Agente 009

1 Cabrito desalmado de uma perna só - Parte 1


Notas iniciais
Hey, Hey, Hey, olha eu aqui, com o primeiro capítulo refeito e prontinho para vocês. Boa leitura :)

Acordei meio zonza, hoje seria o meu primeiro dia de aula. Mesma escola, mesma pessoas. Levantei, por sinal, quase que tropeçando nas cobertas devido a minha pressa para ir até meu celular que soltava um toque extremamente irritante em cima de minha mesa de estudos.

Após essa pequena maratona, fui até o banheiro, e, depois de realizar minhas necessidades, caminhei até meu closet que era, desnecessariamente grande já que a maior parte das roupas que preenchiam não eram de minha escolha e, sim de minha mãe.

Peguei a primeira calça jeans escuras que vi, junto com meu uniforme e meus tenis pretos, vestindo-os logo, o cheiro da comida feita no andar de baixo começava a se espalhar pela casa e eu não seria boba de demorar. Desci as escadas escorregando pelo corrimão e, graças ao meu bons reflexos não me esborrachei no chão.

_ Eu já disse pra não fazer isso mocinha.- disse papai em tom de censura. Meu pai era David Keller, um dos empresários mais cobiçados do mundo com seus quase 42 anos, e seus 1,84 cm de altura, seu cabelo castanho quase acobreado, coisa que eu sempre me orgulhei de ter herdado, que fazia um belo conjunto com seus olhos castanhos esverdeados, o que fazia meu pai ser motivo de alucinação pra muitas mulheres.

_ Mas isso é tão... legal?- dei um sorriso amarelo e ele me abraçou, quase me esmagando.

_ Amor, se você esmagar a nossa princesa seremos chamados no colégio por falta, venham comer os dois, pois estamos quase atrasados.- minha mãe apareceu na porta da cozinha vestida com um avental que deixava visível somente poucos pedaços do vestido preto e justo que ela vestia.

Morgana Keller, uma das empresárias de moda mais bem sucedidas atualmente, com 38 anos recém feitos e 1,82 cm de altura, minha mãe conseguia chamar atenção onde passasse, com sua pele parda, cabelos e olhos escuros, ela era uma morena que ninguém poderia botar defeito e dá até dó de qualquer uma que tente dar em cima do papai, ela a colocaria para correr com somente duas palavras.

Caminhamos rindo até a cozinha, mamãe cantarolava uma música qualquer e balançava a cabeça em um ritmo estranho enquanto colocava os pratos sobre a mesa, ela vem até mim, que já estou sentada e dá um beijo em minha cabeça.

_ Ei, eu também quero beijo.- papai que estava entrando no cômodo, faz bico e eu sorrio ao ver a senhora Keller dar a volta na mesa indo em direção a papai, ao qual deu um pequeno beijo e virou se indo se sentar. Papai não parecia contente, por isso a puxou virando para o mesmo e lhe dando um beijo literalmente de cinema. — Eu disse que queria um beijo. Agora, com licença.- papai se desvencilhou, deixando sua mulher plantada e aparentemente tentando respirar apoiada no balcão.

_ Acho que o papai ganhou essa.- mamãe me lançou uma cara feia e eu levantei as mãos em sinal de rendimento olhando para papai que mantinha um sorriso sarcástico no rosto, enquanto comia seu sanduíche. Comecei a comer e Morgana sentou-se, voltando a comer.

_ Preparada?- papai perguntou dando goles em seu suco.

_ Para o quê? Ver Josh e os outros, não obrigada acho que preferiria me jogar da ponte. — respondi terminando de comer e bebendo meu suco.

_ Princesa, eu já disse a minha opinião sobre essa briga de vocês. — mamãe se intromete.

_ Mãe! Eu já disse que não tem nada de desejo reprimido é só... — papai engasgou se com o suco quando respondi. _ O que você falou para ela, senhorita Morgana?

_ Agora é senhorita Morgana, é? Pode deixar que eu vou passar a me apresentar assim agora para os seus amigos, ok?- ela abriu um sorriso maldoso fazendo papai ficar vermelho de raiva e eu percebi que aquela era a minha deixa para ir.

