Against the Moon
2 Capítulo 2
– Claro milady. É só caminhar mais um pouco, virar à esquerda e...
Ele não pôde terminar, pois precisou socorrer a donzela que desmaiava diante dele. Seu instinto de cavalheirismo falou mais alto, porém, assim que a pega nos braços... Vê o quão linda era a jovem de pele pálida e cabelos negros.
O nome do rapaz amigável que a salvou era Johnny Price; Filho de pirata com uma bailarina. Nada menos convencional, porém, ele se orgulhava de sua família. Lhe davam amor, carinho, bênçãos, e dinheiro todos os meses. Claro que ele não era interesseiro, porém... não estava em condições de rejeitar dinheiro.
Price então levou a moça a um amigo médico urgentemente. Doutor Barrett, um homem gentil e honesto; cuidou de Johnny quando a caxumba o acometeu, ele tinha 18 anos. Hoje tem 30 e é o jovem mais feliz deste mundo. Barrett tem 70 no momento, mas não perde o bom humor.
– Doutor Barrett?
– Johnny! Johnny, meu filho! Aconteceu algo?
– Comigo não, mas essa moça desmaiou em meus braços, Doutor. Estava caminhando no campo, quando ela pediu-me que a informasse onde ficava a estação de trem mais próxima. Não consegui completar as instruções, pois tive que segurá-la. – Ele falava sem pausas e parou para recuperar seu fôlego – Não podia deixa-la cair... O senhor pode ver que é uma moça encantadora.
– Vejo também que está excessivamente pálida e com duas marcas estranhas no pescoço.
– Que será isso? Não é normal algo assim, Doutor!
– Sinceramente, não é a primeira vez que meninas com essa aparência vêm aqui. E a cada lua cheia aumenta o número de visitas. Não faço ideia do que seja, rapaz, só sei que não é coisa boa. Mas espere aqui, vou buscar os equipamentos para examiná-la.
Enquanto o Doutor Barrett ia buscar seus apetrechos, Johnny observava a pálida e encantadora dama em sua serenidade. Não é justo que morra assim, não é justo que ela parta sem dar a ele a chance de provar-lhe os lábios, de senti-la nos braços, de... Torná-la dele... Repreendeu seus pensamentos. Ela estava inconsciente, pelo amor de Deus! Não podia pensar dessa forma. Onde estariam seus valores e princípios? Perdidos naqueles olhos cor de mel.
Mergulhado numa contemplação profunda, não percebeu que Barrett havia retornado com seus equipamentos, o que o deixou com tamanha vergonha pelos seus pensamentos impuros. Mas Barrett era conhecedor das mentes jovens, e naquelas circunstâncias, era perfeitamente compreensível que o rapaz se sentisse e pensasse daquela forma. Ele mesmo experimentou a sensação de estar apaixonado e foi maravilhosa.
– Doutor... Não vi que chegava.
– Ela é realmente encantadora, filho. Entendo porque vive percorrendo-a com olhar brilhante, olhar de quem tem a necessidade de aquecer-se com o corpo do ser amado; a necessidade de olhar para seu rosto e lá sentir que o mundo é belo porque a abriga...
– É exatamente isso que sinto Doutor! Nunca senti nada mais intenso nessa vida. Faça com que acorde, lhe suplico!
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