Agora que voltou
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nesse surto de escrita, vieram esses três capítulos de uma vez, e alguns outros que não se encaixam no começo da história.
Espero que gostem.
Faz muito tempo desde que eu fui embora. Desde que minha vida mudou completamente. Eu nunca mais voltei nessa cidade. Era difícil demais estar aqui... com todos as lembranças.
Meu pai então... Se sentia culpado por tudo, brigou com minha avó várias vezes, até que decidiu partir e me levou junto.
Eu não reclamei. Como eu disse, era muito difícil estar lá, com as lembranças a todo o momento e em todo o lugar.
Eu não pretendia ir embora por tanto tempo, mas os dias foram passando... os meses e os anos. E eu nunca voltei. Até agora.
Depois de quatro longas horas de viagem, estamos finalmente chegando.
É claro que meu pai não quis me trazer, e eu não o culpo. Em vez disso, nosso motorista, Phill, está nos levando até a cidade. Até a fazenda de minha avó. Quero dizer, eu e meu cachorro, Felix.
Tento não me concentrar na estrada. Tento não pensar no meu medo incurável de estar em um carro. Tento ler para me distrair, mas não da certo. Essa viagem está sendo a mais longa de minha vida. Meu coração bate acelerado a cada árvore que passamos e que nos deixa mais perto de nosso destino.
Consigo ouvi-lo... Batendo. Batendo. Batendo.
— No que está pensando? – Phill interrompe os meus pensamentos.
— Nada.
Ele me encara pelo retrovisor, franzindo a testa.
— Que é bom estar de volta. Eu acho.
A resposta parece convencê-lo
— Estou feliz de poder trazê-lo.
— E eu estou feliz que o tenha feito. – Dou um sorriso pouco animado.
Dou uma olhada no Felix, deitado no banco ao meu lado e com a cabeça em meu colo. Queria estar tão relaxado. Olho para fora, tentando aproveitar a paisagem e me manter sobre controle. Minha mão vai automaticamente ao anel pendurado em minha corrente, na altura de meu estômago.
“Estou voltando. Estou voltando”.
Não demorou muito mais até que finalmente entrássemos na pequena cidade de Mariland. Agora que nossa velocidade estava muito menor e parávamos, ocasionalmente, em alguns semáforos, pude ver melhor as lojas.
“É como se nada tivesse mudado”.— Digo a mim mesmo, mas sei que não é verdade.
A começar pela lanchonete da cidade, que era azul e agora é vermelha. Os correios, que nunca tiveram toldos em suas janelas, o mercadinho que parece mais jovem e moderno, e atéo próprio asfalto, que parece novo em folha. Além de algumas pessoas andando na rua, que eu realmente não me lembro.
Percebo as pessoas encarando o carro e tentando descobrir quem está lá dentro. É claro que não da para ver. O vidro é muito escuro. Mas, mesmo assim, não consigo sustentar o olhar daquelas pessoas, algumas das quais convivi no passado.
É claro que a aparição do carro misterioso e caro – devo admitir – vai ser a fofoca da cidade durante um tempo. Pelo menos até que eu tenha coragem de dar as caras e que minha volta seja a novidade mais interessante.
— Por favor, vamos logo para a fazenda.
— Claro. – Responde Phill, prontamente.
Volto a me concentrar no labrador marrom que tenho no meu colo e olho para o livro intacto que tenho em minha mão. Ainda não acredito que não consegui ler nenhuma única linha.
“Não deveria ser novidade”.
Cruzamos a cidade, passamos por uma estrada de terra não muito longa, cercada de árvores e, finalmente, chegamos à fazenda de minha avó.
Senti meu coração tremer àquela vista.
É a primeira vez que eu voltava depois que tudo aconteceu.
A fazenda de vovó era um amplo espaço gramado com uma enorme casa de dois andares no meio dele. Tinha um celeiro não muito longe da casa, que gritava por atenção nas cores vermelho e branco, além de alguns outros espaços. As cercas a direita delimitavam os espaços dos animais quando iam pastar. Do meu lado esquerdo eu podia ver a plantação da vovó indo muito bem. – Era um grande milharal – Um pouco afastado da casa, na parte de trás, havia um grande lago onde, há muito tempo atrás, eu pescava peixes por diversão junto com o meu pai – afasto as lembranças.