Me levantei disfarçadamente, deixando a louça na pia e saindo da cozinha.

_ Quem falou que a senhorita poderia sair?-papai gritou quando eu já estava na sala com minha mochila posicionada no ombro.

_ Ninguém, mas já são 7:45 e eu só tenho 15 minutos, por isso, tchau mãe, tchau pai.- não lhes dei chance de resposta e já fui logo emendando.- Vou com Charles.

Como se aquilo fosse algum tipo de novidade, era sempre Charles quem me levava, ele era o único empregado da casa, meus pais sempre preferiram que não tivéssemos muitas pessoas em casa, algo sobre ter mais privacidade. Enfim, meus pais não tinham tempo pra me levar, por isso o dever ficava para Charles, o motorista da casa, que, na maioria das vezes ficava apenas com o trabalho de cuidar de mim e me levar aos lugares, já que com 16 anos eu ainda não poderia tirar carteira.

_ Olá Charles.- disse sorrindo para o homem que estava apoiado no belo carro preto. Charles era um homem de meia idade, com seus cabelos castanhos começando a ficar brancos, sua pele negra e seus olhos azuis acizentados começavam a demonstrar cansaço.

_ Olá menina Chloe. Vamos?- disse sorrindo e desencostando do carro, logo abrindo a porta traseira para que eu pudesse entrar.

_ Vamos.- sorri e sentei no banco.

_ Sempre pontual, senhorita Keller.

_ Você nem imagina.- disse lembrando da cena que acabara de presenciar. Passei todo o caminho olhando a paisagem através das janelas.

Nós morávamos em Nova York, embora eu tenha nascido no Kansas, onde vivi até os meus 6 anos, quando meus pais decidiram se mudar para facilitar a relação com suas empresas. Nova York é linda, havia me apaixonado, desde o primeiro segundo em que pisei aqui. Meus pais me colocaram no melhor colégio que o dinheiro podia pagar na cidade que nunca dorme.

A Holding High School, um colégio que mais parecia Azkaban do que um lugar para ensino propriamente dito, com as paredes feitas de tijolos e janelas quase que do meu tamanho, a estrutura que parecia mais velha que meu bisavô, essa escola era de algum modo bastante estranho a melhor da região, ou seja, só temos os mauricinhos e patricinhas, aos quais eu tenho que aturar, não posso fazer nada se paciência nunca fora meu forte e eles também não ajudavam.

Charles estacionou num dos grandes espaços delimitados pelas tiras brancas no chão. O estacionamento era de fora do colégio e cercava-se por uma longa e densa floresta que já fora motivo de muito boato no HHS.

_ Chegamos.- ele disse e eu suspirei quase como se estivesse caminhando para o matadouro.- Tente não matar ninguém.- ele acrescentou olhando pelo retrovisor, enquanto eu ajeitava a mochila preta de spikes em minhas costas.

Terminei de descer e sorri para o mesmo.

_ Vou tentar, mas não garanto nada. Agora, se isso acontecer você sabe o que fazer.- ele deu uma gargalhada alta e eu sorri.- Tchau Charles, até mais tarde.- dei um beijo e sua bochecha e ele retribuiu com um sorriso.

_ Até mais tarde, menina.

Mal tive tempo de me virar para a entrada antes de ouvir o ronco do motor e logo o carro desapareceu no local.

Observei o estacionamento, ele vivia cheio, já que o colégio era também uma faculdade, sendo assim muitos estudantes vinham com seus próprios automóveis.

Pouco depois já estava em frente ao portão de ferro enferrujado da HHS, porém não tive tempo de dar dois passos quando uma cabeleira loira pulou em minha frente e eu só tive tempo de me segurar para que nós duas não caíssemos.

_ Chloe!- ouvi seu grito, pouco antes dela pular em mim me abraçando, ou melhor, quase me esmagando e eu sorri.

