupado, mas nada disse.

– Como é seu nome? – Perguntou depois de um longo tempo em silêncio.

– Silena Wilffer, e você? Ou prefere que eu o chame de meu salvador sempre? – Perguntei sorrindo para ele.

– Me chamo Damon Salvatore. – Respondeu.

Eu o encarei e perguntei:

– Ta brincando?

– Não. – Respondeu.

Eu sorri e disse:

– Realmente uma ironia.

Ele sorriu novamente para mim e continuou cortando a alface.

Eu voltei a cortar meus tomates.

Passados um minuto ouvi a porta se fechando e vi Damon enrijecer.

Ninguém apareceu então continuei a cortar.

– Agora brinca com sua comida, Damon? Eu falei para não fazer isso com mais nenhuma. – Gritou uma voz masculina da porta da cozinha.

Levei um susto e acabei por cortar meu dedo. Foi um corte pequeno mas profundo. O sangue saia rapidamente e vi Damon enrijecer ao meu lado mais ainda. Fiquei preocupada mas quando o encarei pude vê-lo desviando o rosto para o irmão.

– Olha o que você fez Stefan. – Disse ele.

– Eu? Você que a mantém aqui! – Rebateu o outro.

– Estava tudo indo bem até você aparecer. – Respondeu o meu moreno. Meu? Ah, é a dor.

– Você diz que matar uma inocente é estar indo tudo bem? – Gritou o outro.

– Elena está aqui? – Perguntou Damon.

– Não importa. Fique longe dela... – Rosnou o outro.

– Eu não vou machucar essa garota Stefan, para de drama. – Disse o Damon novamente.

Quando Stefan (acho que era esse o nome) iria rebater eu perdi a paciência.

– Chega! – Gritei fazendo ambos me olharem. – Vocês ficam ai brigando como duas crianças, mas se não perceberam eu estou aqui. Você – Eu disse apontando para o tal Stefan – entrou aqui, não sabe de nada e acusa o Damon de me machucar? Ah, cale-se! E se não notaram eu machuquei meu dedo, por sua culpa Stefan!