Agora Ou Nunca
26 O convite para sair
Notas iniciais
Boa Leitura!
Hinata despertou e virou para o outro lado da cama. Abriu os olhos e viu que horas eram. Faltava um pouco mais de uma hora para o seu despertador tocar. Odiava isso. Acordar antes do despertador. Acabava perdendo o sono. E foi exatamente isso que aconteceu. Já desperta, levantou decidida a fazer sua higiene matinal. Foi aí que se lembrou da noite anterior. E se não lhe falhe a memória, Naruto ainda estaria na sua cama.
Virou-se para encarar a situação e foi comprovada sua suspeita. Naruto estava deitado em sua cama, exibindo toda a sua magnífica nudez e dormindo o sono dos anjos. Não tinha tempo de admirar o belo corpo do loiro. Tinha que tirá-lo de lá a qualquer custo antes que todos acordassem.
“Pela saúde da rainha! Tenten não pode nem imaginar que ele dormiu aqui! E o Neji então? Acho que é capaz de castrá-lo!”
- Naruto acorda! – sacudia-o freneticamente. – Vamos, acorda! Acorda! Acorda!
Uzumaki não demorou a acordar. Não era a maneira que ele imaginava ser desperto, mas ver aqueles olhos perolados compensava tudo.
- Bom dia minha boneca!
- Bom dia. Você precisa ir embora.
- Por quê?
- Não tenho tempo de explicar, mas vá, por favor! Antes que o povo dessa casa acorde e o veja aqui.
- Qual é o problema?
- Sério. Depois eu explico, agora se arrume e vá.
- Queria tomar café da manhã com você.
- Outro dia. Vai!
Naruto não estava entendendo nada, pior, não estava gostando nada dessa história. Mesmo assim se arrumou e foi embora. Não sem antes beijar a sua morena com sofreguidão.
- É para você não se esquecer de mim pelo resto do dia. Mais tarde eu ligo.
- Tudo bem. Agora vai!
Quando fechou a porta, deu um suspiro. “Graças a Deus!”
- Hinata?
A Hyuuga deu um pulo, tamanho o susto que levou.
- Sakura? Oi, bom dia!
- Bom dia. Já acordada? O que faz parada aí na porta?
- É que bem... Ouvi um barulho estranho e fui verificar. Mas não era nada.
- Engraçado... Não ouvi nada.
- Vai ver estava sonhando...
- E o teatro? Como foi?
- Estava ótimo! Muito bom. Deveríamos ir nós quatro qualquer dia.
- Pode ser. Chegou muito tarde? Nem vi a hora que você chegou.
-Não sei direito. Estava cansada e fui direto para a cama.
- Tá legal.
= = = = =
Aquela sexta-feira estava muito estranha para Sakura. Primeiro a Hinata que tem um pesadelo e age de forma incomum. Até a encontrou parada na porta da sala. Até onde ela sabia, sua amiga não era sonâmbula.
Depois é Lee que pede uma carona até o hospital. Tinha mais uma seção de quimioterapia e precisava ir até o hospital. Isso significava chegar ao serviço uma hora mais tarde. Não seria problema se o seu hospital não fosse longe do seu serviço. Por que não pediu para o Neji? Ele é mais forte e de todos da turma é quem trabalha mais próximo ao hospital.
Chegou até a sua mesa e estava tão concentrada em seus pensamentos eu fazia as coisas automaticamente. Guardar a bolsa, ligar o computador, ir até a mesa de café e preparar um café para si, voltar à sua mesa (com o café) e começar a trabalhar.
Bem... Pelo menos era essa a sua intenção. No canto direito da tela de seu computador havia um envelope piscando. Alguém tinha mandado um e-mail para ela. Clicou no envelope para verificar. Será que era uma de suas amigas para saber da saúde do Lee? Ou então era alguém da empresa querendo tirar alguma dúvida de algum reembolso ou o balanço mensal da empresa?
Era de alguém da empresa. Mas o motivo não era nem de longe o que ela pensava. Aliás, ela nunca imaginaria algo sobre isso. Por isso, ao ler o conteúdo do e-mail foi inevitável não se engasgar com o café que tomava. Meg dava tapinhas em suas costas. Karin que passava em frente retirou a xícara da sua frente.