_ Hey, Lin! Calma, sou eu.- minha voz estava abafada devido a cabeleira loira de Lin em meu rosto. Lindsay Hampton, uma das garotas mais populares do nosso estimado colégio, juntamente com sua irmã gêmea Valentine. Fisicamente as duas poderiam ser consideradas iguais com seus cabelos loiros e lisos e olhos verdes, a pele branca como papel,a única diferença física era que Val era um pouco maior q porém no quesito personalidade a história era bem diferente.

Lindsay era mais o tipo princesinha, sua cor preferida é o rosa, o que se aplica até mesmo em suas roupas, a mesma é muito inteligente, alegre, dramática, é sempre a primeira a saber de qualquer boato ou fofoca e pode se estressar facilmente se a chamarem de fútil, ama livros e por muitas vezes já até me emprestou alguns.

Já Valentine se difere da irmã como se fossem polos opostos, a garota faz o estilo geek fashion, com suas roupas sempre planejadas, temperamento forte e respostas na ponta da língua, é viciada em séries, livros, mangás e qualquer outro tipo de entretenimento que exista e se tem alguma coisa em que concorda com sua gêmea é o fato das duas odiarem serem confundidas, por experiência própria acho melhor ninguém testar a paciência delas, que já não é muita em seus plenos 15 anos de idade.

_ Eu senti tanta saudade!- ela fez bico ao me ver desvencilhar-me dela e eu sorri.

_ Eu sei Lin. Eu também.

Mal tive tempo de respirar antes de ver outra cabeleira loira tampando minha visão e ri do afobamento das duas.

_ Oi Val.- disse sorrindo ao ver ela me soltar.

_ Oi Chloe.

_ Então, qual das duas loiras preferidas vai me contar o que aprontou dessa vez?- passei meus braços pelos ombros de cada uma, começando a andar em direção a aquilo que eles insistem em apelidar de colégio, me desculpe, mas eu não tenho culpa se eles só adaptaram uma Hogwarts de 500 anos de idade, que mais ficou aparecendo Azkaban do que qualquer coisa e desejam que alguém goste de estudar ali.

_ Mas, você só conhece a gente de loira, é claro que somos suas preferidas.- Val alfinetou.

_Okay, okay. Mas e então, não fizeram nada de interessante? As duas trocaram um olhar estranho antes de responder e eu fingi ignorar.

_ Ah, você sabe, as coisas de sempre, mamãe deu a louca ao descobrir que duas garotas passaram a noite no quarto dos meninos e nos levou até a casa de campo,onde, somente ela tira algum proveito.- Lin sorria minimamente ao terminar e eu já suspeitava do motivo.

Dei uma gargalhada ao ver ela terminar de contar. Josh Hampton é com toda certeza a pessoa que eu mais detesto nesse mundo e por ironia do destino também é irmão das minhas duas melhores amigas, junto com seu gêmeo Tyler. Sim, gêmeo, a diferença de idade entre os irmãos sensação e minhas melhores amigas é somente de um ano, emboraas diferenças entre eles forme uma lista gigantesca. Os dois possuem cabelos castanhos e olhos azuis tal como a cor do céu, possuem a mesma altura, a pele é branca assim como porcelana, igualmente a das meninas.

Tyler era um irmão para mim, a antipatia que eu nutria por Josh transforma-se em empatia no caso do outro gêmeo,mas o que eu poderia dizer? Josh é um babaca, egocêntrico, (infelizmente) inteligente, tarado e insuportavelmente chato, já o Tyler, na minha opinião é totalmente o contrário, além do que ele sempre cuidou de mim, se fossemos contar só pelas vezes as quais ele já me salvou.

_ Sua mãe deve ter surtado. Eu queria ter estado lá pra ver.- ri ainda mais.

_ Ria mesmo. Isso vai ter volta meninas, podem esperar.- ouvimos uma voz atrás de nós e eu sorri.Logo senti alguém me abraçando por trás e sorri ainda mais. — Olá,maninha.- Tyler sussurrou em meu ouvido e eu ri.

_ Hey, grandão.- disse me virando e dando um beijo em sua bochecha.

_ Pode parar com a melação.- Val quase que ordenou ao irmão mais velho.

