Agalesia

11 Um novo dia


Na manhã seguinte...

Acordei com o leve som de pássaros a cantar á minha janela.
Tudo corria bem. Tudo estava em perfeita harmonia naquele exato momento. Tudo...
Aquilo que tinha acabado de acontecer no dia anterior, as revelações...
Parecia um sonho estranho, confuso e tudo tinha acontecido muito depressa.
Mas...
Uma pequena voz na minha cabeça não se calava, passava os dias a dar-me concelhos, a dizer-me o que deveria fazer. Pensei em dar-lhe um nome comum como... Consciência mas a minha era diferente, ela realmente fala comigo todos os dias. Dei-lhe o nome de uma elfa que foi muito bondosa para mim e que tal como ela não parava de me dar conselhos, o seu nome era Raven.
Raven é o nome da minha "consciência".
E hoje, Raven estava particularmente faladora...
Não me deixava parar de pensar na loucura que foi aquele dia. Um casamento, uma nova família para mim e além disso descubro que sou uma Aelka. Eu! Uma predestinada a viver uma vida de aventura e a ter uma amizade com um ser tão mítico e poderoso...
Não sei se tudo no dia anterior teria sido sorte ou se o destino esteve a brincar comigo durante toda a minha vida e havia decidido parar ali mesmo...
Não sei...
Nem quero saber!
Finalmente tinha uma verdadeira família. O único pequeno detalhe que não me agradava nada era a idéia de que poderiam querer transformar-me numa princesa requintada e com boas maneiras.
Como se fosse possível.
Alguém bate á porta.
Íris— Quem é?
Claire— Sou eu.
Íris— Entre Claire.
Claire entra.
Claire— Bom dia. (disse cabisbaixa enquanto tirava um vestido do guarda-fatos)
Íris— Bom dia. Tudo bem?
Claire— Sim, porque pergunta?
Íris— Porque me pareces estranha. O que se passa? (intrigada)
Claire suspira e começa a falar sem parar.
Claire— Ok. A verdade é que me encarregaram de fazer algo que eu não sei fazer, e sei que seria um grande atrevimento da minha parte pedir-lhe que me ensinasse e que perdesse o seu tempo e tudo mais, mas eu não quero desiludir ninguém e você percebe do assunto por isso pensei que...(respira)
Íris— Claire! Abranda e respira...
Claire para e olha para mim.
Íris— Eu ajudo.
Claire— A sério? (impressionada e feliz)
Íris— Claro que sim. Do que se trata?
Claire— Não vais acreditar, mas, eu fui escolhida para ajudar a preparar os dragões para a corrida de hoje em honra do novo rei, só me esqueci de recusar a proposta já que eu não sei como se prepara um dragão que está prestes a correr. O que é que eu faço?
Íris— Não te preocupes, eu ajudo. Aliás...
Levanto-me e tiro da gaveta da secretária um papel.
Íris— Fica com isto, é um documento que te diz tudo o que precisas de saber sobre o tema.
Claire— Obrigada, nem sei como lhe agradecer. Quando quer que o devolva?
Íris— Fica com ele o tempo que precisares.
Claire— A sério? Não lhe faz falta?
Íris— Não mais. Isto foi me dado por um elfo que me ensinou tudo o que sei hoje sobre dragões, deu-me isso caso esquecesse mas eu já aprendi tudo o que este pedaço de papel pode ensinar. Leva-o e faz bom proveito dele.
Claire— Farei. Obrigada.
Claire sai do quarto.
Vesti-me e desci para o pequeno-almoço quando no fim das escadas encontrei Leopold a brincar com o Ravi que estava muito feliz, acho que até os dragões ficam ansiosos com uma corrida de dragões.
Leopold— Bom dia. Como está um dia prefeito para correr, não concorda?
Íris— Está muito animado. Não sabia que ia correr.
Leopold— Sim. Vou correr, e ganhar. Gostava que um dia tu pudesses vir a saber como é.
Íris— Como assim?
Leopold— Tu sabes... Alguém como tu não conseguiria pilotar um dragão.
Uma onda de raiva passou por mim naquele momento, eu iria provar-lhe que está errado mas deixei-o continuar.
Leopold— Talvez não saibas mas existem dragões bem maiores que o Ravi. E são esses que participam nas corridas como a de hoje á tarde.
Ele estava a testar a minha paciência ao chamar-me de ignorante daquela maneira, apetecia-me dizer-lhe umas quantas verdades mas decidi acabar aquela conversa pacificamente.
Era o melhor para todos.
Íris— Obrigado pela explicação, adoraria continuar aqui a conversar, mas... Tenho de ir tomar o pequeno-almoço.
Leopold— Ótimo! Eu também, vamos filha?
Encarei-o por algum tempo.
Leopold— O que foi?
Íris— Nada é só que esta é a primeira vez que o meu verdadeiro pai me chama assim.
Leopold— Não te poderia chamar de outra maneira.
Eu ainda me sentia com muita raiva do que ele disse, mas naquele momento esqueci e deixei-me levar pelo momento, e abracei-o.
Leopold— Ainda não acredito que estás aqui comigo. (sussurra)
Íris— Eu também não.
Leopold— Como é que subrevives-te por todos estes anos sozinha?
Íris— Vamos comer e eu conto-te pai.
Durante o pequeno-almoço contei-lhe a minha história assim...bem resumidamente. Rimos e falamos por horas.
O som do relógio a anunciar o início da corrida fez-nos voltar á realidade.
Leopold— Meu deus do céu. Estamos atrasados para a corrida que começa dentro de...(olha o relogio) 10 minutos! Vamos. (apressado)
No campo de corridas...

Leopold— Chegamos mesmo a tempo, tenho de ir. Fica perto de Raul e Mia.
Íris— Ok.
3 minutos depois de chegar ao meu lugar...
Loucutor— Senhoras e Senhores, sejam bem vindos ao acontecimento do ano para este desporto. A grande corrida da primavera, onde os dragões mais velozes e os melhores cavaleiros competem pela honra de receberem o título de melhor cavaleiro e Dragão do ano. Vemos os dragões a aproximarem-se. Estão todos em posição e... Partida!
No final da corrida...
Loucutor— Lepold e Rad estão perto da meta seguidos por Felipe e Ik. Esta é a ultima volta e...(um silêncio de ansiedade tomou conta do ambiente)
Mas que final incrível! No último segundo Felipe ultrapassa Leopold que fica em 2° lugar este ano. Uma grande conquista para este novato que agora é o melhor cavaleiro, talvez montar um dragão experiente o tenha ajudado...