Agora Ou Nunca
4 Uma descoberta nada agradável
Notas iniciais
Boa Leitura.
Sexta-feira à noite. Casa do Lee e Joshua, seu companheiro.
Hinata, Sakura, Ino e Tenten estavam diante o amigo para informar que o quarto dele estaria temporariamente ocupado. Na verdade Tenten praticamente ordenou que Hinata explicasse toda a situação, afinal era o primo dela que ficaria naquele quarto.
A verdade é que as quatro amavam Lee. A amizade entre os cinco era algo muito bonito, puro e sincero. Mesmo o amigo não morando mais com elas, nenhuma delas conseguiu desfazer daquele quarto e quando ele dorme lá com elas é uma verdadeira festa. É como se voltassem ao tempo onde aquelas cinco pessoas mesmo com pouco dinheiro nos bolsos decidiram mudar de cidade e tentar uma vida melhor em Londres. O dinheiro sempre contado, mas a união nunca desfeita. Um sempre ajudando o outro, amparando o outro. Lee foi quem chegou na cidade primeiro, e quando ele já estava devidamente instalado e trabalhando chamou as amigas e todas elas foram atrás de um sonho: uma vida melhor. A vida de nenhum deles era miserável, mas moravam em uma cidade pequena no interior. Eles eram ambiciosos querendo conquistar o mundo, coisa que na cidade natal deles não conseguiriam.
Chegando na casa lindamente decorada em Notting Hill, onde Lee morava com Joshua as quatro mulheres não conseguia falar nada. estavam com medo de Lee. Ele sempre tão alegre e sarcástico, estava tenso. Se sentia incomodado em sua própria casa. E elas não estavam gostando nada daquela visita.
Lee tinha chamado suas amigas para conversar. O clima tenso. Ninguém falava nada. Não tinham coragem. Mas Lee quebrou o silêncio:
- Bem, eu as chamei aqui porque tenho um comunicado muito importante para fazer à todos.
Nem Joshua sabia o que estava acontecendo. E devido a fisionomia do companheiro estava preocupado. Não estava gostando do tom usado por Lee.
- Bem... Não sei dizer de outra forma a não ser sendo bem direto. É o seguinte: estou a duas semanas preocupado com a minha saúde. Perdi o apetite, comecei a perder peso, estou suando muito e a toda hora, sinto muitas dores, principalmente no pescoço e estômago, e para completar apareceu um caroço, pequeno mas ainda sim um caroço, no meu pescoço. Então fui ao médico a duas semanas atrás por causa desses sisntomas e fiz vários exames. O resultado já saiu e hoje voltei ao médico para saber o resultado. Pois bem... Quero lhes informar que tenho um pequeno probleminha de saúde chamado de Doença de Hodgkin.
Lee sempre foi um pouco hipocondríaco. Tinha horror à dor. Qualquer coisa já corria ao médico e não saía do consultório até ter em mãos uma receita médica para comprar nem que fosse um analgésico.
- Tá legal. Discurso longo e só entendi que nada entendi. O que diabo é isso? — Ino falou com os olhos arregalados, tentando assimilar a notícia.
- Eu sei o que é... — informou Sakura.
- É um problema no sistema linfático. — cortou Lee
- É câncer. — Sakura disse em um fio de voz e com os olhos marejados.
Um novo silêncio pairou da sala.
- I-isso é ve-verdade? — gaguejou Hinata.
- É sim. — respondeu Lee.
- Mas que droga Sakura! Será que você pode deixar de ser inteligente uma vez na vida e cometer um engano? — Tenten estava aos brandos e descontou em Sakura. Não queria acreditar no que ouviu. Não podia ser verdade. Não com o Lee!
- Desculpe. Mas também estou assustada, chocada... E com medo. — Sakura sussurrou a última frase mais para ela do que para os presentes naquela sala.
- E como é isso realmente? — Ino queria saber tudo a respeito da doença.
- A doença de Hodgkin é um câncer que ataca o sistema linfático, como já tinha dito. Ainda não sei a gravidade e nem a profundidade da doença. Será necessário fazer uma biopsia para saber qual o tipo doença de Hodgkin eu tenho antes, pois há vários tipos dele. E só então iniciar o tratamento mais adequado. E também farei vários exames para saber se a doença já se espalhou e tudo mais. É muito provável que eu já entre com a quimioterapia.
