Agora é hora de você assumir
2 Jeito único
Notas iniciais
— Você quem sabe. – Ela disse seca virando-se e encarando o belo horizonte através da janela do hidroavião. – Eu não tenho nada a ver com isso.
Humberto percebeu o que estava no ar. Vivianne é decidida demais. Ele estava com medo. Medo daquele sentimento. Medo dela o ignora-lo. Mas ele não podia fazer nada a não ser a mesma coisa que ela: Virou-se e encarou o horizonte diante de seu nariz.
— Chegamos! – Juliana grita alguns minutos depois.
Vivi tem um sobressalto. Por mais que estivesse olhando para fora, não estava vendo, seu pensamento estava distante, ela estava longe. Ao acordar do "transe", olhou para o lado, o homem já não estava mais ali. Estavam todos do lado de fora. Apressou-se e logo saiu.
— Achei que não ia vir. – Falou Fabio rindo e fazendo a volta nos ombros dela.
— Por pouco. – Ela sorriu, mas o sorriso sumiu aos poucos quando olhou fixamente para Humberto.
— Vamos. Temos mais lugares para conhecer. – Disse Marat andando na frente.
Os colegas concordaram e foram a um passeio de barco. Aquilo parecia um sonho. Claro que todos ali já haviam viajado, para diversos lugares, mas ali eles estavam juntos. Sentou-se Marat, Fabio, Juliana, Humberto e Vivianne.
* POVS VIVIANNE *
Droga! Me colocaram junto com Humberto?! Isso só pode ser um complô. Tudo bem que eu poderia levantar-me agorinha daqui e ir juntar-me a Marat, mas eu me sinto tão protegida perto de Humberto. Junto dele eu me sinto em casa.
— Fabio, Marat e eu vamos ao restaurante aqui perto, vamos? – Juliana pergunta para Vivianne e Humberto assim que pisam em terra firme após o passeio de barco.
— Não! Eu prefiro comer algo no meu quarto mesmo. – Diz Vivianne gentil.
— E você, Humberto?
— Eu vou ficar por aqui também, aproveitar e fazer um telefonema importante. – Ele encara Vivianne.
— Tudo bem. Até logo então. – Os três seguem para o restaurante. Vivi aproveita que Humberto está distraído e sai sem que ele possa vê-la. Missão falha. Ele a puxou pelo braço assim que ela se virou.
— Precisamos conversar. – Ele disse e a soltou.
— Pode falar.
— Aqui não.
Vivi suspira pesado e desviar o olhar mas em poucos segundos volta a olhar para ele. – Passa no meu quarto daqui a uma hora.
Humberto assentiu e observou Vivianne deixando o local. O telefone de Humberto toca fazendo-o ter um sobressalto. Olha a tela do celular, ele definitivamente não esperava aquela ligação.
— Oi!
— Oi, meu amor. – Sussurra uma voz feminina do outro lado da linha. – Eu não queria ficar brigada com você, Humberto. Tampouco por causa da sua colega de cena.
— Marcia...
— Humberto me perdoe, eu interpretei tudo mal, eu sei que vocês não tem nada, não é?! Me desculpe. Eu te amo tanto.
Humberto não sabia o que dizer. Não que ele não a amasse. Não era isso, mas seus sentimentos estavam confusos. Ele estava confuso.
— Tudo bem! Eu sei como é essas coisas. – Ele solta um riso. – Me desculpe meu bem, tenho que desligar. Fica bem viu? Beijos!
— Você também. Beijos. – Ela disse comovida e ele logo desligou.
O tempo passou rápido. Após almoçar e tomar um longo banho Humberto olhou as horas. Era hora de se encontrar com Vivianne. Ele saiu de seu quarto e se dirigiu até o dela.
— Entra, Humberto. – Ela disse ao ouvir batidas na porta.
— Como sabia que era eu? – Ele perguntou entrando.
— Digamos que você tem um jeito único de bater na porta. – Ela sorri e vai de encontro a ele cumprimentando-o. – E então? O que quer falar comigo?– Ela se sentou e apontou uma poltrona para ele se sentar também.
— Eu quero falar sobre nós.
— Nós? Não existe "nós", Humberto.
— Você sabe o que eu quero dizer.
Ela suspira.
— Pode falar. – Ela morte o lábio inferior enquanto balança a cabeça.
— Estou tão confuso com relação a meus sentimentos. – Vivi desvia olhar.
— Eu sei que isso é meio louco. – Ele se levanta e vai em direção a sacada e observa o lindo e azul horizonte. – Mas eu não sei mais o que sinto pela Marcia. Hoje ela me ligou e...
— Ela te ligou? – Ela interrompeu ele e se levantou. – Como assim Humberto?
— É, Vivi. – Ela virou-se pra ela. – Ela me pediu desculpas e disse que me amava. – As últimas palavras saiu como um sussurro.
Vivi o olhou, aparentemente desapontada. – E o que você disse? Que ama ela? – Ela parecia já saber a resposta mas mesmo assim ousou em perguntar.
— Disse pra ela ficar bem.
Aquilo foi uma surpresa pra Vivi. Ela estava esperando outra coisa, outra resposta. Ela fechou o olhos e sorriu. Ele se aproximou e segurou o rosto dela.
— Eu gosto de você, Vivi.
Ele a beija. Ela queria se entregar mas não podia, ele tinha outro alguém em sua vida. Ela o empurrou.
— Mas você também gosta dela. – Ela passou a mão em seus lábios. – Você faz tudo errado, Humberto. Sai daqui.
— Vivi. – Ele tentou se aproximar mas ela se afastou.
— Sai daqui. – Ela disse decidida mas não o olhando.
Ele assentiu e a obedeceu. Se continuasse ali, seria pior.
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