- Tudo bem? Precisa de alguma coisa?
Nem conseguia responder.
- Vou pegar um copo d’água.
Karin saiu e instantes depois apareceu com a água.
- Sente-se melhor?
- Sim, obrigada.
- Por nada. Precisando é só falar.
Saiu em direção à recepção. Continuava não gostando da rosada, mas fazer o que? Nunca teve o Sasuke de verdade. Ele nunca mostrou interesse por ela. Então o jeito era encarar os fatos. Sakura e Sasuke têm um caso e ela não iria atrapalhar.
= = = = =
- Alô?
- Ino, sou eu.
- Fala Sakura. Tudo bem? Aconteceu alguma coisa com o Lee.
- Quem? Lee?
- Sim. Lee, nosso amigo. Está lembrada? Você o levou até o hospital hoje de manhã.
- Lembro sim. Está tudo bem com ele. É sobre outra coisa que quero falar.
- Diga. O que foi?
- Não é o que foi. É quem foi. Sasuke.
- Como? O que ele aprontou agora?
- Ele me mandou um e-mail, convidando para sair no sábado.
- O QUE?
- Hey! Não grita. O telefone está no meu ouvido. Mais um desses gritos eu fico surda.
- Desculpa. Mas me explica direito. Porque até onde eu sei ele tinha te dispensado e depois desse episódio vocês mal tem se falado. Quer dizer então que ele limpou a barra com você e agora vão sair no sábado à noite.
- Não falei sábado à noite. Falei sábado.
- Meu Deus! O que ele está planejando? Algum lugar fabuloso?
- Não.
- Me fala! Onde é?
- Ele... Ahn... É que ele...
- Ele o quê?!
- Ele vai me levar para assistir a uma partida de futebol. – Sakura falou num fio de voz. Não entendeu nada desse convite, tão repentino e tão estranho.
- Ir ao futebol é a onda do momento – disse Ino, com jeitinho. – Quais são os times?
- Ahn... Não sei. Arsenal* contra outro desses times aí...
- Arsenal?! As entradas para uma partida do Arsenal valem mais que ouro em pó!
- Ah, verdade? Como é que você sabe disso?
- Gaara torce para eles. Mas me conte o que o Sasuke disse no email.
- Aqui diz: "Sábado à tarde em Highbury. Cerveja, Arsenal X Everton** e Vossa Senhoria? Que tal? Prometo explicar direitinho as regras do impedimento para você e alimentá-la depois do jogo.”.
Ino mal conseguiu falar, porque estava à beira das lágrimas.
- Ai, que lindo! – guinchou ela. – E ele vai levá-la para jantar depois. Você não me contou isso.
- Beeem... – um sentimento de orgulho começou a brotar em Sakura.
- Muito bem, mesmo!
= = = = =
- Tudo bem então. E quando eu receberei o novo cartão? Certo então. Posso retirar no banco? Ah, certo! Ótimo. Muito obrigada.
Ino desligou o telefone e Gaara a recriminava apenas com o olhar.
- O que foi?
- Eu não acredito que você já ligou para o banco, contando pela milésima vez que foi assaltada e ainda por cima pediu um novo cartão de crédito.
- Ah, Gaara. É por uma boa causa. Sakura precisa renovar o guarda-roupa dela. Ela vai arrasar nesse encontro. Será meu presente à ela.
- Você vai estourar o limite do cartão de novo.
- Eu sei, mas vai valer a pena.
- Fico cabreiro quando você se intromete assim na vida das suas amigas.
- Como se elas não fizessem isso também...
- Essa amizade de vocês é estranha.
= = = = =
- Experimenta esse Sakura.
- Ino, é rosa.
- E daí?
- Já não basta o meu cabelo não? Assim vou parecer um algodão-doce ambulante.
- Afe Testuda como você complica. Experimenta logo!
- Por que tenho que experimentar tudo isso de roupa?
- Porque você tem um encontro com Sasuke. E tem que estar esplêndida.
- Mas eu já tenho roupa.
- Mas não vai com aquelas. Surpreenda-o. Você vai ver como ele vai cair de amores por você.
- Como eu sempre me deixo levar pela sua conversa?
