Agora eu sei
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Que incômodo era admitir que estava apaixonada.
Mas como negaria quando queria tanto a atenção dele, a companhia, o olhar de quem pensa sobre o que acabou de ouvir de sua voz?
Aquilo era incômodo.
Estava sendo difícil tratá-lo da mesma forma. Olhá-lo da mesma forma.
Não importava quantas maneiras ela pensasse em como ele reagiria a partir de então, pois Shikamaru jamais era óbvio.
Ou o óbvio estivesse sendo o não óbvio e acabasse sendo a reação óbvia no fim das contas.
Ah, aquilo era tão confuso.
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— Sim, Nara. O que está tão difícil de entender?
E mesmo com a brusquidão da resposta dela, estava ali a afirmativa que ele precisava para a pergunta mais impulsiva e impensada que havia feito, pois não havia como sua lógica ditar as regras daquele jogo estando os dois àquela altura.
Agora ele deveria falar algo, fazer algo. Mas o quê? Era bem lógica a resposta, mas seu corpo não reagia ainda surpreso com a facilidade que ela admitia sentir aquilo por ele.
Os olhos foram para o rosto dela a vendo enrubescer com o contato visual e desviar os olhos esverdeados para outra direção. Agora sabia que aquele rubor não era de raiva, era de timidez. E essa descoberta era imensamente encantadora, ainda mais se tratando dela.
E tudo parecia diferente. Como se uma das mais difíceis charadas fosse resolvida, aquele sentimento de alívio por conseguir encontrar uma resposta para algo que matutava na cabeça há algum tempo e parecia ser impossível.
O que ele esperavam, então? Esperava que seu coração e sua mente parassem de festejar e dessem os comandos certos para não estragar tudo e terminar aquele jogo.
Mas tudo estava tão eufórico dentro dele.
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E a mão apertou a sua. Tão calejada e sábia.
Temari olhou a junção dos dois com certo alívio. Ela sabia que ele sentia o mesmo, entretanto uma gota de uma insegurança bizarra a mantinha com um pé no pessimismo, desacreditando seu coração a crer fielmente no que ele sentia sem dizer.
Esperava que ele dissesse que também gostava dela, mas Shikamaru era mais complexo que isso, apesar da simplicidade que buscava levar a vida.
Ela sorriu com isso, sorriu sabendo que ele gostava de quando ela o fazia. Ela sabia, porque ela o observava, ela sabia mesmo não querendo admitir que era mesmo o que pensava. Pouco sorria, mas na maioria das vezes era por ele.
— Isso vai ser problemático. — ela ergueu os olhos o vendo olhar para o lado de forma preguiçosa e com as bochechas rosadas, a mão coçando a nuca e a boca crispada — Digo, a partir de agora.
E eram anos juntos, conhecendo um ao outro, observando. Eram anos entendo os sinais e motivações, os pequenos detalhes, a forma como pensavam. O que cada palavra, cada olhar, cada gesto significava. Então, ela sabia do que ele falava. Não deles, mas do que isso acarretaria no futuro. Em relação a tudo ao redor.
Mas isso não tinha muita importância para ela, apertou a mão dele em resposta. A única resposta que ele precisava.
Passariam a dificuldade que fosse juntos.
Agora ela não se sentia tão só. E ele não deveria pensar que sozinho enfrentaria a burocracia.
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Quão raro era vê-la tão calma e com um sorriso que não inspirasse sarcasmo e charme lascivo?
Ele poderia rir desse pensamento, mas o amor à sua vida prevalecia. E não estragaria aquela cena com o seu intelecto meio bobo.
Agora ele podia pensar sem culpa, sem estranheza, que o sorriso dela o ensinava a viver. Tanto o que vinha logo após um insulto camarada, quanto aquele que acalmava o coração. Eram sorrisos que não o deixavam desistir, que apareciam depois de passar um sufoco danado em que fugir seria a opção mais viável para ele.
E aquele tinha sido um tremendo sufoco. Perguntar se ela gostava dele.
E gostar era uma forma leve de chegar ao assunto real. Se chegaram àquela situação, não era apenas por gostar um do outro.
Ele podia até chorar e não ligaria se ela detonasse ele com sua língua feroz e o humor negro, porque agora ele sabia...
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— Eu devo me preocupar com… — ele coçou a nuca mais uma vez, as mãos ainda unidas. Ela sentia uma vontade incontrolável de rir, mas se segurou. Sabia o que ele queria perguntar — com seus irmãos?
— Eu sou a única pessoa que você deve se preocupar, Shikamaru. Em todos os sentidos. — o sorriso só deixava a ameaça ainda mais explícita, mas a risada dela que se seguiu o fez rir também.
Era engraçada a forma como os dois pareciam desajustados a um contato mais íntimo. E embora ela tivesse total noção do quão patético eles estavam, não conseguia agir de outra forma. E ele também não.
E continuaram se olhando em silêncio, prontos para o próximo passo e sem saber como fariam aquilo.
Às vezes pensar demais atrapalhava a rapidez nas ações de Shikamaru, mas ela admitia que não estava em melhor situação tendo sua impaciência sendo anulada pelo nervosismo.
Respirou fundo, precisava se acalmar para deixar de se comportar como a adolescente que nunca foi e ser a mulher que era. Ele também respirou fundo, os dois erguendo os olhos na mesma hora.
A postura, porém, foi destruída quando os olhos preguiçoso brilharam pequenos com uma vivacidade que ela nunca tinha visto, ou tenha em grau muito menor quando o via chegar à uma estratégia que o faria vencedor no shogi.
Ela não desviou os olhos nem quando a outra mão foi segurada. Apenas ergueu um pouco a cabeça, sentiu uma ansiedade intensa subir por seu estômago e sua respiração descompassar a cada centímetro que ele se aproximava mais.
E aquele sentimento que parecia tão distante ou com significados incoerentes demais, agora fazia sentido. Não ainda em sua mente, mas em seu coração.
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E beijá-la seria a sua ruína intelectual, ele já esperava. Quando pensou que poderia fazer aquilo sem apanhar, que estava realmente pronto para chutar tudo o que fingiu não existir, ele se inclinou e provou dos lábios dela. Tão inexperientes quanto os dele, mas igualmente tão certos do que faziam.
Era sua ruína aquele momento, pois nenhum pensamento coerente passava por sua cabeça, nenhuma chama de sabedoria ou resquício de sensatez. Não havia preocupação, não havia plano, não havia qualquer sinal do desastre político que poderia desencadear daquele ato que os dois assinavam com um beijo.
Não importava mais qualquer consequência, para onde iam as nuvens, para onde ia o sol...
O amor havia chegado. E ele iria ficar.
betado por MrsFox_
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