Phill seguiu pelo caminho de Terra, cruzando finalmente a porteira da fazenda e se aproximando cada vez mais da mansão. Ele contornou o canteiro de roseiras que tinha na entrada e parou em frente à casa.
“É isso. Cheguei”.
Respirei.
Antes que eu me desse conta, Phill já estava abrindo a minha porta. Felix, que estava inquieto desde que chegamos à cidade, passou por cima de mim e saiu correndo pelo gramado. Saí do carro e ofereci a Phill meu melhor ar de desaprovação.
— Já disse que detesto quando você faz isso. Eu posso abrir a porta para mim mesmo.
— Tenho certeza que sim. Mas como já lhe disse, seu pai me deu ordens para fazer isso com todo mundo, e se você não quer que eu o faça, precisa ser mais rápido – Ele levantou a sobrancelha.
— Okay. Um ponto pra você então.
— Acho que está 37 a 32 para mim. – Ele sorri.
Phill vai até a parte de trás do carro e abre o porta-malas.
— Isso não é justo! As vezes que você foi me buscar na faculdade, e que eu estava com muitos materiais na mão, não contam. Como eu ia abrir a porta? – Eu o ajudo a tirar as malas do carro e apoiar no chão. Ele apenas ri.
Phill é mais velho que meu pai. Tem 52 anos e trabalha com a gente desde que fomos para Nova York. Ele me viu crescer. Eu tinha apenas 10 anos e agora tenho 22. Eu vi seus cabelos castanhos bem aparados começarem a ganhar um tom cinza e ele me viu ultrapassar a sua altura – Não que fosse difícil. Phill é meio baixinho.
— Tudo bem. Você ganhou. Que tal recomeçarmos a contagem quando eu voltar para Nova York?
— Como você quiser, Gabriel. – Ele riu mais uma vez.
Eu comecei a rir também. Peguei duas malas no chão e andei em direção a casa.
— Deixe que eu levo. – Ele me disse.
— Acho que agora é um ponto para mim, não é mesmo.
Ele fechou o porta-malas e pegou as outras duas bagagens antes de me seguir.
— É. Acho que sim.
Damos risada.
Eu parei em frente às escadas que davam acesso à varanda da frente e a porta. Olhei para cima, admirando aquela casa que eu tanto amo enquanto as lembranças me afogavam.
— Gabriel – Phill sussurra.
Olho para ele, dou um breve aceno com a cabeça e o sigo pelas escadas. Apoiei as malas no chão e respirei fundo mais uma vez.
Phill me incentiva a seguir adiante e eu bato na porta.
Nada.
— Acho que ela não está.
Giro a maçaneta, abrindo a porta.
Agora estou no grande hall de entrada e tudo é como eu me lembrava.
O papel de parede rosa bebê com flores. A mesinha, o espelho, o banquinho e a porta do closet, todos em carvalho. A grande escada curva, que ficava logo à frente e dava acesso ao segundo andar. A grande mesa redonda de mármore que sempre tinha um enorme arranjo em cima.
— Vó! Você está aqui?! Cheguei!
Escutei um barulho vindo da cozinha, e quando viro na direção...
— Gabriel!
— Tia Annie! – Vou correndo até ela e lhe dou um grande abraço – Como você está?
— Estou ótima! E você? Como você esta?
Ela se afasta um pouco e segura meu rosto com as duas mãos.
— Senti tanta saudade de você. Olha como você cresceu! Está enorme! Deve estar maior que seu pai. E está tão bonito! Quem poderia resistir a você?
Sinto minhas bochechas corando.
— Por falar nisso. Cadê o seu pai?
Eu desvio o olhar para baixo uma vez, antes de encará-la novamente.
— Ele não veio.
— Eu entendo – Ela sorri afetuosamente e me abraça de novo – Mas é tão bom tê-lo de volta. Ainda não acredito.
— É muito bom estar de volta, tia.
Ela afrouxa um pouco o abraço, no momento que Felix entra correndo pela porta aberta e começa a pular nela pedindo atenção.
— Então aqui esta o Felix – Tia Annie abaixou para lhe fazer carinho.