= = = = =
A semana passou rápido. Logo chegou sábado. O dia do encontro de Sakura e Sasuke.
A casa estava em polvorosa. Claramente Neji, Gaara e Naruto foram deixados de lado. Por isso estavam na sala se entretendo.
- Não acredito que ele vai levá-la para assistir o jogo do Arsenal. Ela por acaso entende de futebol? – Naruto perguntava.
- Até onde eu sei não. – Neji respondia.
- Cara! Itachi deve estar uma fera. Com certeza os ingresso eram dele. Droga! Sou amigo dele a anos e só assistimos jogos juntos pela televisão. Ou da minha casa ou da casa dele. Podia ter me levado pra assistir no estádio. Levasse a Sakura para outro lugar!
- Preciso concordar. Parece um desperdício de dinheiro. Também torço para o Arsenal e gostaria muito de ver esse jogo. – fala Gaara.
= = = = =
- O cabelo tem que estar solto.
- Não, prende eles.
- A maquiagem deve ser bem leve.
- É melhor esse perfume. É mais suave.
- Mas e o hidratante? A pele dela tem que estar um veludo.
Sakura já nem sabia quem estava falando o que. Só sabia que Ino, Tenten, Hinata, Lee e Joshua se encontravam no seu quarto dando dicas e palpites sobre o que vestir, que creme, perfume usar, os acessórios, como deve ficar os cabelos. Toda aquela gente estava deixando-a maluca e faltava uma hora para se encontrar com o Sasuke e ainda se encontrava de roupão e cabelos molhados.
Eles iriam aproveitar a saída da rosada e sairiam para ir ao cinema. Mas por amor à família real! Bem que todos eles poderiam antecipar o cinema e deixá-la sozinha um pouco. Ninguém estava ajudando mesmo. Só estavam deixando-a nervosa e mais atrapalhava do que qualquer outra coisa.
= = = = =
Sasuke estava esperando junto à bilheteria da estação de Finsbury Park***, conforme combinado. Havia tanta gente circulando de um lado para outro que, por um momento, Sakura não o viu. Então o avistou encostado em uma parede, com as mãos nos bolsos do casaco. Ele vestia um par de jeans desbotados, botas pesadas e um grande casaco de couro de corte quadrado nos ombros e seus olhos pareciam distantes. Nervosa, ela começou a se encaminhar na direção dele. Quando o moreno a viu a expressão de seu rosto era de surpresa.
- Sakura! – reagiu ele, desencostando-se da parede e ajeitando o corpo.
Sem cerimônia avaliava os cabelos presos em um rabo-de-cavalo alto, o suéter num tom rosa bem escuro, justo no braço e no busto, o cumprimento era curto, o suficiente para mostrar um pouco a barriga, o casaco de couro preto por cima da blusa, o jeans justo, que moldava em suas pernas e deixava o bumbum mais arrebitado e as botas de Sakura. Ela estava sexy, mas ao mesmo tempo tinha um ar inocente. Balançando a cabeça, incrédulo, soltou o ar, com força.
- Uau!
- Eu não estou tão diferente assim! – reagiu ela, meio sem graça.
- Não, mas... – seu sorriso se espalhou e cresceu, nem tentou disfarçar que gostava do que via.
Sakura tornou a desviar o olhar, embaraçada e se desculpou:
- Sinto muito por me atrasar.
Ele olhou para o relógio e sugou o ar, ralhando:
- Três minutos e meio, Sakura. Já estava achando que você não vinha. – brincou, embora fosse verdade. – Mas finalmente chegou! Venha por aqui. – e levou-a para a rua.
= = = = =
O estádio parecia imenso. Depois de entregarem os ingressos, beberam algo leve, no bar. Depois, levaram mais dez minutos se acotovelando com centenas de outros torcedores, pelas passarelas e escadas, até saírem no ar livre e frio, ouvindo a cantoria da torcida, ali perto e mais longe também.
Os lugares eram numerados e havia uma gigantesca cobertura metálica para proteger os espectadores do mau tempo. Tudo muito civilizado, bem diferente da arquibancada a céu aberto com pessoas tentando ver o jogo atrás de milhares de cabeças, como Sakura inicialmente imaginara. Quando encontraram os lugares marcados, se sentaram lado a lado, com as coxas muito próximas.
