Agridoce

1 Do you remember? I don't want this.


Notas iniciais
Hey :) primeiro capitulo da nossa história, 'Agridoce'. Espero que gostem, viu? Mais notas no final. Boa leitura!

Orfanato Cristão, Londres, 23 de abril de 2004.

Era um dia chuvoso, típico de Londres. A luz do sol invadia as frestas da janela do quarto 114 junto a um vento gelado. O despertador tocava, eram 8:30am, todos deviam se levantar nesse horário, mas algumas meninas já haviam se levantado...

"Está tudo pronto?" — disse Anne, a mais velha, com 11 anos.

"Sim, mas cuidado com os degraus!" — respondeu Jully, a mais nova, com 6 anos.

"Onde estão as outras meninas, Jully?" — questionou Anne, referindo-se a Cristal e Liza, as gêmeas de 10 anos, vindas da Espanha há 5 anos.

"BUU! Estamos aqui hahaha" — disseram elas, rindo.

"É sério, meninas. Hoje a Ariel completa 8 anos, temos que fazer tudo direitinho pra que seja um dia especial para ela. Já conseguimos o bolo e as velas... O que mais falta, Cris?" — disse Anne, querendo organizar tudo.

"Hahaha, falta o melhor am.." Cris foi interrompida.

"ESTOU AQUI, MENINAS!" — disse Gus, o melhor amigo. Ele havia chegado no Orfanato com apenas 1 ano de idade. Era o menino mais velho de lá, com 12 anos. Seu irmão mais velho tinha saído ano passado, quando completou 14 anos. Pois o Orfanato abrigava crianças de até 13 anos, mas tinha sido um caso especial.

Todos se juntaram, seguraram firme o bolo, abriram a porta do quarto e começaram a cantar parabéns para Ariel e abraçá-la. Foi um momento lindo...

"Ah, meu deus. O que eu faria sem vocês? Muito obrigado! É o aniversário mais feliz que já tive." — disse Ariel, emocionada. Ela tinha chegado lá com 2 anos e seu paradeiro anterior nunca foi revelado. Era um grande mistério. Como era pequena, foi "juntada" a um grupo de crianças também brasileiras. Eles eram em 8: 5 meninas e 3 meninos. As 5 (Cristal, Liza, Anne, Jully e a própria Ariel) criaram um laço muito forte, viviam juntas e dividiam o mesmo quarto. Já os 3 meninos (Fred e Gus, da mesma idade, e o irmão mais velho dele). Fred saiu esse ano. Sobrando assim apenas 1 menino.

Gus tinha um presente e chamou Ariel de canto para dá-lo, enquanto as meninas divertiam-se com o bolo.

"Ariel, você sabe que em 1 ano estarei fora daqui, e não quero que você me esqueça. Então, fique com isso. Essa medalha esteve comigo a vida toda. Ela abre, olhe só... Metade é sua, para colocar no seu cordão e a outra minha. Assim, estaremos unidos para sempre." — disse ele.

"Gus, eu amo tanto você. Terei isso para sempre, será nossa eterna ligação." — disse Ariel, chorando e então o abraçou.

Poucos minutos depois a porta é aberta pela freira mais antiga do Orfanato, Celina. Mas as crianças deveriam chamá-la de Mrs. Jovis. Ela não era má pessoa, mas certamente escondia algo que a impedia de ser julgada boa. Ela entrou batendo as mãos e dizendo em um tom grosseiro:

"Um casal de turistas brasileiros está comemorando o casamento e querem levar um nativo de seu país. Mostrei as fotos e eles escolheram a Anne, mas ela tem descendência portuguesa e eles não quiseram, assim como Jully. Poderia ser Gus, mas o pedido é de uma menina. E por ser apenas uma, não pode ser as gêmeas. Sem mais rodeios, arrume suas coisas, Ariel, você foi adotada. E, ah, feliz aniversário... ou não."

Ariel começou a chorar, não queria deixar para trás pessoas que amava tanto, as únicas que tinha em sua vida, mas não teve escolha. Se trocou e foi levada a força até o carro de seus novos pais. Eram dois brasileiros aparentemente simpáticos. O homem chamava-se Rodrigo Matarazzo, era um importante empresário internacional, dono de uma industria de perfumes, por isso viajava tanto. Ele acabara de casar com sua namorada de muito tempo... Ela, uma moça bonita e educada, chamava-se Claudia Giacomelli, mas agora, Sra Matarazzo. Vinha de uma família boa, sempre muito viajada, e terminava seu mestrado em Arte. Diferente de seu marido, que sempre batalhou para conseguir melhorar de vida. Eram um casal bom.

Eles entraram no carro após agradecer Celina pela adoção e seguiram. Ariel, colada no vidro do carro, via seus amigos na janela do Orfanato chorando e despedindo-se. Gus tentou correr atrás do carro, mas, claro, foi em vão. Porém Ariel conseguiu ouvir seu último adeus. O mais doído.

"CHEGA! A consulta está acabada, Dra Helena. Não é porque estamos no Brasil, ou porque seja 12 de março de 2014 invés de 23 de abril de 2004, que seja bom pra mim falar disso. Passaram 10 anos, chega, chega!" — disse Ariel, para sua psicóloga. Afinal, os anos teriam mesmo passado. Agora, Ariel morava em um condomínio de luxo em Copacabana — RJ, faria 18 anos em algumas semanas... Levava uma vida boa, tinha vários amigos, um namorado, uma família e várias carreiras a seguir. Mas nada disso amenizava a sua dor em falar do passado.

Horrorizada com o surto de Ariel, Dra Helena interviu:

"Se acalme, menina! Mas, afinal, você se lembra?"

"Eu não quero." — completou Ariel, e saiu do consultório.

Notas finais
Esse foi o primeiro capítulo e ficou maior do que eu esperava. Os próximos serão menores, provavelmente. Terão 3/4 semanalmente. Obrigado por ler! Me diga o que achou e divulgue nas redes sociais.
Beijos!
Ass: Mary Janne.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.