Ele latiu e saiu correndo pela casa.
Eu sorri, enquanto tia Annie limpava a roupa. Ela parou assim que percebeu a presença de Phill.
— E quem é esse belo senhor? – Ela ajeitou o cabelo.
— Sou Phill Thompson – Ele estica a mão sorrindo.
— Muito prazer – Ela pega a sua mão – Annie Robinson.
Ele leva a mão dela até seus lábios e da um beijo.
— O prazer é todo meu.
— Nossa, mas que encantador – Diz tia Annie, ficando um pouco corada.
— O que posso fazer? – Dou de ombros – Phill é um romântico incorrigível. Sem ofensas Phill.
Ele sorri.
— Não ofendeu. Agora... Onde posso deixar suas coisas?
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Tia Annie se interpôs na minha frente levando-o lá para cima pelas escadas.
— Vou-lhe mostrar onde ficava o quarto dele.
E me deixaram ali sozinho.
— Tudo bem, vão lá! – Digo fazendo drama – Eu espero aqui... Sozinho... Eu acho.
Fecho os olhos e sinto um cheiro maravilhoso.
“Ela não... Será que ela fez?”
Vou até a cozinha e a encontro lotada de comida. Tinha peru assado, dois tipos de arroz, milho cozido, torta de frango, lasanha, creme de milho e batatas cozidas. Isso sem falar nos doces. Tinha torta de cheesecake, cookies, arroz doce e bolinho de chuva.
Olhei rapidamente para trás para checar se tinha alguém a vista e fui para perto dos doces. Estava morrendo de fome e não tinha percebido ainda. Óbvio que fui primeiro até os bolinhos de chuva. Peguei um e o comi, aproveitando cada pedaço. Olhei para trás e nada. Comi mais um e dei a volta no balcão indo até a pia e pegando um prato. Fui até a janela, onde estava esfriando a torta de frango, e comecei a cortar um pedaço. Quando eu terminei de me servir e fui me virar, olhei pela janela e o vi.
Ele cavalgava pelas terras como uma destreza admirável. Balançando juntos no mesmo ritmo, como se fossem um só. Já vi muitas pessoas cavalgando, mas nunca alguém como ele. Tinha algo de diferente que eu não sabia explicar.
O homem era alto, deveria ter 1,90m de altura, tinha ombros largos e a pele branca era bronzeada de sol. Seus braços eram enormes e os músculos de seu corpo pareciam esculpidos em mármore. Usava apenas calça jeans azul clara, botas e um chapéu de cowboy bege, sem camisa.
Senti minha boca ficar seca e meu corpo inteiro se aquecer.
Podia ver o suor de seu corpo brilhando contra a luz. O pensamento de passar a mão em seu corpo esguio só fez o calor aumentar, deixando meu rosto da cor de um tomate.
— Já esta atacando a comida? – Tia Annie voltou à cozinha acompanhada de Phill.
Tentei falar, mas as palavras ficaram presas na minha garganta. Percebi que estava prendendo o ar. Respirei.
— Eu... AArrhh – Limpei a garganta – Eu estava pegando torta.
Tia Annie veio na minha direção e olhou pela janela.
— Huuumm. Então você já viu o Andrew.
— Andrew? – Perguntei.
Phill também veio vê-lo pela janela.
— Sim. Sua avó o contratou para cuidar dos animais, ajudar na fazenda, enfim... serviço de capataz. Ele é filho de uma comadre dela. Tem a sua idade.
— Há quanto tempo ele... – Ela me interrompeu, sem precisar que eu continuasse.
— Vai fazer um ano já.
— Não me lembro dele.
Voltei a olhá-lo pela janela.
— Não teria como. Ele, a mãe e o pai dele foram morar em outro Estado quando vocês tinham 4 anos. Ela se separou recentemente. Uma história horrível.
— Entendo.
— Então ela voltou para cá e precisava de emprego. Sua avó conseguiu colocá-la no mercado e ele veio para cá.
— Ele é muito bonito.
— Phill!!! – Eu disse indignado.
— É verdade! Quem dera eu tivesse tido um corpo desses no meu tempo de juventude – Assobiou – O cara é demais.
— Senhor Thompson, não sabia que o senhor era desse time.
