Notas iniciais
Pensei,refleti bastante sobre Agony.
Cheguei a conclusão de que vale muito apena continuar escrevendo-a.Mesmo sozinha,mesmo com 1 leitor.Isso é uma escolha minha e darei o meu melhor para terminá-la como prometido.
Como disse a Mizore-chan.
"O show precisa continuar"
Boa leitura,se alguém estiver lendo.

O telefone repousa na mesa há 40 minutos sem tocar.

Olho para o aparelho preocupado, vigiando-o sem parar. Parece bem cômico de a minha parte estar observando um telefone igual a um maníaco, mas a falta de algum telefonema me assusta.

E muito.

Faz exatamente dois dias que Mello não dá nenhum sinal aparente de vida.

Imaginei que fosse só mais uma de suas artimanhas para chamar atenção e me provar que deveria me importar mais com seus sentimentos. Resolvi ignorar esse fato, já que no dia anterior, discutimos pelo telefone.

Motivo?

A mesma coisa de sempre: Coisas irrelevantes.

Depois de algum tempo, comecei a me preocupar com seu repentino distanciamento. Agora, estou extremamente nervoso, escondendo-me nas cobertas no sofá, olhando para o telefone como se ele fosse me comer.

Talvez essa hipótese não fosse completamente descartável.

Raito ligou há 40 minutos, com sua voz empolgada e alegre, dizendo com convicção de que estava saindo com L sem problemas. Apenas concordei com tudo que dizia, aflito e mais preocupado com Mello do que a crise de “felizes para sempre” dos pombinhos.

Irrita-me um pouco ouvir os murmúrios apaixonados de Raito.

Enquanto tento entender o motivo de Mello desaparecer e ainda compreender suas atitudes imbecis, Raito está mais preocupado em saber se L acordou disposto a uma segunda rodada antes do desjejum.

Queria me preocupar com coisas assim.

Engraçado.

Faltam apenas dois dias até o início das aulas, meu estoque de cigarros acabou, estou sem dinheiro e minha mãe está totalmente desligada com os assuntos domésticos.

Vendo pelo lado bom, ainda tenho meu bom humor.

Poderia pensar que estou em uma maré desgraçada de azar, onde o pobre Matt, sempre sofredor, está mais uma vez a mercê de um loiro maníaco viciado em chocolates. O que não deixa de ser uma verdade, visto que mais uma vez estou me pegando preocupado com alguma atitude que não condiz respeito a mim.

Sou tão bonzinho que nem ligo para mim mesmo.

E com essa reflexão, Mail Jeevas pode ir ao céu!

Voltando ao assunto Mello, como dizia antes, estou começando a levar a sério sua chantagem emocional. Um misto de preocupação e culpa atravessa minha garganta como um bolo no estomago, um nó que simplesmente não quer descer.

Deslizo um pouco mais no sofá, ainda entediado e com preguiça demais para tentar fazer algo construtivo ás 11h00min. Olhando para o teto branco, imagino hipóteses para mais uma crise besta do loiro.

Pode ser que tenha trocado os chocolates pelas drogas. Hipótese falha; Mello nem compra seu próprio vicio.

Pode ser que tenha sofrido um acidente de carro. Hipótese nem tão falha assim; Mello dirige tão mal quanto faz charme.

Pode ter finalmente matado seus pais e fugido.

Ok é melhor parar com isso.

[...]

-Está exagerando. -diz L, levando aos lábios mais uma xícara de chocolate quente. Rolei os olhos em escárnio.

-Queria ver se isso acontecesse com você. -retruquei, lhe encarando.

Sempre a velha historia. Chumbo trocado nunca dói. L diz isso porque sua dose de sofrimento acaba mais rápido que nem dá para sentir dor. Sua rotina só é interferida por Raito porque ele mesmo permitiu isso, deixando de livre e espontânea vontade que o outro domasse tudo.

Isso também me irrita, pois L sempre quis deixar bem claro que Raito o sufocava. E agora, parece estar sob efeito de algum transe hipnótico, onde nada e ninguém o tira.

-Se isso acontecesse comigo, note o se, por favor. -diz com tom cordial e calmo.

-Isso nunca aconteceria com você. -interrompi, fazendo-o se ajeitar no sofá desconfortável. -Estamos falando do Mello e não do seu Raito.

-É apenas uma suposição Matt. -respondeu em tom inocente, deixando-me envergonhado por ter sido grosseiro. -Está tão irritado assim?

Parei uns segundos para pensar, antes que alguma palavra nociva saísse da minha boca e causasse estragos. Respirei fundo, demonstrando que não estava no dia para brincadeiras.

-Olha Matt, não precisa ficar nervoso com o fato de Mello resolver dar mais um de seus ataques.

-Já te disse que se fosse com você, seria diferente.

-É claro que sim. Como você disse, estamos falando de Mihael. Raciocine por um tempo.

Permiti encerrar a conversa com meu silêncio.

Sei que estamos falando de Mello. Mas na minha mente, pensei que tinha deixado bem claro que eu tinha o controle da situação e que não permitiria suas crises e chiliques. Agora, a incerteza e a insegurança parecem voltar com força.

Uma ideia antes rejeitada veio-me a mente, me fazendo sentir burro.

-Vou ligar para ele. -anunciei, recebendo apenas um resmungo inaudível.

Levantei-me num salto, pegando o aparelho telefônico e discando o primeiro número gravado na secretária. Voltei a me sentar com o parelho tocando o número do celular do Mello, que depois de algumas chamadas, desligou sozinho. Encarei o silêncio da linha como um péssimo sinal.

-Deve ser a interferência. -murmurei para L, tentando me convencer mais do que apenas informar-lhe do acontecido. -Vou ligar para a casa dele.

L deu de ombros, murmurando que iria a geladeira, levantando-se em seguida em passos lentos e arrastados à cozinha.

Disquei o outro número nervosamente, esperando ansiosamente para ser atendido.

-Mochi-mochi?-atendeu a mãe do Mello, com sua velha voz mal humorada.

-Anw... O Mello está?

Ela ficou em silêncio por alguns instantes.

-Não. Pensei que estivesse aí na sua casa ruivo. -respondeu, já com tom de voz aflito. -Não sabe onde ele está?

Fiquei apreensivo. Além de mentir, vou ser obrigado a ocultar coisas.

-Ah... Ele está na casa do Beyond... -menti, com a esperança de que ela caísse na mentira e não fizesse mais perguntas. -Deve estar lá. Ele me disse ontem e acabei esquecendo!

-Ah... É mesmo?-indagou, desafiando-se a acreditar na minha mentira.

É nada!

-Sim, sim. Sou uma cabeça de vento mesmo. –respondi mais nervoso ainda, soltando uma risadinha seca.

-Hum... Ok então. Se ele chegar aí me ligue.

-Oh claro. -outra risadinha nervosa. -Ja nee!

-Ja nee.

Desliguei o telefone pior do que eu já estava, com todas aquelas hipóteses rondando e girando na minha cabeça, causando-me náuseas e um baque forte na cabeça. Engoli um nó na garganta.

Onde estará Mello?

Notas finais
Postarei o próximo Domingo que vem,sem falta.