Agentes da CIC - INTERATIVA
11 Preparação investigativa
Notas iniciais
Subiram a pequena ladeira lentamente, sem dizer nada. Estavam ainda querendo entender o que Damien queria com aquilo. A noite já caía sobre seus olhos, com o barulho de insetos e alguns animais. A floresta ao redor ainda não dormia, parecendo mais viva de quando chegaram.
— Gravou tudo, Jed? – disse Ethan.
— Err, tem certeza que dá pra usar esse nome? – perguntou Jed, hesitante.
— Não é como se alguém fosse escutar depois do que aconteceu, não é? – respondeu o homem, meio sem jeito.
— Verdade. Sim, Ethan, gravei tudo que se passou pelos óculos de vocês. Vou tentar ajeitar os pontos mais importantes com Rachel aqui e mandar pra Valentine.
— Beleza, compadre. Até daqui a algumas horas.
— Por que vocês não ficam na CIC daqui até amanhã? – sugeriu Karen, apoiando uma mão no quadril – Temos que tratar os ferimentos.
— Tranquilo, bonitona. Mostra o caminho – respondeu Ricky, fazendo um gesto típico de mordomos. Karen riu e foi até seu jipe, com Helena liderando a ida para o outro. Eles seguiram pela estrada, voltando pelo caminho que vieram. Estabeleceram comunicação direta com Valentine assim que chegaram em Manaus, e descreveram toda a situação.
— Não teve como descobrir o propósito dele? – perguntou o homem.
— Nada, chefe. Ele simplesmente disse como um grande vilão de filme de espião “Eu vou dominar toda a economia do mundo” e explodiu a fábrica – disse Ethan, alterando a voz ao representar a fala de Damien.
— Certo. Aguardo vocês.
Ethan estranhou o tom indiferente do chefe, mas não questionou. Achou melhor comentar com Ricky depois. No momento, eles pararam num pequeno prédio, de construção rústica, mas bem cuidado. Tinha cerâmicas pequenas de cor escura de decoração, manchadas pelo tempo e pela chuva. Entraram e parecia uma edificação residencial comum, exceto pela pequena e quase imperceptível porta do lado, onde dava para um alojamento subterrâneo, com algumas camas e redes, isso depois de passar pelo salão central da CIC do Amazonas, que era bem menor que a sede deles.
Os alojamentos eram separados em masculino e feminino, onde cada parte foi para o respectivo local. Lá, depois de tomarem banho e se jogarem nas camas, se puseram a conversar.
— Velho, tu tá tomando bomba, é? – comentou Ethan, após ver como os braços e torso de Ricky estavam grandes e fortes, com algumas veias sobressalentes. Eram quase duas vezes o tamanho dos seus.
— Ah, isso? – respondeu Ricky e fez uma pose de fisiculturista, flexionando os braços – Enquanto você só fica brincando com Helena, eu fico treinando na academia lá.
— Q-que história é essa, rapaz? – disse Ethan, um pouco nervoso e coçando atrás da cabeça – E-Eu só ajudo ela a atirar melhor...
— Hmmm – desdenhou o homem, com um sorriso malicioso – Sei muito bem o que ela quer atirar.
— Arg, vai te lascar, peste! – brigou o magro, com o forte gargalhando freneticamente, mas não estava realmente irritado. Resolveu devolver na mesma moeda, depois de alvejá-lo com um travesseiro – Cê pensa que eu não vi você olhando pra bunda de Karen, seu safado!
— Ali é diferente – respondeu Ricky, levantando um dedo e o queixo, o que era a deixa quando estava na defensiva – Qualquer um olharia pra ela do mesmo jeito que eu.
— Seeeei... – disse pausadamente, afiando o olhar e um sorriso safado no rosto – Tô de olho em você...
—--
— Os meninos tão fazendo baderna de novo – comentou Helena, enquanto se vestia e escutava o barulho dos travesseiros se chocando com corpos, fora os risos histéricos e as conversas emboladas.
— É sempre agitado assim? – perguntou Karen ao se trocar, olhando para a mulher.
— Esses dois parecem idiotas, rindo na cara do perigo, assumindo riscos impossíveis, mas sempre saindo inteiros... Não sei como, mas eles conseguem fazer o impossível – respondeu com a voz nostálgica.
— Parece que realmente se preocupa com eles – disse Karen, se deitando de bruços na cama ao lado da mulher, apoiada nos cotovelos e um olhar divertido.
— Alguém tem que manter eles na linha, né? – deu de ombros Helena, enquanto via a curiosidade estampada no rosto da mulher – O que foi?
— Nada. Só vendo como você é bonita – disse com um riso sincero.
— Ah, mas isso eu sei – respondeu, empinando o nariz. As duas mulheres riram e foram dormir, Karen com um pensamento singular.
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De manhã, acordaram cedo e seguiram para o aeroporto, com a agente do Amazonas seguindo no mesmo jipe. As conversas foram animadas e mal viram o tempo passar quando chegaram perto do avião branco.
— Bem, é isso. A missão não foi realmente um sucesso, mas descobrimos qual a ameaça – disse Ricky, ao falar com Karen enquanto iriam se despedir – Espero poder trabalhar contigo de novo.