Ao olhar em torno, viu troncos humanos que formavam quase uma muralha vertical até o teto com revestimento metálico. Os outros três setores de arquibancadas estavam igualmente lotados. Era espantoso. As palmas ritmadas e os pés batendo no chão e ecoando no teto de metal do estádio eram ensurdecedores. Uma sensação poderosa e viril. Ela sentiu o sangue bombear no ritmo da bateção dos pés. Dava para sentir a energia na barriga.
- Está tudo bem? – Sasuke perguntou, virando-se para a rosada.
- Tudo bem. – concordou ela com a cabeça, lançando um sorriso tênue.
- Você está bem agasalhada?
Ela balançou a cabeça, em concordância.
- Dá para ver todo o campo?
Outro aceno.
- Não que haja alguma coisa para se ver, por enquanto. — acrescentou ele.
Sasuke estava nervoso com a possibilidade de talvez Sakura não estar tão empolgada com aquele encontro quanto ele. Tranqüilizada pela ansiedade que sentiu nele, ela se pegou dizendo:
- Não pensei que fosse sentir essa...
- Essa o quê? – quis saber ele. Era nítido que estava tenso.
- Essa empolgação. – admitiu ela.
Ele sentiu-se mais alegre e gratificado, e essa sensação percorreu-lhe o corpo, preenchendo-o por dentro. Ele estava certo desde o início a respeito dela! Havia um fogo e uma paixão insuspeita sob a superfície aparentemente fria da Haruno.
- Se está achando isso empolgante, – sorriu ele – espere só até mais tarde!
Assustada, ela arregalou os olhos. Como ele era presunçoso!
- Estou falando de como vai ficar depois do pontapé inicial. – voltou a ficar nervoso.
Ficaram um tempo em silêncio, que foi quebrado pela rosada.
- Você curte futebol há muito tempo? – perguntou com um jeito tímido.
- Nossa, um tempão! Aos quatro anos eu já era um torcedor muito devotado, graças ao meu irmão. Ele é fanático pelo Arsenal. Foi ele que me levou pela primeira vez à um estádio de futebol.
Instalou-se novamente o silêncio. Depois de um tempo Sasuke falou:
- Deve estar quase começando.
Ele pegou com casualidade no seu braço e olhou para o relógio dela. Foi um gesto casual, algo que qualquer pessoa poderia fazer com outra. Mas foi o suficiente para deixá-la com um frio na barriga. Ela prendeu a respiração ao sentir os dedos gelados dele apertando-lhe o pulso. Então ele agradeceu gentilmente, largou o braço dela e acabou o clima. Mas levou um tempinho até a respiração dela voltar ao normal.
Subitamente, uma perceptível mudança se fez sentir no ar do estádio.
- Lá vamos nós – Sasuke disse baixinho para ela no momento em que, como um só corpo, toda a arquibancada se levantou ao mesmo tempo, batendo palmas, assobiando e gritando.
Parece que o Arsenal acabara de entrar em campo, mas Sakura só conseguiu ver as costas e as cabeças das pessoas à frente dela. Em seguida, pelos urros e vaias, concluiu que era o time do Everton que havia entrado.
- Os jogadores de vermelho e branco são os nossos rapazes. – Sasuke murmurou.
- Eu sei! – e sabia mesmo. Ino havia lhe ensinado as coisas básicas.
- Que legal! – Sasuke elogiou. A coisa ia cada vez melhor.
Sasuke estava muito focado e realmente interessado em cada lance do que acontecia em campo. Sakura imaginou se não devia estar sentida com aquilo. Afinal, por que ele a levara até lá se planejava ignorá-la? Só que não conseguiu ficar chateada. De vez em quando ele olhava para o lado, para saber se ela estava bem. Continuava preocupado por ela estar, talvez, com frio.
Com 20 minutos de partida, ele fixou o olhar nela por mais tempo. Estava linda em seu casaco de couro.
- Você está bem? – perguntou novamente, só para ter certeza.
- Estou, estou ótima. – Ela respondeu com um pequeno sorriso.
