Agentes da CIC - INTERATIVA
9 Riscos de operação
Notas iniciais
Estar boquiaberto era pouco para os três, e até mesmo os que estavam no escritório, que com sua visão direto dos óculos, ficaram de cair o queixo ao ver a bela mulher à frente deles. Ela deu um sorriso divertido, genuinamente lisonjeada e estendeu a mão para Ricky.
— Karen Castellano, agente da divisão do Amazonas. Você deve ser o Ricky, estou certa?
— O-ora, mas é claro, senhorita – respondeu o homem após um segundo de hesitação, apertando a mão dela – Acabamos de chegar aqui.
— Qual a situação? – disse, se agachando do lado de Helena.
— Nenhuma pessoa nas redondezas e paredes de chumbo. Ainda sem contato com as câmeras. Nosso hacker tá trabalhando nisso – falou Ethan, guardando o binóculo e puxando seu rifle de precisão .308.
— Certo. Vou me equipar e irei com vocês. A ORBIS tem fugido de nossos radares há meses, mas o diretor geral da CIC conseguiu uma gravação que mostrava funcionários e transportes pra dentro de um dos galpões.
A mulher foi para seu veículo e rapidamente voltou com o colete e uma submetralhadora de calibre .45, armada de silenciador e pente duplo. Não tinha um óculos tático com os deles, mas estava pronta para o combate.
— Vamos lá pessoal: flanquear pelas laterais das câmeras, que Jed encontrou um ponto cego em dois cantos diferentes. Karen, qual sua divisão?
— Infiltração.
— Beleza. Ethan: vai junto de Helena que eu vou com Karen. Aqui é a rota que podemos tomar. Vão em fila indiana.
Os dois confirmaram com um movimento de cabeça e saíram para a rota. Ricky fez um movimento de cabeça e sua nova parceira confirmou. As duas equipes avançaram com calma, observando o campo de visão da câmera e recebendo o feedback de Jed, assim concluindo a caminhada. Chegando na porta, os dois grupos se juntaram e Helena iniciou seu trabalho de abrir a fechadura, enquanto os outros ficavam de observadores. Poucos segundos depois, ela abriu com um clique suave e Jed falou no rádio.
— Hackeei as câmeras e mandei mostrar um loop: vão rápido antes que eles notem algo diferente.
Os quatro correram taticamente, procurando algumas coberturas e avançando progressivamente, até chegar numa porta de serviço de um dos laboratórios.
— Rachel, algum movimento lá dentro? – pediu Ethan, concentrado.
— Duas equipes de seis guardas, mas não parecem pessoas da empresa – disse a mulher, observando e analisando pelas câmeras – Os movimentos de corpo indicam que são experientes nesse ramo. Sem equipamento padrão da polícia, segurança ou exército; com certeza mercenários. Eles estão prontos pra matar, então se preparem. Não vejo nenhum civil ou cientista; devem estar nos laboratórios ou até mesmo de reféns, mas não dá pra informar mais nada acerca deles. Ah, os mercenários estão se movendo em rotas definidas. Seus olhos indicam que vão atirar em qualquer coisa que se mover, mas por causa do tempo fazendo isso, estão cansados. Pessoal, muito cuidado: não quero ver ninguém num caixão...
— Tranquilo, querida – assegurou Ricky com um sorriso determinado – Vamos descobrir o que a ORBIS tá tramando e voltar seguros pra CIC.
Abriram a porta, que deslocou com um suave movimento, sem barulho. Karen foi primeiro, andando sem emitir ruído algum e foi seguida por Helena, para então Ricky passar e Ethan fechar a porta. Tinha um pequeno corredor, de cor branca e sem janelas, que dava numa bifurcação em T, com faixas vermelhas e verdes pintadas na parede, indicando duas possíveis alas: a ala de “Biomedicina”, pintada na cor verde à esquerda e “Nanotecnologia”, de cor vermelha do outro lado. Não havia nenhuma câmera no caminho.
— A partir de agora, codinomes. Qual o seu, bonitona? – disse Ricky, olhando para Karen.
A mulher deu um sorriso e disse, brincando com os lábios.
— Void.
— Beleza: Void vem com Black (eu, né?) e Sight vai com Hell. Temos que procurar alguma informação que mostre coisa da ORBIS.
—--
Ricky e Karen foram andando pela ala de Biomedicina. A primeira coisa que notaram foi que o local era muito limpo: depois de passarem por uma sala de descontaminação, com toda a alvenaria branca e selada, o lugar dava uma aura de paranoia com sujeira. Alguns balcões de mármore continham tubos de ensaio, béqueres e ampolas com algum tipo de material biológico, isso tudo na primeira ala. De repente escutaram vozes se aproximando. Se esconderam rapidamente atrás de uma das centrais de processamento e esperaram. Era uma fala tranquila de cientistas, como se estivessem frente a uma descoberta que iria mudar o curso da humanidade.
— Terminou a simulação? – disse um deles, que era mulher.
— Sim, e os resultados foram muito satisfatórios – respondeu outro, homem.
— Quando vamos poder soltá-la?
— Assim que a produção terminar. O chefe vai ainda resolver algumas coisas com a cidade.
— Certo! Caramba, nunca pensei que houvesse algo assim acontecendo, e pensar que estou fazendo parte disso...
Apertaram alguns botões na central, bem perto de onde estavam, e saíram, deixando a máquina fazendo barulhos de bipe e processamento. Ricky apertou um botão nos óculos dele, e um sonar partiu, quase inaudível, vasculhando a sala. Através dos óculos, ele pôde ver toda a forma do laboratório e constatou que os dois cientistas saíram por uma escada. Deu o sinal de “limpo” para Karen. A mulher se levantou e virou para a central que estava trabalhando numa síntese química, executando cálculos e reações com muita velocidade.
