“Procurado,

Vivo ou morto.

Intocado,

Ou com a faca no pescoço.

Vingança é um prato

‘Que se come frio’, até esquecer.

Mas espero a ponto de ser necessário requentá-lo,

Esperar, para fazê-lo ferver.

Quer riquezas?

O perdão real?

Traga-me ele...

Por bem ou por mal”.

O guarda da falecida rainha recitou,

Apontando meu cartaz de “procurado” na pilastra.

E então, meu destino, entregou

À flechas, facas ou mesmo uma navalha.

Bem, sou um assassino profissional.

Um frio atirador de facas.

Tenho instinto animal,

E corto seu fio da vida, com fazem as parcas.

Minha mira, segundo os bardos

Pelo deus Apolo, foi abençoada.

Mas, por causa dela, aos brados,

Por todo o reino, minha vida é caçada.

Cresci no circo,

Tratado como aberração.

Mas de lá, eu fugi, traçando meu destino:

Como assassino, conhecerei mais cedo o meu caixão.

Assassinei a Rainha

Por uma consulta à bola de cristal.

Me mostrou minha morte, e adivinha?

“Morrerei com um golpe de punhal.

Morrerei onde nasci,

No circo do meu pai,

Amarrado ao alvo do Circo Caligari,

Minha habilidade, meu dom, no fim, me trai”.

A bruxa terminou e pegou seu caderno,

Ironicamente, de fada.

E anotou meu destino certo,

Em forma rimada.

Segui com minha fuga,

Minha vida incerta, como tinta borrada.

Mas, na floresta, minha visão ficou escura,

Quando, na cabeça, recebi uma punhalada.

Acordei amarrado,

Atado ao alvo que usei na minha infância,

Quando sinto o sangue escorrer pela nuca

E uma adaga é jogada à distância.

Olhei de súbito para o atirador,

Uma pessoa que eu “havia” matado.

Ela usava uma coroa e tinha expressão de dor:

Era a “falecida” rainha, usando seu vestido ensanguentado.

Então raciocinei, chocado:

Eu era um assassino morto por sua presa

Sendo amarrado à um alvo após ser apunhalado.

A bruxa havia falado: “O destino já está escrito, não esqueça”.

A segunda adaga foi lançada

Vi seu sorriso, quando a lâmina atingiu minha orelha.

A terceira raspou meu pescoço, de sangue melada.

E a chama da vida daqueles assassinos virou apenas uma centelha.

Acordei aos berros, no hospital.

Toquei o pescoço, “Uma cicatriz”.

“Quem sou eu, afinal?”

“Isso,”, disse o médico, “você quem me diz”.

O doutor me olhou

Assim como uma garota, com um caderno de fada na mão.

“Espero que goste”, ela, no meu ouvido, sussurrou.

Então, saiu, dizendo algo como “é a sua jornada”.

“Ela diz ser sua amiga, filha de escritor.

Disse que era por seu serviço ser tão perfeito, por ser um matador.”

“Mas quem sou eu, doutor!?”

“Antes de se lembrar, será chamado Leitor”.

Notas finais
Sobre o caderno, vale falar que foi onde eu fiz o poema e onde o mostrei aos meus amigos, mudando um pouco do sentido do poema quando o coloco na Net.
Obs: Caligari é o nome do circo citado em Desventuras Em Série: O Espetáculo Carnívoro.

Atenciosamente,
Nina.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!