— Igualmente – disse Karen, usando aquela mesma voz que não tinha a intenção, mas era sedutora.
Os dois apertaram as mãos, que se tornou um abraço amigável, com tapinhas nas costas. Quando se soltaram, virou-se para Ethan e abriu um sorriso largo e sincero. Chamou o rapaz para perto e deu diretamente um abraço apertado, como se sentisse saudades dele de muito tempo. O homem achou estranho, mas retribuiu a carícia, dando tapinhas amigáveis. Ele não via, mas Ricky olhou esquisito para eles, só anuviando um pouco ao ver a expressão fulminante de Helena. Sentiu um súbito desejo de rir, mas resolveu se conter para fazer isso no avião. Isso estava exigindo muito de si, tanto é que virou o rosto e foi em direção ao piloto.
Depois de receber um beijo na bochecha da mulher, eles se separaram, com um Ethan atônito e um pouco vermelho e uma Karen de expressão amorosa no rosto, formando duas ligeiras covinhas. Ao olharem para Helena, a mulher estava com um sorriso, mas o homem sabia que estava irada. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Karen abraçou a mulher do mesmo jeito que fez com Ethan. A fúria contida sumiu, dando lugar à uma confusão expressiva.
Ao ver a cena, Ricky virou o rosto tão violentamente que se escutou o estalo do pescoço. Ele olhou para Ethan, que continuava com uma cara de confusão e depois virou para as duas mulheres abraçadas como se fossem irmãs muito próximas. Depois de um beijo em cada lado da bochecha, ela soltou Helena. Acenou em despedida, como se nada tivesse acontecido, deixando os três estarrecidos. Ricky não aguentou e começou a rir. Os outros dois o acompanharam. Pouco tempo depois, deram tchau, mas não sem antes o forte dizer:
— Eu quero o meu também!
— Depois! – gritou Karen, acenando quando entraram no avião.
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A viagem de volta foi tranquila, sem nenhum problema, mas Ethan permanecia preocupado. Pôs a mão no queixo enquanto visava a janela, repleta de nuvens aparentemente fofinhas sob um céu claro e azul. O solo, bem abaixo, detinha uma coloração verde, representada pelas árvores e campos. Passando pelo rios, se via a faixa de cor marrom-clara cortando a imensidão verdejante. Não dava pra ver nenhuma casa, mas era fácil de identificar as áreas de cidade. O terreno era em maior parte plano, o que dava a impressão de estarem viajando sobre um imenso tabuleiro. E mais à frente viram as ruínas da Corporação ORBIS, cortesia do trabalho deles.
Ficou assim, pensativo até receber uma ligação em pleno ar da central. Tocou no relógio e projetou o rosto da pessoa à sua frente: era Valentine. Imediatamente se arrumou na cadeira, puxou o cabelo para o lado (que não adiantou nada, já que voltou quase que instantaneamente para o mesmo lugar) e falou:
— Ah, chefe.
— À vontade, Ethan. Chame Ricky aqui também. Preciso falar com vocês dois.
Ethan fez um gesto com a mão, chamando o forte homem. Helena viu o gesto e se esgueirou por trás das cadeiras, tentando escutar a conversa.
— Tenho uma tarefa pra vocês.
“Quero que vocês interroguem uma pessoa. Ele veio até nós com informações valiosas sobre a ELITE, mas não quis divulgar nada até falar especificamente com você, Ricky.”
— Hm, será que eu matei um amigo dele sem querer? – ponderou Ricky, olhando para cima.
— Não sei, mas por que ele veio diretamente pra CIC? – questionou Ethan – A ELITE já é nosso inimigo, e se ele veio com informações pra cá, certeza que ele era de lá. Ele quer pedir anistia?
— Exatamente – confirmou Valentine com um aceno – Procurem saber o que ele pode oferecer de informação. Caso não seja o suficiente, iremos prendê-lo.
— Beleza, chefe – disse Ricky e acenou para o parceiro fechar a ligação. Ethan confirmou com a cabeça e fechou o holograma. Todos permaneceram calados por um tempo, até o alto rapaz puxar a mulher e o forte homem para junto dele e cochichou.
— Vocês não acham que Valentine tá estranho?
— Como assim, cara?
— Sabe, ele anda meio evasivo e indiferente esses dias. Percebi desde que falaram sobre a ORBIS.
— Percebi também – concordou Helena, olhando diretamente para o rapaz.
— Talvez seja cansaço. Ele tem participado bastante das missões da gente. Fora que não só tem nossa equipe trabalhando e o cara não tá exatamente novo – disse Ricky, mas não pareceu muito confiante na afirmação.
— É, talvez seja isso.
Apesar da suspeita, Ethan pareceu menos preocupado com Valentine. Realmente todos os sinais apontavam para trabalho excessivo. Dispersou a questão olhando para os seus amigos e dando um leve sorriso. Ricky e Helena sorriram de volta, em antecipação à chegada na sede. Com a mente vazia, Ethan se pôs a dormir, mais calmo do que sempre esteve. Adormeceu quase imediatamente.
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