Again

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa é a primeira história que eu posto, então espero que gostem.

Como sempre, acordei com o meu despertador tocando as seis em ponto. Não estava com ânimo algum para sair da cama, mas como eu tinha o que fazer e uma filha para cuidar, tomei um banho rápido, me arrumei e desci para o primeiro andar da casa.

Tudo estava bagunçado. Tinha roupas espalhadas para todos os cantos. Pelos barulhos que eu tinha ouvido na noite anterior, minha mãe não tinha chegado em casa sóbria e muito menos desacompanhada. E tudo isso se confirmou quando eu entrei na cozinha e tinha um moço, muito bem aparentado, só de samba-canção sentado em um dos banquinhos no balcão.

— Dá pra vestir uma roupa? — falei já começando a arrumar a mamadeira da Anne.

— Nossa, bom dia pra você também. — ele falou sorrindo.

— Tem criança nessa casa.

— Você me parece bem grandinha já. — usou um tom malicioso.

Saí de lá brava e bati com força na porta do quarto da minha mãe.

— Andréa, dá pra você falar pra esse sujeitinho quase nu que está sentado na cozinha sair de lá? Eu não sou obrigada a ver isso a essa hora da manhã.

— Mark, volta pra cá. — ela gritou.

— Não precisa ficar brava ruivinha, eu só estava puxando conversa. — ele passou por mim e entrou no quarto.

Terminei de arrumar a mamadeira e subi.

O quarto dela era ao lado do meu, e quando entrei vi que ela já estava acorda e olhando tudo através da grade do berço.

— Bom dia meu bem. — falei e ela rolou. — Sem preguiça. Toma aqui seu mamá pra gente poder ir pra escola.

— Não. — ela choramingou.

— Sim, sim. Você sabe que tem que ir.

Entreguei a mamadeira pra ela e fui pegar seu uniforme. Logo que ela terminou, a troquei, arrumei sua mochila e tornei a descer.

Meus irmãos, minha mãe e o sujeito desconhecido estavam na cozinha tomando café.

— Camila, que horas você sai hoje?

— Quatro e meia.

— Eu não sei se eu vou vir pra casa hoje e se eu vim, vou chegar tarde.

— Grande novidade. — murmurei.

— Vem aqui com o Tio. — o Gustavo pegou a Anne do meu colo.

— Vocês vão querer carona? — perguntei.

— Eu vou. — o Bruno falou. — Só vou pegar minha mochila.

— Vai rápido que eu já estou atrasada.

Ele subiu as escadas correndo.

Minha mãe não é das mais ajuizadas. Quando ela conheceu o meu pai, na época um empresário pouco conhecido e uns anos mais velhos, ela pensou ter encontrado o amor da vida dela, e acho que ele também. Ela estava começando a faculdade tinha vários planos para o futuro, o que foi mudado quando ela descobriu que estava grávida.

Pelo o que me foi contado quando eu era pequena, os dois se dedicaram muito a criança que estava por vir, foram até morar juntos quando o Gustavo nasceu. Um ano depois eu nasci e mais dois anos a frente veio o Bruno.

A relação dos dois era considerado boa, mas começou a ficar desgastada quando minha mãe resolveu investir na carreira dela. Ela terminou a faculdade e se tornou uma grande promotora de eventos. Por mais que se dessem bem, a separação foi de comum acordo.

Há uns anos, minha mãe resolveu desajuizar de vez. Resolveu que tinha que aproveitar a vida, já que não o fez quando era mais jovem. Eu e meus irmão nunca ligamos muito para isso, mas em um desses namoricos ela acabou ficando grávida, e agora temos o Antônio como nosso irmão caçula.

— Que dia que o Antônio vem pra cá?

— Acho que esse final de semana eu vou buscar-lo, depende do meu trabalho.

— Já fazem duas semanas que ele não vem.

— O pai dele levou ele pra praia semana passada.

— Ah.

O Be-k voltou com a mochila e eu me despedi de todos.

— Tchau pra vocês. Vem Anne.

Fomos para a garagem e eu coloquei a Anne na cadeirinha enquanto no Bruno entrava no banco do passageiro.

Fui dirigindo rápido pelas ruas não muito movimentadas do nosso bairro até chegar na casa da Fernanda.

— Oi Cal. — ela falou entrando. — Oi Be-k, e oi princesinha.

— Oi. — falamos.

A escola da Anne não era muito grande e tinha poucas crianças e era por isso que eu gostava, dava para as professoras cuidarem melhor de quem estava lá. E além de tudo, era perto da minha casa.

— Bom dia Camila. Bom dia Anne. — a professora falou animada.

— Bom dia. — sorri.

— Você mesma que vai vir buscá-la hoje, né?

— Aham, quatro e meia eu estou aqui.

— Tudo bem.

Entreguei a Anne pra ela e voltei para o carro.

— Vê se não fica enrolando na rua. Vai rápido pra casa e arruma a sua parte lá. — falei pro Be-k quando chegamos na escola dele.

— Pode deixar.

— Qualquer coisa, me liga.

— Tá. — ele saiu do carro rápido.

Logo chegamos na faculdade. O campus de lá é enorme, parece uma cidade. Estacionei o carro perto do nosso departamento e nós entramos. Por sorte, ainda eram sete e vinte e oito, não estávamos atrasadas.

As aulas da parte da manhã passaram rápidas. Tirei algumas dúvidas com os professores e apresentei um trabalho.

— Você vai comer aqui mesmo?

— Acho que sim. A comida daqui melhorou bastante.

— Tá.

Fomos para o refeitório e nos servimos.

— Você arrumou algum lugar para ir esse final de semana? — perguntei.

— Ah, vai ter uma festa aqui do campus.

— A última que a gente veio não estava muito boa.

— Essa parece que vai ser um pouco pior ainda, mas acho que não vai ter mais nada não.

— Esse final de semana a Anne não vai pra casa da avó dela, mas você pode ir lá pra casa pra gente assistir um filme ou fazer alguma coisa. — sugeri.

— Acho uma ideia ótima.

Terminamos de comer e estávamos nos encaminhando para o departamento quando a Fernanda fez a maior cara de assustada e me chamou.

— Cal, olha... — antes dela terminar a frase, ouvi alguém me chamando.

— Camila! — alguém com uma voz inconfundível.

Senti um arrepio me subir pela espinha e me virei bem devagar.

Queria estar errada quanto a identidade desse alguém, mas era impossível negar que fosse ele. Ele veio em minha direção calmo, com o mesmo andar cafajeste e o sorriso tordo de garoto nos lábios.

Leonardo, ninguém menos do que o homem que eu estava, a todo custo, tentando esquecer nesses últimos sete meses. Ninguém menos do que a pessoa que mais me fez sofrer, em toda minha vida. Ninguém mais, ninguém menos, do que o pai da minha filha.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.