_ Ah, você quer um beijinho também, é?- Tyler começou a se aproximar da loira e a mesma começou a dar passos para trás, até que os dois estavam correndo um atrás dos outros indo em direção ao corredor. Enquanto isso eu e Lin ríamos da palhaçada dos dois, a face da loira estava avermelhada quase como se estivesse com vergonha de algo, que, por sinal eu já desconfiava o que era.

_ Fala Lin, o que você quer me dizer?- minha voz pareceu assustá-la, porque deu um pulo e me olhou de olhos arregalados.

_ O quê?- ela me olhou fingindo estar confusa.- Não quero dizer nada, oras.

_ Ah, okay. Então vou perguntar pro Tyler vai que ele sabe de alguma notícia sobre um certo moreno sarado qual era o nome dele mesmo é....- fingi estar tentando me lembrar do nome do tal garoto.

_ Dylan!- ela gritou assustando as pessoas que estavam perto, aquilo não era novidade, Lindsay Holding é famosa por seus escândalos.

_ Ah é, verdade. Vamos, eu preciso ter noticias daquela tentação.- abri um sorriso malicioso e Lin me deu um tapa, ela estava totalmente vermelha o que me fez rir mais ainda.

_ Muito engraçadinha você.- resmungou.

_ Eu sei, não precisa elogiar. Mas é então você vai me contar o que aconteceu com o Dylan...- ela não me deixou terminar, pulando em cima de mim e tampando minha boca, olhei espantada, o que aquela louca queria?

_ Você pirou?Já pensou se um dos meus irmãos escuta isso?- ela começou a me arrastar para dentro do colégio, sem dar a mínima atenção aos resmungos das pessoas ao nosso redor, as paredes brancas não me ajudavam a concentrar no caminho,que eu presumia ser do banheiro feminino.

_ Você sabe, o Josh principalmente é...- ela parou de uma fez, me fazendo quase cair no chão, minha cabeça começou a rodar como se meu corpo ainda não houvesse percebido que havíamos parado.

_ Um completo babaca?- completei mantendo as mãos na cabeça como se isso fizesse a tonteira passar.

_ Ora, ora, sabia que é muito feio ofender as pessoas quando elas não estão por perto?- reconheci a voz de imediato, que, infelizmente, nem de longe era da garota a minha frente.

Era do belo garoto que me encarava, sim, belo, eu o odeio, mas isso não significa que eu tenha que mentir afinal ele é fisicamente a cópia de Ty. Ele estava vestido com uma calça jeans azul, uma camiseta branca e seus três objetos inseparáveis: uma jaqueta de couro preta, seu par de Vans e óculos escuros, que fazia as garotas suspirarem por onde passava.

_ Verdade, mas isso não se aplica as pessoas que até quando estão presente não sabem se defender.- encarei-o usando meu melhor olhar de deboche, visto que acabara de chegar ao meu ápice de felicidade logo no começo do dia. Ter uma discussão com o lado negro da força e seus amigos melhorava meu humor consideravelmente.

_ Ouch! Porque fazes tão mal juízo da minha humilde pessoa, visto que você não é exatamente um exemplo a ser seguido não é, senhorita Keller?- Ele praticamente ignorou a irmã, contornando-a e se aproximando, agora estamos cara a cara, como se todas as outras pessoas fossem simplesmente invisíveis.

Irritei-me, o que exatamente ele queria dizer com aquilo? Ele percebeu que suas palavras me afetaram e sorriu malignamente. Juntei toda a raiva que tinha e sorri com escárnio, o que pareceu confundi-lo pois fez uma careta.

_ Primeiro: eu não faço mal- juízo da sua pessoa, até porque eu não me importo com sua pessoa, se me permite dizer. Segundo: posso não ser uma santa e, mesmo assim, sou bem mais confiável, irônico, não?- Ele não me respondeu parecia irritado o bastante para, pelo menos, formar algo coerente. Nós estávamos perto o bastante um do outro, o que poderia ser arriscado se ele não fosse um babaca e eu não fosse a pessoa que ele mais odeia no mundo. — Que foi magoei os sentimentos do príncipe gelado?- debochei e percebi que os amigos do garoto estava quase pulando em mim e Josh olhava nos meus olhos sem nunca desviar um centímetro sequer, de, algum modo nos sabíamos que recuar era o mesmo que perder e, aparentemente, isso era uma coisa que nenhum de nós parecia querer.