- Por que não me contou desde o início? — Joshua pronunciou pela primeira vez. Em seus olhos, já marejados, via-se principalmente medo. Levantou-se de repente e pôs-se a andar de um lado para o outro com as mãos nos cabelos se fosse arrancá-los. — Eu iria ao médico com você! Por que passar por tudo isso sozinho? Você tem amigos, tem a mim! Não teremos que lidar com uma estúpida gripe. Isso é sério! Por quê?
- Eu sei. E peço desculpas. Mas não agüentava de dor e fui num impulso ao médico. Aí a coisa desandou de vez.
- E agora? O que vai acontecer? — Hinata perguntou.
- Segunda vou me internar no hospital para fazer outros tipos de exames. Eles querem primeiro fazer uma biopsia e saber se já espalhou para outros órgãos.
- Está com medo? — Ino perguntou o mais delicadamente possível.
- Não. — garantiu Lee — Acho que o termo certo seria: terrivelmente apavorado!
Depois ele caiu na gargalhada para ver se assim o clima tenso era quebrado. Mas ninguém disse nada. Aliás, ninguém apresentou reação alguma.
Depois de horas que tiveram a revelação bombástica, os amigos começaram a beber para tentar aliviar toda aquela tensão e angustia.
Lee foi o único que ficou bêbado de verdade. O outros ainda sentiam um gosto amargo da cerveja na boca com tudo isso e mesmo que tentassem, não conseguiam ficar bêbados. estavam sóbrios, terrivelmente sóbrios.
- Tenho que aproveitar essa noite. Talvez seja a última vez que fico bêbado.
Ninguém conseguia falar nada. Cada um estava mergulhado em seus próprios pensamentos.
- Antes de mais nada, gostaria de pedir duas coisas. — Lee virou-se para as quatro mulheres e milagrosamente parecia sóbrio diante delas.
- Pode falar Lee. — Sakura falou.
- Primeiro gostaria de não vê-las esse final de semana. Gostaria de ficar sozinho, meditar e absorver tudo isso. É assustador, mas tentem entender. É comigo que está acontecendo tudo isso. É difícil para vocês eu sei, agora imagina pra mim? É mais difícil ainda. Estou tenso e quando fico assim gosto de ficar um pouco sozinho, vocês sabem disso. Vou precisar muito de vocês, mas agora queria um momento para mim, entendem? Por favor! E por último, vocês se incomodariam que tirar uma folga no trabalho e ficarem comigo no hospital? Não na segunda, pois ficarei fazendo vários exames, provavelmente quando acabar estarei exausto, mas a partir de terça. Com certeza o médico já terá as respostas e assim começarei o tratamento. Gostaria muito o apoio das minhas amigas nessa hora.
Pela primeira vez elas viram o amigo implorando por algo. Por isso não iriam discorcar em momento algum.
- E que se dane o trabalho! estaremos lá com certeza.- Sakura disse.
- Nossa! A coisa deve ser bem séria, para a mais caxias do grupo não se importar em faltar no serviço... — Lee ainda tentou fazer uma piada.
Acontece que ninguém conseguia rir naquela noite.
As meninas ficaram ainda mais um pouco. Queriam ficar o máximo de tempo com o amigo. Até ele ficar com sono e expulsá-las de lá. Então saíram da casa muito tarde. Quer dizer, era bem cedo. Por volta das três da madrugada.
- Meu Deus! Eu tenho que pegar o meu primo na rodoviária. Tinha me esquecido. Meninas, por favor, vocês podem ficar comigo até dar o horário? Ainda estou chocada! E não quero ficar sozinha.
- Claro Hina! Ficamos com você, só não garantimos que conseguiremos ficar acordadas. — Sakura respondeu.
- Tudo bem, não importa. Só quero minhas amigas por perto. Estou com muito medo do que está por vir.
- Todas nós estamos, todas nós. — Ino disso num suspito.
A verdade é ninguém conseguiu dormir mas também não tinham coragem de falar nada. Novamente estavam mergulhadas em seus próprios pensamentos, seus medos e aflições.
Notas finais
Quem quiser dar idéias sobre algum personagem, ou até mesmo sobre a história em si também estou a disposição de ouvir (ou melhor, ler...)
Fale com o autor