— Não sou. Mas graças ao Gabriel sei admitir a beleza, quando a vejo.
Eu ainda o estava acompanhando pela janela.
— Cuidado. Já está escorrendo a baba. – Disse Phill, me dando um lenço.
Eu sorri ironicamente e ele caiu na gargalhada.
Eu estava me afastando da janela, quando ele começou a cavalgar de frente para nós, ainda de longe, mas vindo em direção a casa. Seu corpo era ainda mais bonito visto de frente. Não conseguia ver muito bem o seu rosto, estava coberto pelo chapéu. O cavalo marrom tinha uma mancha branca no olh...
“Mancha branca no olho?!?!”
— Que cavalo ele esta cavalgando?! – Virei abruptamente para Tia Annie, que já estava indo sentar à mesa.
Ela se aproximou para olhar melhor.
— Acho que é a Lola... – Sua frase pairou no ar.
O calor que ardia dentro de mim ainda estava lá, mas agora era outra coisa. Era de raiva.
— Como assim a Lola?!?!
Eu saí da cozinha rápido como um tufão.
— O veterinário disse que ela precisava se exercitar – Disse tia Annie gritando ao correr atrás de mim – Andrew apenas se ofereceu...
Passei pela porta de entrada.
— Não interessa o que ele disse. Ninguém pode cavalgar a Lola.
— Gabriel! Sua avó pediu a ele!
Eu já estava no gramado, indo na direção de Andrew.
— Como ela pode?!
Phill nos alcançou.
— O que houve?
Tia Annie hesitou.
— Como ela pode?!
— Annie? – Insistiu Phill.
— Andrew está cavalgando a... – hesitou novamente – a égua de Nicole.
Houve um segundo de silêncio, antes que Phill dissesse alguma coisa.
— Entendo.
— Vovó jurou que ninguém a cavalgaria!
— Gabriel, foram ordens do veterinário...
— Não me interessa! Pode ser ordem do papa! – explodi.
Andrew nos viu andando em sua direção. Diminuiu um pouco a velocidade e veio trotando até nós.
— Sra. Annie... – Ele disse.
— Desça desse cavalo agora!
Ele pareceu chocado.
— Perdão?
— Não! Não perdoo! Desça desse cavalo agora!
— Gabriel – Phill me chamou, mas eu o ignorei.
— AGORA! – Gritei.
Eu bufava de ódio. A chama dentro de mim ardia sustentada pela dor.
Tia Annie suspirou tristemente, então falou.
— Andrew, você poderia, por favor, descer da Lola?
Seu olhar passou da tia Annie, para mim, depois Phill. Voltando para mim e por fim, para a tia Annie.
— Claro. – Ele começou a descer da Lola.
— Leve-a para o estábulo.
— Não! Eu a levo de volta!
Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, peguei as rédeas da mão dele e andei em direção ao celeiro.
Ele ficou parado perto de tia Annie, sem dizer nada, e mesmo de costas para eles, e cada vez mais distante, eu sentia seus olhares em mim.
— Sinto muito, Andrew. Entre um pouco para comer alguma coisa. – Ouvi enquanto me afastava.
— Eu acho que eu não...
— Pare de bobagem. Venha logo e...
Eu já estava longe demais para ouvir o que eles diziam.
O vento começou a soprar contra o meu rosto. Meus olhos ardiam, e eu tentava afastar as lágrimas a todo custo. Mas depois de certo tempo, se tornou impossível.
Cheguei ao estábulo e acomodei Lola no seu lugar de sempre. Retirei a sua cela e afaguei seu pelo.
— Vai ficar tudo bem, Lola. Vai ficar tudo bem – Disse tentando manter a calma, mas agora as lágrimas jorravam de meus olhos em longos soluços.
Sentei no chão de frente para a baia dela e só conseguia chorar.
— Gabriel – Ouvi a voz de Phill.
Tentei recompor o pouco que ainda tinha de dignidade em mim antes que ele chegasse, mas não adiantou.
Sem dizer mais nada, ele sentou-se ao meu lado e passou o braço por cima de mim, para me reconfortar. Tinha a impressão de que fiquei chorando por horas. Quando eu, finalmente, me acalmei, ouvi Phill dizer:
— Eu sinto muito.