Acho que ficamos bastante tempo nós encarando, somente desviamos o olhar um do outro quando um ser loiro tampou- nos a visão. A garota agarrou meu pulso com força e olhou determinada para o irmão mais velho.

_ Agora que vocês já fizeram o showzinho diário, maninho, eu terei que sequestrá-la um pouco preciso falar a sós com ela.- ela não esperou resposta e começou a me puxar.

_ Ei, o que você vai falar pra ela que não pode falar perto de mim?- ele falou alto o bastante para nós que havíamos começado a nos distanciar ouvíssemos. Lin estava sem resposta,então resolvi ajudá-la, sabia que se Josh soubesse do que ela estava pra me falar, iria fazer da irmã a própria Rapunzel, a fim de que nenhum outro homem, que não fosse ele, o pai e o irmão pudessem ter contato com ela.

_ Isso tudo é medo de perder sua irmã para mim que sou muito mais legal? Ou será que você me ama tanto que não consegue ficar cinco meros minutos longe da minha presença? Será que isso tudo não é desejo reprimido? Eu sei que sou irresistível.- Me virei rapidamente para trás ao terminar de falar e, lancei- lhe uma piscadela, continuando a correr logo depois.

Somente paramos, quando, poucos segundos depois, estávamos em frente á uma porta azul que mantinha o desenho da forma de uma mulher fixado a porta.

Lindsay entrou primeiro, pegou um batom rosa de dentro de sua bolsa florida e foi ao grande espelho que hospedava-se a frente das cabines.

_ Como foram a suas férias, Chloe?- ela passava o objeto nos lábios calmamente e eu entendi o sinal,não queríamos pessoas indesejáveis ouvindo nossas conversas, no HHS todo cuidado era pouco.

As portas permaneciam aparentemente encostadas, por isso, abaixei-me diante de cada cabine, elas estavam vazias, sorte nossa, azar deles.

_ Pode falar, não tem ninguém aqui a não ser nós duas.- disse enquanto me levantava e passava a olhar ao meu redor, demorando-me nos ladrilhos azul turquesa que ficavam centralizados na parede branca. — Mas e se alguém entrar?

_ Ninguém vai entrar, você esqueceu esse banheiro é quase que uma espécie de esconderijo, poucas pessoas sabem que ele "existe", dã.- ela revirou os olhos ao terminar.

_ Não eu não esqueci, é só que não deu pra ver onde você estava me levando e que eu saiba esse poderia ser muito bem qualquer um dos 10 banheiros dessa escola.- Lin deu de ombros- O que você queria falar comigo?

A loira não me respondeu apenas virou-se para me olhar e começou a rir, eu a encarei, juro que as vezes desconfio que ela tem algum tipo de problema, é com toda certeza algum única explicação.

_ Sinceramente se você continuar rindo eu vou achar que está rindo da minha desgraça.- fiz bico e ela riu mais.

_ A culpa não é minha se você é meu irmão parecem mais um casal em crise do que qualquer coisa.

_ Assim, como a culpa também não é minha se seu irmão é um idiota que se sente atraído por qualquer coisa que use saia, ou melhor, no caso dele que não use, né? — dei de ombros, fazendo a garota rir mais ainda.

_ Se você não parar certas pessoas acabarão ficando saber de coisas que eles não deveriam, tá me entendendo?- Lin que antes parecia olhar a única janela presente no lugar me olha assustada.

_ Okay, Okay, eu paro.- levantou as mãos em rendição.

_ Agora, me fala, o que você aprontou com aquele pedaço de mal caminho?- suspirei lembrando do belo moreno de olhos castanhos, a loira, está totalmente vermelha com meu comentário e me dá um pequeno tapa. — Não sou cega, sabia?

