Agradável
1 Capítulo único.
As gotas de chuva estavam tão leves naquela tarde, que faziam qualquer um querer dançar sob elas. Luzes frenéticas sobre a cidade de Toulouse faziam os olhos de qualquer um arderem.
Celine estava sentada no chão em frente a um café, e, acompanhada por Quinn, tentavam escapar da chuva.
— Morango ou chocolate? – Perguntou Quinn.
— Baunilha. – Celine respondia com sarcasmo enquanto observava as pessoas molhadas que passavam pela rua.
— Políticos ou iluminatis?
— Difícil... eu vou me sentar no colo do inimigo com qualquer opção, não vou?
— Talvez... – Quinn respondeu rindo. – Ser amada para sempre, ou amar para sempre?
Antes que Celine respondesse, Quinn tirou um pirulito do bolso do casaco marrom que vestia, deu uma olhada para a menina e sorriu:
— É uma questão tão difícil assim?
Celine virou a cabeça para o rapaz. Trocaram olhares.
— Qual a diferença? Quer dizer, isso realmente importa?
Quinn continuou sorrindo e desembrulhou o pirulito, colocando-o na boca.
— Bom... Se você for amada para sempre, quem te garante que você corresponderá os sentimentos dessa pessoa pelo resto da vida?
— E se eu amar para sempre, talvez o outro não me ame por tanto tempo. Isso se aplica a você?
— Poxa, poxa... O que quer dizer com isso, Celine? – Quinn disfarçou a ansiedade com um encantador sorriso falso. Ele não enganava ninguém com aquilo.
Celine se aproximou de Quinn com cautela, pegando o pirulito que estava na boca dele, sorrindo de maneira sádica antes de pousar o doce entre seus lábios secos e rosados, em seguida entregou a guloseima de volta ao dono.
— O que o senhor me diz, Quinn? Se eu te amar para sempre, por quanto tempo você vai corresponder meus sentimentos?
Quinn largou o pirulito e em seu rosto se formou um sorriso incrível, suas bochechas ganharam um tom mais rosado enquanto ele pousava suas mãos sobre os ombros da namorada. Celine o encarou com um sorriso sarcástico, e foi surpreendida por um meigo abraço.
— É melhor que você seja muito paciente, porque eu ainda irei te amar por longos anos.
A serenidade e gentileza sobre essas palavras podiam esquentar o coração de qualquer um em tardes frias como aquela.
— “Longos anos”? Para mim isso não parece com a eternidade.
— Não seja tão boba, Celine. Morreremos em alguns anos, mas eu te amarei até lá. E talvez, quem sabe, depois disso. Parece bom para você?
— Parece no mínimo agradável.
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