— Eu sei.
O silêncio preencheu o espaço, apenas com o som dos cavalos de fundo.
Acho que ele queria dizer mais alguma coisa, mas não o fez. Phill me conhecia muito bem, e prolongar aquela história não ia me ajudar.
— Aquela torta de frango estava com uma cara muito boa!
Eu ri fracamente.
— Realmente.
— Quem sabe não possamos ir lá e...
— Comer um pedaço? – Completei, secando as lágrimas.
— Ou talvez a torta inteira.
Ri mais uma vez.
— Aí está. Assim é bem melhor!
— Sinto muito, Phill.
— Ei! Não sinta. Você sempre se cobrou demais. Você sabe que trabalho para seu pai há muito tempo.
— É. Eu sei.
— E nesses interminávei 12 anos...
— Ei! – Empurrei ele com o ombro. Ele sorriu.
— E nesses maravilhosos 12 anos – Ele corrigiu, com um sorriso – eu nunca o vi chorar. E você era apenas um garoto, Gabriel. Deveria ter o direito de chorar se quisesse. Todos nós deveríamos.
— Acho que sim.
— Não vale a pena guardar isso.
— Eu sei. – Olhei para as minhas mãos.
Passou-se mais algum tempo até que ele completasse.
— Estou com fome.
Gargalhamos.
— Tudo bem. Vamos comer. Lola já está bem instalada.
— Ótimo. Só tem uma coisa.
— O quê?
— Não sei se consigo levantar sozinho.
Caímos na risada mais uma vez.
Phill me fazia tão bem. E eu fiquei muito feliz por ele ainda estar ali para me ajudar.
Eu enxuguei os olhos, uma última vez, me levantei e o ajudei a sair do chão. Já de pé, limpou a sujeira da roupa e começou a andar em direção a saída.
— Vamos?
— Sim. – Olhei para Lola mais uma vez, fiz carinho no seu rosto e fui embora.
Quando entramos de novo em casa, esperava vê-lo lá – Quero dizer, o Andrew – E uma parte de mim ficou envergonhada quando soube que por minha causa ele nem chegou a entrar. Tia Annie se desculpou por mim, mas não estendeu a conversa. Apenas nos fez sentar e começou a enfiar comida para dentro de nossas bocas.
— Eu ainda preciso voltar para Nova York, senhora. Se continuar comendo assim, acho que vou acabar dormindo até amanhã. Dormindo como um bebê. Um bebê gordo e feliz. – Rimos todos.
— Onde é mesmo que minha avó esta?
— Ela foi resolver um problema na casa de um compadre. Ela estava tão ansiosa para recebê-lo. Mas era urgente. Parece que a filha dele estava dando a luz.
— Ah sim. Então não há nada que possamos fazer para apressá-la.
— Receio que não.
— Tudo bem.
Phill conferiu uma mensagem no celular, suspirou e disse.
— É chegada a hora. Tenho que partir.
— Já? – Perguntamos em uníssono.
Olho para tia Annie, que parece muito triste com a partida dele.
— Seu pai já me perguntou se estou voltando. Ele me quer lá o quanto antes – Nos levantamos – Foi um prazer Sra. Annie – Ele disse beijando-lhe a mão mais uma vez.
Consigo vê-la corar.
— O prazer foi meu.
— Sua comida é maravilhosa. Espero poder aproveitar dela e de sua presença mais vezes.
— Ora. Que isso? – Ela sorriu.
“Huuummm. Galã” — pensei.
Fomos até o carro com ele.
— Volte o quanto antes – Falei.
— Se depender de mim... Mas seu pai.
— Vou trabalhar nesse quesito – Sorrimos – Boa viagem.
— Obrigado! Adeus, novamente, Sra. Annie.
— Adeus.
Então ele entrou no carro e partiu.
— E agora? – Perguntei.
— Agora você me conta as novidades. Está pegando algum gatinho?
Lembrei do Julian, meu ex namorado.
— Não mais, tia. E desde quando você fala gatinho?
— Tenho que me manter atualizada.
Rimos.
— É verdade.
— Então me conte. Eu quero saber de TU-DO! Até dos detalhes sórdidos – Ri alto – Vamos entrar.
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