_ Eu sei.- ela dá um suspiro.- Ficamos na mesma, quando chegamos lá ele não me reconheceu e ficou dando em cima da Val, embora, ela o ignorasse. No começo foi até divertido perceber que ele não estava me reconhecendo, mas aí eu descobri que a namorada dele ia passar a semana com ele. Fingi não dar muita importância para aquilo, até porque voltamos a conversar e ele não tocava no assunto. Um dia antes da tal garota chegar, meus pais resolveram dar uma festa para todos os nossos vizinhos e nessa festa, sem que meus irmãos vissem...- ela parou, estava nervosa ao continuar, mantendo as mãos enroscadas uma na outra.

Ela sentou-se na pequena pedra, onde ficavam as pias.

_ E ele o quê? — passei as mãos em seus fios loiros.

_ Ele... tentou me agarrar a força.- ela admitiu baixinho.

_ AQUELE CABRITO DESALMADO DE UMA PERNA SÓ FEZ O QUÊ?- gritei e ela pulou tampando minha boca.

_ Eu disse tentou. Eu consegui fugir. Por que de uma perna só?- tentou me acalmar, mas eu ri malignamente com sua pergunta.

_ Porque eu vou arrancar uma com a faca de pão e bater com ela na cara desse energumeno desalmado.- fiz uma pausa- E depois?

_ No outro dia, a namorada dele chegou, você devia vê la, é uma daquelas pessoas que você fica até com vergonha de encarar.- suspirou- Santo Dean Wichester, a garota é a definição exata de pedaço de mal caminho.

_ Mas e ele, fez o quê?

_ Agiu como se não tivesse acontecido nada. Pelo amor de Deus, ele quase me levou pra cama dele!- revoltou se.- Na véspera da nossa volta ele fez a mesma coisa e dessa vez teria realmente conseguido se um dos empregados da fazendo não tivesse descido a mão nele .

_ Eu disse perna? Acho que estou pensando em algo mais pra cima, mais doído, torturante, sabe? Algo que ele tem no meio das pernas...- fiz de pensativa.

_ Chloe,ele não iria poder ter filhos.- olhou- me indignada.

_Olha, eu estaria salvando o mundo, impedindo que idiotas como ele reproduzam, você me chamaria de Salvador da Pátria se isso acontecesse, admita. — ela fez uma careta e deu de ombros.

_ E os gêmeos?

_ Eles não sabem, a única que sabe é a Val.

_VOCÊ NÃO CONTOU PRA ELES?- ela novamente tampou minha boca.

_ Não eles não sabem e nem vão saber, eles teriam acabado com o Dylan. E para de gritar que eu não sou surda.

_ Ah, mas com isso não precisa nem se preocupar, eu mesma acabo com ele na hora que o encontrar, pode ter certeza.- disse e ela fez que não com a cabeça.

_ NÃO! Não faça isso, eles iriam desconfiar e...- antes que ela terminasse, aquele maldito sinal tocou avisando que deveríamos ir para as salas.

_ Não garanto nada, beijo. — sai correndo de lá sem esperar sua resposta.

O corredor estava cheio, mas consegui passar por quase todas as pessoas, ignorando alguns resmungos sendo proferidos.

Cheguei a porta em tempo recorde, poucos segundos antes do sinal bater já entrava na sala cor creme recheada de cartazes. Fui caminhando calmamente até minha carteira, que infelizmente era em dupla, coisa que sempre detestei, mas depois de inúmeras reclamações inúteis desisti de lutar contra.

Após, quase jogar, minha mochila no chão, ignorando todos os comentários "bonitinhos" de meus colegas, me senti pacientemente em meu lugar.

Senhor Collins entrou desajeitadamente na sala, eu juro, era cômico. Nosso "querido" professor de História era um homem magro e baixinho, com seus cabelos pretos e olhos castanhos que eram tampados pelo óculos de grossa armação. Eu sentia um pouco de dó dele, afinal, o homem era tão atrapalhado, que, acabara que meus colegas perderam o respeito por ele.