- Não ouvi o que você falou – disse ele, inclinando o rosto para ficarem mais próximos. – Fale mais perto!
Achando que ele não ouvia devido ao barulho em volta deles, ela se esticou para chegar mais perto dele e repetiu:
- Eu disse que estou bem!
- Continuo sem ouvir. — tornou a dizer. – Chegue mais perto!
Sem graça por invadir o seu espaço pessoal, ela se movimentou ainda mais para perto dele e disse:
- Sim, estou legal!
Agora os rostos estavam tão junto que dava para ela ver os poros de sua pele, onde a barba estava começando a crescer.
- Não ouvi nada! – ele tornou a dizer, mas sua voz era quase inaudível, e ela teve que ler os seus lábios.
Confusa, ela chegou alguns centímetros mais perto:
- Estou bem!
- Não ouvi nada – ele apenas fez a mímica das palavras, com a boca.
Havia menos de dez centímetros entre os dois rostos e o hálito dele, com cheiro de menta, batia em seu rosto gelado. Não dava para ela chegar mais perto do que já estava. Completamente imóveis, seus olhares se encontraram. Havia intensidade nos dele e confusão nos dela. Só então Sakura compreendeu...
Sasuke se movimentou ligeiramente, chegando mais perto dela, obscurecendo a sua visão. E a beijou.
Itachi teria chorado se soubesse que o seu precioso ingresso tinha sido desperdiçado por alguém que passou a partida inteira aos beijos. Para sorte dele, Sakura e Sasuke se beijaram apenas uma vez.
Os olhos dela estavam fechados, suas mãos se colocaram no rosto do Uchiha e ela reparou o quanto os lábios dele eram firmes e secos. Ele a trouxe mais para perto e suas mãos envolveram-lhe a nuca. O beijo aprofundou-se e ficou mais agressivo. O calor das bocas febris contrastava com o frio que lhe atingia o rosto, tornando tudo ainda mais secreto e delicioso.
Logo o ar lhes faltou e tudo acabou. Meio relutantes, abriram os olhos e se afastaram um do outro, meio trêmulos de desejo. A realidade entrou novamente em foco.
- Desculpe... Eu não devia ter... Esse não é o local apropriado. – Sasuke sussurrou.
- Você tem razão – concordou ela. Estava atônica com o gesto.
Os dois assistiram ao resto da partida, mas com uma tensão sexual entre eles. Parece que o Arsenal ganhou o jogo. No final eles entraram em um táxi e foram direto para a casa dela.
- Com certeza a turma toda estará lá. Inclusive o Naruto.
Assim que chegaram lá, Sakura entrou em pânico. “Cadê todo mundo?” Eram apenas cinco e meia da tarde, já deu tempo deles voltarem. A presença dele preencheu todo o ambiente, e ela quis que ele fosse embora. “Está muito cedo para atitudes inadequadas. Alguém pode aparecer.” Mas tinha que fazer alguma coisa. Ele tinha que se sentir à vontade.
- Essa é a sala. – anunciou ela, estendendo a mão nervosa. – Sente-se que eu vou colocar uma chaleira...
Parou de falar de repente, pois sentiu quando Sasuke colocou dois dedos no cinto do jeans dela.
- Venha até aqui! – disse ele com uma voz rouca, puxando-a para junto de si.
Ela sentiu o puxão, sentiu os pés movendo-se na direção dele e o corpo colar no dele. Em silêncio, notou o olhar sugestivo e íntimo que ele lhe lançou ao abaixar o rosto. Então de repente sua boca estava sobre a dela. Ao fechar os olhos, sentiu seu corpo desabrochar como uma flor.
Sasuke interrompeu o beijo. Tentando fazer o coração voltar ao ritmo normal, ele sorriu com tristeza, avisando:
- É bom que você saiba que eu jamais durmo com alguém logo no primeiro encontro.
- Nem eu. – garantiu ela, de forma seca e fria.
- Sorte nossa que esse já é o nosso segundo encontro, não é? – ele sorriu.
- Não pense nem por um momento que...
- Não estou pensando nada. – disse ele depressa e arrependido. — Acredite, foi uma piada.
- Ah... Então você dormecom as pessoas logo no primeiro encontro?
