Agora e para Sempre
46 2 Temp - Por mim...
Notas iniciais
Acordo sem Arthur ao meu lado. Tomo um banho e visto uma roupa simples, que Deborah emprestou.
Espero encontrar todos na cozinha mas apenas Arthur esta, preparando algo no fogão.
_Bom dia.
_Bom dia. — diz sorridente.
Sua roupa esta toda suja de farinha.
_onde esta o pessoal?
_foram dar uma volta. Você não acordou a tempo então ficamos pra trás.
_é que a noite de ontem me esgotou. — ele ri, balançando a cabeça desaprovando.
_você não tem jeito mesmo. — rimos e eu lhe dou um selinho.
_o que esta fazendo?
_panquecas.
_uau, alêm de romantico, gato, inteligente e gostoso, ainda sabe cozinhar!. Tenho o namorado perfeito.
Sorri.
_sou o cara dos sonhos. — pego uma maçã na prateleira.
_ego grande não combina com você. — ri. — eai, já sabe qual faculdade seguir?
_por que a pergunta?
_ah, sei lá. Eu apenas estive pensando.
_Medicina. — faço uma careta.
_Medicina? Tem certeza?.
_tenho. Por que?
_não combina com você. Pensei que quissese ser Cientista ou Engenheiro.
_só por que sou Nerd?. Na verdade, quero seguir esta carreira porque quero descobrir Curas.
Meu corpo fica tenso.
_não faça isso.
_o que?
_não mude sua vida por minha causa.
_Helena não é por sua causa...
_claro que é Arthur. Você quer descobrir a minha cura.
_sim. E quero ter tempo o suficiente para conseguir isto.
_não. Arthur, você não vê? Eu vou morrer, pra quê continuar com isso?
_você não vai morrer.
_claro que vou. E quando acontecer, não podera fazer nada contra. — dou uma mordida na maçã.
_não diga essas coisas. — fala chateado.
_é a verdade. Logo, Logo terei um lugar já ocupado no cemiterio da cidade. — solto um riso, achando graça do humor negro.
Seu rosto fica serio e ele me encara.
_não seja egoista.
_egoista?. Eu estou sendo realista.
_não. Todos estão fazendo o possivel para que continue aqui, mas parece que você quer ir. Quer morrer logo.
_essas coisas demoram Arthur. Não quero passar 10, 15 anos tendo a mesma rotina. Quimio, Hospital. Quero que esse sofrimento acabe logo.
_e eu? Acha que eu quero isso?.
_Arthur são coisas diferentes. Você não esta na minha pele.
_e você não esta na minha. Ver a sua namorada, o amor da sua vida, passar por tudo que ela passa. Sei que não é motivo mas eu tambem sofro.
_vocês insistem em me querer aqui. A qualquer momento eu explodo, Arthur. Todos ao meu redor vão sentir a consequencia de terem se aproximado afetivamente de mim. Eu sou uma bomba!
_e eu estou disposto a mudar isto. Farei de tudo para que continue aqui.
_o que por exemplo?. Transar, me dar carinho e fazer panquecas pela manhã?. Eu vou morrer do mesmo jeito. Se contente com isso! — berro.
_mas eu não vou!. Eu sou teimoso demais para deixar que a minha namorada, a pessoa que eu escolhi para futuramente ser mãe dos meus filhos, morra por causa da droga de um cancêr! — vocifera, com um tom bem mais alto que o meu.
Seu rosto esta vermelho de raiva.
_eu não quero que sofra Arthur. Não entende?. Quando chegar o dia, nada nem ninguem poderá mudar. Minha vontade era de terminar tudo agora. Quebrar o contato e mudar de país, mas eu te amo muito para não conseguir passar o resto dos meus dias longe de você. — já estou chorando, apontando o dedo em direção ao seu peito.
Nossos rostos estão a centimentro de distancia. Ele apenas me avalia.
_sei que pode parecer egoismo meu, mas quanto mais rapido for, menos dor causará.
_Helena... — é interrompido pelo riso de nossos amigos.
Param ao nos ver ali naquela situação.
_o que esta acontecendo?
Me viro e saio dali com as lagrimas rolando rapidamente pelo meu rosto.
Entro no quarto e pego minhas roupas.
_hey, o que foi? — pergunta Gabi entrando no quarto seguida por Deb.
Me sento no chão, encostada na perna da cama.
_Arthur e eu transamos.
_serio? — pergunta a irmã, feliz
_mas não é por isso que estou assim.
_e por que esta assim?
_ele não quer que eu morra.
_ninguem quer que você morra, Lena. — diz Gabi.
_o problema é que... Eu quero isso. Tudo o que eu quero é acabar com isso logo.
_entendemos o lado dele.
Batem na porta e Arthur entra.
As meninas afagam minha cabeça e saem nos deixando sozinhos.
Se senta ao meu lado, olhando para o mesmo ponto que eu. A parede de madeira que parece bem mais interessante que a cara dele no momento.
_sabe, a 1 ano atrás eu não me importaria com nada disso. Mas agora é uma dor pensar em você morta.
Não digo nada.
_será que pode aguentar mais um pouco? Por mim.
Segura em minha mão e a acariscia.
O olho.
Lacrimas enchem seus olhos e uma escorre por sua buchecha.
Correspondo ao carinho e ele se aproxima juntando nossos labios em um beijo delicado e cheio de paixão.
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