_ Bom dia.- ele pronunciou, provavelmente esperando que as pessoas percebessem que ele estava ali e sentassem, o que mais uma vez não aconteceu. Nem eu que agora havia me debruçado na mesa havia dado ao trabalho de olhar para o professor, quem dirá meus colegas.

_ CHEGA!- Eita que o homem pirou de vez, o grito dele foi tão alto que eu realmente preciso checar se eu não perdi meu dom da audição. Eu realmente não preciso dizer que isso assustou a todos, não é? Aproveitando do momento de surpresa ele continuou.- Ano passado, vocês me fizeram de bobo, não me deixaram dar aula, mas esse ano, esse ano não...- acabei entrando no modo automático, todo ano ele fazia o mesmo discurso e, no final, não dava em nada.

Ainda com a cabeça baixa senti alguém me cutucar, e, qual não foi minha surpresa ao ver Josh me encarando como se quisesse algo. Mas aí pensei: " O que esse demônio quer comigo agora?"

_ Chega pra lá, garota eu quero sentar!- praticamente grunhiu pra mim.

_ Senta no chão já que está tão familiarizado com ele mesmo.- respondi e voltei a me debruçar sobre a carteira.

_ Sua...

_ Senhor Hampton, será que além de o senhor chegar atrasado, ainda irá atrapalhar minha aula ficando em pé?- Senhor Collins batia o pé impacientemente.

_ Eu até me sentaria se a senhorita Keller fizesse o favor de levantar — se de nossa mesa.

_ NOSSA O QUÊ?- gritei e levantei de supetão.

_ Nossa mesa, Keller. Achei que você como uma boa aluna já tinha se dado ao trabalho de olhar o mapeamento de sala.- Josh abriu um sorriso. Eu juro que vou socar a cara desse garoto hoje.

_ Argh! Senta aí então, mas vou logo avisando que uma brincadeira e você apanha, ok? — levantei enquanto ele se jogava na cadeira.

_ Penso que agora que se sentou o senhor não se importaria de me explicar o motivo de seu atraso.

Ele juntou as mãos sobre a mesa e com um sorriso de lado respondeu.

_ Pensou errado, eu me importo.- Ou seja, ele estava despindo alguém dentro de algum dos trocentos banheiros de Azkaban. Vi o professor encará- lo sem fala.

_ É claro que ele se importa, deve ser muito vergonhoso dizer a todos que, nessa idade não saber nem olhar as horas num relógio de ponteiro, já que a mamãe tirou o celular, não é?- provoquei-o dando uma gargalhada e sendo acompanhada por outra pessoa que logo identifiquei como Tyler.

_ Nossa maninho, tá nessa situação?- o gêmeo de Josh sentava à umas três carteiras atrás da nossa, já que a nossa era do meio. Josh me dirigiu um olhar raivoso como se quisesse me estrangular.

_ Cala boca, Tyler. Que eu saiba não sou só eu que estou encrencado, ou você quer que todos saibam que...- ele pausou ao ver Ty parar de rir.- Ótimo.

_ Senhor Hampton, ainda estou esperando uma explicação.- Senhor Collins estava totalmente vermelho o que indicava que estava prendendo a risada.

_ Você quer saber?- abriu um sorriso e me encarou.- Eu estava vindo para sala quando fui interceptado por uma morena louca.

_ Talvez você tenha interceptado a morena e convenhamos só ver você já deixa qualquer um louco.- respondi me virando pra ele.

_ Talvez se essa garota não tivesse correndo pelo corredor, não teria esbarrado em mim e eu não teria demorado.- retrucou.

_ De certo se você não interrompesse a conversa da morena como o enxerido que você é, não tivesse se atrasado.- rebati.

_ Talvez...- Sr. Collins o interrompeu.

_ Já entendi, vocês se encontraram, agora, pode me explicar porque ela chegou na hora e você não? — nos viramos para o professor.

_ Então...- coçou a nuca e me olhou como se pedisse ajuda. Tá bom que eu vou ajudar. Humpf! Apenas sibilei um "se vira" e virei para frente.