- Não, eu... – estava ficando desesperado, só então parou e percebeu o sorriso da rosada. – Já entendi, isso também foi uma piada. – e os dois sorriram um para o outro.
- E quanto a esse segundo encontro? – perguntou ela.
- Bem, eu prometi que ia alimentá-la, não disse?
- E...?
- Pensei em sair com você. Está a fim?
- Sair para onde?
- Ahn... Pensei em levá-la no Ivy**** – disse ele, meio sem graça devido à extravagância do convite.
- Ahn... Tudo bem. – Sakura deu um pequeno vacilo, mas por fim respondeu – Mas está tudo bem para você se nós nos encontrarmos lá?
A idéia de ele ficar esperando na sala enquanto ela se aprontava era uma intimidade para a qual a Haruno ainda não se sentia preparada. Ele pareceu desapontado, mas disse:
- A mesa está reservada para as oito horas. Eu a vejo lá, então. Ele deu um selinho em seus lábios e saiu.
Sakura correu até o guarda-roupa e tirou um vestido preto com mangas justas, cortado sob medida. Não era exatamente curto, mas era bem curto para ela.Como, porém, ele ia levá-la no Ivy, nada mais adequado.
= = = = =
Quando o táxi deixou Sakura na porta do Ivy, passava pouco das oito horas.
- Estou procurando pelo Sr. Uchiha. – comunicou ao maitre. Ele verificou a lista e falou:
- Por aqui, por favor.
Caminharam até uma mesa onde Sasuke já se encontrava.
- Obrigada.
- Está linda! — Sasuke elegiou.
- Obrigada. Você também.
Os cardápios chegaram e eles pediram a comida e o vinho. Ficaram conversando sobre banalidades até a entrada deles chegarem. Quando o prato principal chegou, Sakura perguntou, genuinamente interessada:
- O seu linguado está saboroso?
- Está. – Sasuke garantiu – Quer um pouquinho? – ele já estava levantando o garfo e virando-o na direção dela.
- Ahn... Não. – ela torceu o corpo meio de lado, com o rosto corado.
- Vá em frente. – incentivou ele – Está delicioso!
- Esse é um dos diálogos mais manjados que eu já ouvi. – disse ela, tentando deixá-lo sem graça, a fim de que desistisse. Mas isso não aconteceu.
- Prove um pouquinho! – ele insistiu.
Animada pelo seu tom de voz e pela intimidade do gesto, Sakura se inclinou para a frente e deixou Sasuke colocar o garfo em sua boca.
- Não está bom? – perguntou com um olhar significativo.
- Ótimo – ela concordou um pouco tímida.
Ele começou a observar cada garfada que ela colocava na boca, e o foco de sua atenção era o movimento dos lábios, quando ela empurrava a comida para dentro deles, olhando de um jeito caloroso enquanto ela mastigava. Sakura ficou embaraçada e excitada. Depois do prato principal, precisou dar uma escapada até o toalete, para respirar fundo e tentar dissipar a tensão sexual que havia na mesa.
Na hora da sobremesa, pediu mousse dupla de chocolate. Enquanto deixava deslizar para dentro da boca uma colherada do chocolate preto-e-branco, levantou os olhos e pegou Sasuke olhando para ela com muita intensidade. A tensão sexual voltou à mesa.
Ela formigou tanto por dentro, de expectativa, que ficou quase receosa. Talvez role ainda essa noite. Talvez mesmo...
Ao sair do restaurante, ficaram por algum tempo na rua, sob a noite fria. “E agora?”
- Vem, eu te levo até sua casa. Estou de carro. – Sasuke se pronunciou.
“É... Não vai rolar nada hoje. Em casa não tem como. As meninas e o Neji já devem ter voltado.”
Notas finais
*Arsenal: Arsenal Football Club é um clube de futebol inglês e é um dos mais bem sucedidos clubes.
** Everton: Everton Football Club é outro clube de futebol inglês.
*** Finsbury Park: ela existe mesmo. É uma estação de metrô de Londres.
**** Ivy: existe mesmo. O nome certo é The Ivy. É um dos mais tradicionais e elegantes de Londres.
Já sabem né?
Críticas, sugestões, opiniões, é só escrever.
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