— Conseguiu algo? – perguntou Ricky, revirando documentos numa das gavetas.
— Vou tentar conectar com o relógio, mas não consigo quebrar o firewall.
— King? Faz tua mágica.
— Beleza, Black. Enquanto isso vão procurando possíveis rotas de fuga.
Alguns minutos depois, Karen abriu a boca em surpresa, que Ricky escutou e mirou rapidamente, acreditando ser um inimigo. Mas baixou a arma ao ver do que se tratava: a projeção do relógio dizia tudo.
— D-droga... Por que eu tinha que estar certo? – resmungou Ricky.
— Se isso sair daqui vai acabar com todo o país – exclamou Karen, mas focou-se no objetivo – King: tem como apagar a pesquisa?
— Tenho, mas não garanto que não tenha backup. Se vocês conseguirem interromper a linha de produção, pode me dar mais alguns minutos pra encontrar o mainframe.
— Faça isso. – disse Ricky, e se virou para sua parceira – Void, quero qu--
Foi interrompido por um dos mercenários que entrou no recinto ao escutar as conversas dos dois. Ricky virou-se para o inimigo, já mirando, mas Karen foi mais rápida: ela sacou uma lâmina fina e curta de algum lugar e encostou no pescoço dele, batendo o homem na parede e balançando perigosamente os tubos de ensaio. Com a fração de segundo que ela levou para o encaixe mortal, o homem resistiu, afastando o punhal de sua traqueia com uma cotovelada que desarmou a mulher. Apesar disso, Ricky estava preparado e socou com força no rosto do homem. A cabeça dele foi jogada para trás junto com um punhado de sangue, mas não foi derrubado. Karen sacou um taser de outro canto e eletrocutou o inimigo, que caiu mole até o chão.
— O carinha é duro na queda... – comentou o homem, respirando fundo.
— Acho que daqui pra frente é munição viva, né? – disse a mulher, recuperando suas armas e empunhando sua submetralhadora de calibre .45.
— É. Vamos quebrar essa bagaça!
Esconderam o homem numa das gavetas grandes debaixo e continuaram o caminho, subindo pela escada do outro lado, mas não sem antes apagar os dados da central de processamento e misturando os componentes químicos para diluir e bagunçar as fórmulas. Ricky, particularmente, se divertiu bastante.
—--
Helena pegou um pequeno dispositivo com a mão, esférico e aparentemente ordinário, mas quando colocou no chão, abriu uma pequena fresta e começou a rolar, indo em direção ao corredor que levava ao armazém de Nanotecnologia. Abriu a interface no relógio e se pôs a controlar o drone terrestre, fazendo o reconhecimento na área. Ethan aguardava armado com a pistola .40, com a coronha acoplada do lado da mulher, vendo que a esfera andava com velocidade e quicando pelo chão. Registrou um, dois, três... Dez inimigos! Todos eles andando entre as enormes prateleiras do armazém e outros andando nos corredores suspensos. Por sorte, as caixas que ocupavam as altas estantes eram bem juntas, o que lhes dava uma vantagem tática.
— Estranho que a ala de Nanotecnologia comece no armazém... – comentou Ethan, esperando o drone retornar.
— É esquisito, mas to vendo como vamos passar por aí... Só vi uma escada que leva pros corredores superiores, mas temos que passar por pelo menos 4 deles.
— Como quer resolver isso?
— Por que não pegar o canto mais alto, então? Ali vai nos dar uma vantagem melhor e é onde está uma das saídas.
— Pode ser, mas por baixo temos como nos esconder caso algo saia de nosso controle. Podemos ter apoio visual das câmeras também, com Sis.
— Oh, Sightzinho, vamos... – disse Helena, fazendo beicinho e se apoiando no ombro do rapaz – Você sabe que de cima a gente vai ver melhor...
— Hmm... – grunhiu Ethan, pensando – Você se garante em segurar um tronco daqueles? Porque certamente quando a gente tiver deitando eles, vão fazer barulho.
— Ora – piscou Helena, com cara de inocente, mas ainda com uma ironia na fala – É por isso que Darla me deu esse Anulador de Ondas.
— Anulador de Ondas, hein? – disse o rapaz, virando o rosto para o dispositivo que parecia um chip de computador, mas ficava no braço esquerdo da mulher, amarrado por uma fina cinta – Com isso a gente pode fazer um furdunço e eles não vão escutar.
— Claro, só não se empolgue muito: o alcance disso daqui é limitado, então a gente vai ter que chegar perto deles pra poder agir. Darla disse que eram 5 metros.
— Tranquilo, Hell. Vou na frente. Cubra minhas costas!
Helena ficou muito tentada em cobrir as costas dele com seu corpo, querendo provocar o rapaz, mas achou melhor não: com essa quantidade de guardas era bem perigoso cometer uma gafe e serem mortos. Então se contentou em ativar o dispositivo com uma girada de botão. Empunhando sua submetralhadora de 9mm, ficou olhando para os lados enquanto se preocupava em acompanhar as longas passadas de Ethan. Apesar disso, não eram rápidas, mas estranhamente cadenciadas. Pisariam sonoramente nas escadas de alumínio, mas as vibrações eram cortadas pelo Anulador, e consequentemente o som.
— Sis, algum movimento na nossa direção? – perguntou Ethan pelo rádio, quando chegaram no corredor suspenso.
— Não pela parte de baixo, SIght, mas vejo dois guardas parados perto da cabine de observação aí em cima. Os outros dois não consigo ver daqui.
Atrás de uma pilha particularmente alta de caixas de papelão, eles aguardavam o melhor momento para atacar.
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