_ Deixa, não me interessa. Se chegar mais uma vez atrasado Sr. Hampton, consequências serão tomadas.- o homem ameaçou e ele somente assentiu.- Bom turma, agora vamos continuar nossa aula. Primeiro eu quero falar sobre o projeto que vamos desenvolver esse ano.- foi uma chuva de reclamações.- Não posso fazer nada se não concordam, essa foi a decisão de todos os professores.- a sala calou se.- Não sei se perceberam mas esse ano organizamos o mapeamento da sala de maneira bastante estratégica,- foi ouvido um grande resmungo de insatisfação, que o homem ignorou e continuou- queremos tirá-los de suas zonas de conforto, causar uma interação melhor entre vocês. É claro, não estou dizendo que precisam ser tornar melhores amigos, mas o objetivo do trabalho é torná- los no mínimo comunicativos com pessoas que não são do seu grupo de amigos.- ouviu se gritos e comemorações.- Mas, antes que fiquem felizes eu vou logo dizendo, nós professores já escolhemos cada dupla.- uma nova onda de reclamações.

_ Mas professor, assim não será divertido.- um dos garotos que não me preocupei em reconhecer gritou.

Sr. Collins deu uma risada considerada no mínimo macabra.

_ Como eu disse antes é um trabalho e trabalho não é para ser divertido e sim pra ser massacrante, trabalhoso e cruel, principalmente.- deu um sorriso. Eu falei o velho pirou de vez, não é possível.- Ah, e vou logo falando, espero que gostem das pessoas com quem estão sentando já que serão seu par nesse trabalho.

Eu travei, literalmente, como assim os professores queriam que eu fizesse o trabalho com o animal que estava do meu lado? É sério, se eles queriam que conversassemos menos era só falar, não precisava fazer uma maldade dessas.

Meus "queridos" colegas nos olhavam com curiosidade, esperando nossa reação, todos sabiam que nós nos odiávamos, aliás odiar seria um mero eufemismo nesse caso. E garanto que não erabsó eu que concordava com tal fato. Já estava claro como água que os quatro diablos odiariam pra sempre as mosqueteiras e vice versa.

Você deve estar se perguntando que diabos são os quatro diablos e as mosqueteiras e eu como uma boa moça te esclareço.

Passado alguns anos que eu havia entrado no HHS, Lin e Val já eram minhas melhores amigas, elas me explicaram, com muito orgulho, que havia um grupo especial no colégio, seu nome era "Quatro Diablos", o grupo era formado por seus irmãos Josh e Tyler e por mais dois amigos deles, Zack e Justin.

Então, na época, eu com meus 12 anos, não entendia muito bem o que acontecia mas, mesmo eu já tendo uma certa antipatia por Josh naquela época, eu os admirava, era sempre engraçado ver o que eles eram capazes de aprontar, coisa que acontecia muito com pessoas que eles não gostavam e o melhor, eles faziam tudo tão bem que todos sempre souberam quem era e nunca conseguiram achar uma prova se quer.

Um dia, eu e as garota decidimos que queríamos nos juntar a eles, pois nos achávamos bem capaz de fazer tudo aquilo, porém no momento em que falamos sobre isso para os garotos, eles piraram e não aceitaram a nossa idéia de nos juntar.

Decididas, criamos nos três nosso próprio grupo, que acabou ficando "famoso" depois de algumas armações, o que também nos colocou no lugar de honra contra o grupo mais "invejado" do lugar.

O nome mosqueteiras já estavam na ponta da língua dos nossos colegas na semana seguinte e, desde então, viramos as piores inimigas dos quatro diablos, o que acabou ocasionando nossa promessa de que NUNCA, uma mosqueteira poderia ficar com um diablo e vice versa. Bom, isso é tudo, o resto é história.

Se tinha alguma certeza naquele momento, era a de que alguém sairia bem machucado antes mesmo do fim do trabalho e eu tinha certeza de que essa pessoa não seria eu, isso é claro se não nos matássemos na primeira semana.

Notas finais
E aí? Gostaram? Deixem suas opiniões, até mais ver, bye bye.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.